A · B · C · D · L · M · N · O · P · R · S · T · V
A
B
C
D
L
M
N
O
P
R
S
T
V
Traçando uma cruz na testa usando o polegar direito
Pelo sinal da Santa Cruz,
Traçando uma cruz nos lábios usando o polegar direito
livrai-nos, Deus Nosso Senhor
Traçando uma cruz no peito usando o polegar direito
dos nossos inimigos.
Traçando uma cruz na testa usando o polegar direito
Per signum Crucis
Traçando uma cruz nos lábios usando o polegar direito
de inimicis nostris
Traçando uma cruz no peito usando o polegar direito
liberanos, Deus noster.
Tocando a testa com a ponta dos dedos da mão direita aberta e com a palma virada para si
Em nome do Pai
Tocando o peito com a ponta dos dedos da mão direita aberta e com a palma virada para si
e do Filho
Tocando ombro direito e depois o esquerdo com a ponta dos dedos da mão direita aberta e com a palma virada para si
e do Espírito Santo.
Junte as mãos abertas com as pontas dos dedos viradas para cima
Amém.
Tocando a testa com a ponta dos dedos da mão direita aberta
In nomine Patris,
Tocando o peito com a ponta dos dedos da mão direita aberta
et Filii,
Tocando ombro direito e depois o esquerdo com a ponta dos dedos da mão direita aberta
et Spiritus Sancti.
Junte as mãos abertas com as pontas dos dedos viradas para cima
Amen.
Pode-se fazer apenas um deles ou ambos combinados na sequência apresentada, conforme costume.
Na missa usa-se apenas o segundo, exceto antes da leitura do evangelho, quando o primeiro é feito de forma silenciosa.
Ambos são codificados por † nas rubricas.

Creio em Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do Céu e da Terra.
E em Jesus Cristo, seu único Filho,
nosso Senhor
Ajoelhar-se
que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;
nasceu da Virgem Maria;
Ficar de pé
padeceu sob Pôncio Pilatos,
foi crucificado, morto e sepultado;
desceu à mansão dos mortos;
ressuscitou ao terceiro dia;
subiu aos Céus;
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
Creio no Espírito Santo;
na santa Igreja Católica;
na comunhão dos Santos;
na remissão dos pecados;
na ressurreição da carne;
e na vida eterna.
Amém.
Credo in Deum
Patrem omnipotentem,
Creatorem cæli et terræ.
Et in Iesum Christum, Filium eius unicum, Dominum nostrum,
Ajoelhar-se
qui conceptus est de Spiritu Sancto,
natus ex Maria Virgine,
Ficar de pé
passus sub Pontio Pilato,
crucifixus, mortuus, et sepultus,
descendit ad inferos,
tertia die resurrexit a mortuis,
ascendit ad cælos,
sedet ad dexteram Dei Patris omnipotentis,
inde venturus est iudicare vivos et mortuos.
Credo in Spiritum Sanctum,
sanctam Ecclesiam catholicam,
sanctorum communionem,
remissionem peccatorum,
carnis resurrectionem,
vitam æternam.
Amen.

Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome;
venha a nós o vosso reino;
seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje;
perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido;
e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.
Amém.
Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum;
adveniat regnum tuum;
fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra.
Panem nostrum cotidianum da nobis hodie;
et dimitte nobis debita nostra, sicut et nos dimittimus debitoribus nostris;
et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo.
Amen.

Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso Amor.
Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado.
E renovareis a face da terra.
Oremos:
Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação.
Por Cristo Senhor Nosso. Amém.
Veni, Sancte Spiritus, reple tuorum corda fidelium, et tui amoris in eis ignem accende.
Emitte Spiritum tuum, et creabuntur.
Et renovabis faciem terræ.
Oremus:
Deus, qui corda fidelium Sancti Spiritus illustratione docuisti, da nobis in eodem Spiritu recta sapere, et de eius semper consolatione gaudere.
Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém.
Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum.
Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, lesus. Sancta
Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc, et in hora mortis nostræ.
Amen.

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei; e depois deste desterro nos mostrai Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.℣. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Salve, Regina, Mater misericordiae, vita, dulcédo et spes nostra, salve. Ad te clamamus, éxsules filii Evae. Ad te suspirámus geméntes et flentes in hac lacrimárum valle. Eia ergo, advocáta nostra, illos tuos misericórdes óculos ad nos convérte. Et Jesum benedíctum fructum Ventris tui, nobis, post hoc exsílium, osténde. O clemens, o pia, o dulcis Virgo María!
℣. Ora pro nobis, sancta Dei Génitrix.
℟. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.

Santo Anjo do Senhor
se a ti me confiou a pieda-de divina,
sempre me rege,
me guarda,
me governa,
me ilumina.
Amém.
Angele Dei,
qui custos Les mei,
me tibi commissum pietate superna,
hodie et semper illumina,
custodi,
rege et
guberna.
Amen.

Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno; levai as alminhas todas para o céu, principalmente aquelas que mais precisarem!
ensinada pela própria Virgem Maria aos três pastorinhos de Fátima: Lúcia dos Santos, São Francisco Marto e Santa Jacinta Marto, durante a aparição do dia 13 de julho de 1917.


Coração dulcíssimo de Jesus, Coração Hóstia, Coração Vítima, para quem os homens ingratos só têm esquecimento, indiferença e desprezo! Permiti aos vossos filhos devotos virem, neste dia de salvação e perdão, pedir misericórdia a vossos pés, e dar-Vos reparação pública pelas traições, atentados e sacrilégios de que sois vítima adorável em vosso Sacramento de amor.
Ah! Nós mesmos somos pecadores; apenas ousamos apresentar-nos. Cada um teme, a cada uma falta coragem para elevar a voz em favor de seus irmãos.
Entretanto, ó Jesus, confiando na infinita bondade de vosso Coração, e prostrando-nos humildemente perante vossa Majestade três vezes santa, tão indignamente ultrajada pelos crimes que inundam a terra, ousamos dizer-Vos: Senhor, não castigueis... ou, pelo menos, não castigueis ainda! Vosso indulgente amor perdoará nossa temeridade.
Ó Coração de Jesus, Coração tão generoso e tão terno, Coração tão amante e tão doce! Perdão, primeiramente, para nós! Perdão para os pobres pecadores! Aceitai nosso desagravo, nossa reparação pública pelas blasfêmias, com que tantos Vos ultrajam.
Perdão para os blasfemadores. Reparação pública pelas profanações de vossos Sacramentos e do santo dia que Vos é consagrado. Graça e perdão para os profanadores!
Reparação pública pelas irreverências e imodéstias cometidas no lugar santo. Graça e perdão para os sacrílegos!
Reparação pública pela indiferença que de Vós aparta tantos cristãos. Graça e perdão para os ingratos! Reparação pública por todos os crimes. Ainda uma vez, ó meu Deus, graça e perdão para todos os homens!
Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável de vosso Divino Filho, que vela em todos os santuários, vítima permanente por nossos pecados.
Seja ouvido em nosso favor o seu Preciosíssimo Sangue. Cessem as ofensas. Estabeleça-se o vosso divino amor; reine, triunfe nos corações de todos os homens, para que todos os homens reinem um dia convosco no Céu. Amém.

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nos.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus,
Espírito Santo, que sois Deus,
Santíssima Trindade, que sois um só Deus,
Coração de Jesus, Filho do Pai Eterno,
Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe,
Coração de Jesus, unido substancialmente ao Verbo de Deus,
Coração de Jesus, de majestade infinita,
Coração de Jesus, templo santo de Deus,
Coração de Jesus, tabernáculo do Altíssimo,
Coração de Jesus, casa de Deus e porta do Céu,
Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade,
Coração de Jesus, receptáculo de justiça e de amor,
Coração de Jesus, cheio de bondade e de amor,
Coração de Jesus, abismo de todas as virtudes,
Coração de Jesus, digníssimo de todo o louvor,
Coração de Jesus, rei e centro de todos os corações,
Coração de Jesus, no qual estão todos os tesouros da sabedoria e ciência,
Coração de Jesus, no qual habita toda a plenitude da divindade,
Coração de Jesus, no qual o Pai põe todas as suas complacências,
Coração de Jesus, de cuja plenitude todos nós participamos,
Coração de Jesus, desejo das colinas eternas,
Coração de Jesus, paciente e misericordioso,
Coração de Jesus, rico para todos que vos invocam,
Coração de Jesus, fonte de vida e santidade,
Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados,
Coração de Jesus, saturado de opróbrios,
Coração de Jesus, esmagado de dor por causa dos nossos crimes,
Coração de Jesus, feito obediente até a morte,
Coração de Jesus, transpassado pela lança,
Coração de Jesus, fonte de toda a consolação,
Coração de Jesus, nossa vida e ressurreição,
Coração de Jesus, nossa paz e reconciliação,
Coração de Jesus, vítima dos pecadores,
Coração de Jesus, salvação dos que esperam em Vós,
Coração de Jesus, esperança dos que morrem em Vós,
Coração de Jesus, delícia de todos os Santos,
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós.
℣. Jesus, manso e humilde de coração,
℟. Fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
Oremos: Deus onipotente e eterno, olhai para o Coração do vosso Filho diletíssimo e para os louvores e as satistações que Ele Vos tributou em nome dos pecadores; e, aos que imploram a vossa misericórdia, concedei benigno o perdão, em nome do mesmo vosso Filho, Jesus Cristo, que convosco vive e reina, em unidade do Espírito Santo Deus, por todos os séculos dos séculos. ℟. Amém.
Kyrie, eleison.
Christe eleison.
Kyrie, eleison.
Christe, audi nos.
Christe, exaudi nos.
Pater de cælis, Deus, miserere nobis.
Fili, Redemptor mundi, Deus,
Spiritus Sancte, Deus,
Sancta Trinitas, unus Deus,
Cor Jesu, Filii Patris æterni,
Cor Jesu, in sinu Virginis Matris a Spiritu Sancto formatum,
Cor Jesu, Verbo Dei substantialiter unitum,
Cor Jesu, majestatis infinita,
Cor Jesu, templum Dei sanctum,
Cor Jesu, tabernaculum Altissimi,
Cor Jesu, domus Dei et porta cali,
Cor Jesu, formax ardens caritatis,
Cor Jesu, justitiæ et amo-ris receptaculum,
Cor Jesu, bonitate et amore plenum,
Cor Jesu, virtutum om-nium abyssus,
Cor Jesu, omni laude dig-nissimum,
Cor Jesu, rex et centrum omnium cordium,
Cor Jesu, in quo sunt omnes thesauri sapientiæ et scientiæ,
Cor Jesu, in quo habitat omnis plenitudo divini-tatis,
Cor Jesu, in quo Pater sibi bene complacuit,
Cor Jesu, de cuius plenitu-dine omnes nos accepi-mus,
Cor Jesul, collium æternorum,
Cor Jesu, patiens et multa misericordiæ,
Cor Jesu, dives in omnes qui invocant te,
Cor Jesu, fons vitæ et sanctitatis,
Cor Jesu, propitiatio pro peccatis nostris,
Cor Jesu, saturatum opprobris,
Cor Jesu, attritum propter scelera nostra,
Cor Jesu, usque ad mortem obœdiens factum,
Cor Jesu, lancea perforatum,
Cor Jesu, fons totius consolationis,
Cor Jesu, vita et resurrectio nostra,
Cor Jesu, pax et reconciliatio nostra,
Cor Jesu, victima peccatorum,
Cor Jesu, salus in te sperantium,
Cor Jesu, spes in te mo-rientium,
Cor Jesu, deliciæ Sancto-rum omnium,
Agnus Dei, qui tollis pec-cata mundi, parce nobis, Domine.
Agnus Dei, qui tollis pec-cata mundi, exaudi nos, Domine.
Agnus Dei, qui tollis pecca-ta mundi,
miserere no-bis.
℣. Jesu, mitis et humilis Corde,
℟. Fac cor nostrum secundum Cor tuum.
Oremus: Omnipotens sempiterne Deus, respice in Cor dilectissimi Filii tui et in laudes et satisfactio-nes, quas in nomine pecatorum tibi persolvit, iisque misericordiam tuam petentibus, tu veniam concede placatus in nomine ejusdem Filii tui Jesus Christi, qui tecum vivit et regnat in saculæ sæculo-rum. ℟. Amen.
Retirada do devocionário “Adoremus”

Eis-me aqui, ó bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos me prostro em vossa presença e vos suplico com todo o fervor de minha alma que vos digneis gravar no meu coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, verdadeiro arrependimento de meus pecados e firme propósito de emenda, enquanto vou considerando, com vivo afeto e dor, as vossas cinco chagas, tendo diante dos olhos aquilo que o profeta Davi já vos fazia dizer, ó bom Jesus: "Traspassaram minhas mãos e meus pés, e contaram todos os meus ossos" (Sl 21,17-18).
En ego, o bone et dulcíssime Iesu, ante conspéctum tuum génibus me provólvo, ac máximo ánimi ardóre te oro atque obtéstor, ut meum in cor vívidos fídei, spei et caritátis sensus, atque veram peccatórum meórum paeniténtiam, eáque emendándi firmíssimam voluntátem velis imprímere; dum magno ánimi afféctu et dolóre tua quinque vúlnera mecum ipse consídero ac mente contémplor, illud prae óculis habens, quod iam in ore ponébat tuo David prophéta de te, o bone Iesu: Fodérunt manus meas et pedes meos: dinumeravérunt ómnia ossa mea (Ps 21, 17-18).

Eu Vos adoro com devoção, ó Divindade oculta,
que sob estas aparências verdadeiramente vos ocultais.
A Vós o meu coração se submete todo inteiro,
pois, ao contemplar-Vos, ele desfalece totalmente.
A vista, o gosto, o tato falham em Vós,
mas só com o ouvido se crê com segurança.
Creio em tudo o que disse o Filho de Deus:
nada é mais verdadeiro do que esta palavra da verdade.
Na cruz estava oculta só a vossa divindade,
mas aqui se oculta também a vossa humanidade.
Contudo, crendo e confessando ambas as coisas,
peço o que pediu o ladrão penitente.
Não vejo as vossas chagas como Tomé,
contudo confesso-Vos como meu Deus.
Fazei que eu creia sempre mais em Vós,
que em Vós espere e que Vós ame.
Ó memorial da morte do Senhor,
Pão vivo que dais a vida ao homem,
fazei que minha alma viva de Vós,
e que para ela sejais sempre o mais doce sabor.
Ó piedoso Pelicano, Senhor Jesus,
limpai a mim, o imundo, com o vosso sangue,
do qual uma única gota pode salvar
o mundo inteiro de todo o crime.
Jesus, a quem agora vejo coberto por um véu,
peço que se realize o que tanto desejo:
que, contemplando-Vos com o rosto descoberto,
eu seja feliz vendo a vossa glória. Amém.
Adoro te devote, latens Deitas,
Quae sub his figuris vere latitas:
Tibi se cor meum totum subicit,
Quia te contemplans totum deficit.
Visus, gustus, tactus in te fallitur,
Sed auditu solo tuto creditur.
Credo quidquid dixit Dei Filius:
Nil hoc verbo veritatis verius.
In cruce latebat sola Deitas,
At hic latet simul et humanitas:
Utrique tamen credens atque confitens,
Peto quod petivit latro penitens.
Plagas ut Thomas non intueor:
Deum tamen meum te confiteor.
Fac me tibi magis magis credere,
In te spem habere, te diligere.
O memoriale mortis Domini,
Panis vivus, vitam praestans homini,
Praesta meae menti de te vivere,
Et te illi semper dulce sapere.
Pie pellicane, Jesu Domine,
Me immundum munda tuo sanguine:
Cuius una stilla salvum facere
Totum mundum quit ab omni scelere.
Jesu, quem velatum nunc aspicio,
Oro fiat illud quod tam sitio:
Ut te revelata cernens facie,
Visu sim beatus tuae gloriae. Amen.

Tão sublime sacramento (Português)
Tão sublime sacramento
adoremos neste altar.
Pois o Antigo Testamento
deu ao Novo seu lugar.
Venha a fé por suplemento
os sentidos completar.
Ao Eterno Pai cantemos
e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaltemos,
na Trindade eterno amor.
Ao Deus uno e trino demos
a alegria do louvor. Amém.
℣. Do céu lhes destes o pão.
℟. Que contém todo o sabor.
Oremos: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa Paixão, concedei-nos, Vos pedimos, venerar de tal modo os sagrados mistérios do vosso Corpo e Sangue, que experimentemos sempre em nós o fruto da vossa redenção. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.
Tantum ergo (Latim)
Tantum ergo Sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui:
Præstet fides supplementum
Sensuum defectui.
Genitori, Genitoque
Laus et iubilatio,
Salus, honor, virtus quoque
Sit et benedictio:
Procedenti ab utroque
Compar sit laudatio. Amen.
℣. Panem de cælo præstitisti eis.
℟. Omne delectamentum in se habentem.
Oremus: Deus, qui nobis sub sacramento mirabili passionis tuæ memoriam reliquisti, tribue, quæsumus, ita nos corporis et sanguinis tui sacra mysteria venerari, ut redemptionis tuæ fructum in nobis iugiter sentiamus. Qui vivis et regnas in sæcula sæculorum. Amen.
Ó sagrado banquete de que somos os convivas,
no qual recebemos o Cristo em comunhão!
Nele se recorda a sua Paixão,
o nosso coração se enche de graça
e nos é dado o penhor da glória que há de vir.
O sacrum convivium,
in quo Christus sumitur:
recolitur memoria passionis eius;
mens impletur gratia
et futuræ gloriæ nobis pignus datur.

Dulcíssimo Menino Jesus, Cordeiro Imaculado, cheio de bondade, misericórdia e amor! Para nos restituirdes a santa inocência, baixastes do Céu à terra, sofrestes pobreza e perseguições. Eu Vos agradeço, ó Menino amorosíssimo, e Vos amo de todo o meu coração. E por vosso amor, proponho hoje firmemente guardar com todo o desvelo a santa pureza do coração. Ó meu Jesus, abençoai meu corpo, para que seja sempre um templo do Espírito Santo, e minha alma, para que seja sempre um santuário de inocência e pureza. Fazei que eu evite com cuidado todo o pecado mortal como uma peste contagiosa. Ó Jesus, inocentíssimo e todo imaculado, pelo vosso amor e pela vossa inocência, concedei-me a virtude da santa pureza, para que eu, depois da minha morte, tenha a felicidade de ver-Vos no Céu. Amém.

Alma de Cristo, santificai-me.
Corpo de Cristo, salvai-me.
Sangue de Cristo, inebriai-me.
Água do lado de Cristo, lavai-me.
Paixão de Cristo, confortai-me.
Ó bom Jesus, ouvi-me.
Dentro de Vossas chagas, escondei-me.
Não permitais que me separe de Vós.
Do espírito maligno, defendei-me.
Na hora da minha morte, chamai-me.
E mandai-me ir para Vós,
para que com os vossos Santos Vos louve
por todos os séculos dos séculos. Amém.
Anima Christi, sanctífica me.
Corpus Christi, salva me.
Sanguis Christi, inébria me.
Aqua láteris Christi, lava me.
Pássio Christi, confórta me.
O bone Iesu, exáudi me.
Intra tua vúlnera abscónde me.
Ne permíttas me separári a te.
Ab hoste malígno defénde me.
In hora mortis meæ voca me.
Et iube me veníre ad te,
ut cum Sanctis tuis laudem te
in sæcula sæculórum. Amen.



Faça o Sinal da cruz.
Segurando a medalha de entremeio recite:
Eis-nos aqui aos Vossos pés, ó dulcíssimo Jesus Crucificado, para Vos oferecermos as lágrimas d'Aquela que, com tanto amor, Vos acompanhou no caminho doloroso do Calvário. Fazei, ó bom Mestre, que nós saibamos aproveitar da lição que elas nos dão, para que, na Terra, realizando a Vossa Santíssima Vontade, possamos um dia, no Céu, Vos louvar por toda a eternidade.
A primeira conta grande é a do entremeio.
Vêde, ó Jesus, que são as lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.
Avance as contas seguindo o sentido do laço que forma a coroa, de forma análoga à região dos mistérios do terço, as três contas separadas presas na ponta da coroa devem ficar por último.
Meu Jesus, ouvi os nossos rogos, pelas Lágrimas de Vossa Mãe Santíssima.
No fim, repete-se três vezes, nas três contas brancas finais:
Vêde, ó Jesus, que são as lágrimas d'Aquela que mais Vos amou na Terra, e que mais Vos ama no Céu.
Após completar toda a volta reze as três contas da ponta da coroa como se fossem todas contas grandes.
Virgem Santíssima e Mãe das Dores, nós Vos pedimos que junteis os Vossos rogos aos nossos, a fim de que Jesus, Vosso Divino Filho, a quem nos dirigimos em nome das Vossas lágrimas de Mãe, ouça as nossas preces e nos conceda, com as graças que desejamos, a coroa da vida eterna. Ámen.
Contemple a face da medalha com Jesus manietado e recite:
Por Vossa mansidão divina, ó Jesus Manietado, salvai o mundo do erro que o ameaça!
Beije essa face da medalha.
Contemple a face da medalha com Nossa Senhora das Lágrimas:
Ó Virgem Dolorosíssima, as Vossas Lágrimas derrubaram o império infernal!
Beije essa face da medalha.
Faça o Sinal da cruz.


Inicia-se com o Credo, meditando os seguintes pontos:
Fé na presença de Deus;
Fé no Evangelho;
Fé e obediência ao Papa como Vigário de Jesus Cristo.
Padre Nosso: Unidade de um só Deus, vivo e verdadeiro.
1ª Ave Maria: Em honra do Pai Eterno, que gera seu Filho contemplando-Se.
2ª Ave Maria: Em honra do Verbo Eterno, igual ao Pai, que com Ele produz o Espírito Santo.
3ª Ave Maria: Em honra do Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho por via de amor.
MISTÉRIOS GOZOSOS
Padre Nosso: A caridade de Deus, imensa.
1ª Ave Maria, para lamentar o desgraçado estado de Adão desobediente, sua justa condenação e a de todos os seus filhos.
Ave Maria, para honrar:
2ª os desejos dos patriarcas e profetas, que pediam a vinda do Messias;
3ª os desejos e as preces da Santíssima Virgem, que apressaram a vinda do Messias;
4ª a caridade do Pai Eterno, que nos deu Seu divino Filho;
5ª o amor do Filho, que se entregou por nós;
6ª a embaixada e a saudação do arcanjo Gabriel;
7ª o temor virginal de Maria;
8ª a fé e o consentimento da Santíssima Virgem;
9ª a criação da alma e a formação do Corpo de Jesus Cristo no seio de Maria, pelo Espírito Santo;
10ª a adoração do Verbo Encarnado, pelos anjos, no seio de Maria.
Padre Nosso: A majestade de Deus, adorável.
Ave Maria, para honrar:
1ª o gozo do Coração de Maria e a morada durante nove meses, do Verbo em seu seio;
2ª o sacrifício que Jesus Cristo fez de Si mesmo ao Pai, ao entrar neste Mundo;
3ª as complacências de Jesus no seio humilde e virginal de Maria, e de Nossa Senhora, no gozo do seu Deus;
4ª a dúvida de São José acerca da maternidade de Maria;
5ª a eleição dos escolhidos, combinada entre Jesus e Maria, em seu seio;
6ª o fervor de Maria na sua visita a Santa Isabel;
7ª a santificação de João Batista no ventre de sua mãe;
8ª a gratidão da Santíssima Virgem para com Deus, no Magnificat;
9ª a sua caridade e humildade em servir sua prima;
10ª a mútua dependência de Jesus e de Maria, e a devoção que devemos ter para com um e outra.
Padre Nosso: As riquezas de Deus, infinitas.
Ave Maria, para honrar:
1ª os desprezos e injúrias feitas a Maria e a São José em Belém;
2ª a pobreza do estábulo onde Deus veio ao mundo;
3ª a alta contemplação e o excessivo amor de Maria no momento de dar à luz;
4ª a saída do Verbo Eterno do seio de Maria sem romper o selo de sua virgindade;
5ª as adorações e cânticos dos anjos no nascimento de Jesus;
6ª a formosura arrebatadora de Sua divina infância;
7ª a vinda dos pastores ao estábulo, com seus presentes;
8ª a circuncisão de Jesus Cristo e Suas dores amorosas;
9ª a imposição do nome de Jesus Cristo e suas grandezas;
10ª a adoração dos reis magos e seus presentes.
Padre Nosso: Sabedoria de Deus, eterna.
Ave Maria, para honrar:
1ª a obediência de Jesus e de Maria à Lei;
2ª o sacrifício que ali fez Jesus de sua humanidade;
3ª o sacrifício que ali fez Maria de sua honra;
4ª o gozo e os cânticos de Simeão e Ana, a profetisa;
5ª o resgate de Jesus pela oferenda de duas rolas;
6ª a matança dos santos inocentes;
7ª a fuga de Jesus para o Egito, pela obediência de São José à voz do anjo;
8ª a estada misteriosa no Egito;
9ª a Sua volta para Nazaré;
10ª o seu crescimento em idade, sabedoria e graça.
Padre Nosso: A Santidade de Deus, incompreensível.
Ave Maria, para honrar:
1ª a Sua vida oculta, laboriosa e obediente na casa de Nazaré;
2ª sua perda e encontro no Templo entre os doutores;
3ª seu jejum e tentações no deserto;
4ª seu Batismo por São João Batista;
5ª sua pregação admirável;
6ª seus milagres portentosos;
7ª a eleição de seus doze Apóstolos e os poderes que lhes deu;
8ª sua transfiguração maravilhosa;
9ª o lava-pés dos Apóstolos;
10ª a instituição da Sagrada Eucaristia.
MISTÉRIOS DOLOROSOS
Padre-Nosso: Felicidade de Deus, essencial.
Ave Maria, para honrar:
1ª os divinos retiros que fez Jesus em Sua vida, principalmente no horto;
2ª suas orações humildes e fervorosas durante Sua vida e nas vésperas da Paixão;
3ª a paciência e doçura com que suportou Seus Apóstolos, particularmente no horto;
4ª o tédio de sua Alma durante toda a Sua vida, principalmente no horto;
5ª os rios de sangue que a dor fez brotar de seu Ser adorável;
6ª o consolo que teve por bem aceitar de um anjo na agonia;
7ª sua conformidade com a vontade do Pai, apesar da repugnância de Sua natureza;
8ª Sua traição por Judas e prisão pelos judeus;
9ª o valor com que saiu ao encontro dos algozes e a força da palavra com que os lançou por terra e os levantou;
10ª o abandono que sofreu de Seus Apóstolos.
Padre-Nosso: Paciência de Deus, admirável.
Ave Maria, para honrar:
1ª as cordas com que Jesus foi atado;
2ª a bofetada que recebeu em casa de Caifás;
3ª as negações de São Pedro;
4ª as ignomínias que sofreu em casa de Herodes, quando lhe puseram a veste branca;
5ª o despojamento de Suas vestes;
6ª os desprezos e insultos que sofreu de seus verdugos pela Sua nudez;
7ª as varas espinhosas e os açoites cruéis com que foi golpeado;
8ª a coluna em que foi atado;
9ª o sangue que derramou e as chagas que recebeu;
10ª a Sua queda no próprio sangue por causa da fraqueza.
Padre-Nosso: Formosura de Deus, inefável.
Ave-Maria, para honrar:
1ª o despojamento de Suas vestes pela terceira vez;
2ª a Sua coroa de espinhos;
3ª o véu com que Lhe vendaram os olhos;
4ª as bofetadas e os escarros com que Lhe cobriram o rosto;
5ª o andrajo que Lhe puseram sobre os ombros;
6ª a cana que Lhe puseram nas mãos;
7ª a pedra pontiaguda sobre a qual O sentaram;
8ª os ultrajes e os insultos que Lhe fizeram;
9ª o sangue e os suores que escorriam de Sua cabeça adorável;
10ª os cabelos e a barba que Lhe arrancaram.
Padre-Nosso: Onipotência de Deus, sem limites.
Ave-Maria, para honrar:
1ª apresentação de Nosso Senhor diante do povo com o “Eis o Homem”;
2ª o haver sido preferido a Barrabás;
3ª os falsos testemunhos que contra Ele deram;
4ª Sua condenação à morte;
5ª o amor com que abraçou e beijou a Cruz;
6ª o trabalho espantoso que teve em carregá-la;
7ª as quedas de pura debilidade sob seu peso;
8ª o encontro doloroso com Sua Santa Mãe;
9ª o véu de Verônica, no qual Seu rosto se estampou;
10ª suas lágrimas, as de Sua Santa Mãe e das piedosas mulheres que O seguiram até o Calvário.
Padre-Nosso: Justiça de Deus, espantosa.
Ave Maria, para honrar:
1ª as cinco chagas de Jesus e o sangue que derramou na Cruz;
2ª Seu coração traspassado e a Cruz em que foi crucificado;
3ª os cravos e a lança que O atravessaram;
4ª a vergonha e a infâmia que sofreu, sendo crucificado entre dois ladrões;
5ª a compaixão de Sua Mãe Santíssima;
6ª as sete últimas palavras;
7ª Seu desamparo e Seu silêncio;
8ª a aflição de todo o Universo;
9ª Sua morte cruel e ignominiosa.
10ª a descida da Cruz e sepultamento.
MISTÉRIOS GLORIOSOS
Padre-Nosso: Eternidade de Deus, sem princípio.
Ave Maria, para honrar:
1ª a descida da Alma de Nosso Senhor aos Infernos;
2ª o gozo e a saída das almas dos Santos Padres que estavam no limbo;
3ª a reunião de Sua Alma e de Seu Corpo no sepulcro;
4ª sua milagrosa saída do Sepulcro;
5ª suas vitórias sobre a morte, o pecado, o mundo e o demônio;
6ª os quatro dons gloriosos de Seu Corpo;
7ª O poder que Lhe deu Seu pai no céu e na terra;
8ª as aparições com que honrou Sua Santa Mãe;
9ª as conversações sobre o Céu e a ceia que fez com Seus Apóstolos;
10ª a autoridade e missão que lhes deu, para que fossem pregar por toda a Terra.
Padre-Nosso: Imensidade de Deus, sem limites.
Ave Maria, para honrar:
1ª a promessa que fez Jesus aos Apóstolos de lhes enviar o Espírito Santo, e a ordem que lhes deu de se prepararem para O receber;
2ª a reunião no Monte das Oliveiras;
3ª a benção que lhes deu ao se elevar da Terra aos Céus;
4ª Sua gloriosa e admirável Ascensão por Sua própria virtude até o Céu Empíreo;
5ª o recebimento e o triunfo que lhe fez Deus, Seu Pai, e toda a corte celestial;
6ª o poder triunfante com que abriu as portas do Céu, onde nenhum mortal havia entrado;
7ª seu assento à direita do Pai, como Seu Filho querido, igual a Ele mesmo;
8ª o poder que Lhe deu de julgar os vivos e os mortos;
9ª Sua última vinda sobre a Terra, na qual Seu poder e majestade aparecerão em todo o seu esplendor;
10ª a justiça que fará no último Juízo, recompensando os bons e castigando os maus por toda a eternidade.
Padre-Nosso: Providência de Deus, universal.
Ave Maria, para honrar:
1ª a Verdade do Espírito Santo, Deus que procede do Pai e do Filho, e que é o Coração da Divindade;
2ª o dom do Espírito Santo pelo Pai e pelo Filho sobre os Apóstolos;
3ª o grande estrondo com que desceu, sinal de Sua força e Seu poder;
4ª as línguas de fogo que enviou sobre os Apóstolos, para lhes dar a inteligência das Escrituras, o amor de Deus e do próximo;
5ª a plenitude de graças com que distinguiu Maria, Sua fiel esposa;
6ª Sua conduta maravilhosa, com os santos e com o próprio Jesus Cristo, a quem guiou durante toda a vida;
7ª os doze frutos do Espírito Santo;
8ª os sete dons do Espírito Santo;
9ª para pedir em particular o dom da Sabedoria e a vinda de Seu reino aos corações;
10ª para obter a vitória sobre os três espíritos que Lhe são opostos, a saber: o espírito da carne, do mundo e do demônio.
Padre-Nosso: Liberalidade de Deus, inenarrável.
Ave Maria, para honrar:
1ª a predestinação eterna de Maria, como obra-prima das mãos de Deus;
2ª Sua Conceição Imaculada, a plenitude de graças e o uso da razão no seio de sua mãe;
3ª Sua Natividade que regozijou todo o Universo;
4ª Sua apresentação e sua vida no Templo;
5ª Sua vida admirável e isenta de todo pecado;
6ª a plenitude de suas virtudes singulares;
7ª Sua virgindade fecunda e seu parto sem dor;
8ª Sua maternidade divina e sua aliança com a Santíssima Trindade;
9ª Sua morte preciosa e cheia de amor;
10ª Sua ressurreição e assunção triunfante.
Padre-Nosso: Glória de Deus, inacessível.
Ave Maria, para honrar:
1ª a tríplice coroa com que a Santíssima Trindade coroou Maria;
2ª o gozo e a glória nova que recebeu o Céu por seu triunfo;
3ª para reconhecê-la como Rainha do Céu e da Terra, dos anjos e dos homens;
4ª a tesoureira e dispensadora de todas as graças de Deus, dos méritos de Jesus Cristo e dos dons do Espírito Santo;
5ª a Medianeira e advogada dos homens;
6ª a distribuidora e dispensadora de todas as graças de Deus, dos méritos de Jesus Cristo e dos dons do Espírito Santo;
7ª o refúgio seguro dos pecadores;
8ª a mãe e nutris dos cristãos;
9ª a que é gozo e doçura dos justos;
10ª a que é asilo universal dos vivos, consolo todo-poderoso dos aflitos, dos moribundos e das almas do purgatório.

Misericordiosíssimo Senhor Jesus Cristo, pela vossa agonia, pelo vosso suor de Sangue e pela vossa Morte, Vos suplico que me livreis da morte súbita e improvisa. Ó benigníssimo Senhor Jesus Cristo, pela vossa acerbíssima e ignominiosíssima flagelação, e coroação de espinhos, pela vossa Santa Cruz e amaríssima Paixão, e pela vossa bondade, humildemente Vos peço, não permitais que eu morra repentinamente e que passe desta vida sem o auxílio dos Santos Sacramentos. Ó meu amantíssimo Jesus, Senhor da minha alma, por todos os trabalhos e por todas as dores que padecestes, pelo vosso Preciosíssimo Sangue, pelas vossas Chagas Sacrossantas, e por aquelas últimas palavras que na Cruz proferistes: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparastes?” e pelas outras: “Meu Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito”, ardentissimamente Vos rogo que me livreis de uma morte repentina e improvisa. Meu amorosíssimo Redentor, as vossas mãos me fizeram, e inteiramente me formaram. Ah!, não permitais que de improviso seja assaltado da morte.
Dai-me, eu Vo-lo rogo, tempo de fazer penitência. Concedei-me, por vosso amor, um trânsito bem-aventurado e a vossa graça, para que Vos ame de todo o coração, Vos louve e bendiga por toda a eternidade. Amém.

Benigníssimo Jesus, que dissestes: “Pedi ao dono da seara que mande operários para o seu campo”, instantemente Vos pedimos que multipliqueis as vocações sacerdotais. Ó Senhor da divina seara das almas, escolhei, designai, atraí com força e suavidade para o vosso sacerdócio obreiros evangélicos indissoluvelmente unidos ao vosso Vigário na terra, o Papa, dotados de alma forte e fé inabalável, que tenham o coração a transbordar de amor por Vós, a fim de que, por seu ministério, seja Deus glorificado e as almas sejam salvas.
Ó Jesus, Sacerdote eterno, dai à vossa Igreja sacerdotes piedosos, zelosos e santos, que a vosso exemplo sejam adoradores perfeitos do Pai que está no Céu. E, se entre aqueles que chamastes, alguns existem que se desviaram ou se tornaram indignos de sua vocação, chamai-os e acolhei-os novamente, Senhor, reparando com a abundância eficaz de vossa graça as faltas cometidas, a fim de que não haja na Pátria Brasileira mãos indignas que profanem os vossos mistérios de amor. Nós Vo-lo pedimos, por intermédio de Maria Santíssima, nossa e vossa Mãe e Rainha do clero. Assim seja.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.

Ó Jesus, cabeça invisível da Santa Igreja, que a fundastes sobre uma firme pedra e prometestes que as portas do inferno não prevalecerão nunca contra ela, conservai, fortificai e guiai aquele que lhe destes por cabeça visível. Fazei que ele seja o modelo do vosso rebanho, assim como é o seu pastor. Seja ele o primeiro por sua santidade, doutrina e paciência, assim como o é por sua alta dignidade; seja ele o digno Vigário de vossa caridade, assim como o é da vossa autoridade. Inspirai-lhe um zelo ardente de vossa glória, da salvação das almas e da Santa Religião. Dai-lhe coragem invencível para combater os inimigos de vosso Santíssimo Nome, e uma firmeza inabalável para opor-se aos estragos do erro e da impiedade. Dai-lhe a plenitude de vosso Espírito para conduzir a barca agitada de vossa Santa Igreja através dos escolhos que a cercam.
Consolai seu coração aflito, sustentai sua alma abatida, fazei voltarem suas ovelhas desgarradas. Ajudai-lhe a levar o peso da sua alta dignidade e de todos os trabalhos que a acompanham. Dignai-Vos, ó meu Deus, escutar benigno os votos que Vos dirigimos por ele, e concedei-lhe longos anos, para aumentar a vossa glória e o triunfo da vossa Santa Religião. Amém.
℣. Oremos pelo nosso Sumo Pontífice (Nome).
℟. O Senhor o conserve, vivifique e beatifique na terra, e não o entregue nas mãos de seus inimigos. Amém.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
Jesus, Nosso Senhor, cobri com a proteção do vosso Divino Coração o nosso Santíssimo Padre (Nome) e sede sua luz, sua força e seu consolo.

Jesus, meu Salvador, que desejais a salvação de todos os homens, e que, com a vossa própria sacratíssima boca, prometestes que tudo quanto eu pedir em vosso Nome me será concedido, eu Vos suplico, por este Nome adorável, que na hora de minha morte me liberalizeis os preciosos dons do uso dos sentidos e da palavra, de uma fé viva, de uma esperança firme e de uma caridade perfeita, a fim de que eu possa dizer-Vos, com o coração puro: em vossas mãos encomendo o meu espírito e a minha alma, ó Jesus, meu Senhor e Deus, que sois bendito para sempre. Amém.

Meu amantíssimo Pai que estais no Céu, meu Criador e Senhor, tenho tanto medo da hora da minha última agonia e Vos peço, com fervor, a graça de uma boa morte. Suplico-Vos humildemente, meu Pai, pela Sagrada Paixão e Morte dolorosa de vosso Filho Unigênito, não me desampararais na hora da minha morte. Ó meu Deus, pelo suor de sangue que, Jesus Cristo, vosso Filho, derramou no Horto das Oliveiras, nas suas angústias mortais, assisti-me, quando o suor frio me correndo das pálidas faces na minha última agonia. Pela sua tristeza e aflição mortal, consolai-me nas minhas dores e ânsias mortais. Pela sua admirável conformidade com a vossa divina vontade, dai-me perfeita resignação nos horrores da morte. Pela dor que lhe causaram as cordas e cadeias, livrai-me dos laços dos meus pecados, e pela sua horrorosa prisão, preservai-me do cárcere eterno. Pela sua injustíssima acusação, confundi os meus inimigos infernais, e pelos insultos e escárnios que Jesus sofreu, defendei-me do escárnio e das injúrias dos demônios. Pela sua flagelação sanguinolenta, afastai de mim os flagelos da vossa ira divina, e pela sua coroação de espinhos, dai-me a coroa da glória. Pela sua condenação à morte, livrai-me das trevas da morte eterna. Pelas dores com que levou a Cruz, aliviai-me o peso enorme da minha consciência. Pelo seu despimento tão desumano e cruel, cobri os meus pecados e as misérias de minha pobre alma. Pela sua crucificação tão atroz e dolorosa, guardai-me na santa perseverança. Pelo vinagre e fel que os inimigos Lhe deram, suavizai-me as amarguras da morte. Pela sua morte, de todas a mais dolorosa, concedei-me a graça de uma morte preciosa. Amém.

Lembrai-Vos, ó Pai Eterno, da vossa Santa Igreja, que possuístes desde o princípio. Reconhecei-a como Esposa de Jesus Cristo, vosso Unigênito Filho, que por ela derramou todo o seu Preciosíssimo Sangue. Dignai-Vos de exaltá-la; fazei-a brilhar com tal resplendor de santidade e enchei-a de tal abundância de graças que se faça digna de seu Divino Esposo e do preço de seu resgate. Fazei que todos os seus filhos Vos reconheçam com viva fé, Vos invoquem com firme esperança e Vos amem com perfeito amor. Amém.

Ó, vinde Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.
Vós sois chamado o Intercessor
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.
Sois doador dos sete dons,
e sois poder na mão do Pai,
por ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamai.
A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.
Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.
Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer.
Que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.
Ao Deus Pai seja a glória,
e ao Filho, que dos mortos
ressuscitou, e ao Paráclito,
pelos séculos dos séculos. Amém.
Veni, Creator Spiritus,
mentes tuorum visita,
imple superna gratia,
quæ tu creasti, pectora.
Qui diceris Paraclitus,
altissimum donum Dei,
fons vivus, ignis, caritas
et spiritalis unctio.
Tu septiformis munere,
digitus paternæ dexteræ,
tu rite promissum Patris
sermone ditans guttura.
Accende lumen sensibus,
infunde amorem cordibus,
infirma nostri corporis
virtute firmans perpeti.
Hostem repellas longius
pacemque dones protinus;
ductore sic te prævio,
vitemus omne noxium.
Per te sciamus da Patrem
noscamus atque Filium,
teque utriusque Spiritum
credamus omni tempore.
Deo Patri sit gloria,
et Filio, qui a mortuis
surrexit, ac Paraclito,
in sæculorum sæcula. Amen.
Vinde já, vinde, ó benigníssimo Consolador da alma aflita! Vinde, Defensor constante na tribulação! Vinde, Santificador dos pecadores, Esforço dos caídos, Fortaleza dos fracos, Médico dos enfermos, Mestre dos humildes, Assombro dos soberbos, Remédio dos pobres, Alívio dos atribulados, piedoso Pai dos órfãos! Vinde, Porto seguro dos naufragantes! Vinde, Senhor, vinde à minha alma, porque sois a única esperança de todos os que vivem, e verdadeira vida de todos os que morrem. Vinde, tende piedade de mim.
Conformai o meu espírito convosco, ó Espírito de Deus, e a minha limitação com a vossa grandeza. Sustentai minha fraqueza com vosso braço poderoso, para que eu Vos sirva e agrade pelos merecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

Ó Espírito Santo Criador, assisti benignamente a toda a Igreja Católica. Fortalecei-a e confirmai-a pela vossa divina virtude contra todos os ataques dos inimigos. Renovai também pela vossa graça e caridade o espírito dos vossos servos que ungistes, para que em Vós glorifiquem o Pai e seu Filho Unigênito, Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.


Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor.
Ó Espírito Santo, concedei-me o dom do temor de Deus, para que eu sempre me lembre com suma reverência e profundo respeito da vossa divina presença, como os próprios Anjos, diante da vossa Divina Majestade, e nada receie tanto como desagradar aos vossos santos olhos.
Recitar o Glória ao Pai.
Espírito Santo, concedei-me o dom da piedade, que me tornará delicioso o trato convosco na oração e me fará amar a Deus com íntimo amor como a meu Pai, a Maria Santíssima como a minha Mãe, e a todos os homens como a meus irmãos em Jesus Cristo.
Recitar o Glória ao Pai.
Espírito Santo, concedei-me o dom da ciência, para que eu conheça cada vez mais a minha própria miséria e fraqueza, a beleza da virtude e o valor inestimável da alma, e para que sempre veja claramente as ciladas do demônio, da carne e do mundo, para poder evitá-las.
Recitar o Glória ao Pai.
Espírito Santo, concedei-me o dom da fortaleza, para que eu, sem respeito humano, fuja do pecado, pratique a virtude com fervor e sofra com paciência e com alegria de espírito os desprezos, prejuízos, perseguições e a própria morte, antes que renegar por palavras e por obras ao meu amabilíssimo Senhor e Salvador Jesus Cristo.
Recitar o Glória ao Pai.
Espírito Santo, concedei-me o dom do conselho, tão necessário em tantos passos melindrosos da vida, para que eu sempre escolha o que mais Vos agrada, siga em tudo a vossa divina graça e com bons e caridosos conselhos socorra ao próximo.
Recitar o Glória ao Pai.
Espírito Santo, concedei-me o dom da inteligência, para que eu, alumiado pela luz celeste de vossa graça, bem entenda as sublimes verdades da doutrina cristã.
Recitar o Glória ao Pai.
Espírito Santo, concedei-me o dom da sabedoria, a fim de que eu, cada vez mais, goste das coisas divinas e, abrasado no fogo do vosso amor, prefira com alegria o caminho do Céu a tudo que é mundano, e me una para sempre a Jesus, sofrendo tudo neste mundo por seu amor.
Recitar o Glória ao Pai.
Vinde, Espírito Criador, visitai-me e enchei o meu coração, que Vós criastes, com a vossa divina graça. Vinde e repousai sobre mim, Espírito de sabedoria e inteligência, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência, de piedade e de temor de Deus.
Espírito Santo, Amor eterno do Pai e do Filho, dignai-Vos também conceder-me os vossos doze frutos: o fruto da caridade, que me una intimamente convosco pelo amor; o fruto do gozo, que me encha de santa consolação; o fruto da paz, que produza em mim a tranquilidade da alma; o fruto da paciência, que me faça sofrer tudo por amor de Jesus; o fruto da benignidade, que me leve a socorrer de boa vontade aos que sofrem; o fruto da bondade, que me torne benfazejo e clemente a todos; o fruto da longanimidade, que me faça esperar com paciência em qualquer demora; o fruto da brandura, que me faça suportar com toda a mansidão as fraquezas do próximo; o fruto da fé, que me faça crer firmemente na palavra de Deus; o fruto da modéstia, que regule todo o meu exterior; enfim, os frutos da continência e castidade, que me conservem o coração limpo e imaculado.
Espírito Divino, fazei que a minha alma seja para sempre vossa morada e o meu corpo vosso sagrado templo. Habitai em mim e ficai comigo na terra, para que eu mereça ver-Vos eternamente no reino da glória. Amém.

Bendito seja Deus.
Bendito seja o seu Santo Nome.
Bendito seja Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Bendito seja o Santíssimo Nome de Jesus.
Bendito seja seu Sacratíssimo Coração.
Bendito seja Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar.
Bendito seja o Espírito Santo Paráclito.
Bendita seja a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima.
Bendita seja a sua Santa e Imaculada Conceição.
Bendita seja a sua gloriosa Assunção.
Bendito seja o Nome de Maria, Virgem e Mãe.
Bendito seja São José, seu castíssimo Esposo.
Bendito seja Deus nos seus Anjos e nos seus Santos.
Benedictus Deus.
Benedictum Nomen Sanctum eius.
Benedictus Iesus Christus, verus Deus et verus homo.
Benedictum Nomen Iesu.
Benedictum Cor eius sacratissimum.
Benedictus Sanguis eius pretiosissimus.
Benedictus Iesus in sanctissimo altaris Sacramento.
Benedictus Sanctus Spiritus, Paraclitus.
Benedicta excelsa Mater Dei, Maria sanctissima.
Benedicta sancta eius et immaculata Conceptio.
Benedicta eius gloriosa Assumptio.
Benedictum nomen Mariae, Virginis et Matris.
Benedictus sanctus Ioseph, eius castissimus Sponsus.
Benedictus Deus in Angelis suis, et in Sanctis suis.

A Vós, ó Deus, louvamos, a Vós, Senhor, confessamos.
A Vós, Pai eterno, toda a terra venera.
A Vós todos os Anjos, a Vós os Céus e todas as Potestades:
A Vós os Querubins e Serafins proclamam com voz incessante:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos Exércitos.
Os céus e a terra estão cheios da majestade da vossa glória.
A Vós o glorioso coro dos Apóstolos,
A Vós o louvável número dos Profetas,
A Vós o candido exército dos Mártires louva.
A Vós a santa Igreja confessa por todo o orbe da terra,
Pai de imensa majestade:
O vosso venerável, verdadeiro e único Filho:
E também o Espírito Santo Paráclito.
Vós sois o Rei da glória, ó Cristo.
Vós sois o Filho sempiterno do Pai.
Vós, para tomar sobre Vós a natureza humana a fim de libertá-la, não tivestes horror ao seio da Virgem.
Vós, vencido o aguilhão da morte, abristes aos crentes os reinos dos céus.
Vós estais sentado à direita de Deus na glória do Pai.
Cremos que haveis de vir para ser o Juiz.
Portanto, Vos rogamos, socorrei os vossos servos, que remistes com o sangue precioso.
Fazei que sejam contados com os vossos Santos na glória eterna.
Salvai o vosso povo, Senhor, e abençoai a vossa herança.
Regi-os e exaltai-os até a eternidade.
Em todos os dias vos bendizemos.
E louvamos o vosso nome para todo o sempre, e pelos séculos dos séculos.
Digna-vos, Senhor, neste dia guardar-nos sem pecado.
Tende piedade de nós, Senhor, tende piedade de nós.
Venha sobre nós a vossa misericórdia, Senhor, assim como esperamos em Vós.
Em Vós, Senhor, tenho esperado; não serei confundido para eternidade.
Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te aeternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli, tibi Caeli et universae Potestates:
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt caeli et terra maiestatis gloriae tuae.
Te gloriosus Apostolorum chorus,
Te Prophetarum laudabilis numerus,
Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia,
Patrem immensae maiestatis:
Venerandum tuum verum et unicum Filium:
Sanctum quoque Paraclitum Spiritum.
Tu Rex gloriae, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius.
Tu ad liberandum suscepturus hominem, non horruisti Virginis uterum.
Tu devicto mortis aculeo, aperuisti credentibus regna caelorum.
Tu ad dexteram Dei sedes in gloria Patris.
Iudex crederis esse venturus.
Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni, quos pretioso sanguine redemisti.
Aeterna fac cum Sanctis tuis in gloria numerari.
Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae.
Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum.
Per singulos dies benedicimus te.
Et laudamus nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.
Miserere nostri, Domine, miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos, quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum.
Ó Senhora minha, ó minha Mãe, eu me ofereço todo a vós; e em prova da minha devoção para convosco, eu vos consagro neste dia os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração e inteiramente todo o meu ser. E porque assim sou vosso, ó incomparável Mãe, guardai-me e defendei-me como coisa e propriedade vossa. Amém.
Rezar uma Ave-Maria.


Ladainha Lauretana
℣. Senhor, tende piedade de nós.
℟. Senhor, tende piedade de nós.
℣. Jesus Cristo, tende piedade de nós.
℟. Jesus Cristo, tende piedade de nós.
℣. Senhor, tende piedade de nós.
℟. Senhor, tende piedade de nós.
℣. Jesus Cristo, ouvi-nos.
℟. Jesus Cristo, ouvi-nos.
℣. Jesus Cristo, atendei-nos.
℟. Jesus Cristo, atendei-nos.
℣. Pai celeste que sois Deus.
℟. Tende piedade de nós.
℣. Filho, Redentor do mundo, que sois Deus.
℟. Tende piedade de nós.
℣. Espírito Santo, que sois Deus.
℟. Tende piedade de nós.
℣. Santíssima Trindade, que sois um só Deus.
℟. Tende piedade de nós.
℣. Santa Maria.
℟. Rogai por nós.
℣. Santa Mãe de Deus.
℟. Rogai por nós.
℣. Santa Virgem das Virgens.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe de Jesus Cristo.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe da Igreja.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe de misericórdia.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe da divina graça.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe da esperança.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe puríssima.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe castíssima.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe imaculada.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe intacta.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe amável.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe admirável.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe do bom conselho.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe do Criador.
℟. Rogai por nós.
℣. Mãe do Salvador.
℟. Rogai por nós.
℣. Virgem prudentíssima.
℟. Rogai por nós.
℣. Virgem venerável.
℟. Rogai por nós.
℣. Virgem louvável.
℟. Rogai por nós.
℣. Virgem poderosa.
℟. Rogai por nós.
℣. Virgem clemente.
℟. Rogai por nós.
℣. Virgem fiel.
℟. Rogai por nós.
℣. Espelho de justiça.
℟. Rogai por nós.
℣. Sede de sabedoria.
℟. Rogai por nós.
℣. Causa da nossa alegria.
℟. Rogai por nós.
℣. Vaso espiritual.
℟. Rogai por nós.
℣. Vaso honorífico.
℟. Rogai por nós.
℣. Vaso insígne de devoção.
℟. Rogai por nós.
℣. Rosa mística.
℟. Rogai por nós.
℣. Torre de Davi.
℟. Rogai por nós.
℣. Torre de marfim.
℟. Rogai por nós.
℣. Casa de ouro.
℟. Rogai por nós.
℣. Arca da aliança.
℟. Rogai por nós.
℣. Porta do Céu.
℟. Rogai por nós.
℣. Estrela da manhã.
℟. Rogai por nós.
℣. Saúde dos enfermos.
℟. Rogai por nós.
℣. Refúgio dos pecadores.
℟. Rogai por nós.
℣. Socorro dos migrantes.
℟. Rogai por nós.
℣. Consoladora dos aflitos.
℟. Rogai por nós.
℣. Auxílio dos cristãos.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha dos anjos.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha dos patriarcas.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha dos profetas.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha dos apóstolos.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha dos mártires.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha dos confessores.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha das virgens.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha de todos os santos.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha concebida sem pecado original.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha assunta ao Céu.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha do sacratíssimo Rosário.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha da família.
℟. Rogai por nós.
℣. Rainha da paz.
℟. Rogai por nós.
℣. Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo.
℟. Perdoai-nos, Senhor.
℣. Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo.
℟. Ouvi-nos, Senhor.
℣. Cordeiro de Deus, que tirai os pecados do mundo.
℟. Tende piedade de nós.
℣. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos.
℣. Ó Deus, cujo Filho unigênito, por sua vida, morte e ressurreição, nos obteve o prêmio da salvação eterna, concedei-nos, nós vos pedimos que, meditando os mistérios do Sacratíssimo Rosário da Bem-Aventurada Virgem Maria, imitemos o que contêm e consigamos o que prometem.
Pelo mesmo Cristo, Senhor Nosso.
℟. Amém
Litaniæ Lauretanæ
℣. Kýrie, eléison.
℟. Kýrie, eléison.
℣. Christe, eléison.
℟. Christe, eléison.
℣. Kýrie, eléison.
℟. Kýrie, eléison.
℣. Christe, audi nos.
℟. Christe, audi nos.
℣. Christe, exaudi nos.
℟. Christe, exaudi nos.
℣. Pater de caelis, Deus.
℟. Miserére nobis.
℣. Fili, Redémptor mundi, Deus.
℟. Miserére nobis.
℣. Spíritus Sancte, Deus.
℟. Miserére nobis.
℣. Sancta Trínitas, unus Deus.
℟. Miserére nobis.
℣. Sancta Maria.
℟. Ora pro nobis.
℣. Sancta Dei Génitrix.
℟. Ora pro nobis.
℣. Sancta Virgo vírginum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater Christi.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater Ecclésiae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater misericórdiae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater divínae grátiae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater spei.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater puríssima.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater castíssima.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater invioláta.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater intemerata.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater amábilis.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater admirábilis.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater boni consílii.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater Creatóris.
℟. Ora pro nobis.
℣. Mater Salvatóris.
℟. Ora pro nobis.
℣. Virgo prudentíssima.
℟. Ora pro nobis.
℣. Virgo veneranda.
℟. Ora pro nobis.
℣. Virgo praedicánda.
℟. Ora pro nobis.
℣. Virgo potens.
℟. Ora pro nobis.
℣. Virgo clemens.
℟. Ora pro nobis.
℣. Virgo fidélis.
℟. Ora pro nobis.
℣. Spéculum iustítiae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Sedes sapiéntiae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Causa nostrae laetítiae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Vas spirituále.
℟. Ora pro nobis.
℣. Vas honorábile.
℟. Ora pro nobis.
℣. Vas insígne devotiónis.
℟. Ora pro nobis.
℣. Rosa mystica.
℟. Ora pro nobis.
℣. Turris davídica.
℟. Ora pro nobis.
℣. Turris ebúrnea.
℟. Ora pro nobis.
℣. Domus áurea.
℟. Ora pro nobis.
℣. Féderis arca.
℟. Ora pro nobis.
℣. Iánua caeli.
℟. Ora pro nobis.
℣. Stella matutina.
℟. Ora pro nobis.
℣. Salus infirmórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Refúgium peccatórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Solácium Migrántium.
℟. Ora pro nobis.
℣. Consolátrix afflictórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Auxílium christianórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína angelórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína patriarchárum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína prophetárum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína apostolórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína mártyrum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína confessórum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína vírginum.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína sanctórum ómnium.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína sine labe origináli concepta.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína in caelum assumpta.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína sacratíssimi rosárii.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína famíliae.
℟. Ora pro nobis.
℣. Regína pacis.
℟. Ora pro nobis.
℣. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi.
℟. Parce nobis Domine.
℣. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi.
℟. Exaudi nos Domine.
℣. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi.
℟. Miserere nobis.
℣. Ora pro nobis, sancta Dei Génitrix.
℟. Ut digni efficiámur promissiónibus Christi.
Orémus.
℣. Deus, cuius Unigénitus per vitam, mortem et resurrectiónem suam nobis salútis aetérnae praemia comparávit, concéde, quaesumus: ut haec mystéria sacratíssimo beátae Maríae Vírginis Rosário recoléntes, et imitémur quod cóntinent, et quod promíttunt assequámur.
Per eúndem Christum Dóminum nostrum.
℟. Amen
℣. Rainha do Céu, alegrai-Vos, aleluia.
℟. Porque quem merecestes trazer em vosso seio, aleluia.
℣. Ressuscitou como disse, aleluia.
℟. Rogai a Deus por nós, aleluia.
℣. Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, aleluia.
℟. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.
Oremos. Ó Deus, que Vos dignastes alegrar o mundo com a Ressurreição do Vosso Filho Jesus Cristo, Senhor Nosso, concedei-nos, Vos suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos as alegrias da vida eterna. Por Cristo, Senhor Nosso. Amém.
℣. Regina Caeli, laetare, alleluia;
℟. Quia quem meruisti portare, alleluia;
℣. Resurrexit, sicut dixit, alleluia;
℟. Ora pro nobis Deum, alleluia.
℣. Gaude et laetare, Virgo Maria, alleluia.
℟. Quia surrexit Dominus vere, alleluia.
Oremus. Deus, qui per resurrectionem Filii tui Domini nostri Jesu Christi mundum laetificare dignatus es: praesta, quaesumus; ut, per eius Genitricem Virginem Mariam, perpetua capiamus gaudia vitae. Per eumdem Christum, Dominum nostrum. Amen.


O Rosário completo é o conjunto de três terços, e em cada um medita-se um conjunto de mistérios da vida de Cristo e da Virgem Maria. Cada terço é dividido em cinco partes, compostas por uma dezena de Ave-Marias cada. Nessas dezenas, medita-se um dos mistérios da vida de Cristo.
É recomendado que se reze o Rosário completo, mas é possível rezá-lo em terços ou até mesmo em dezenas. É comum fazer-se a divisão de um terço por dia, em que, em cada dia da semana, medita-se um dos conjuntos de mistérios.
Primeiro mistério - A anunciação do anjo à Santíssima Virgem Maria.
Segundo mistério - A visita da Santíssima Virgem Maria a Santa Isabel.
Terceiro mistério - O nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo em Belém.
Quarto mistério - A apresentação de Nosso Senhor Jesus Cristo no Templo.
Quinto mistério - O encontro de Nosso Senhor Jesus Cristo no Templo.
Primeiro mistério - A agonia de Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto.
Segundo mistério - A flagelação de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Terceiro mistério - A coroação de Nosso Senhor Jesus Cristo com espinhos.
Quarto mistério - Nosso Senhor Jesus Cristo carregando a cruz.
Quinto mistério - A crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Primeiro mistério - A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Segundo mistério - A ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo ao céu.
Terceiro mistério - A descida do Espírito Santo.
Quarto mistério - A assunção da Santíssima Virgem Maria aos céus.
Quinto mistério - A coroação da Santíssima Virgem Maria como rainha.
No ano de 2002, através da Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, o Papa São João Paulo II sugeriu a adoção de um quarto mistério, os Mistérios luminosos:
Primeiro mistério - O batismo de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Segundo mistério - A auto-revelação de Nosso Senhor Jesus Cristo nas bodas de Caná.
Terceiro mistério - O anúncio do Reino de Deus com o convite à conversão.
Quarto mistério - A Transfiguração de Nosso Senhor Jesus Cristo no Monte Tabor.
Quinto mistério - A instituição da sagrada eucaristia Eucaristia.
Atenção: Ao adotar os mistérios Luminosos a divisão semanal se torna:
Segunda-feira: Mistérios Gozosos
Terça-feira: Mistérios Dolorosos
Quarta-feira: Mistérios Gloriosos
Quinta-feira: Mistérios Luminosos
Sexta-feira: Mistérios Dolorosos
Sábado: Mistérios Gozosos
Domingo: Mistérios Gloriosos

1. Orações Preparatórias
Segure a cruz do rosário e inicie a recitação com serenidade.
Sinal da Cruz e Credo Apostólico
Persigne-se com o Sinal da Cruz e recite o Credo Apostólico.
Pai-Nosso Inicial
Passe para a primeira conta grande e reze um Pai-Nosso.
Três Ave-Marias
No primeiro conjunto de três contas pequenas, reze três Ave-Marias, uma em cada conta, pedindo um aumento de fé (na primeira), esperança (na segunda) e caridade (na terceira).
No espaço após a terceira Ave-Maria, recite a doxologia menor (Glória).
2. Meditação dos Mistérios
Avance para os mistérios. Para cada mistério, anuncie-o verbalmente e medite brevemente sobre o evento, enquanto reza as orações correspondentes. Use as contas grandes para o Pai-Nosso e as pequenas para as Ave-Marias. Realize esta sequência para os cinco mistérios de um terço; para o rosário completo, repita três vezes fans três voltas no terço.
Anunciação do Mistério e Pai-Nosso
Na conta grande, anuncie o mistério (por exemplo: Primeiro mistério gozoso: A Anunciação do Anjo à Santíssima Virgem Maria) e reze um Pai-Nosso.
Dez Ave-Marias
No conjunto de dez contas pequenas seguintes, reze dez Ave-Marias, uma em cada conta, mantendo a mente fixa na meditação do mistério.
Glória ao Pai e Oração de Fátima
No espaço após a décima Ave-Maria, recite a doxologia menor (Glória) e a oração de Fátima pelas almas do purgatório. Após isso também recomenda-se a inclusão de jaculatórias aos Santos ou à outras devoções conforme as intenções do terço.
3. Orações Finais
Ao concluir os mistérios, segure a medalha central do rosário.
Reze a Salve Rainha.
É recomendado que se reze a ladainha de Nossa Senhora após a salve rainha.
Finalize persignando-se com o Sinal da Cruz.
℣. À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas nas nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
℣. Sub tuum præsídium confúgimus, sancta Dei Genitrix: nostras deprecatiónes ne despícias in necessitátibus; sed a perículis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).
Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos.
Rezar 3 Ave Marias e recitar a jaculatória da medalha:
“Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”. Amém.
"O Maria, sine labe concepta, ora pro nobis qui ad te confugimus". Amem.



Ó Bendita e Imaculada Virgem Maria, honra e esplendor do Carmelo! vós que olhais com olhos de especial bondade a quem traz o vosso bendito hábito, olhai-me benignamente e cobri-me com o manto de vossa maternal proteção. Fortificai minha fraqueza com o vosso poder, iluminai as trevas de meu espírito com a vossa sabedoria, aumentai em mim a fé, a esperança e a caridade. Ornai minha alma com as graças e virtudes que a façam agradável ao vosso Divino Filho e a vós. Assisti-me durante a vida, consolai-me na morte com a vossa amável presença e apresentai-me à Augustíssima Trindade como vosso filho e servo dedicado, para vos louvar e bendizer eternamente no Paraíso. Amém.
Recitar 3 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.
Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós. Ó Refúgio dos pecadores, Mãe dos agonizantes, não nos desampareis na hora da morte, mas alcançai-nos dor perfeita, contrição sincera, remissão dos nossos pecados, digna recepção do Santíssimo Viático e a fortaleza do Sacramento da Extrema-unção, para que possamos, seguros, apresentar-nos ante o trono do justo, mas também misericordioso Juiz, Deus e Redentor nosso. Amém.

℣. Em nome do Pai † e do Filho e do Espírito Santo.
℟. Amém.
℣. Nós vos louvamos e bendizemos, Senhor.
℟. Porque associastes a Virgem Maria à obra da salvação.
℣. Contemplamos a vossa dor, ó Virgem Maria.
℟. Para segui-vos no caminho da fé.
Primeira dor: Maria acolhe com fé a profecia de Simeão (Lc 2,34-35).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Segunda dor: Maria foge para o Egito com Jesus e José (Mt 2,13-14).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Terceira dor: Maria procura Jesus perdido em Jerusalém (Lc 2,43-45).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Quarta dor: Maria encontra-se com Jesus no caminho do Calvário (Lc 23,26-27).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Quinta dor: Maria permanece de pé junto à cruz do seu Filho (Jo 19,25-27).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Sexta dor: Maria recebe nos braços o corpo de Jesus descido da cruz (Mt 27,57-59).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Sétima dor: Maria deposita no sepulcro o corpo de Jesus (Jo 19,40-42).
Recitar um Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Recitar três Ave-Marias em honra das lágrimas da bem-aventurada Virgem Maria.
Conclusão
℣. Nós vos louvamos, ó Virgem Maria.
℟. Mãe fiel junto à cruz do Filho.
Aclamação
Bendita sois, Rainha dos mártires:
associada à Paixão de Cristo,
vós vos tornastes nossa mãe,
sinal de esperança em nosso caminho.
Oração
Ó Deus, em cuja paixão, uma espada de dor varou, conforme predissera Simeão, a alma santíssima de Maria, virgem e mãe, fazei por vossa misericórdia que, celebrando as dores da acerba transfixão que sofreu, logremos, por seus merecimentos e pelos de todos os santos que rodeiam fielmente a cruz, recolher os ditosos frutos da vossa Paixão. Vós que viveis e reinais na unidade do Pai e do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Despedida
℣. Proteja-nos Santa Maria e benigna nos acompanhe pelos caminhos da vida.
℟. Amém.
℣. Ave, estrela do mar,
Mãe terna de Deus,
e sempre Virgem,
feliz porta do céu.
℟. Recebendo aquele «Ave»
dos lábios de Gabriel,
fundai-nos na paz,
mudando o nome de Eva.
℣. Soltai os ferros dos culpados,
trazei luz aos cegos,
afastai os nossos males,
pedi todos os bens.
℟. Mostrai que sois mãe,
receba por vós as preces
Aquele que, por nós nascido,
quis ser vosso.
℣. Virgem singular,
mansa entre todas,
livres de nossas culpas,
tornai-nos mansos e castos.
℟. Dai-nos uma vida pura,
preparai-nos um caminho seguro,
para que, vendo a Jesus,
nos alegremos sempre juntos.
℣. Seja louvor a Deus Pai,
honra ao sumo Cristo,
e ao Espírito Santo,
aos três um só louvor.
Amém.
℣. Ave, maris stella,
Dei Mater alma,
atque semper Virgo,
felix cœli porta.
℟. Sumens illud Ave
Gabrielis ore,
fundá nos in pace,
mutans Evæ nomen.
℣. Solve vincla reis,
profer lumen cœcis,
mala nostra pelle,
bona cuncta posce.
℟. Monstra te esse matrem,
sumat per te preces,
qui pro nobis natus,
tulit esse tuus.
℣. Virgo singularis,
inter omnes mitis,
nos culpis solutos,
mites fac et castos.
℟. Vitam præsta puram,
iter para tutum,
ut videntes Jesum,
semper collætémur.
℣. Sit laus Deo Patri,
summo Christo decus,
Spiritui Sancto,
tribus honor unus.
Amén.

Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tivesse recorrido à vossa proteção, implorado a vossa assistência e reclamado o vosso socorro, fosse por vós desamparado. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de vós me valho e, gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que vos rogo. Amém.
Memorare, o piissima Virgo Maria, non esse auditum a sæculo, quemquam ad tua currentem præsidia, tua implorantem auxilia, tua petentem suffragia, esse derelictum. Ego tali animatus confidentia, ad te, Virgo virginum, Mater, curro, ad te venio, coram te gemens peccator assisto. Noli, Mater Verbi, verba mea despicere; sed audi propitia et exaudi. Amen.

Retirada do devocionário “Preces Pro Opportunitate Dicendae”
Minha Senhora e minha Mãe, dai-me a graça de conhecer meus pecados em todo o seu tamanho, em toda a sua gravidade, em toda a sua malicia, e dai-me inquebrantável ódio a esses pecados, para que, odiando-os assim, eu possa vencê-los.
Dai-me aquela forma perfeitíssima de arrependimento que Vós quereis de mim, aquela compunção de David penitente, aquele seu lamento sereno e cheio de confiança, aquela sua dor pungente.
Fazei, ó minha Mãe, com que meus pecados estejam sempre diante de mim, e dai-me aquele coração contrito e humilhado que Vós não desprezais.

Bendita seja a tua pureza e eternamente o seja,
pois todo um Deus se recreia em tão graciosa beleza.
A ti, celestial princesa, Virgem sagrada Maria,
eu ofereço neste dia alma, vida e coração.
Olha-me com compaixão, não me deixes, minha Mãe. Amém.
Benedicta sit tua puritas, et æternum sit,
quia totus Deus recreatur in tam gratiosa pulchritudine.
Ad te, cœlestis principissa, Virgo sacra Maria,
ego offero in hoc die animam, vitam et cor.
Respice me cum compassione, ne derelinquas me, Mater mea. Amen.


Vós sois toda formosa, ó Maria,
A mácula original não existe em vós.
Vós sois a glória de Jerusalém,
Vós sois a alegria de Israel,
Vós sois a honra do nosso povo,
Vós sois a advogada dos pecadores,
Ó Maria! Ó Maria!
Virgem prudentíssima,
Mãe clementíssima,
Rogai por nós,
Intercedei por nós junto a Nosso Senhor Jesus Cristo.
℣. Na vossa Conceição, ó Virgem, fostes imaculada.
℟. Rogai por nós ao Pai, do qual gerastes o Filho.
Oremos: Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem, preparastes ao vosso Filho uma digna mansão, nós Vos rogamos que, tendo-a preservado de toda a mancha, na previsão da morte do vosso mesmo Filho, nos concedais pela sua intercessão chegarmos até Vós, também purificados de todo o pecado. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém.
Tota pulchra es, Maria,
Et macula originalis non est in te.
Tu gloria Jerusalem,
Tu lætitia Israel,
Tu honorificentia populi nostri,
Tu advocata peccatorum,
O Maria! O Maria!
Virgo prudentissima,
Mater clementissima,
Ora pro nobis,
Intercede pro nobis ad Dominum Jesum Christum.
℣. In Conceptione tua, Virgo, immaculata fuisti.
℟. Ora pro nobis Patrem, cujus Filium peperisti.
Oremus: Deus, qui per Immaculatam Virginis Conceptionem dignum Filio tuo habitaculum præparasti: quæsumus, ut qui ex morte ejusdem Filii tui prævisa, eam ab omni labe præservasti, nos quoque mundos, ejus intercessione ad te pervenire concedas. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

A minha alma engrandece ao Senhor.
E meu espírito se transporta em santa alegria em Deus, meu Salvador.
Porque pôs os olhos em sua humilde escrava, por isso todas as gerações me chamarão bem-aventurada.
Grandes maravilhas obrou comigo o Onipotente, cujo Nome é santo.
Cuja misericórdia se estende de geração em geração, em todos os que O temem.
Assim ostenta o poder do seu braço, transtorna os desígnios dos soberbos.
Derruba os poderosos de seus tronos, e exalta os humildes.
Enche de bens aos necessitados, e aos ricos deixa vazios.
Decretou exaltar a Israel, seu povo, lembrando-se de sua misericórdia.
Para cumprir a promessa que fez aos nossos pais, Abraão e todos os seus descendentes.
Glória ao Pai, etc.
Magnificat * anima mea Dominum:
Et exsultavit spiritus meus * in Deo salutari meo.
Quia respexit humilitatem ancillæ suæ: * ecce enim ex hoc beatam me dicent omnes generationes.
Quia fecit mihi magna qui potens est: * et sanctum nomen ejus.
Et misericordia ejus a progenie in progenies * timentibus eum.
Fecit potentiam in brachio suo: * dispersit superbos mente cordis sui.
Deposuit potentes de sede, * et exaltavit humiles.
Esurientes implevit bonis: * et divites dimisit inanes.
Suscepit Israel puerum suum, * recordatus misericordiæ suæ.
Sicut locutus est ad patres nostros, * Abraham, et semini ejus in sæcula.
Gloria Patri, etc.

1º — Ó Jesus, Filho de Deus vivo, esplendor da eterna luz, que desde a eternidade fostes gerado puríssimo no seio do Eterno Pai, e que no tempo quisestes nascer de uma Virgem Puríssima e Imaculada, eu, fragilíssima criatura vossa, de todo o coração Vos peço que me conserveis puro na alma e no corpo; e que façais florescer plenamente na vossa Santa Igreja a pureza, para maior glória vossa e para a salvação das almas por Vós remidas.
2º — Puríssima e Imaculada sempre Virgem Maria, Filha do Eterno Pai, Mãe do Eterno Filho, Esposa do Espírito Santo, augusto e vivo templo da Trindade Sacrossanta, lírio de pureza e espelho sem mancha, dignai-vos, ó minha querida Mãe, obter-me de vosso Filho, meu bom Jesus, a pureza da alma e do corpo; e intercedei para com Ele, a fim de que esta formosa virtude cada vez mais brilhe em todas as classes dos fiéis.
3º — Esposo castíssimo de Santa Maria Imaculada, glorioso Patriarca São José, que merecestes de Deus a singular honra de ser Pai adotivo da mesma inocência, Jesus Cristo, e Custódio intemerato da Virgem das virgens, instantemente vos peço: me alcanceis o amor de Jesus, meu Deus e Salvador, e a proteção especial de Maria, minha Mãe Santíssima; e fazei, São José, protetor de todas as almas castas, que vossa predileta virtude, a santa pureza, seja por mim e por todos os homens mais dignamente amada.
4º — E vós, São Bernardino, amantíssimo servo de Jesus, de Maria e de José, modelo de modéstia cristã, e, nos vossos tempos, restaurador da piedade e dos bons costumes, especial advogado e exemplar nosso, apresentai as nossas súplicas à Sagrada Família, e alcançai para os tempos em que vivemos, que, junto com a piedade e com o temor de Deus, reine a santa pureza da alma e do corpo em todas as famílias cristãs, e em todos os que são filhos da Santa Igreja Romana, nossa Mãe. Assim seja.
São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, sede nosso refúgio contra as maldades e ciladas do demônio. Ordene-lhe Deus, instantemente o pedimos, e vós, príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai no inferno a Satanás e a todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas. Amém.
Sancte Michael Archangele, defende nos in prælio, contra nequitias et insidias diaboli esto præsidium: imperet illi Deus, supplices deprecamur, tuque, Princeps militiæ cælestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.


Ó amabilíssimo patriarca São José, desde o abismo da minha pequenez e miséria contemplo-vos com emoção e alegria da minha alma em vosso trono do Céu, como glória e gozo dos bem-aventurados, mas também como Pai dos órfãos na Terra, consolador dos tristes, amparador dos desvalidos, auxiliador dos anjos e santos diante do trono de Deus, de Vosso Jesus e de vossa Santa Esposa.
Por isso, eu, pobre, desvalido, triste e necessitado, a vós dirijo hoje e sempre minhas lágrimas e penas, minhas súplicas e clamores da alma, meus arrependimentos e minhas esperanças; e especialmente hoje, trago diante do vosso altar e da vossa imagem uma pena que consoleis, um mal que remedieis, uma desgraça que impeçais, uma necessidade que socorrais, uma graça que obtenhais para mim e para meus entes queridos.
Para comover-vos e obrigar-vos a ouvir-me e obter-me estas graças, as pedirei a vós e demandarei durante trinta dias contínuos, em reverência aos trinta anos que vivestes na Terra com Jesus e Maria e o farei urgente e confiantemente, invocando todos os títulos que tendes para compadecer-vos de mim e de todos os motivos que tenho para esperar que não prologareis ao ouvir minha súplica e remediar minha necessidade, sendo tão certa minha fé em vossa bondade e poder, que ao senti-la, vos sentireis também obrigado a obter e dar-me ainda mais do que vos peço e desejo.
Peço-vos pela bondade divina que obrigou ao Verbo Eterno a encarnar-se e nascer na pobre natureza humana, como Filho de Deus, Deus homem e Deus dos homens.
Suplico-vos por vossa ansiedade imensa ao sentir-vos obrigado a abandonar a vossa Santa Esposa.
Rogo-vos por vossa resignação dolorosíssima para buscar um estábulo e um presépio para palácio e manjedoura de Deus nascido entre os homens.
Imploro-vos pela dolorosa e humilhante circuncisão de vosso Jesus; e pelo Santo, Glorioso e Dulcíssimo nome que lhe impusestes por ordem do Pai Celeste.
Demando-vos por vosso sobressalto ao ouvir do anjo a morte decretada contra vosso Filho Deus; por vossa obedientíssima fuga ao Egito, pelas penalidades e perigos do caminho, pela pobreza extrema do desterro e por vossas ansiedades ao voltar do Egito a Nazaré.
Peço-vos por vossa aflição dolorosíssima de três dias, ao perder vosso Filho e por vossa consolação suavíssima ao encontrá-Lo no Templo; por vossa felicidade inefável dos trinta anos que tivestes em Nazaré com Jesus e Maria sujeitos à vossa autoridade e providência.
Rogo-vos e espero pelo heroico sacrifício com que oferecestes a vítima de vosso Jesus ao Deus Eterno, para a cruz e para a morte, pelos nossos pecados e nossa redenção.
Demando-vos pela dolorosa previsão que fazíeis todos os dias ao contemplar aquelas mãos infantis, perfuradas depois na Cruz por pregos agudos; aquela cabeça que se reclinava dulcissimamente sobre vosso peito, coroada de espinhos; aquele divino corpo que apertáveis contra o vosso coração, despido, ensanguentado e estendido sobre os braços da Cruz naquele último momento que lhe víeis expirar e morrer.
Peço-vos por vossa dulcíssima passagem desta vida nos braços de Jesus e Maria, vossa entrada no lugar dos Justos e por fim nos Céus.
Suplico-vos por vosso gozo e vossa glória, quando contemplastes a ressurreição do Vosso Jesus, sua subida e entrada nos Céus, seu trono de Rei imortal dos séculos.
Demando-vos por vosso inefável júbilo, quando vistes sair do sepulcro a vossa Santíssima Esposa ressuscitada, e ser assunta ao Céu pelos anjos, coroada pelo Eterno e entronizada num sólio junto ao vosso.
Peço-vos e rogo-vos confiantemente pelos vossos trabalhos, penalidades e sacrifícios na Terra e por vossos triunfos, glórias e feliz bem-aventurança nos Céus, com vosso Filho Jesus e vossa esposa Santa Maria.
Ó meu bom patriarca São José, eu inspirado nos ensinamentos da Santa Igreja, de seus Doutores e Teólogos, e no sentido universal do povo cristão, sinto em mim uma força misteriosa, que me alenta e obriga a pedir-vos, suplicar-vos e esperar que me obtenhais de Deus a grande e extraordinária graça que vou colocar diante da vossa imagem e do vosso trono de bondade e poder nos Céus: (Aqui se faz o pedido).
Obtende-me também para os meus e para os que pediram que rogue por eles, tudo quanto desejam e lhes é conveniente.
℣. Rogai por nós, ó glorioso patriarca São José.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Ó Deus, que em vossa inefável Providência escolhestes São José para esposo de Maria, Mãe do Vosso Filho, fazei que, venerando-o na Terra como protetor, mereçamos tê-lo como intercessor nos Céus. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação de meus numerosos pecados; de trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações; de trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus; de trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades; de trabalhar sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!
Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, ó Patriarca São José! Tal será a minha divisa na vida e na morte.
Amém!

Primeiro dia
São José, Pai Nutrício de Jesus
Amabilíssimo São José, que tivestes a honra de alimentar, educar e abraçar o Messias, a quem tantos profetas e reis desejaram ver e não viram, obtende-me, com o perdão das minhas culpas, a graça da oração humilde e confiante que tudo alcança de Deus. Acolhei com bondade paternal os pedidos que vos faço nesta novena e apresentai-os a Jesus, que se dignou obedecer-vos na terra. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, pai nutrício de Jesus.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Segundo dia
São José, Esposo da Virgem Maria
São José, castíssimo Esposo da Mãe de Deus e guarda fiel da sua virgindade, obtende-me, por Maria, a pureza do corpo e da alma e a vitória em todas as tentações e dificuldades. Recomendo-vos também os esposos cristãos, para que, unidos com sincero amor e fortalecidos pela graça, amparem-se mutuamente nos sofrimentos e tribulações da vida. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, esposo da Mãe de Deus.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Terceiro dia
São José, Chefe da Sagrada Família
Glorioso São José, que gozastes durante tantos anos da presença e filial afeição de Jesus, a quem tivestes a dita de alimentar e vestir, juntamente com vossa Santíssima Esposa, eu vos suplico me alcanceis o dom inefável de sempre viver em união com Deus pela graça santificante. Obtende também para os pais cristãos a graça do fiel cumprimento de seus graves deveres de educadores e, aos filhos, o respeito e a obediência, segundo o exemplo do Menino Jesus. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, chefe da Sagrada Família.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Quarto dia
Quinto dia
São José, Espelho de Paciência
Bondoso São José, que suportastes com heróica paciência as provações e adversidades na viagem a Belém, na fuga para o Egito e durante a vida oculta em Nazaré e me destes o exemplo de admirável conformidade com a vontade de Deus, obtende-me a virtude da paciência nas dificuldades de cada dia. Alcançai também invencível paciência a todos os que suportam pesadas cruzes, a fim de que se unam sempre mais a Jesus, divino modelo de mansidão e paciência. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, espelho de paciência.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Sexto dia
São José, Modelo dos Operários
Humilde São José, que vivendo em pobreza dignificastes a vossa profissão pelo trabalho constante e vos sentistes feliz em servir a Jesus e a Maria com o fruto de vossos suores, alcançai-me amor ao trabalho, que me foi imposto como dever de estado, procurando cumprir nisto sempre a vontade de Deus. Protegei os lares dos trabalhadores do Brasil contra as influências nefastas dos inimigos de Cristo e da Santa Igreja. Obtende-lhes a graça de santificarem o seu trabalho, pela reta intenção, em tudo conformados com os desígnios da Divina Providência. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, modelo dos operários.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Sétimo dia
São José, Protetor da Santa Igreja
Glorioso Patriarca São José, Protetor e Padroeiro da Igreja Universal, obtende-me a graça de amar a Igreja como Mãe e de a honrar como verdadeiro discípulo de Cristo. Rogo-vos que veleis sobre o seu Corpo Místico, como outrora velastes sobre Jesus e Maria. Protegei o Santo Padre e os Bispos, os Sacerdotes e os Religiosos. Alcançai-lhes santidade de vida e eficácia no apostolado. Guardai a inocência da infância, a castidade da juventude, a honestidade do lar, a ordem e a paz da sociedade. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, protetor da Santa Igreja.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Oitavo dia
São José, Consolo dos Enfermos
Compassivo São José, esperança dos doentes e necessitados, valei-me em todas as enfermidades e tribulações, alcançando-me plena conformidade com os admiráveis desígnios de Deus. Obtende-me também para mim e para todos pelos quais rezo nesta novena, a cura das enfermidades espirituais, que são as paixões desordenadas, fraquezas, faltas e pecados, e protegei-nos contra as tentações do inimigo da nossa salvação. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, consolo dos enfermos.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Nono dia
São José, Padroeiro dos Moribundos
Ditoso São José, que morrendo nos braços de Jesus e Maria, partistes deste mundo ornado de virtudes e enriquecido de méritos, assisti-me na hora suprema e decisiva da minha vida contra os ataques do poder infernal. Obtende-me a graça de morrer confortado com os santos Sacramentos, necessários para a minha salvação. Tende compaixão de todos os agonizantes, alcançando-lhes a graça da salvação por intermédio de Maria, vossa Santíssima Esposa. Amém.
℣. Rogai por nós, São José, padroeiro dos moribundos.
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos. Ó Deus, que por uma inefável Providência Vos dignastes escolher o bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos que aquele mesmo que na terra veneramos como protetor, mereçamos tê-lo no céu por nosso intercessor. Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
Glorioso São José, que fostes exaltado pelo Eterno Pai, obedecido pelo Verbo Encarnado, favorecido pelo Espírito Santo e amado pela Virgem Maria; louvo e bendigo a Santíssima Trindade pelos privilégios e méritos com que vos enriqueceu. Sois poderosíssimo e jamais se ouviu dizer que alguém tenha recorrido a vós e fosse por vós desamparado. Sois o consolador dos aflitos, o amparo dos míseros e o advogado dos pecadores. Acolhei, pois, com bondade paternal a quem vos invoca com filial confiança e alcançai-me as graças que vos peço nesta novena. Eu vos escolho por meu especial protetor. Sede, depois de Jesus e Maria, minha consolação nesta terra, meu refúgio nas desgraças, meu guia nas incertezas, meu conforto nas tribulações, meu pai solícito em todas as necessidades. Obtende-me, finalmente, como coroa dos vossos favores, uma boa e santa morte na graça de Nosso Senhor. Amém.

Bem-aventurado São José, a vós recorremos na nossa tribulação, e, tendo implorado o socorro de vossa Santíssima Esposa, cheios de confiança, solicitamos também o vosso patrocínio. Por aquela caridade, que vos ligou com a Imaculada Virgem Mãe de Deus, e pelo amor paternal, com que estreitastes em vossos braços ao Menino Jesus, suplicantes vos rogamos, que lanceis um olhar benigno para a herança que Jesus Cristo adquiriu com o seu Sangue Precioso, e nos socorrais nas nossas necessidades, com vosso auxílio e poder.
Amparai, ó guarda providentíssimo da Divina Família, a linhagem escolhida de Jesus Cristo; afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, todo contágio de erros e corrupções; assisti-nos do alto do Céu, ó libertador nosso fortíssimo, na presente luta contra o poder das trevas; e assim como outrora livrastes do supremo risco de vida ao Menino Jesus, assim defendei agora a Santa Igreja de Deus contra as ciladas dos seus inimigos e contra toda a adversidade; e a cada um de nós amparai com vosso perpétuo patrocínio, para que, a exemplo vosso, e coadjuvados com o apoio de vosso auxílio, possamos viver santamente, piedosamente morrer e alcançar no Céu a eterna bem-aventurança. Amém.
Gorioso Patriarca São José, cujo poder consegue tornar possiveis as coisas impossíveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de angústia e dificuldade. Tomai sob a vossa proteção as situações tão graves e difíceis que Vos confio, para que obtenham uma solução feliz. Meu amado Pai, toda a minha confiança está colocada em Vós. Que não se diga que eu Vos invoquei em vão, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade é tão grande como o vosso poder. Amém.

Lembrai-vos de nós, ó bem-aventurado São José, e ajudai-nos com vossas orações e intercessão junto daquele que quis ser chamado vosso filho. Tornai-nos também propícia a bem-aventurada Virgem, vossa esposa, Mãe do Redentor, que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Assim seja.
Memento nostri, beate Ioseph, et tuæ oratiónis suffragio apud tuum putatívum Filium intercede; sed et beatíssimam Virginem Sponsam tuam nobis propitiam redde, quæ Mater est Eius, qui cum Patre et Spíritu Sancto vivit et regnat per infinita sæcula sæculórum. Amén.

Ó São José, guarda e pai das almas virginais, a cuja fiel proteção foi confiado Jesus Cristo, a Inocência mesma e a Virgem das virgens, Maria: por estes dois caríssimos penhores – Jesus e Maria – vos rogo e conjuro, que façais que eu, resguardado de toda a impureza, com a alma sem mancha, com coração puro e corpo casto, sempre em perfeita castidade sirva a Jesus e Maria. Amém.


Ó justo e glorioso São José, eu vos recomendo incessantemente a salvação da alma de recitar o nome, que Jesus resgatou à custa do seu tão Precioso Sangue. Vós sabeis quanto são infelizes aqueles que, tendo banido de seu coração ao Divino Salvador, ficam expostos a perdê-Lo por toda à eternidade. Não permitais, pois, que esta alma, que me é tão querida, fique por muito tempo separada de Jesus. Fazei-lhe conhecer os perigos que a ameaçam. Falai fortemente ao seu coração. Reconduzi este filho pródigo ao seio do melhor dos pais, e não o deixeis sem lhe terdes aberto as portas do Céu, onde vos bendirá eternamente pela felicidade que lhe tiverdes proporcionado. Amém.
Ó São José, que nos suavíssimos braços de Jesus, vosso protegido, e de vossa santíssima esposa, Maria, migrastes desta vida, socorrei-me, ó santo pai, com Jesus e Maria, sobretudo quando a morte vier pôr fim à minha vida; e alcançai-me o consolo de expirar nos mesmos braços santíssimos de Jesus e de Maria. Em vossas mãos, na vida e na morte, entrego o meu espírito, Jesus, Maria e José. Amém.


I.
As enfermidades entram muitas vezes nos adoráveis planos da sabedoria divina. Sob a violência de seus golpes, o homem entra mais facilmente em si e considera que é pó, e que ao pó um dia tornará; e então aprende melhor a desprender-se dos precários bens deste mundo, onde tudo é vaidade e inquietação.
Glorioso Patriarca São José, fazei que o pobre enfermo por quem vos rogamos compreenda bem e pratique esta grande verdade, e que por vossa intercessão alcance de Deus a graça da saúde, a fim de que, socorrido por vós, diga com reconhecimento: servirei sempre a Deus que é tão bom e tão poderoso!
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
II.
As enfermidades nos revelam traços eloquentes da misericórdia divina. Quantas vezes, entre os males do corpo, dissipa-se ante nosso espírito a nuvem que esconde os males da alma! Oh! Como nessas horas o coração se torna sensível às exprobrações da consciência, dócil às inspirações do Céu e decidido à prática da virtude cristã!
Glorioso São José, fazei que o enfermo por quem vos rogamos deteste eficazmente suas faltas, corrija seus defeitos e seja para sempre fiel a seus deveres. Que ao mesmo tempo vosso poderoso patrocínio restitua-lhe a saúde, a fim de que, contente e reconhecido, ele proteste: invocarei sempre a São José, que tudo pode com a sua intercessão.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
III.
As enfermidades são sempre acompanhadas dos cuidados da bondade divina. Aquele que sabe amar também corrige e castiga; e a mão que bate é, muitas vezes, a de um pai extremoso. Convencidos de que o Senhor nunca lhes retira o amor, os Santos sofrem as enfermidades não só com paciência e resignação, mas até com alegria e entre ações de graças; e assim suas almas purificam-se, como o ouro no cadinho, e fazem progressos na perfeição e na santidade.
Glorioso São José, fazei que o enfermo por quem Vos rogamos aproveite-se de seus sofrimentos para adquirir maiores méritos para santificar-se cada dia mais, e para melhor satisfazer à justiça divina. Mas, fazendo-o progredir na virtude, obtende-lhe a cura que ele espera de quem dá a morte, mas também vivifica; e que não permita o Senhor Onipotente que sejam contínuas e sem termo as tribulações, quando as alegrias e consolações não o são.
Lembrai-vos, ó grande Santo, de que tendes em vossos braços o Menino Jesus, e vede que, ainda quando parece dormir ao vosso peito, seu Coração vela e escuta as vossas orações. Sim, nós sabemos todos, para nossa viva consolação, que o vosso valimento é poderosíssimo, porque as súplicas que dirigirdes ao Filho de Deus são irresistíveis para aquele que vos elegeu seu Pai adotivo.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
℣. Rogai por nós, Bem-aventurado São José,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos: Senhor, Deus Onipotente, salvação eterna dos que creem e confiam em Vós, socorrei ao vosso servo enfermo, em favor de quem imploramos a mediação do ínclito São José, de modo que, recobrando a saúde e a paz, ele Vos renda contínuas graças e Vos sirva fielmente no grêmio da Igreja. Amém.

Nota: Qualquer fiel que, com o coração contrito, praticar o seguinte exercício, ganhará:
1º uma indulgência de 100 dias, uma vez cada dia;
2º uma indulgência de 300 dias em todas as quartas-feiras do ano e nos dias das novenas que precedem às festas de São José e de seu Patrocínio;
3º uma indulgência plenária, se nestas festas comungar e orar na intenção do Santo Padre, o Papa;
4º se rezar as seguintes preces em sete domingos contínuos, em cada um deles ganhará 300 dias de indulgência, e no sétimo domingo uma indulgência plenária se comungar e orar na intenção do Santo Padre, e se isto fizer em cada um dos sete domingos, cada vez ganhará uma indulgência plenária.
I. — Ó Esposo Puríssimo de Maria Santíssima, glorioso São José, assim como foi grande a amargura e angústia do vosso Coração na perplexidade de abandonar vossa Castíssima Esposa, assim foi inexplicável a vossa alegria quando, pelo Anjo, vos foi revelado o soberano mistério da Encarnação.
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, vos rogamos a graça de consolar, agora e nas extremas dores, a nossa alma com a alegria de uma vida justa, e de uma morte semelhante à vossa, entre Jesus e Maria.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
II. — Ó felicíssimo Patriarca, glorioso São José, que fostes escolhido para o cargo de Pai adotivo do Verbo humanado, a dor que sentistes ao ver nascer em tanta pobreza o Deus Menino se vos trocou em celestial júbilo ao escutardes a angélica harmonia, e ao verdes a glória daquela brilhantíssima noite.
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, vos suplicamos a graça de nos alcançar que, depois da jornada desta vida, passemos a ouvir os angélicos louvores e a gozar os resplendores da celeste glória.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
III. — Ó obedientíssimo executor das divinas leis, glorioso São José, o Sangue Preciosíssimo que na circuncisão derramou o Redentor Menino, vos transpassou o Coração, mas o Nome de Jesus vo-lo reanimou, enchendo-o de contentamento.
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, alcançai-nos que, sendo arrancados de nós todos os vícios nesta vida, com o Nome de Jesus no coração e na boca, expiremos cheios de alegria.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
IV. — Ó fidelíssimo Santo, que também tivestes parte nos mistérios da nossa Redenção, glorioso São José, a profecia de Simeão, a respeito do que Jesus e Maria tinham de padecer, vos causou mortal angústia, também vos encheu de soberano gozo pela salvação e gloriosa Ressurreição que, como igualmente predisse, teria de resultar para inumeráveis almas.
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, obtende-nos que sejamos do número daqueles que, pelos méritos de Jesus e pela intercessão da Virgem, sua Mãe, hão de ressuscitar gloriosamente.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
V. — Ó vigilantíssimo guarda, íntimo familiar do Filho de Deus Encarnado, glorioso São José, quanto penastes para alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na fuga que com Ele houvestes de fazer para o Egito; mas qual não foi também o vosso gozo por terdes sempre convosco o mesmo Deus, e por verdes cair por terra os ídolos egípcios!
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, alcançai-nos que, expelindo para longe de nós o infernal tirano, especialmente com a fuga das ocasiões perigosas, sejam derrubados do nosso coração todos os ídolos dos afetos terrenos; e que, inteiramente empregados no serviço de Jesus e de Maria, para Eles somente vivamos, e felizmente morramos.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
VI. — Ó anjo da terra, glorioso São José, que, cheio de pasmo, vistes o Rei do Céu submisso a vossos mandados, se a vossa consolação, ao reconduzi-Lo do Egito, foi turbada pelo temor de Arquelau; contudo, sossegado pelo Anjo, vos conservastes alegre em Nazaré com Jesus e Maria.
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, alcançai-nos que, desocupando o nosso coração de vícios e temores, gozemos a paz de consciência e vivamos seguros com Jesus e Maria, e também entre Eles morramos.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
VII. — Ó exemplar de toda a santidade, glorioso São José, perdestes sem culpa vossa o Menino Jesus, e para maior angústia houvestes de buscá-Lo por três dias, até que com sumo júbilo gozastes do que era vossa vida, achando-O no templo entre os doutores.
Por esta vossa dor e por este vosso gozo, vos suplicamos, com o nosso coração nos lábios, que interponhais o vosso valimento para que nunca nos suceda perdermos a Jesus por culpa grave; mas, se por desgraça O perdermos, com tão contínua dor O procuremos, que O achemos favorável, especialmente em nossa morte, para passarmos a gozá-Lo no Céu, e lá cantarmos convosco eternamente suas divinas misericórdias.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
Antífona: O mesmo Jesus tinha quase trinta anos quando era reputado por filho de José.
℣. Rogai por nós, Bem-aventurado São José,
℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oração: Deus, que por vossa inefável providência Vos dignastes eleger o Bem-aventurado São José para Esposo de vossa Mãe Santíssima, concedei-nos, nós vos pedimos, que mereçamos ter como intercessor no Céu aquele a quem veneramos na terra como nosso protetor. Vós que viveis e reinais com Deus Pai na unidade do Espírito Santo. Amém.

Glorioso São José, que tão dócil fostes à voz do Espírito Santo, alcançai-me benignamente a graça de conhecer a que estado Deus, em sua infinita sabedoria e bondade, me destinou. Não permitais, São José, que me engane nesta importante escolha, da qual depende toda a minha felicidade neste mundo, e talvez a minha eterna salvação. Fazei, pois, glorioso protetor das almas, que, esclarecido a respeito da vontade divina, e fiel em segui-la, encontre, no caminho que o Senhor me tem destinado com infinito amor, a bem-aventurança eterna. Amém.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.
São José, que amais ao Santíssimo Coração de Jesus, rogai por nós.

Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo †, eu Vos agradeço todos os favores, todas as graças com que enriquecestes a alma de Vossa serva Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, durante os 24 anos que passou na terra e, pelos méritos de tão querida Santinha, concedei-me a graça que ardentemente Vos peço pedir a graça se for conforme a Vossa Santíssima vontade e para salvação de minha alma. Ajudai minha fé e minha esperança, ó Santa Teresinha, cumprindo mais uma vez sua promessa de que ninguém Vos invocaria em vão, fazendo-me ganhar uma rosa, sinal de que alcançarei a graça pedida.
Reze 24 Glória ao Pai, um Pai Nosso e uma Ave Maria.

Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os vossos sacerdotes sob a proteção do vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder. Conservai puros e desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter sublime do vosso glorioso sacerdócio. Conservai imaculadas as suas mãos ungidas, que tocam todos os dias o vosso Sagrado Corpo. Conservai imaculados os seus lábios, diariamente tingidos com o vosso Preciosíssimo Sangue.
Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo. Dai-lhes também, juntamente com o poder que têm de transubstanciar o pão e o vinho em vosso Corpo e Sangue, o poder de transformar os corações dos homens. Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e fazei que as almas confiadas aos seus cuidados e direção sejam a sua alegria na terra e formem no céu a sua gloriosa e imperecível coroa. Amém.
Eis a Cruz do Senhor: fugi, potências inimigas! Venceu o Leão da tribo de Judá.
Ecce crux Domini: fugite, partes adversæ. Vicit Leo de tribu Iuda.

Inefável Criador, que dos tesouros da vossa sabedoria tirastes as hierarquias dos anjos colocando-as com ordem admirável no céu; distribuístes o universo com encantável harmonia, vós que sois a verdadeira fonte da luz e o princípio supremo da sabedoria, fundi sobre as trevas da minha mente o raio do esplendor, removendo as duplas trevas nas quais nasci: o pecado e a ignorância. Vós que tornastes fecunda a língua das crianças, tornai erudita a minha língua e espalhai sobre os meus lábios a vossa bênção. Concedei-me a acuracidade para entender, a capacidade de reter, a sutileza de relevar, a facilidade de aprender, a graça abundante de falar e de escrever. Ensinai-me a começar, regei-me a continuar e perseverar até o término. Vós que sois o verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.


Dou-Vos graças, Senhor santo, Pai onipotente, Deus, a Vós que, sem merecimento algum de minha parte, mas por efeito da vossa misericórdia, Vos dignastes saciar-me, sendo eu pecador e vosso indigno servo, com o Corpo adorável e com o Sangue precioso do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Eu Vos peço que esta comunhão não me seja imputada como uma falta digna de castigo, mas interceda eficazmente para alcançar o meu perdão; seja a armadura da minha fé e o escudo da minha boa vontade; livre-me dos meus vícios; apague os meus maus desejos; mortifique a minha concupiscência; aumente em mim a caridade e a paciência, a humildade, a obediência e todas as virtudes; sirva-me de firme defesa contra os embustes de todos os meus inimigos, tanto visíveis como invisíveis; serene e regule perfeitamente os movimentos, tanto da minha carne como do meu espírito; una-me firmemente a Vós, que sois o único e verdadeiro Deus; e seja enfim a feliz consumação do meu destino.
Dignai-Vos, Senhor, eu Vos suplico, conduzir-me, a mim, pecador, a esse inefável banquete onde, com o vosso Filho e o Espírito Santo, sois para os vossos santos luz verdadeira, gozo pleno e alegria eterna, cúmulo de delícias e felicidade perfeita. Pelo mesmo Jesus Cristo, Senhor Nosso. Amém.

Canta, ó língua, o mistério
deste Corpo glorioso,
e do Sangue precioso
derramado sobre o mundo,
fruto de ventre fecundo,
Rei de todas as nações.
Foi-nos dado e nasceu
para nós da Virgem pura.
Nesta terra, Ele desceu,
semeou sua Palavra.
Cumprindo aqui o seu tempo,
grande sinal nos deixou.
Na noite santa da Ceia,
Com os irmãos, reunido,
observando todo o rito,
daquilo que é prescrito,
por suas mãos, em alimento,
aos doze, se entregou.
O Verbo encarnado torna,
por sua palavra, pão e vinho
no seu Corpo e no seu Sangue.
Para além do entendimento,
do sincero coração
a fé é o suficiente.
Este grande sacramento,
inclinados, adoremos;
os antigos manuscritos
dão lugar a novo rito.
Sirva a fé de complemento
na fraqueza dos sentidos.
Seja dado ao Pai e ao Filho,
o louvor, o júbilo,
saudação, honra, virtude
assim como a bênção.
Ao que de ambos procede
demos o mesmo louvor. Amém.
Pange lingua gloriosi
Corporis mysterium,
Sanguinisque pretiosi,
quem in mundi pretium
fructus ventris generosi,
Rex effudit gentium.
Nobis datus, nobis natus
ex intacta Virgine
et in mundo conversatus,
sparso verbi semine,
sui moras incolatus
miro clausit ordine.
In supremæ nocte cenæ
recumbens cum fratribus,
observata lege plene
cibis in legalibus,
cibum turbæ duodenæ
se dat suis manibus.
Verbum caro, panem verum
verbo carnem efficit:
fitque sanguis Christi merum,
et si sensus deficit,
ad firmandum cor sincerum
sola fides sufficit.
Tantum ergo Sacramentum
veneremur cernui:
et antiquum documentum
novo cedat ritui:
præstet fides supplementum
sensuum defectui.
Genitori, Genitoque
laus et iubilatio,
salus, honor, virtus quoque
sit et benedictio:
procedenti ab utroque
compar sit laudatio. Amen.

Meu Jesus, creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Eu Vos amo sobre todas as coisas e desejo receber-Vos em minha alma. E porque não posso receber-Vos agora sacramentalmente, vinde ao menos de modo espiritual ao meu coração. Abraço-Vos e uno-me todo a Vós, como se já tivésseis vindo; não permitais que eu jamais me separe de Vós. Ó Jesus, sumo bem meu e doce amor meu, feri, eu Vos suplico, e inflamai o meu coração, para que sempre se abrase todo por Vós.

Deus Eterno, Criador de todas as coisas, lembrai-Vos que as almas dos infiéis são obras de vossas mãos, e que são feitas à vossa imagem e semelhança. Vede, porém, Senhor, como em desdouro do vosso Nome o inferno se enche destas almas. Lembrai-Vos que Jesus Cristo, vosso Filho, derramou todo o seu Sangue e padeceu Morte atrocíssima por elas. Não permitais, pois, Senhor, que o vosso Filho seja por mais tempo desprezado pelos infiéis. Deixai-Vos, antes, aplacar e mover à piedade pelas orações de vossos Santos e da Igreja, Esposa de vosso Santíssimo Filho. Lembrai-Vos da vossa misericórdia e, esquecendo sua idolatria e infidelidade, fazei que também eles, enfim, conheçam a Jesus Cristo, Nosso Senhor, que é salvação, vida e ressurreição nossa, e por quem fomos livres e salvos, a quem seja dados honra, glória e louvor para sempre. Amém.
Meu Jesus Cristo, quero a vós servir e não encontro o caminho. Quero fazer o bem e não encontro o caminho. Quero a vós encontrar e não encontro o caminho. Quero a vós amar e não encontro o caminho. Ainda não vos conheço, meu Jesus, porque não vos procuro. Procuro-vos e não vos encontro. Vinde até mim, meu Jesus. Nunca vos amarei, se não me ajudardes, meu Jesus. Cortai as minhas amarras se quiserdes que eu seja vosso. Jesus, sede para mim Jesus. Amém..

Senhor e Mestre de minha vida, afasta de mim o espírito de preguiça, de dissipação, de domínio e de vã loquacidade; e concede a mim, teu servo, o espírito de integridade, de humildade, de paciência e de amor. Sim, Senhor e Rei, concede-me ver meus pecados e não julgar meus irmãos, porque és bendito pelos séculos dos séculos. Amém.


Pai onipotente e santíssimo, ainda que eu não seja mais que uma pobre e vil criatura, dignai-Vos permitir-me de renunciar nas vossas mãos a minha própria vontade.
Eu me ofereço e sacrifico inteiramente à vossa divina vontade. Desejo que esta amabilíssima vontade se cumpra sempre em mim, tanto no corpo como na alma, no tempo e na eternidade.
Unindo-me àquela divina resignação com que Jesus Se entregou no Horto das Oliveiras à vossa santíssima vontade, apropriando-me de sua intenção, sua palavra e seu coração, digo-Vos e torno a dizer-Vos mil vezes:
“Ó meu Pai, vossa vontade, e não a minha, se cumpra no tempo e na eternidade!”
Ó bom Jesus, eu me ofereço a Vós e me entrego nas vossas mãos, com a disposição de bem receber as aflições e adversidades que me ameaçam. Recebê-las-ei de bom grado, e as suportarei com toda a paciência de que eu for capaz, unindo-me ao amor com que recebestes as penas, as injúrias e as calúnias que vosso Pai permitiu.
Dignai-Vos conceder-me a paciência e as forças necessárias para suportar com ânimo estas tribulações que vão cair sobre mim, e fazei que sirvam para vossa glória, para minha salvação e a de todos os pecadores, e para alívio das almas do Purgatório. Amém.

Eterno Pai, Eu Vos ofereço o Preciosíssimo Sangue de Vosso Divino Filho Jesus, em união com todas as Missas que hoje são celebradas em todo o mundo; por todas as Santas Almas do Purgatório, pelos pecadores de todos os lugares, pelos pecadores da Igreja Universal, pelos de minha casa e meus vizinhos.
Amém.

Fazer o sinal da cruz.
Recitar a oração Vinde Espírito Santo.
Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido, e, com o auxílio da vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela vossa infinita misericórdia. Amém.
Gloriosa Virgem e Mártir, Santa Filomena, tão amada por Deus, intercedei por mim vosso tão indigno devoto! Alcançai-me uma pureza inviolável; uma fortaleza de alma que me permita sair vitorioso dos ataques do maligno; uma generosidade que não recuse qualquer sacrifício que a fé exija; um amor tão forte que, sendo necessário, me torne capaz de ir até ao martírio por Jesus Cristo, pela Santa Igreja minha Mãe e pelo Sumo Pontífice, Pastor dos Pastores e Vigário de Jesus Cristo na terra. A estas graças, acrescento ainda, Santa Filomena, uma outra graça que espero alcançar, nesta novena, por vossa poderosa intercessão: (expor a graça que se pretende, com simplicidade, confiança e humildade). Deus, rico em misericórdia, em quem pusestes toda a confiança; Deus, clemente, compassivo e onipotente que tantos prodígios realiza por vosso intermédio e sempre atende a vossa intercessão em meu auxílio. Assim o espero, pois ponho toda a minha confiança n’Ele e em vós, Santa Filomena, que n’Ele confiastes e a Ele vos entregastes. Amém.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Pai do Céu, que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
Santa Maria, Rainha das Virgens, rogai por nós.
Santa Filomena, rogai por nós.
Santa Filomena, cheia de abundantes graças desde o nascimento, rogai por nós.
Santa Filomena, fiel imitadora de Maria, rogai por nós.
Santa Filomena, modelo das virgens, rogai por nós.
Santa Filomena, templo da mais perfeita humildade, rogai por nós.
Santa Filomena, abrasada no zelo da glória de Deus, rogai por nós.
Santa Filomena, vítima do amor de Jesus, rogai por nós.
Santa Filomena, exemplo de coragem e de perseverança, rogai por nós.
Santa Filomena, atleta invencível da castidade, rogai por nós.
Santa Filomena, espelho das mais heroicas virtudes, rogai por nós.
Santa Filomena, firme e intrépida face aos tormentos, rogai por nós.
Santa Filomena, flagelada como o vosso Divino Esposo, rogai por nós.
Santa Filomena, trespassada por uma saraivada de dardos, rogai por nós.
Santa Filomena, consolada pela Mãe de Jesus, quando agrilhoada, rogai por nós.
Santa Filomena, milagrosamente curada na prisão, rogai por nós.
Santa Filomena, amparada pelos Anjos, no meio dos tormentos, rogai por nós.
Santa Filomena, que preferistes as humilhações da morte aos esplendores do trono, rogai por nós.
Santa Filomena, que convertestes as testemunhas do vosso martírio, rogai por nós.
Santa Filomena, que cansastes o furor dos algozes, rogai por nós.
Santa Filomena, protetora dos inocentes, rogai por nós.
Santa Filomena, padroeira da juventude, rogai por nós.
Santa Filomena, asilo dos infelizes, rogai por nós.
Santa Filomena, saúde dos doentes e enfermos, rogai por nós.
Santa Filomena, nova luz da Igreja militante, rogai por nós.
Santa Filomena, que confundis a impiedade do século, rogai por nós.
Santa Filomena, cujo nome é glorioso no Céu e faz tremer o inferno, rogai por nós.
Santa Filomena, ilustre pelos mais esplêndidos milagres, rogai por nós.
Santa Filomena, poderosa junto de Deus, rogai por nós.
Santa Filomena, que reinais na glória, rogai por nós.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós, Senhor!
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos.
Recitar o Pai-Nosso.
1º dia
Considera neste primeiro dia da novena… Santa Filomena, que sofreu o martírio por amor a Jesus Cristo, teve força para suportar os ultrajes dos perseguidores, dos seus carrascos e de muitos daqueles que assistiam ao seu martírio. Que espantoso testemunho público de fé dado por uma menina de 13 anos de idade!
E tu? Se o mundo te oferecer este mesmo cálice, terás coragem para dele beber com os mesmos sentimentos de Santa Filomena? Que importa o desprezo do mundo, a troça das gentes, as perseguições dos poderosos… Deus que tanto te ama, poderia alguma vez abandonar-te? Não temas! Prossegue pelo caminho da fidelidade e Deus te conduzirá à glória eterna.
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Se alguém hoje te disser alguma palavra brusca, grosseira, picante, ofensiva e injuriosa, não deixes que o teu coração se perturbe.
2º dia
Considera neste segundo dia da novena… Santa Filomena, renunciando por amor a Jesus Cristo a toda a mundanidade, entrou na alegria do seu Senhor, dizendo com os justos, no íntimo do seu coração: o Soberano Juiz me dará pelos bens materiais que sacrifico ao Seu amor, a prometida coroa da justiça… Logo que esta digna esposa de Jesus Cristo exalou o último suspiro, imediatamente a sua alma começou a brilhar no tabernáculo de Deus, resplandecente como a Virgem Maria, todos os anjos e os santos e as almas de todos aqueles que lavaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro.
É este o pensamento que te anima quando, por causa da tua fé, és perseguido e humilhado? Nessas circunstâncias como reages, que te diz o coração? Para que lado pende o prato da balança: para o alto ou para o abismo? Como Santa Filomena, repetem os santos: perca eu tudo, para tudo possuir. E tu: também repetes com eles o que eles dizem?
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Impõe-te hoje, a ti próprio, um sacrifício voluntário… Cumpre, ao menos, prontamente e de bom grado, aqueles sacrifícios que estão ligados às tuas obrigações quotidianas e aos teus deveres de estado.
3º dia
Considera neste terceiro dia da novena… cumpriu-se em Santa Filomena aquilo que Jesus promete no Evangelho: depois de ter renunciado a tudo por Jesus e pelo Reino dos Céus, logo, aqui na terra, recebeu d’Ele mais que o cêntuplo daquilo que tinha deixado. Disso somos nós testemunhas… Olha Santa Filomena: Que reputação! Que poder! Que glória! Quantos se prostram junto ao seu túmulo! Quantos poderosos a ela recorrem! Olha a multidão de peregrinos que acorre ao seu Santuário de Mugnano! Quantas festas em sua honra! Quantos tributos de veneração prestados às suas imagens… Quantos prefeririam uma sua relíquia a uma joia de grande valor… A Palavra de Deus, cumpre-se! Deus é fiel às Suas promessas!
Dá, tu também, glória a Deus cumprindo a Sua vontade! Que a contemplação das promessas de Deus cumpridas em Santa Filomena te ajude a dar conta do prejuízo que seria para ti privar Deus da glória que Lhe é devida. Acumulando para ti, vivendo centrado em ti, quantos méritos e favores tu desperdiçarias, desde já neste mundo, e por toda a eternidade… pensa e decide-te!
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Pratica hoje alguma obra de misericórdia em honra da Santa Filomena.
4º dia
Considera neste quarto dia da novena… Santa Filomena desde os 11 anos decidiu entregar-se a Jesus por inteiro. Só uma especial graça de Deus poderia levar uma criança ao desejo sublime de celebrar os esponsais com Jesus. A virgindade, ou seja, a entrega amorosa a Deus com um coração indiviso, é um precioso dom da divina graça, concedido pelo Pai. Permanecer virgem, dar-se por inteiro, foi a resposta de Filomena a Deus que a escolheu.
Santa Filomena, que modelo! Conseguirás contemplá-la sem te sentires confundido? Qual será a causa dessa confusão? Qual será o remédio para evitar essa confusão? Torna-te humilde diante da alma pura de Santa Filomena e alcançarás um precioso tesouro.
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Procura descobrir alguma graça, algum carisma, que Deus te tenha concedido. Agradece-o e procura corresponder-lhe hoje com toda a fidelidade. Pede a Santa Filomena que, com a sua intercessão, te ensine e ajude.
5º dia
Considera neste quinto dia da novena… Santa Filomena permaneceu pura e inocente, vivendo com fidelidade a sua entrega a Cristo, porque teve a graça de descobrir a pérola de grande valor, à qual sacrificou todos os bens e honrarias que poderia usufruir em abundância. Manteve-se afastada de um mundo perverso e das ocasiões que poderiam levá-la a pecar. Para isso teve de vencer muitos obstáculos, a começar pela vontade de seus pais… contrariar a vontade dos pais, coisa difícil para uma criança dócil e “mimada” como ela.
Já descobriste o tesouro escondido no campo ou a pérola de grande valor? Vives enredado na mundanidade, ou, vivendo no mundo, procuras atingir a meta com que Deus, lá do alto, te acena? Santa Filomena, quanta firmeza na luta que travou para chegar à meta! Quem se contenta com coisas mesquinhas ou com uma vida medíocre, não alcançará o Céu. O Céu é para quem, como Santa Filomena, sonha grande, pensa grande, ama grande, permanecendo pequenino. Para esses, é o Céu!
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Não consegues desenvencilhar-te dos teus afazeres mundanos para participar na santa Missa? Pede a Santa Filomena que te ajude a olhar o Céu!
6º dia
Considera neste sexto dia da novena… Santa Filomena conservou e aumentou o amor que tinha a Jesus através de uma vida espiritual bem alicerçada, pela qual alcançou graças especiais, a par de muitos sofrimentos. No cárcere de Roma, após mais de um mês de torturas, teve uma visão de Nossa Senhora, com o Menino Jesus. Em seu coração ouviu Maria dizer-lhe: “Serei o teu amparo. Agora é o momento transitório da fraqueza e da humilhação humanas; quando chegar, porém, a hora extrema do teu julgamento, […] receberás a graça da divina força. Além do teu Anjo da Guarda, terás a teu lado o Arcanjo São Gabriel, cujo nome significa ‘a força de Deus’. Quando eu estava na terra, era ele o meu protetor. Mandá-lo-ei agora àquela que é a minha mais querida filha.”
Cuidas da tua vida espiritual, participas na santa Missa, rezas diariamente, confessas-te com regularidade? Como é a tua relação com a Mãe de Jesus que, do alto da Cruz, Ele próprio nos deu como nossa Mãe? Rezas o Terço todos os dias? Santa Filomena, filha querida de Maria! Imita-a na sua piedade e no seu amor a Jesus e a Maria, e experimentarás a ajuda do Filho e da Mãe em todas as provações.
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Reza o Terço, oferecendo-o pelos irmãos que, através desta novena, se preparam para participar na santa Missa no dia da Festa de Santa Filomena.
7º dia
Considera neste sétimo dia da novena… a forma como a Mãe do Céu cuidou de Filomena e como Santa Filomena confiou e se entregou aos seus cuidados maternais. Maria não escondeu a esta sua filha predileta os atrozes sofrimentos que a esperavam: “Filha, três dias mais de prisão e, após quarenta dias, se acabará este estado de dor”. Nossa Senhora, Mãe de Jesus e Sua primeira discípula, sabe que o seguimento de Jesus passa pela Cruz. Mas acena com o Céu: depois da dor virá a glória, o Céu, a vida em Deus.
A “amiga da Luz” – Filomena – depois da escuridão daquela masmorra viverá na luz d’Aquele que é Luz, será imersa naquela luz da qual a sua santidade é, para nós, uma centelha que nos atrai. Santa Filomena confia e, cheia de ânimo, carrega aquela Cruz pesadíssima. Quem não experimentou já o peso da Cruz… Tu já o experimentaste! Que consolo procuraste? Em quem puseste a tua confiança? Procuraste o colo maternal de Maria? Que Santa Filomena seja, na tua vida, apelo a uma comunhão de vida com Maria que quer realizar em ti aquele que é o seu papel na história da Salvação: todos conduzir a Cristo!
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível numa igreja. Renova hoje a tua consagração a Nossa Senhora.
8º dia
Considera neste oitavo dia da novena… a presença do Anjo da Guarda na vida de Santa Filomena. A visão de Nossa Senhora desapareceu e a prisão encheu-se de um perfume celestial. Ficou também a promessa: “O Anjo Gabriel virá socorrer-te”. O Anjo da proteção da Virgem, reforçou a assistência do próprio Anjo da Guarda de Filomena. Depois de violentíssima flagelação para gáudio dos cortesãos do palácio do Imperador, este, vendo Filomena coberta de chagas e prestes a desfalecer, mandou que a retirassem para a masmorra a fim de lá morrer. Santa Filomena ditou este testemunho: “Dois Anjos brilhantes como a luz, apareceram na obscuridade e derramaram um bálsamo nas minhas feridas, restaurando em mim o vigor que perdi durante a tortura”.
Dois anjos: São Gabriel e o Anjo da Guarda de Santa Filomena. Como te relacionas com o teu Anjo da Guarda? Sabes que foi Deus quem o colocou na tua vida com a missão de te amparar e defender? Santa Filomena recompôs-se da flagelação porque se deixou cuidar por São Gabriel e pelo seu Anjo da Guarda… aceita e aprecia na tua vida a presença do Anjo da Guarda, ouvindo os seus conselhos com a docilidade de uma criança, para te manteres no caminho certo, rumo ao Paraíso. Aprende com Santa Filomena a ser dócil ao teu Anjo da Guarda!
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Reza aquela oração que, em criança, rezavas ao Anjo da Guarda. Se a esqueceste, aprende-a hoje novamente.
9º dia
Considera neste último dia da novena o testemunho de Santa Filomena… “[…] O Imperador ordenou que me afogassem, lançando-me às águas do Tibre com uma âncora atada ao pescoço. […] Dois Anjos vieram em meu socorro, cortando a corda que me atava à âncora e transportaram-me para a margem, à vista da multidão. Muitos daqueles que assistiram se converteram a Cristo”. O Imperador, cada vez mais irado, mandou que atingissem Santa Filomena com uma saraivada de flechas. Os arqueiros dobraram os seus arcos, mas as flechas, umas, encravaram; outras, percorrida metade da distância, voltaram para trás e atingiram quem as havia disparado. Resultado: Alguns dos arqueiros renunciaram ao paganismo e muitos, entre o povo, começaram a dar testemunho público do poder de Cristo. Muitos deixaram-se interpelar pelos acontecimentos e converteram-se…
E tu? Não sentes um imenso desejo de imitar Santa Filomena, sendo um testemunho credível da Fé que, com a Igreja, professas? Nestes tempos, em que tantos batizados apostataram e vivem como pagãos, recorre à intercessão de Santa Filomena, pede-lhe que interceda por aqueles teus familiares e amigos que vacilam nas suas convicções, para que regressem à Igreja e se salvem.
Propósito para hoje: Participa na santa Missa em ação de graças pelo testemunho de Santa Filomena e venera uma sua imagem, se possível na igreja. Reza com o coração, pedindo a Santa Filomena que interceda pela conversão dos pecadores. Pede por cada um, referindo o seu nome próprio…
Pode-se ainda concluir as orações e a meditação do dia rezando a Coroinha de Santa Filomena.
Basílica dos Mártires, 1 de agosto de 2022
Cónego Armando Duarte

Fazer o sinal da cruz.
Recitar o Credo Apostólico.
Recitar 3 Pai-Nossos à Santíssima Trindade, em honra da pureza de Santa Filomena.
Recitar 13 Ave-Marias, em honra dos 13 anos em que Santa Filomena viveu na terra. Após cada Ave-Maria, dizer a seguinte jaculatória:
“Santa Filomena, pelo sangue que derramaste por amor a Jesus Cristo, alcança-me a graça que te peço.”
Ó Santa Filomena, poderosa taumaturga, rogai por mim. Lançai o vosso olhar sobre mim e a minha família. Afastai de mim as tentações, trazei a paz à minha alma e abençoai o meu lar. Ó Santa Filomena, pelo sangue que derramaste por amor a Jesus Cristo, alcançai-me a graça que insistentemente vos peço na novena da vossa Festa, se aquilo que peço corresponder à vontade de Deus (repetir, uma vez mais, o pedido). Amém.
Fazer o sinal da cruz.

Ó Trindade Santa, vós que sois a fonte de toda santidade, nós vos louvamos por vosso servo o Pe. Júlio Maria De Lombaerde, que, assemelhando-se ao Cristo Eucarístico, cuidou do vosso rebanho com amor, zelo e doação.
E, deixando-se guiar pelo Espírito Santo, assim como a Virgem Maria, testemunhou a ternura missionária da Igreja. Concedei-me, ó Trindade Santa, pela intercessão do Pe. Júlio Maria, a graça que vos suplico (pedir a graça). E, se for de Vossa santa vontade, dai que Pe. Júlio Maria alcance a honra dos altares, para a Vossa glória e para o bem de tantas almas. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
Rezar um Pai-nosso, uma Ave-Maria e um Glória ao Pai.
Com aprovação Eclesiástica
Dom Emanuel Messias de Oliveira - Diocese de Caratinga-MG
Conheça a visa do Padre Julio Maria de Lombaerde
Composta pelo Cardeal Merry del Val,
secretário do Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X.

℣. Jesus, manso e humilde de coração,
℟. ouvi-me.
℣. Do desejo de ser estimado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser amado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser conhecido,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser honrado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser louvado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser preferido,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser consultado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do desejo de ser aprovado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser humilhado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser desprezado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de sofrer repulsas,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser caluniado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser esquecido,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser ridicularizado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser difamado,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Do receio de ser objeto de suspeita,
℟. livrai-me, ó Jesus.
℣. Que os outros sejam amados mais do que eu,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
℣. Que os outros sejam estimados mais do que eu,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
℣. Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo, e que eu possa ser diminuído,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
℣. Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
℣. Que os outros possam ser louvados e eu desprezado,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
℣. Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
℣. Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível,
℟. Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.

Creio em um só Deus,
Pai todo-poderoso,
Criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,
Filho Unigênito de Deus,
nascido do Pai antes de todos os séculos. Deus de Deus,
luz da luz,
Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,
gerado, não criado,
consubstancial ao Pai.
Por Ele todas as coisas foram feitas.
E, por nós, homens,
e para a nossa salvação,
desceu dos céus:
Ajoelhar-se
E se encarnou pelo Espírito Santo,
no seio da Virgem Maria,
e se fez homem.
Ficar de pé
Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;
padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras;
E subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai.
E de novo há de vir em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos;
e o seu reino não terá fim.
Creio no Espírito Santo,
Senhor que dá a vida,
e procede do Pai e do Filho;
E com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:
Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica.
Professo um só batismo para remissão dos pecados.
Espero a ressurreição dos mortos;
E a vida do mundo que há de vir.
Amém.
Credo in unum Deum,
Patrem omnipoténtem,
Factórem cæli et terræ,
visibílium ómnium et invisibílium.
Et in unum Dóminum,
Iesum Christum,
Fílium Dei Unigénitum,
et ex Patre natum ante ómnia sæcula.
Deum de Deo,
lumen de lúmine,
Deum verum de Deo vero,
génitum, non factum,
consubstantiálem Patri.
Per quem ómnia facta sunt.
Qui propter nos hómines, et propter nostram salútem,
descéndit de cælis:
Ajoelhar-se
Et incarnátus est de Spíritu Sancto,
ex María Vírgine,
et homo factus est.
Ficar de pé
Crucifíxus étiam pro nobis sub Póntio Piláto;
passus et sepúltus est.
Et resurréxit tértia die, secúndum Scriptúras;
Et ascéndit in cælum,
sedet ad déxteram Patris.
Et íterum ventúrus est cum glória,
iudicáre vivos et mórtuos;
cuius regni non erit finis.
Et in Spíritum Sanctum,
Dóminum et vivificántem,
qui ex Patre Filióque procédit;
Qui cum Patre et Fílio simul adorátur et conglorificátur:
Qui locútus est per prophétas.
Et unam, sanctam, cathólicam et apostólicam Ecclésiam.
Confíteor unum baptísma in remissiónem peccatorum.
Et expecto resurrectionem mortuorum;
Et vitam ventúri sæculi.
Amen.


Meu Senhor Jesus Cristo, com indizível amor vos entregastes para morrer por mim, e eu tantas vezes vos abandonei; mas agora vos amo de todo o coração, e porque vos amo arrependendo-me sinceramente de vos ter ofendido. Perdoai-me, meu Deus, e permiti que vos acompanhe nesta via. Ides morrer por mim; desejo também, meu amado Redentor, morrer por amor de vós. Ó meu Jesus, desejo viver e morrer sempre unido a vós.
Jesus é condenado à morte
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus Cristo, já flagelado e coroado de espinhos, foi injustamente condenado por Pilatos a morrer na cruz.
Ó adorável Jesus, não foi Pilatos, mas os meus pecados que vos condenaram à morte. Eu vos imploro, pelos méritos de vossa via dolorosíssima até o monte Calvário: assisti-me benignamente no peregrinar de minh'alma até a eternidade. Amo-vos, ó Jesus, amor meu, mais do que a mim mesmo, e do fundo do coração arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu me separe de vós novamente. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes. O que vos for agradável, isto eu o aceito.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus é obrigado a carregar a cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus Cristo, carregando a cruz aos ombros nesta via, pensou em ti, oferecendo ao Pai eterno em teu favor a morte que estava prestes a sofrer.
Amabilíssimo Jesus, abraço todas as tribulações que fixastes para mim até a morte. Imploro-vos, pelos méritos da penosa dor que sofrestes carregando vossa cruz, que me concedais a ajuda necessária para que também eu, com igual paciência e resignação, possa carregar a minha. Amo-vos, ó Jesus, amor meu, e me arrependendo de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a separar-me de vós. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus cai pela primeira vez sob o peso da cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera esta primeira queda de Jesus Cristo sob sua cruz. Tinha a carne destroçada pelos flagelos, a cabeça coroada de espinhos; e tanto sangue perdera, tão enfraquecido estava, que mal tinha forças para andar. E tão grande era o peso que suportava, e tão cruéis os açoites dos soldados, que fizeram com que muitas vezes caísse, prostrado, em sua via.
Ó meu Jesus, não é o peso da cruz, mas o fardo dos meus pecados que vos inflige tanta dor. Peço-vos, por esta vossa primeira queda, que me preserveis de cair em qualquer pecado. Amo-vos, ó Jesus, de todo meu coração; arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu sucumba ao pecado novamente. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus encontra sua Mãe aflita no caminho
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera qual foi, nesta via, o encontro do Filho e da Mãe. Jesus e Maria fitaram-se mutuamente, e os olhares de ambos tornaram-se como que inúmeras flechas a ferir aqueles corações que se amavam tão ternamente.
Amantíssimo Jesus, pela acerba dor que experimentastes neste encontro, concedei-me, eu vos peço, uma verdadeira devoção à vossa santíssima Mãe. E vós, minha Rainha acastanhada de dores, intercedei por mim, e obtende-me uma contínua e terna memória da Paixão de vosso Filho. Amo-vos, ó Jesus, amor meu; arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu sucumba ao pecado novamente. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus é ajudado pelo Cireneu a carregar a cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como os judeus, vendo que, Jesus, a cada passo, estava a ponto de desfalecer de exaustão, e temendo que Ele morresse no caminho e não da infame morte de cruz como desejavam, constrangeram Simão Cireneu a carregar a cruz atrás do Senhor.
Dulcíssimo Jesus, não repudiarei a cruz como fez o Cireneu; eu a aceito, eu a abraço. Aceito particularmente a morte que destinastes para mim, com todas as dores que possam acompanhá-la; uno-a à vossa morte, e assim unida à vossa eu vo-la ofereço. Vós morrestes por meu amor; eu morrerei também pelo vosso; e para agradar-vos. Ajudai-me com vossa graça. Amo-vos, Jesus, amor meu, e me arrependendo de vos haver ofendido. Não permitais que torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Verônica enxuga o rosto de Jesus
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como a piedosa mulher chamada Verônica, vendo Jesus tão coberto de dores, com a face banhada em suor e sangue, entregou-lhe um pano, com o qual ele limpou sua Face adorável, deixando nele a imagem do seu santo semblante.
Ó meu Jesus, vossa face era antes formosa, mas ao longo desta via ela perdeu toda sua beleza, e as feridas e o sangue a desfiguraram. Oh! Minha alma também já foi uma vez bela, quando recebeu vossa graça no batismo, mas eu a venho desfigurando por causa de meus pecados. Apenas vós, meu Redentor, podeis restaurá-la à sua antiga beleza; peço que o façais pelo mérito de vossa Paixão. Amo-vos, Jesus, amor meu; arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus cai pela segunda vez sob o peso da cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera a segunda queda de Jesus sob o peso da cruz, queda que renova a dor de nosso atribulado Senhor em todas as chagas de sua veneranda cabeça e de seus membros.
Mansuetíssimo Jesus, quantas vezes já me perdoastes! E eu, quantas vezes voltei a recair, ofendendo-vos novamente! Pelos méritos desta vossa segunda queda, dai-me a ajuda necessária para perseverar em vossa graça até a morte. Fazei que, em todas as tentações que me oprimem, eu me recomende sempre a vós. Amo-vos de todo meu coração, ó Jesus, amor meu; arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus consola as mulheres de Jerusalém
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como essas mulheres, vendo Jesus fatigado até à exaustão e seu sangue a jorrar, eram movidas de compaixão e choravam. Voltando-se para elas, porém, ele disse: "Não choreis por mim, mas por vós mesmas e por vossos filhos".
Ó Jesus acabrunhado de dores, choro pelas ofensas que cometi contra vós, pelas penas das quais elas me fizeram merecedor, e ainda mais por causa do desgosto que elas vos causaram, vós que tanto me amastes. É o vosso amor, mais do que o medo do inferno, que me faz chorar meus pecados. Ó meu Jesus, amo-vos mais do que a mim mesmo. Arrependo-me de vos haver ofendido; não permitais que eu volte a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus cai pela terceira vez sob o peso da cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera a terceira queda de Jesus Cristo sob a cruz. Sua fraqueza era extrema, assim como a crueldade dos algozes, que queriam apressar sua caminhada, ainda que ele não tivesse forças para dar um único passo sequer.
Ó Jesus tão ultrajado, pelos méritos da debilidade que quisestes sofrer no caminho do Calvário, dai-me, eu vos peço, forças para vencer todo respeito humano e todas as minhas perversas paixões, que me levaram a desprezar vossa amizade. Amo-vos de todo meu coração, ó Jesus, amor meu; e arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus é despojado de suas vestes
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera a violência com que os algozes despojaram Jesus. Suas vestes internas aderiram-se à carne flagelada, e eles puxaram o tecido tão grosseiramente que a pele foi arrancada junto. Tem compaixão do teu Salvador assim cruelmente tratado, e dize a ele:
Inocentíssimo Jesus, pelos méritos dos tormentos que suportastes, ajudai-me, eu vos peço, a despojar-me de todo afeto pelas coisas criadas, de modo que toda minha vontade se volte para vós, que sois tão digno do meu amor. Amo-vos de todo meu coração, ó Jesus, e arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus é pregado à cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como Jesus, depois de ser pregado à cruz, estendeu seus braços e ofereceu ao Pai Eterno sua vida em sacrifício pela nossa salvação. Os carnífices o fixaram com pregos e, então, erguendo a cruz, deixaram-no a morrer brutalmente no infame patíbulo.
Ó Jesus tão desprezado, pregai meu coração aos vossos pés, a fim de que por um vínculo de amor ele permaneça ligado sempre a vós, e nunca seja de vós afastado. Amo-vos mais do que a mim mesmo, e arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus morre na cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera o teu Jesus elevado na cruz, que, depois de três horas de agonia, consumido de dores, abandona seu corpo à morte, inclina a cabeça e entrega o espírito.
Ó Jesus morto, beijo devotamente a cruz na qual morrestes por minha causa. Mereço, por meus pecados, uma morte miserável, mas vossa morte é a minha esperança. Pelos méritos dela, concedei-me, eu vos imploro, a graça de, na hora extrema, abraçado aos vossos pés, e ardendo de amor para convosco, entregar minha alma em vossas mãos. Amo-vos de todo meu coração, e arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetualmente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus é descido da cruz
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como dois discípulos de Jesus, José e Nicodemos, depois de sua morte, desceram-no da cruz e o colocaram nos braços de sua Mãe aflita, que o recebeu com indizível ternura, estreitando-o em seu colo.
Ó Mãe da Dores, pelo amor deste Filho a quem amais, aceitai-me por vosso servo e rogai a Ele por mim. E vós, meu Redentor, porque morrestes por mim, fazei com que eu vos ame, pois desejo a vós e nada mais. Amo-vos, ó meu Jesus, e arrependendo-me de vos haver ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Jesus é colocado no sepulcro
℣. Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos.
℟. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Considera como os discípulos carregaram o corpo sem vida do Redentor até o lugar da sepultura, acompanhados pela Mãe dolorosa, que acomodou com suas próprias mãos o corpo do Filho no sepulcro. Fecharam então a tumba, e todos foram embora.
Ó Jesus sepultado, beijo ternamente a pedra que vos encerra, mas no terceiro dia ressurgireis do sepulcro. Imploro-vos, pela vossa ressurreição, que façais com que eu também ressurja glorioso convosco no último dia, e que fique para sempre unido a vós no céu, para vos louvar e amar eternamente. Amo-vos, e dói-me haver-vos ofendido. Não permitais que eu torne a ofender-vos. Dai-me amar-vos perpetuamente, e então fazei de mim o que quiserdes.
Recitar um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e um Glória.
Senhor Deus Todo-poderoso, que nos fizestes chegar ao princípio deste dia, salvai-nos hoje por vosso poder, de sorte que não nos deixemos arrastar a pecado algum neste dia, mas nossas palavras, nossos pensamentos e obras tendam sempre só ao cumprimento da vossa justiça. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Domine Deus omnipotens, qui ad principium huius diei nos pervenire fecisti; tua nos hodie salva virtute; ut hac die ad nullum declinemus peccatum, sed nostra cogitationes, verba et opera ad tuam iustitiam faciendam semper dirigantur. Per Christum Dominum nostrum. Amén.

Senhor Deus, Rei do céu e da terra, dirige, santifica, conduz e governa, neste dia, nossos corações e nossos corpos, nossos sentimentos, palavras e ações, a fim de que, submissos à tua lei e agindo conforme os teus preceitos, mereçamos, por teu auxílio, ser salvos e livres nesta vida e na eternidade, ó Salvador do mundo: que vives e reinas pelos séculos dos séculos. Amém.
Dirigere et sanctificare, regere et gubernare dignare, Domine Deus, Rex cœli et terræ, hodie corda et corpora nostra, sensus, sermones et actus nostros in lege tua et in operibus mandatorum tuorum; ut hic et in æternum, te auxiliante, salvi et liberi esse mereamur, Salvator mundi: qui vivis et regnas in sæcula sæculorum. Amen.

℣. Visitai, Senhor, esta casa, e afastai as ciladas do inimigo; nela habitem vossos Santos Anjos, para nos guardar na paz, e a vossa bênção fique sempre conosco. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
℣. Visita, quaesumus, Domine, habitationem istam, et omnes insidias inimici ab ea longe repelle: Angeli tui sancti habitent in ea, qui nos in pace custodiant; et benedictio tua sit super nos semper. Per Christum Dominum nostrum. Amen.

Jesus Cristo, meu Deus, eu vos adoro e agradeço por todas as graças que me concedestes neste dia. Ofereço-vos meu sono e todos os momentos desta noite, e imploro-vos que me preserveis do pecado. Coloco-me no vosso santo lado e sob o manto de Nossa Senhora, minha Mãe. Que os vossos Santos Anjos me guardem e me conservem na paz, e a vossa bênção permaneça sobre mim. Amém.


Antes das refeições diurnas:
Abençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos que pela vossa generosidade recebemos.Por Cristo, Senhor nosso.
Amém.
Que o Rei da eterna glória nos faça participantes da mesa Celestial.Amém.
Benedic, Domine, nos et haec tua dona, quæ de tua largitate sumus sumpturi.
Per Christum Dominum nostrum.
Amen.
Mensæ cælestis participes faciat nos, Rex æternæ gloriæ.
Amen.
Antes das refeições noturnas:
Abençoai-nos, Senhor, e a estes alimentos que pela vossa generosidade recebemos.
Por Cristo, Senhor nosso.
Amém.
Que o Rei da eterna glória nos conduza à ceia da vida eterna.
Amém.
Benedic, Domine, nos et haec tua dona, quæ de tua largitate sumus sumpturi.
Per Christum Dominum nostrum.
Amen.
Ad cenam vitæ æternæ perducat nos, Rex æternæ gloriæ.
Amen.
Nós vos damos graças, Deus onipotente, por todos os vossos benefícios, Vós que viveis e reinais por todos os séculos dos séculos. Amém.
℣. Que Deus nos dê a sua paz.
℟. E a vida eterna. Amém.
Agimus tibi gratias, omnipotens Deus, pro universis beneficiis tuis, qui vivis et regnas in saecula saeculorum. Amen.
℣. Deus det nobis suam pacem.
℟. Et vitam aeternam. Amen.

Inspirai, ó Deus, as nossas ações, and ajudai-nos a realizá-las; para que em vós comece e para vós termine tudo aquilo que fizermos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.
Inspirai, ó Deus, as nossas ações, and ajudai-nos a realizá-las; para que em vós comece e para vós termine tudo aquilo que fizermos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Meu Deus, eu creio em vós, mas fortificai a minha fé; espero em vós, mas tornai mais confiante a minha esperança; eu vos amo, mas afervorai o meu amor; arrependo-me de ter pecado, mas aumentai o meu arrependimento. Eu vos adoro como primeiro princípio, eu vos desejo como fim último; eu vos louvo como benfeitor perpétuo, eu vos invoco como benévolo defensor. Que vossa sabedoria me dirija, vossa justiça me contenha, vossa clemência me console, vosso poder me proteja. Meu Deus, eu vos ofereço meus pensamentos, para que só pense em vós; minhas palavras, para que só fale em vós; minhas ações, para que sejam do vosso agrado; meus sofrimentos, para que sejam por vosso amor. Quero o que quiserdes, porque o que quereis como o quereis, e enquanto o quereis. Senhor eu vos peço: iluminai minha inteligência, inflamai minha vontade, purificai meu coração e santificai minha alma. Dai-me chorar os pecados passados, repelir as tentações futuras, corrigir as más inclinações e praticar as virtudes do meu estado. Concedei-me ó Deus de bondade, ardente amor por vós e aversão por meus defeitos, zelo pelo próximo e desapego do mundo. Que eu me esforce para obedecer aos meus superiores, auxiliar os que dependem de mim, dedicar-me aos amigos e perdoar os inimigos. Que eu vença a sensualidade pela austeridade, a avareza pela generosidade, a cólera pela mansidão e a tibieza pelo fervor. Torne-me prudente nas decisões, corajoso nos perigos, paciente nas adversidades e humilde na prosperidade. Fazei Senhor, que eu seja atento na oração, sóbrio nos alimentos, diligente no trabalho e firme nas resoluções. Que eu procure possuir pureza de coração e modéstia de costumes, um procedimento exemplar e uma vida reta. Que eu me aplique sempre em vencer a natureza, colaborar com a graça, guardar os mandamentos e merecer a salvação. Aprenda de vós como é pequeno o que é da terra, como é grande o que é divino, breve o que é desta vida e duradouro o que é eterno. Dai-me preparar-me para a morte, temer o dia do juízo, fugir do inferno e alcançar o paraíso. Por Cristo Nosso Senhor.
Amém.


Renuncio hoje a Satanás, a todas as suas obras e a todas as suas pompas.
A Vós, meu Jesus, prometo fé e fidelidade, quero ficar fiel ao vosso amor até a morte.
Afasta-te de mim, Satanás! Pertenço a Jesus, e só a Jesus quero servir.
Meu amabilíssimo Jesus, não permitais que hoje por algum pecado me separe de Vós.

I.
Bem-aventurados os que são imaculados no caminho, que andam na Lei do Senhor!
Bem-aventurados os que consideram os seus testemunhos, os que O procuram de todo o coração!
Vós mandastes, Senhor, que os vossos mandamentos fossem guardados com grande fervor.
Oxalá que os meus caminhos sejam dirigidos ao cumprimento das vossas palavras!
Guardarei as vossas leis; não me desampareis jamais.
Eu Vos procuro de todo o meu coração; não me deixeis sair dos vossos mandamentos.
No meu coração escondi as vossas palavras; para não pecar contra Vós.
Bendito sois, Senhor! Ensinai-me as vossas leis.
Tirai o véu dos meus olhos; e eu considerarei as maravilhas da vossa Lei.
A minha alma deseja ansiosa as vossas justificações; em todo o tempo.
Repreendeis asperamente os soberbos; malditos os que se apartam dos vossos mandamentos!
Apartai de mim, Senhor, o caminho da iniquidade, e tende misericórdia de mim.
Dai-me inteligência, e estudarei na vossa Lei; e guardá-la-ei de todo o meu coração.
Afastai os meus olhos, para que não veja vaidade: no vosso caminho dai-me vida.
Eis que desejo muito os vossos mandamentos; fazei que eu viva na vossa justiça.
Venha sobre mim a vossa misericórdia, Senhor; a vossa salvação segundo a vossa palavra.
Guardarei sempre a vossa Lei: para sempre e para todos os séculos dos séculos.
Isto me consola na minha aflição: porque a vossa palavra me dá vida.
Rogo na vossa presença, Senhor, de todo o meu coração: compadecei-Vos de mim segundo a vossa palavra.
Estou pronto e não estou perturbado, para guardar os vossos mandamentos.
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo!
Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
II.
Laços de pecadores me cingem por toda a parte; mas eu não me esqueço, Senhor, da vossa Lei.
Antes de ser humilhado, eu andava errado; porém agora, guardo a vossa palavra.
É bom para mim que me humilheis: para que eu assim aprenda as vossas justificações.
Para mim é melhor a vossa Lei, do que milhões de ouro e prata.
Conheço, Senhor, que os vossos juízos são justos: na vossa verdade me humilhastes.
Seja imaculado o meu coração na prática dos vossos mandamentos: para que eu não seja confundido.
A minha alma desfalece pela salvação que vem de Vós: na vossa palavra tenho posto toda a minha esperança.
Os meus olhos desfalecem de esperar por vossa promessa, dizendo: quando me consolareis?
Os ímpios me contam coisas vãs, mas não conforme a vossa Lei; injustamente me perseguem; dai-me socorro!
Eu sou vosso, Senhor, salvai-me: porque procuro andar nos vossos mandamentos.
Os pecadores esperam por mim para me perderem: porém eu atento para os vossos testemunhos.
Oh! Quanto amo a vossa Lei, Senhor; ela é a minha meditação todo o dia.
Quanto são doces as vossas palavras; mais que mel à minha boca!
Eu juro e determino: guardarei os juízos da vossa justiça!
Senhor, sou humilhado por toda a parte: fazei que eu viva segundo a vossa palavra.
Vós sois o meu refúgio e meu amparo: tenho posto a minha esperança na vossa palavra.
Retirai-vos de mim, malignos, para que eu possa observar os mandamentos de meu Deus.
Ajudai-me, Senhor: e serei salvo.
Traspassai com o vosso temor a minha carne: porque temo os vossos juízos.
Encaminhai os meus passos segundo a vossa palavra: e não predomine em mim iniquidade alguma.
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo!
Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.
III.
Rios de lágrimas derramam os olhos meus: porque não guardaram a vossa Lei.
Vós sois justo, Senhor: e reto é o vosso juízo.
Sou pequeno e desprezado: porém não me esqueço dos vossos mandamentos.
A vossa justiça é eterna: e a vossa Lei é a mesma verdade.
Tribulações e angústias me surpreenderam: os vossos mandamentos são minha meditação.
Rogo de todo o meu coração: ouvi-me, Senhor; chamo por Vós: salvai-me!
Ouvi a minha voz, Senhor, segundo a vossa misericórdia: dai-me vida segundo o vosso juízo.
Perto estais Vós, Senhor; todos os vossos caminhos são verdade.
Vede a minha humilhação e livrai-me: porque não me esqueço da vossa Lei.
Longe está dos pecadores a salvação: porque não procuram as vossas justificações.
Muitas são as vossas misericórdias, Senhor: dai-me vida segundo o vosso juízo.
São muitos que me perseguem e atribulam: mas não me desvio dos vossos testemunhos.
Aborreço e abomino a iniquidade: amo a vossa Lei.
Gozam de muita paz os que amam a vossa Lei: para eles não há tropeço.
Cheguem, Senhor, os meus rogos à vossa presença: venha a minha súplica perante a vossa face: livrai-me segundo a vossa palavra!
A minha língua anunciará a vossa palavra, porque são justos todos os vossos mandamentos.
Viverá a minha alma e Vos louvará: e os vossos juízos me hão de ajudar.
Desgarrei-me como o ovelha perdida: buscai o servo vosso; porque não me esqueci dos vossos mandamentos.
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo!
Assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.

Bendito seja, Senhor, para sempre o vosso Santo Nome, pois permitistes que viessem sobre mim estas tentações. Não as poderei evitar; mas é indispensável que eu a Vós recorra, para que me auxilieis e as torneis em meu proveito. Eis-me, Senhor, em vexame; meu coração está desassossegado por causa desta paixão que o atormenta vivamente. E que Vos direi, Pai amantíssimo? Estou entre angústias, salvai-me desta hora! É por isso que para Vós me chego, a fim de que manifesteis a vossa glória e me livreis, quando mais humilhado eu estiver. Dignai-Vos, Senhor, livrar-me deste estado, porquanto, pobre de mim, que farei e onde irei sem Vós? Por mais esta vez ainda, Senhor, dai-me força e paciência. Sustentai-me, meu Deus, e nada temerei, quaisquer que sejam os males que venham sobre mim.
Que posso eu dizer-Vos neste estado? Senhor, faça-se a vossa vontade. Estas provações e penas bem as mereço. Devo, pois, sofrer, e quem me dera que com resignação o faça, até que passe a tormenta e volte a bonança.
Poderosa é vossa mão onipotente para afastar de mim esta tentação e moderar sua violência, para que não sucumba de todo, como tantas vezes tendes feito para comigo, meu Deus e misericórdia minha.
E quanto para mim é mais dificultosa esta mudança, tanto mais fácil é ela para Vós, porque é obra da destra do Altíssimo. Em Vós, ó meu Deus, esperei, não serei confundido eternamente. Amém.
Salmo 50

Ao mestre do coro. Salmo. De Davi. Quando o profeta Natan foi ter com ele, depois de haver pecado com Betsabé.
Tem piedade de mim, ó Deus, segundo a tua misericórdia; segundo a multidão das tuas clemências, apaga a minha iniquidade.
Lava-me inteiramente da minha culpa, purifica-me do meu pecado,
Porque eu reconheço a minha maldade, e o meu pecado está sempre diante de mim.
Pequei contra ti só, fiz o que é mau diante dos teus olhos, para que te manifestes justo na tua sentença, reto no teu juízo.
Eis que nasci na culpa, e minha mãe concebeu-me no pecado.
Eis que te comprazes na sinceridade do coração, e no meu íntimo me ensinas a sabedoria.
Asperge-me com o hissope, e serei purificado; lava-me, e me tornarei mais branco que a neve.
Faz-me sentir gozo e alegria, exultem os ossos que trituraste.
Aparta o teu rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas culpas.
Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova em mim um espírito firme.
Não me arremesses da tua presença e não retires de mim o teu espírito santo.
Dá-me a alegria da tua salvação e revigora-me com um espírito generoso.
Ensinarei aos iníquos os teus caminhos, e os pecadores se converterão a ti.
Livra-me da pena do sangue, ó Deus, Deus meu salvador; a minha língua exulte com a tua justiça.
Senhor, abrirás os meus lábios, e a minha boca anunciará os teus louvores.
Com efeito, não te apraz o sacrifício; e se te oferecesse um holocausto, não o aceitarias.
O meu sacrifício, ó Deus, é um espírito contrito: não desprezaria, ó Deus, um coração contrito e humilhado.
Senhor, sê benigno com Sião por tua bondade, reconstruindo os muros de Jerusalém.
Então aceitarás os sacrifícios legítimos, as oferendas e os holocaustos; então oferecerão bezerros sobre o teu altar.
In finem. Psalmus David, cum venit ad eum Nathan propheta, quando intravit ad Bethsabee.
Miserere mei, Deus, secundum magnam misericordiam tuam; et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam.
Amplius lava me ab iniquitate mea, et a peccato meo munda me.
Quoniam iniquitatem meam ego cognosco, et peccatum meum contra me est semper.
Tibi soli peccavi, et malum coram te feci; ut justificeris in sermonibus tuis, et vincas cum judicaris.
Ecce enim in iniquitatibus conceptus sum, et in peccatis concepit me mater mea.
Ecce enim veritatem dilexisti; incerta et occulta sapientiæ tuæ manifestasti mihi.
Asperges me hyssopo, et mundabor; lavabis me, et super nivem dealbabor.
Auditui meo dabis gaudium et lætitiam, et exsultabunt ossa humiliata.
Averte faciem tuam a peccatis meis, et omnes iniquitates meas dele.
Cor mundum crea in me, Deus, et spiritum rectum innova in visceribus meis.
Ne projicias me a facie tua, et spiritum sanctum tuum ne auferas a me.
Redde mihi lætitiam salutaris tui, et spiritu principali confirma me.
Docebo iniquos vias tuas, et impii ad te convertentur.
Libera me de sanguinibus, Deus, Deus salutis meæ, et exsultabit lingua mea justitiam tuam.
Domine, labia mea aperies, et os meum annuntiabit laudem tuam.
Quoniam si voluisses sacrificium, dedissem utique; holocaustis non delectaberis.
Sacrificium Deo spiritus contribulatus; cor contritum et humiliatum, Deus, non despicies.
Benigne fac, Domine, in bona voluntate tua Sion, ut ædificentur muri Jerusalem.
Tunc acceptabis sacrificium justitiæ, oblationes et holocausta; tunc imponent super altare tuum vitulos.

Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.
℣. Vós, que não desejais a morte do pecador,
℟. Tende piedade de nós.
℣. Vós, que esperais com paciência a conversão do pecador,
℟. Tende piedade de nós.
℣. Vós, que convidais os pecadores a que se convertam,
℟. Tende piedade de nós.
℣. Vós, que acolheis benignamente o pecador arrependido,
℟. Tende piedade de nós.
℣. Vós, que Vos regozijais com a conversão do pecador,
℟. Tende piedade de nós.
℣. De Vos ter ofendido,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter tantas vezes e tão gravemente pecado,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter pecado por pensamentos, palavras e ações,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter pecado pelos sentidos do meu corpo,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter pecado pelas potências de minha alma,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter pecado com tanta audácia,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De Vos ter abandonado pelas criaturas,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter preferido a Vós o que é ilusão e vaidade,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter menosprezado as Vossas perfeições infinitas,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter abusado de Vossos dons e benefícios,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter renovado os sofrimentos de Jesus Cristo,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De ter desprezado Vossos favores e amizade,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. E somente por causa de Vós,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Por incorrer no Vosso desagrado,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Por ser ingrato à Vossa Bondade,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Não pelo temor do castigo,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Não pela esperança da recompensa,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Não constrangidamente,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Mas de puro amor para convosco,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Pelo respeito devido à Vossa Majestade Suprema,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. Com o horror que Vos causam todos os pecados,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
℣. De tudo me pesa, meu Deus, com o mesmo pesar que os santos choraram suas faltas,
℟. Pesa-me de todo coração, meu Deus.
Propósito de emenda:
Porque eu Vos amo, meu Deus, prometo emendar-me, com o auxílio de Vossa graça;
prometo não mais Vos ofender desde o presente;
prometo evitar toda ocasião de pecar;
prometo resistir a todas as tentações;
prometo reprimir em mim todos os maus pensamentos;
prometo preferir perder tudo quanto possuo antes de tornar a ofender-Vos;
prometo preferir sofrer tudo antes que pecar;
prometo morrer antes que tornar a pecar.
Rezar um Pai nosso.
℣. Ó Deus, que sois a fonte dos bons propósitos e das obras santas, dai-me a fortaleza de que necessito para ter um verdadeiro arrependimento de meus pecados e para emendar sinceramente a minha vida, a fim de poder alcançar de Vossa misericórdia o perdão de todas as minhas culpas. Por Cristo, Senhor nosso. Amém.
Confessa-te na primeira oportunidade que tiveres!

Ó clementíssimo Jesus,
que Vos abrasais de amor pelas almas,
eu vos suplico,
pela agonia do vosso Sacratíssimo Coração
e pelas dores de vossa Mãe Imaculada,
que purifiqueis em vosso Preciosíssimo Sangue
os pecadores de todo o mundo
que agora estão em agonia
e que hoje mesmo têm de morrer.
Amém.
Coração Agonizante de Jesus,
tende piedade dos moribundos!

Ó Deus, Pai de todos os homens, a vossa Lei me lembra o sagrado dever de educar os meus filhos segundo a Santa Religião para a virtude e o Céu. Eles pertencem mais a Vós do que a mim. Das minhas mãos os pedireis um dia. É vossa a palavra: “Se alguém não tem cuidado dos seus, e sobretudo dos de sua casa, negou a fé e é pior que o infiel” (1Tim 5, 8). Além do bem-estar temporal dos meus filhos, me confiastes a santificação de suas almas.
Assisti-me, Senhor, e iluminai-me para que eu conheça as minhas obrigações, e concedei-me a firme vontade e o constante zelo de cumpri-las. Moderai em mim o amor natural, o qual torna cegos e indulgentes os pais à vista das faltas e más inclinações dos filhos.
Dai-me inteligência para usar de rigor quando for necessário; dai-me brandura quando me faltar a paciência. Livrai-me, Senhor, de todo o escândalo, para que sirva de exemplo edificante aos filhos em tudo quanto é justo, bom e louvável.
Santificai, ó Deus de toda santidade, os meus filhos, para que Vos amem e respeitem. Dai-lhes docilidade e obediência para que sempre se aperfeiçoem. Não Vos peço riquezas para eles, e sim saúde e força para se manterem na vocação que Vós lhes destinastes. Preservai-os da escravidão das más paixões; conservai-lhes a inocência no meio deste mundo depravado. Concedei, Senhor, aos meus filhos, boas companhias e exemplares guias. Antes vê-los mortos do que sabê-los em pecado mortal.
Eu Vos entrego, ó Pai de bondade, cada um de meus filhos para os protegerdes e salvardes por toda a vida. Assim, tenho a firme esperança de poder dizer um dia: “Senhor, daqueles que me confiastes não perdi nenhum”. Amém.

Ó meu Deus, Pai de bondade e misericórdia, atendei propício às súplicas que Vos faço em favor dos meus queridos pais, que reconheço como singular favor das vossas mãos. Vós destes, Senhor, o preceito do amor filial, dizendo: “Honrarás pai e mãe!”. Imprimistes em nossas almas este tão doce sentimento, ao qual quisestes também ligar a nossa felicidade, ainda mesmo sobre a terra. Vinde, pois, em meu auxílio, e satisfazei por mim quanto devo aos seus cuidados e ternura, que jamais poderei reconhecer bastante. Derramai sobre os meus pais as vossas preciosas e mais abundantes bênçãos; recompensai a sua caridade, nesta vida, segundo os desígnios da vossa providência, e, na outra, com a felicidade eterna. Ó meu Deus, concedei a meus bons pais largos anos de vida, para que me protejam na infância e na juventude, em que tanto necessito de sua assistência; e também para que, na sua velhice, possa eu ter a consolação de os acompanhar e prodigalizar-lhes os serviços de que precisarem.
Venho agora pedir também que me façais dócil, obediente e humilde, para Vos agradar, ó meu Deus, e para dar igualmente satisfação aos meus queridos pais. Não permitais, Senhor, que jamais lhes cause o menor desgosto; antes fazei que eu lhes dê todo o prazer que devem esperar de meu amor, e vivo reconhecimento. Ó meu Deus, abençoai para sempre e em tudo a meus pais, pelo amor de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

1º — Ó Virgem poderosa, única que destes o golpe mortal a todas as heresias em todo o mundo, dignai-vos de libertar o universo dos laços do demônio. Volvei os vossos olhos misericordiosos às almas seduzidas pela astúcia de Satanás, para que, rejeitando o veneno das heresias, os corações transviados se arrependam e voltem à unidade da verdade católica, mediante a vossa poderosa intercessão junto a Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que vive e reina com Deus Pai, em união do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
2º — Senhor Jesus, clementíssimo Salvador do mundo, súplices Vos rogamos, por vosso Sacratíssimo Coração, que todas as ovelhas errantes agora se convertam para Vós, Pastor e Bispo das nossas almas; Vós que viveis e reinais com Deus Pai, em união com o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

℣. Oremos pelo nosso beatíssimo Papa N.: Falar o nome do Santo Padre
℟. O Senhor o conserve e lhe dê vida, o faça santo na terra e não o entregue aos seus inimigos.
℣. Tu és Pedro.
℟. E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.
Oremos: Deus, pastor e guia de todos os fiéis, olhai cheio de bondade para o vosso servo, o Papa N., a quem quisestes colocar à frente da vossa Igreja como pastor. Concedei-lhe, Vos pedimos, a graça de fazer, por suas palavras e por seu exemplo, com que progridam na virtude aqueles de quem é chefe, e chegue, com o rebanho que lhe foi confiado, à vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
℣. Oremus pro Pontifice nostro N.: Falar o nome do Santo Padre
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam.
Oremus: Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum N., quem pastorem Ecclesiæ tuæ præesse voluisti, propitius respice: da ei, quæsumus, verbo et exemplo, quibus præest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. Amen.

Ó Deus, que velais sobre vosso povo com bondade e o conduzis com amor, dai o espírito de sabedoria e a abundância de vossas graças a vosso servo dizer o nome do bispo, nosso Prelado, a quem confiastes o cuidado de nossa direção espiritual, para que ele cumpra fielmente, diante de nós, os deveres do ministério sacerdotal, e receba na eternidade a recompensa de um fiel dispensador. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.
Recitar o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Glória ao Pai.

Ó meu Deus, que, em vossa bondade, quisestes dar-me na pessoa do sacerdote por Vós encarregado do cuidado de minha alma um apoio em minha fraqueza, uma luz em minhas trevas, um guia nos caminhos da salvação, consenti que eu venha implorar para ele a abundância de vossas graças e todas as virtudes que tornam santos os ministros do altar.
Dai-lhe caridade para suportar as minhas misérias e sabedoria para me dirigir no bem. Aumentai em seu coração o vosso amor, para que ele, assim, me ajude a amar-Vos sempre mais. Enche-o, meu Deus, de vosso Espírito, para que ele seja na terra vosso digno representante, e, promovendo vossa maior glória, mereça um dia a felicidade de encontrar junto de Vós, no Céu, todos aqueles que lhe houverdes confiado neste mundo. Amém.

Deus e Senhor Nosso,
protegei a vossa Igreja,
dai-lhe santos pastores e dignos ministros;
derramai as vossas bênçãos sobre o nosso Santo Padre, o Papa;
sobre o nosso Bispo,
sobre o nosso Pároco e todo o clero,
sobre o Chefe da Nação e do Estado,
e sobre todas as pessoas constituídas em dignidade,
para que governem com justiça.
Dai ao povo brasileiro paz constante e prosperidade completa.
Favorecei, com os efeitos contínuos de vossa bondade,
o Brasil,
este Bispado,
a paróquia em que habitamos,
a cada um de nós em particular,
e a todas as pessoas por quem somos obrigados a orar,
ou que se recomendaram às nossas orações.
Tende misericórdia das almas dos fiéis que padecem no Purgatório;
dai-lhes, Senhor, o descanso e a luz eterna.
Amém.

Senhor meu Jesus Cristo, creio firmemente que estais real e verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento com vosso Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Creio que sois o Pão vivo descido do céu. Sim, Jesus, creio em vós.
Senhor, adoro-vos neste augusto sacramento e vos reconheço por meu Criador, Redentor e soberano Senhor, meu único e sumo bem. Eu vos adoro com minha inteligência, meus afetos e todas as faculdades de minha alma. Sim, Jesus, eu vos adoro.
Senhor, espero que, dando-vos a mim neste divino sacramento, usareis comigo de misericórdia e me concedereis todas as graças que são necessárias à minha eterna salvação. Jesus, em vossas promessas confio. Sim, Jesus, espero em vós.
Ato de humildade
Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva. Eu me humilho diante de vós.
Senhor, vós sois infinitamente amável, sois meu Pai, meu Redentor e meu Deus: e por isso vos amo de todo o meu coração sobre todas as coisas, e, por amor de vós, amo a meu próximo como a mim mesmo, e de boa vontade perdoo aos que me têm ofendido. Sim, Jesus, eu vos adoro de todo o meu coração.
Senhor, detesto todos os meus pecados, porque eles me tornam indigno de receber-vos no meu coração, e proponho, com a vossa graça, nunca mais os cometer, evitar as ocasiões de pecado e fazer penitência. Jesus, perdoai os meus pecados.
Senhor, desejo ardentemente que visiteis a minha alma e aqui permaneçais para sempre, a fim de que eu não me separe nunca mais de vós, mas que fique sempre comigo vossa divina graça. Amém.
Retirada do manual de confissão do padre Paulo Ricardo.
Meu bom Deus e Salvador, Pai de misericórdia, eis-me aqui prostrado aos vossos pés, cheio de confusão e de remorsos, qual outro filho pródigo que volta arrependido à casa paterna. Não mereço perdão, porque desgostei demasiadamente a vossa bondade infinita. Mas sei que não olhais para os meus pecados senão para perdoá-los, como Pai misericordioso que sois. Pelos méritos inefáveis do vosso Filho, crucificado e morto por meu amor, pelos méritos do seu Preciosíssimo Sangue, pelas suas lágrimas e agonia, tende piedade de mim. Dai-me luz para conhecer os meus pecados; sincero arrependimento para os aborrecer; firme propósito para nunca mais os cometer; ânimo para os acusar e para cumprir com a devida penitência. Amém.

Retirada do devocionário “Preces Pro Opportunitate Dicendae”
Meu Deus e Senhor, eu me preparo para receber o santo Sacramento da Penitência. Iluminai o meu espírito, a fim de que eu conheça claramente o número e a gravidade dos meus pecados, deles me arrependa, e os confesse ao vosso ministro com verdadeira dor e firme propósito de nunca mais Vos tornar a ofender. Amém.

Retirado e adaptado do manual de confissão do padre Paulo Ricardo

Deixei, por culpa própria, de conhecer as principais verdades da fé católica?
Atenção: O mínimo que devemos saber é:
i) que há um só Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo;
ii) que o Filho de Deus se fez Homem, morreu e ressuscitou para a nossa salvação;
iii) e que ele virá julgar os vivos e os mortos, e dará o Inferno aos maus e o Céu aos bons. Também devemos conhecer o Pai Nosso e os sete sacramentos da Igreja Católica.
Alguma vez neguei ou duvidei voluntariamente de algum ensinamento da Igreja, mesmo depois de já ter sido instruído sobre aquela doutrina? Por exemplo: Já me ensinaram que o Inferno existe e que os demônios existem, mas mesmo assim eu me recuso a acreditar nisso.
Acreditei, segui ou professei algum ensinamento, consciente de que ele era incompatível com a fé católica?
Participei ativamente de alguma cerimônia ou culto não católico? Por exemplo: Tomar a “ceia” protestante, ajudar num culto protestante etc.
Atenção: Participar ativamente dessas cerimônias seria pecado mortal, porque estaríamos agindo como se o culto protestante estivesse no mesmo nível da Santa Missa, ou como se o pastor protestante estivesse no mesmo nível do sacerdote católico.
Obs.: É muito recomendado que um católico evite frequentar inclusive casamentos e funerais em outras religiões. Mas se um motivo familiar exigisse a presença do católico nessas cerimônias, ele poderia assistir a elas como um mero espectador, desde que não houvesse risco de abalar a sua fé ou escandalizar outros católicos.
Sou membro ou fiz parte de alguma organização religiosa não católica, de algum grupo anti-católico ou de alguma sociedade secreta como a Maçonaria?
Li alguma coisa, ouvi alguma música ou assisti a algum programa contra Deus, contra a Igreja ou contra a moral católica?
Atenção: Não há pecado se a pessoa acessa tais conteúdos por uma justa causa, tomando as devidas precauções para não perder a fé.
Pratiquei ou colaborei em alguma superstição ou idolatria? Por exemplo: Previsão do futuro, adivinhação, jogo de cartas, jogo de búzios, magia, tábua ouija, feitiçaria, consulta a feiticeiro, bruxaria, magia branca, magia negra, candomblé, umbanda, macumba, reiki, vodu, cabala, Nova Era, “energias”, jogo do copo.
Participei de reuniões espíritas? Invoquei espíritos? Recebi passe? Acreditei em reencarnação?
Invoquei a Satanás? Li textos, assisti a vídeos e filmes ou ouvi músicas que invocam explicitamente a Satanás?
Não professei externamente a minha fé católica quando havia necessidade grave de fazê-lo?
Recebi os sacramentos sem respeito ou sem fé? Recebi o Crisma, a Eucaristia, o Matrimônio, a Ordem em pecado mortal?
Desesperei da salvação, achando que os meus pecados eram maiores que a misericórdia de Deus?
Pequei por presunção, esperando que alcançaria a salvação sem ter que fugir do pecado e guardar os Mandamentos?
Acreditei na falsa doutrina que ensina que Deus, por ser misericordioso, irá salvar todas as pessoas ainda que elas não deixem o pecado?
Tive ódio a Deus? Revoltei-me contra Deus, por exemplo, por ter nascido com esta aparência, com este sexo (masculino ou feminino), com esta condição social ou por ter perdido um parente?
Pequei por blasfêmia? Escandalizei alguém com tais blasfêmias?
Obs.: A blasfêmia é cometida quando se diz qualquer injúria contra Deus, contra os santos ou contra as coisas santas. Por exemplo: Dizer: “Deus é injusto”, “Deus não é bom”, “Maldito seja Santo Antônio” etc. Também se pode pecar por blasfêmia por meio de atos, por exemplo: cuspindo para o Céu, pisando ou quebrando imagens sagradas etc. Além disso, também é blasfêmia atribuir a uma criatura qualidades próprias e exclusivas de Deus, por exemplo: chamar o demônio de onipotente e santo.
Irritei alguém com o propósito de fazê-lo praguejar ou blasfemar contra Deus?
Jurei em assuntos falsos ou desonestos, usando o nome de Deus, dos santos ou das coisas sagradas? Por exemplo: “Eu juro por Deus que irei matar aquele fulano que me deve”.
Fiz uma promessa a Deus e depois não a cumpri?
Atenção: Caso você tenha feito uma promessa e não tenha cumprido, se confesse e depois cumpra a promessa. Caso seja difícil de cumpri-la, você deve pedir ao seu bispo ou ao seu pároco que troque aquela promessa por outra ou o dispense de cumpri-la. O simples sacerdote não tem este poder.
Zombei (por palavras, piadas ou atos) de Deus, de Nossa Senhora, dos santos e de suas imagens, da Igreja, dos sacramentos ou de quaisquer coisas santas? Incentivei que outros zombassem, rissem e desprezassem?
Faltei à Missa nos domingos ou nos dias santos de guarda, por culpa própria?
Atenção: No Brasil, a maioria dos dias santos de guarda é transferida para o domingo; porém, existem quatro dias santos de guarda que não são transferidos para o domingo: Santa Maria Mãe de Deus (1º de janeiro), Corpus Christi, Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Natal do Senhor (25 de dezembro). Este preceito obriga todos os fiéis batizados que possuem uso da razão e já tenham completado sete anos de idade.
Para cumprir o preceito é necessário:
i) estar presente corporalmente na igreja;
ii) prestar uma atenção mínima durante a Missa.
Não cumpre o preceito quem ouve a Missa pelo rádio ou assiste pela televisão.
Nos domingos ou nos dias santos de guarda, cheguei atrasado à Missa ou saí mais cedo, por culpa própria?
Fiz, propositalmente, com que outras pessoas faltassem à Missa nos domingos ou dias santos de guarda, ou saíssem mais cedo, ou chegassem atrasadas?
Fiquei mais de um mês sem fazer ao menos uma oração sincera a Deus?
Nos domingos ou nos dias santos de guarda, realizei trabalhos, atividades ou negócios que me impediram de participar da Santa Missa? Obriguei que outras pessoas realizassem essas atividades, impedindo-lhes a participação na Santa Missa?
Trabalhei aos domingos e dias santos de guarda? Obriguei outras pessoas a trabalharem aos domingos e dias santos de guarda?
Atenção: Há alguns serviços que não podem parar, mesmo aos domingos e dias santos de guarda, por exemplo: hospitais, farmácias, restaurantes, postos de combustíveis, aeroportos, ônibus, táxis, serviços de segurança etc. Os proprietários, porém, devem se esforçar para organizar estes serviços de tal maneira que os funcionários possam guardar o preceito dominical.
Zombei, xinguei, maltratei ou ameacei os meus pais? Alegrei-me com o mal dos meus pais? Entristeci-me com o bem deles?
Desejei a desgraça aos meus pais? Desejei a morte aos meus pais? Desejei, por egoísmo, receber a herança?
Nunca rezo pelos meus pais?
Por exemplo:
1) Rezar pedindo que eles não morram em pecado mortal;
2) Rezar pela alma deles no dia de Finados, caso já tenham falecido etc.
Não ajudei os meus pais em situações de grave necessidade material (alimentação, vestes, habitação, remédios), sendo que era possível para mim ajudá-los? Abandonei-os em suas doenças físicas ou emocionais? Abandonei-os na velhice?
Não ajudei os meus pais nas suas necessidades espirituais, sendo que era possível para mim ajudá-los? Por exemplo: Não chamei o sacerdote para dar os sacramentos aos meus pais quando estavam gravemente enfermos, sendo que era possível para mim fazê-lo? Não providenciei o funeral dos meus pais, sendo que era possível para mim fazê-lo?
Levantei a mão contra os meus pais? Bati nos meus pais?
Atenção: A agressão aos pais é pecado mortal, ainda que a lesão causada seja leve.
Entristeci gravemente os meus pais com palavras, gestos ou ações?
Desobedeci aos meus pais em assuntos moralmente importantes? Por exemplo: Os pais mandam o filho ir à Missa ao domingo e o filho não vai; os pais mandam o filho não ir àquela festa indecente e o filho vai; os pais mandam o filho deixar aquela má companhia e o filho não deixa.
Atenção: Mesmo que o filho já seja maior de idade, se ainda permanece morando com os pais, continua com o dever de obedecer-lhes.
Obs.: Se o pai manda o filho fazer algo imoral ou contrário à lei de Deus, o filho está obrigado a desobedecer: caso contrário, o filho pecará justamente por obedecer a seus pais, pois “convém antes obedecer a Deus que aos homens” (At 4, 19). Por exemplo: os pais que mandam o filho mentir, roubar, vingar-se, assistir a filme obsceno, ir à casa de prostituição, usar roupas imodestas, usar drogas, embriagar-se etc.; os pais que mandam o filho não ir à Missa, não rezar etc.
Roubei alguma coisa dos meus pais?
Perguntas para os que são casados: Zombei, xinguei, maltratei ou ameacei o meu cônjuge? Impedi que o meu cônjuge cumprisse seus deveres religiosos?
Perguntas para os que têm filhos:
a. Por negligência, deixei de conduzir meus filhos ao Batismo o mais rápido possível?
b. Não cumpri a grave obrigação que tenho de educar meus filhos na fé católica, deixando de ensinar-lhes a doutrina da Igreja, a digna recepção dos sacramentos, para que assim tivessem o suficiente para perseverar até a morte no estado de graça?
Obs.: Como os filhos podem pecar gravemente após os sete anos de idade, os pais devem motivá-los a se confessar regularmente a partir de então, dando-lhes a instrução necessária para isso.
Atenção: Cabe lembrar também que todos os fiéis, a partir dos sete anos, são obrigados à Confissão ao menos uma vez por ano.
c. Deixei de sustentar os meus filhos?
d. Impedi meus filhos de irem à Missa aos domingos, de rezarem ou de cumprirem seus deveres religiosos?
e. Permiti que o namorado da minha filha (ou vice-versa) dormisse junto com ela?
f. Permiti que meus filhos lessem livros, ouvissem músicas ou assistissem a programas imorais, sexuais ou obscenos? Permiti que meus filhos frequentassem lugares suspeitos ou fossem a festas indecentes? Permiti que meus filhos tivessem companhias perigosas?
g. Deixei de corrigir os vícios e pecados graves dos meus filhos?
h. Castiguei os meus filhos com ódio no coração?
i. Fui mau exemplo para os meus filhos, dando-lhes ocasião de imitarem meus pecados graves ou de se escandalizarem com eles? Por exemplo: embriaguez, palavras obscenas, roupas indecentes, vídeos ou músicas imorais; faltar à Missa aos domingos.
Desejei o mal a alguém? Desejei a doença ou a desgraça a alguém? Desejei o Inferno a alguém?
Agredi injustamente alguma pessoa?
Ofendi alguém, xingando, amaldiçoando, zombando? Escandalizei outras pessoas com tais ofensas?
Alimentei pensamentos de vingança?
Atenção: Não é pecado desejar que um criminoso receba sua justa pena, desde que não tenhamos ódio por ele.
Matei uma pessoa? Quis matar ou procurei matar alguém?
Fiz ou tentei fazer aborto? Aconselhei ou ajudei alguém a fazer aborto? Defendi que as pessoas têm o direito de fazer aborto?
Apoiei, conscientemente, políticos que promovem o aborto, a eutanásia, o divórcio, a ideologia de gênero, o homossexualismo, a legalização das drogas, a abolição da propriedade privada?
Usei métodos abortivos? Por exemplo: anticoncepcionais, DIU, pílula do dia seguinte etc.
Pratiquei a eutanásia, apressando a morte de uma pessoa idosa ou doente? Aconselhei alguém a praticar a eutanásia? Defendi que as pessoas têm direito à eutanásia?
Fiz fertilização in vitro? Obriguei ou aconselhei o uso desse método? Afirmei ou defendi que uma pessoa pode usar métodos artificiais de concepção?
Retirei alguma parte significativa do meu corpo desnecessariamente? Fiz alguma esterilização (vasectomia, ligadura de trompas etc.)?
Atenção: É permitido retirar alguma parte do corpo para a preservação da vida, por exemplo: amputar um pé, um braço etc. É permitido, inclusive, retirar um dos órgãos ligados à reprodução humana (útero, ovários, testículos etc.), desde que seja para salvar a vida e haja reta intenção.
Tentei diretamente o suicídio? Induzi, instiguei ou auxiliei alguém a praticar suicídio?
Usei, por mero prazer, bebidas alcoólicas até perder completamente o uso da razão? Usei drogas ilícitas?
Cooperei com o pecado grave de outras pessoas?
Atenção: Cooperar diretamente com o pecado mortal de alguém, é também um pecado. Sendo assim, pecam gravemente por cooperação:
• Os que vendem, prescrevem, receitam, facilitam, aconselham ou fornecem coisas que só ser vem para o mal, como: os diversos tipos de anticoncepcionais (pílulas do dia seguinte, DIU, camisinha); vasectomia, ligadura de trompas, fertilização in vitro, fecundação artificial; livros, revistas e vídeos pornográficos; livros, revistas e vídeos heréticos; drogas ilícitas etc.
• Os donos de hotéis, hospedarias, bares etc., que espontaneamente oferecem ou facilitam o uso dos seus estabelecimentos para encontros claramente pecaminosos ou festas claramente pecaminosas.
• Os músicos e artistas que colaboram espontaneamente em espetáculos, festas, bailes etc., que são claramente pecaminosos.
Conheço alguém que está em pecado mortal ou perto de cometê-lo e não o corrigi?
Obs.: Só temos a obrigação grave de corrigir alguém quando se reúnem estas três condições:
a. Que a pessoa tenha cometido um pecado mortal ou esteja próxima de cometê-lo;
b. Que consideremos haver esperança de que a pessoa mude mediante a nossa correção;
c. Que possamos fazer a correção sem um grande incômodo.
Atenção: Por caridade para com o sacerdote, diga apenas o pecado com seus agravantes e o número de vezes que você cometeu tal pecado, mas não entre em detalhes.
Tendo sido batizado na Igreja Católica, vivi uma “união estável” ou um casamento meramente civil com alguém?
Sendo casado na Igreja Católica, neguei a relação sexual ao meu cônjuge sem causa grave?
Obs.: Após o casamento validamente celebrado, um cônjuge tem direito sobre o corpo do outro, pois, como diz o Evangelho: “Já não são dois, mas sim uma só carne” (Mc 10, 8). Contudo, existem algumas causas graves que permitem um cônjuge negar a relação sexual ao outro.
Por exemplo:
• Quando ele(a) cometeu adultério e não está ar rependido(a);
• Quando ele(a) está sem o uso da razão (por exemplo: em caso de embriaguez total);
• Quando ele(a) quer perverter o ato sexual (por exemplo: usando anticoncepcionais, DIU, camisinha, coito inter rompido; querendo sexo oral, sexo anal, sexo assistido por outras pessoas, sexo com pornograf ia, sexo grupal etc.) Nesses casos você tem a obrigação de negar o ato sexual e resistir-lhe energicamente;
• Quando ele(a) quer a relação sexual imoderadamente (por exemplo: várias vezes por dia ou em épocas perigosas para o outro cônjuge);
• Quando ele(a) tem alguma doença contagiosa (por exemplo: gonorréia, sífilis, AIDS etc.);
• Quando a esposa está no período posterior ao parto. (Pergunte ao médico o tempo de resguardo.)
Usei métodos contraceptivos (por exemplo: pílula do dia seguinte, anticoncepcional, DIU, camisinha)? Obriguei ou aconselhei o uso de contraceptivos? Afirmei ou defendi que uma pessoa pode usar métodos contraceptivos?
Usei métodos artificiais de concepção que dispensam a relação sexual? Obriguei ou aconselhei o uso desses métodos? Afirmei ou defendi que uma pessoa pode usar métodos artificiais de concepção?
Pratiquei o onanismo?
Obs.: Onanismo acontece quando o homem ejacula intencionalmente fora do órgão sexual da mulher, a fim de evitar a gravidez. Também é chamado de “coito interrompido”.
Vi pornografia com meu cônjuge? Obriguei meu cônjuge a ver pornografia?
Cometi adultério?
Atenção: Se você cometeu adultério, diga ao sacerdote com que tipo de pessoa foi, por exemplo: pessoa solteira, casada, virgem, criança, prostituta, do mesmo sexo, celibatária, consagrada a Deus, portadora de necessidade especial.
Sou casado na Igreja e causei a minha separação do meu cônjuge?
Sou casado na Igreja e, após a separação, cometi adultério? (Por exemplo: namoro ou algum tipo de “segunda união”, como o concubinato ou o casamento civil.)
Fiz sexo sem ser casado?
Atenção: Se você cometeu fornicação, diga ao sacerdote com que tipo de pessoa foi, por exemplo: pessoa solteira, casada, virgem, criança, prostituta, do mesmo sexo, celibatária, consagrada a Deus, portadora de necessidade especial.
Toquei uma criança buscando satisfação sexual? Tive relação sexual com uma criança?
Usei de violência (física ou moral) a fim de levar uma pessoa ao pecado contra a castidade? Seduzi alguma pessoa valendo-me da minha influência ou autoridade sobre ela?
Atenção: Se você cometeu esse pecado, diga ao sacerdote com que tipo de pessoa foi, por exemplo: pessoa solteira, casada, virgem, criança, prostituta, celibatária, do mesmo sexo, consagrada a Deus, portadora de necessidade especial.
Cometi algum pecado sexual contra a natureza, por exemplo: homossexualismo, incesto (com parentes de sangue), bestialismo (com animais)?
Defendi ou apoiei o sexo livre, a poligamia, o divórcio, o adultério, o homossexualismo, a mudança de sexo, o incesto, o bestialismo, a pedofilia, a ideologia de gênero? Afirmei ou defendi que, se as pessoas “se amam”, elas têm o direito de fazer essas coisas?
Pequei por pornografia com textos, fotos ou vídeos de conteúdo sexual explícito? Tenho o hábito de cair neste pecado? Mantive as ocasiões de cair na pornografia? Confessei-me sem ter a firme decisão de deixar essas práticas? Confessei-me sem ter a firme decisão de deixar as ocasiões próximas desse pecado?
Atenção: Não somente a pornografia explícita é pecado mortal. Os livros, filmes, vídeos ou programas de televisão que possuem conteúdo erótico também são matéria de pecado mortal.
Divulguei textos, imagens ou vídeos pornográficos? Mantive o recebimento desses vídeos ou imagens, por exemplo, não saindo daquele grupo de rede social em que as pessoas enviam pornografia?
Pequei por masturbação, ou seja, toquei o meu corpo com o fim de obter prazer sexual? Tenho o hábito de cair neste pecado? Mantive as ocasiões de cair na masturbação? Confessei-me sem ter a firme decisão de deixar essa prática? Confessei-me sem ter a firme decisão de deixar as ocasiões próximas desse pecado?
Toquei, abracei ou beijei uma pessoa buscando prazer sexual?
Quanto aos namorados: O prazer sexual somente é lícito dentro da relação matrimonial aberta à vida: portanto, as pessoas que não são casadas, não podem buscar a excitação sexual, já que não podem ter relação sexual. Por isso, os namorados não podem fazer aqueles toques, abraços ou beijos que são próprios para causar excitação sexual, como por exemplo: toques nas partes íntimas, abraços “calorosos”, beijos de língua. Como não podem ter a relação sexual, também não podem se preparar para ela.
Quanto aos noivos: Aplica-se a eles o mesmo que aos namorados. Como também não são casados, os noivos não podem se excitar por meio desses mesmos toques, beijos e abraços. Se não podem ter a relação sexual, também não podem se preparar para ela.
Quanto aos casados:
1) Dentro do ato conjugal são lícitos os atos coerentes com a relação sexual aberta à vida, desde que não sejam gravemente obscenos.
2) Fora do ato conjugal os esposos podem fazer certos tipos de beijos, abraços e carícias para alimentar o amor entre si, evitando, porém, o perigo próximo de polução (ejaculação).
Consenti em pensamentos, desejos ou olhares contra a castidade? Quem foi objeto desses pensamentos ou olhares: pessoa casada, parente próximo, pessoa consagrada, criança, pessoa do mesmo sexo?
Atenção: Quando percebemos que um olhar pode nos levar ao desejo sexual, devemos desviar imediatamente o olhar para não desejarmos sexualmente aquela outra pessoa. E quando percebemos que uma imagem sexual veio à nossa mente, devemos desviar o pensamento para não nos “deleitarmos” com aquela imagem.
Sendo casado, pratiquei o ato sexual pensando voluntariamente em outra pessoa?
Promovi conversas eróticas com o fim de buscar prazer sexual? Ouvi conversas eróticas consentindo no prazer sexual que elas me causavam?
Induzi outras pessoas ao pecado ou ensinei o pecado a alguém? Por exemplo: Ter conversas eróticas nas redes sociais; conduzir alguém a uma casa de prostituição etc.
Escandalizei alguém com tais conversas eróticas? Por exemplo: Um sacerdote (ou pai de família) falando de coisas eróticas diante de crianças.
Ouvi músicas eróticas e consenti no prazer sexual que me causaram? Escandalizei alguém com tais músicas?
Homem e mulher: Expus-me publicamente com roupas indecentes a fim de seduzir sexualmente os que me olhavam, ou tendo consciência de que tais roupas eram excitantes ou escandalosas? Por exemplo: roupas coladas, decotadas, curtas ou transparentes.
Atenção: Quando uma pessoa decide abandonar as roupas indecentes deve desfazer-se delas, e não doá-las para alguém, pois o que é pecado para mim, também é pecado para os outros.
Roubei alguma coisa? O quê? Quanto? Quantas vezes? Restitui os bens roubados? OBS.: Lembre-se que, quando se trata de pecados que causaram dano a alguém, você deve ter o firme propósito de reparar o prejuízo (devolver o dinheiro roubado, reparar a calúnia etc.). Pergunte ao sacerdote como poderá fazer a reparação.
Danifiquei injustamente a propriedade ou os bens de uma outra pessoa? Reparei os danos?
Obs.: Não é um dano injusto se uma mãe queima um livro pornográfico do seu filho: nesse caso, a mãe tem o direito de causar esse dano ao filho, pois na verdade ela quer evitar que o filho cometa um pecado mortal e seja merecedor do Inferno.
Obtive algum bem ou vantagem por meio de fraude ou enganação?
Perdi meus bens no jogo, causando prejuízo a mim ou aos meus dependentes?
Recusei-me a pagar alguma dívida? Recusei-me a devolver alguma coisa emprestada?
Adquiri alguma coisa que sabia ter sido roubada?
Lesei o meu patrão, não trabalhando honestamente como é dever de um funcionário?
Recusei-me a pagar o salário aos meus empregados? Atrasei o salário dos meus empregados sem uma justa causa?
Forcei os meus funcionários a trabalharem além da medida, impedindo-lhes, por exemplo, o devido descanso e a presença na Santa Missa aos domingos e dias santos de guarda?
Recusei-me a ajudar alguém que estava em extrema necessidade, embora fosse possível fazê-lo?
Fiquei triste ou com raiva por ver que uma pessoa tinha algum bem material que eu não possuía?
Fiquei triste ou com raiva por ver que uma pessoa tinha algum bem espiritual que eu não possuía? Por exemplo: invejar a capacidade intelectual de uma pessoa; invejar a determinação e a força de vontade da pessoa; invejar as virtudes de uma pessoa etc.
Dei mais valor aos bens materiais do que à minha salvação eterna?
Contei mentiras que causaram grave dano a uma pessoa ou aos seus bens? Tenho o hábito de dizer mentiras?
Obs.: Toda mentira é pecado. Mas apenas as mentiras que causam algum prejuízo grave à honra ou aos bens do próximo são pecados mortais.
Caluniei alguém, dizendo que a pessoa cometeu algum crime ou pecado grave que eu sabia claramente que ela não tinha cometido? Colaborei com a divulgação de calúnias? Reparei a calúnia ou estou disposto a repará-la?
Fiz julgamentos temerários a respeito de alguém? OBS.: Este pecado acontece quando alguém condena interiormente outra pessoa sem ter evidências suficientes para pensar daquele jeito.
Falei dos pecados ou defeitos graves de uma pessoa sem necessidade? Tenho o hábito de falar mal dos outros?
Obs.: Este é o pecado de maledicência, que fere a reputação das pessoas sem necessidade.
Revelei algum segredo importante, sendo que a pessoa esperava que eu guardasse sigilo? Tenho o hábito de revelar os segredos das pessoas?
Provoquei intrigas para criar inimizades entre as pessoas?
Jurei falso ou assinei documentos falsos? Usei documentos falsos?
Recebi a Sagrada Eucaristia pelo menos uma vez ao ano, por ocasião do Tempo Pascal?
Atenção: O fiel não é obrigado a comungar em todas as Missas de que participa, inclusive aos domingos e dias santos de guarda. Caso ele comungue uma vez no ano durante o período da Páscoa, já cumpre o preceito da Comunhão Anual. A Igreja convida os fiéis a comungarem com mais frequência, porém não os obriga a isso.
Guardei o jejum eucarístico de uma hora antes da comunhão eucarística?
Obs.: O jejum eucarístico consiste em que não podemos comer nem beber nada por pelo menos uma hora antes do momento de comungar; só é permitido tomar água e remédios.
Cumpri o jejum e a abstinência de carne nos dias prescritos pela Igreja?
Atenção: Estão obrigadas à lei da abstinência de carne as pessoas que completaram catorze anos de idade. Estão obrigadas à lei do jejum todas as pessoas que completaram dezoito anos de idade, e esta obrigação perdura até os sessenta anos. Quando e como devemos fazer jejum? Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. O jejum mínimo para cumprir o preceito consiste em tomar apenas três refeições durante todo o dia de jejum: uma refeição completa, mais duas pequenas refeições que, somadas, não chegam a formar uma refeição completa. Quando e como devemos fazer abstinência de carne? Na Quarta-feira de Cinzas e em todas as sextas-feiras do ano, com exceção das sextas-feiras que caírem em solenidades da Igreja. Devemos nos abster de todos os tipos de carne de animal de sangue quente, ou seja, carne de boi, frango, porco, aves e caça. Nesses dias é permitido comer peixes, ovos e frutos do mar.
Confessei-me pelo menos uma vez ao ano?
Tenho contribuído para as necessidades materiais da Igreja segundo as minhas possibilidades? Por exemplo: pagando o dízimo, fazendo doações ou ofertas.
Retirado do devocionário “Preces Pro Opportunitate Dicendae”

Primeiro mandamento
Se tem omitido frequentemente suas orações quotidianas por negligência.
Se se tem voluntariamente distraído em suas orações.
Se consentiu deliberadamente em dúvidas contra a Fé.
Se tem propositadamente deixado de ouvir a Palavra de Deus.
Se tem guardado ou lido livros ou escritos hostis à religião.
Se tem falado contra a religião ou deixado de defendê-la quando era seu dever.
Se tem criticado pessoas ou práticas eclesiásticas, ou consentido que outros o fizessem em sua presença.
Se se tem deixado levar pelo desânimo.
Se tem murmurado contra as disposições da DivinaProvidência.
Se tem seguido práticas supersticiosas, por convicção ou por leviandade.
Se tem assistido a reuniões de espiritismo ou pedido e usado remédios aconselhados pelos espíritas. Quantas vezes?
Segundo mandamento
Se tem pronunciado, por ira ou por leviandade, o nome de Deus ou dos Santos.
Se tem o costume de proferir nomes santos sem justa razão.
Se tem jurado falso.
Se tem jurado sem necessidade.
Se tem proferido maldições ou imprecações contra alguém, abusando ao mesmo tempo dos nomes de Deus ou dos Santos.
Se tem travado conversas injuriosas a Deus, aos Santos e as coisas sagradas (blasfêmias). Quantas vezes?
Terceiro mandamento
Se tem faltado à Missa nos domingos e festas de guarda. Por que motivo?
Se por sua culpa chegou tarde à Missa ou se se retirou antes de ela ter acabado.
Se assistiu à Missa sem atenção.
Se se comportou mal na igreja.
Se tem trabalhado nos domingos e dias santos, sem para isso ter necessidade.
Se obrigou outros a trabalhar. Durante quanto tempo? Quantas vezes?
Quarto mandamento
Se faltou ao respeito a seus pais ou superiores. Se chegou a maltratá-los por palavras ou ações. Se lhes desejou o mal. Se falou mal deles.
Se de propósito lhes causou tristeza, ou se deliberadamente os ofendeu. Se lhes faltou à obediência em matéria grave.
Se cometeu faltas de caridade contra seus irmãos ou outros parentes.
Quinto mandamento
Se tem injuriado o próximo.
Se se tem irado contra alguém.
Se ofendeu propositadamente o próximo.
Se procurou ter rixas com os outros.
Se guarda ódio de alguém. Há quanto tempo?
Se entretém sentimentos de rancor e malquerença contra alguém.
Se desejou mal a alguém.
Se chegou a fazer mal ao próximo, prejudicando sua saúde.
Se desejou a morte para alguém.
Se desejou a morte para si mesmo.
Se prejudicou propositadamente a própria saúde, por desânimo, por desejo de morrer, por capricho ou para subtrair-se às suas obrigações.
Se deixou faltar a seus doentes o trato necessário.
Se maltratou animais por gosto, por ira ou para se distrair.
Se deu escândalo ao próximo. Ou se foi a causa de ele pecar. Quantas vezes?
Se cometeu excessos na comida e bebida. Quantas
vezes?
Se tem o vício de se embriagar.
Sexto e nono mandamentos
Se se tem demorado voluntariamente em pensamentos e imaginações impuras.
Se tem desejado ver ou fazer coisas desonestas.
Se tem mantido conversas obscenas.
Se tem assistido a elas por gosto.
Se cantou ou escutou músicas sensuais.
Se as tem ensinado a outros.
Se tem lido livros ou escritos impuros.
Se tem olhado coisas desonestas com má intenção, por curiosidade ou simplesmente por falta de vigilância.
Se tem tomado parte em divertimentos perigosos à pureza: danças, filmes, programas de TV ou internet.
Se tem praticado ações impuras. Só ou com outros?
Se tem permitido que outros fizessem tais coisas consigo. Se tem circunstâncias especiais a acusar com relação a estes pecados.
Na dúvida se alguma coisa é contra a virtude da pureza, peça ao confessor que lhe de os esclarecimentos necessários.
Sétimo e décimo mandamentos
Se tem tirado alguma coisa a outrem. Era objeto de valor?
Se tem tirado coisas de pouco valor por diversas vezes.
Se tem retido injustamente objetos achados.
Se tem causado dano ao próximo por engano, fraude ou mau conselho. Um dano notável?
Se tem feito mal o trabalho a que está obrigado.
Se tem danificado por malícia a propriedade alheia. Por negligência culpável? Os prejuízos foram
consideráveis?
Se tem o desejo de furtar ou de danificar os bens de outrem.
Se tem tido inveja.
Se tem saldado as suas contas e dívidas.
Se pagou aos seus empregados o salário justo.
Se retém bens que possui injustamente.
Oitavo mandamento
Se tem mentido.
Causou dano a alguém com suas mentiras?
Tem divulgado sem necessidade as faltas e defeitos secretos do próximo?
Se tem exagerado os pecados verdadeiros dele.
Tem-lhe atribuído faltas supostas? Tem resultado daí um prejuízo notável para a reputação, para a fortuna do próximo?
Se tem permitido que outros falassem mal do próximo. Tem escutado com gosto tais conversas?
Se tem semeado discórdia entre amigos por mexericos.
Tem tido suspeitas injustas ou juízos temerários?
Tem violado segredos de ofício? Segredos que lhe foram confiados?
Resultaram da sua indiscrição prejuízos para o próximo, quer na sua fortuna, quer na sua reputação?
Os sete pecados capitais
Sendo fonte de mudos pecados, facilmente podem er intercalados entre os pecados contra os Dez Mandamentos.
O orgulho é contra o primeiro, a avareza contra o satimo. A inveja, a gula e a cólera são contrários ao quinto A preguiça ao primeiro, terceiro, quarto e quinto mandamentos.
Tem sido orgulhoso e vaidoso?
Tem-se demorado deliberadamente em pensamentos de orgulho e de complacência em si mesmo?
Se tem sido teimoso e arrogante.
Se tem sido duro e sem caridade para com os pobres.
Se tem tido inveja.
Tem-se alegrado com a infelicidade de outrem?
Jejum eclesiástico
Se tem jejuado, nos dias de jejum propriamente di-to.
Se tem observado a lei da abstinência nos dias prescritos pela Igreja.
Deveres de estado
Tem faltado a seus deveres de estado, na qualidade de esposo, pai ou mãe, superior ou súdito?
Que faltas cometeu no exercício de sua profissão?

Ó minha alma, não basta desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário ter uma resolução semelhante em relação ao pecado venial. Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna de que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual: na oração e nas relações com Deus, na mortificação e na negação dos apetites, em obedecer e em renunciar à vontade própria, no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmemente evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes:
O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não-razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de alguém, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de cumprir com negligência voluntária. O pecado de manter um afero desregrado por alguém. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito. O pecado de receber os santos sacramentos de forma descuidada, com distrações e outras irreverências, e sem preparação séria. A impaciência, o ressentimento, a recusa em aceitar desapontamentos como vindos da mão de Deus, porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direção da obediência (fala-se aqui de situações em que encontrá-remos aconselhamento digno se o procurarmos, mas, apesar disso, preferimos seguir as nossas próprias luzes, embora frouxas).
Senhor meu Jesus Cristo, Deus e Homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós quem sois, sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, por Vos ter ofendido; pesa-me também por ter perdido o Céu e merecido o inferno. Mas proponho firmemente, com o auxílio de vossa divina graça, e pela poderosa intercessão de vossa Mãe Santíssima, emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Espero alcançar o perdão de minhas culpas, por vossa infinita misericórdia. Amém.
Depois disto, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: "Eis que estás são; não peques mais, para que te não suceda coisa pior." João 5:14


℣. Oremos pelo nosso beatíssimo Papa N.: Falar o nome do Santo Padre
℟. O Senhor o conserve e lhe dê vida, o faça santo na terra e não o entregue aos seus inimigos.
℣. Tu és Pedro.
℟. E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.
Oremos: Deus, pastor e guia de todos os fiéis, olhai cheio de bondade para o vosso servo, o Papa N., a quem quisestes colocar à frente da vossa Igreja como pastor. Concedei-lhe, Vos pedimos, a graça de fazer, por suas palavras e por seu exemplo, com que progridam na virtude aqueles de quem é chefe, e chegue, com o rebanho que lhe foi confiado, à vida eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.
℣. Oremus pro Pontifice nostro N.: Falar o nome do Santo Padre
℟. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificabo Ecclesiam meam.
Oremus: Deus, omnium fidelium pastor et rector, famulum tuum N., quem pastorem Ecclesiæ tuæ præesse voluisti, propitius respice: da ei, quæsumus, verbo et exemplo, quibus præest, proficere: ut ad vitam, una cum grege sibi credito, perveniat sempiternam. Per Christum, Dominum nostrum. Amen.
Com o Santíssimo Sacramento exposto, o sacerdote ou diácono ajoelha-se e incensa o Sacramento. Enquanto isso, entoa-se o hino eucarístico.
Tão sublime sacramento
adoremos neste altar.
Pois o Antigo Testamento
deu ao Novo seu lugar.
Venha a fé por suplemento
os sentidos completar.
Ao Eterno Pai cantemos
e a Jesus, o Salvador.
Ao Espírito exaltemos,
na Trindade eterno amor.
Ao Deus uno e trino demos
a alegria do louvor. Amém.
℣. Do céu lhes destes o pão.
℟. Que contém todo o sabor.
Oremos: Senhor Jesus Cristo, que neste admirável sacramento nos deixastes o memorial da vossa Paixão, concedei-nos, Vos pedimos, venerar de tal modo os sagrados mistérios do vosso Corpo e Sangue, que experimentemos sempre em nós o fruto da vossa redenção. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.
Tantum ergo Sacramentum
Veneremur cernui:
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui:
Præstet fides supplementum
Sensuum defectui.
Genitori, Genitoque
Laus et iubilatio,
Salus, honor, virtus quoque
Sit et benedictio:
Procedenti ab utroque
Compar sit laudatio. Amen.
℣. Panem de cælo præstitisti eis.
℟. Omne delectamentum in se habentem.
Oremus: Deus, qui nobis sub sacramento mirabili passionis tuæ memoriam reliquisti, tribue, quæsumus, ita nos corporis et sanguinis tui sacra mysteria venerari, ut redemptionis tuæ fructum in nobis iugiter sentiamus. Qui vivis et regnas in sæcula sæculorum. Amen.
Terminada a oração, o sacerdote ou diácono toma o véu umeral, sobe ao altar, toma o ostensório e, em silêncio, faz o sinal da cruz sobre os fiéis com o Santíssimo Sacramento, enquanto é incensado.
Durante a benção o fiel pode recitar olhando para o Santíssimo:
Jesus, meu Deus, aqui presente no Sacramento do Vosso amor, eu Vos adoro.
Meu Senhor e Meu Deus!
Ó Jesus no Santíssimo Sacramento, tende misericórdia de mim.
Após a bênção, o Santíssimo Sacramento é reposto no sacrário. A assembleia acompanha a reposição entoando os Louvores Divinos:
Bendito seja Deus.
Bendito seja o seu Santo Nome.
Bendito seja Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Bendito seja o Santíssimo Nome de Jesus.
Bendito seja seu Sacratíssimo Coração.
Bendito seja Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento do Altar.
Bendito seja o Espírito Santo Paráclito.
Bendita seja a grande Mãe de Deus, Maria Santíssima.
Bendita seja a sua Santa e Imaculada Conceição.
Bendita seja a sua gloriosa Assunção.
Bendito seja o Nome de Maria, Virgem e Mãe.
Bendito seja São José, seu castíssimo Esposo.
Bendito seja Deus nos seus Anjos e nos seus Santos.
Benedictus Deus.
Benedictum Nomen Sanctum eius.
Benedictus Iesus Christus, verus Deus et verus homo.
Benedictum Nomen Iesu.
Benedictum Cor eius sacratissimum.
Benedictus Sanguis eius pretiosissimus.
Benedictus Iesus in sanctissimo altaris Sacramento.
Benedictus Sanctus Spiritus, Paraclitus.
Benedicta excelsa Mater Dei, Maria sanctissima.
Benedicta sancta eius et immaculata Conceptio.
Benedicta eius gloriosa Assumptio.
Benedictum nomen Mariae, Virginis et Matris.
Benedictus sanctus Ioseph, eius castissimus Sponsus.
Benedictus Deus in Angelis suis, et in Sanctis suis.
Pode-se rezar também:

que há um só Deus em três pessoas, Pai, Filho e Espírito Santo;
que o Filho de Deus se fez Homem, morreu e ressuscitou para a nossa salvação;
e que ele virá julgar os vivos e os mortos, e dará o Inferno aos maus e o Céu aos bons. Também devemos conhecer o Pai Nosso e os sete sacramentos da Igreja Católica.

A Igreja Católica define 43 dogmas principais, que são verdades de fé reveladas por Deus e proclamadas de forma infalível pelo Magistério. Esses dogmas são imutáveis e essenciais para a crença dos fiéis. Eles estão organizados em 8 categorias, conforme a tradição eclesial.

A Existência de Deus:
Verdade fundamental sobre a existência de Deus.
A Existência de Deus como Objeto de Fé:
Deus é objeto de fé para os fiéis.
A Unidade de Deus:
Deus é uno em sua essência.
Deus é Eterno:
Deus existe fora do tempo.
A Santíssima Trindade:
Deus revelado como Pai, Filho e Espírito Santo.
Jesus Cristo é verdadeiro Deus e filho de Deus por essência:
Cristo é Deus e Filho por natureza.
Jesus possui duas naturezas que não se transformam nem se misturam:
Cristo tem naturezas divina e humana distintas.
Cada uma das naturezas em Cristo possui uma própria vontade física e uma própria operação física:
As naturezas de Cristo têm vontades e operações próprias.
Jesus Cristo, ainda que homem, é Filho natural de Deus:
Cristo é Filho de Deus por essência, apesar de humano.
Cristo imolou-se a si mesmo na cruz como verdadeiro e próprio sacrifício:
O sacrifício de Cristo na cruz é verdadeiro.
Cristo nos resgatou e reconciliou com Deus por meio do sacrifício de sua morte na cruz:
A morte de Cristo redime e reconcilia a humanidade com Deus.
Ao terceiro dia depois de sua morte, Cristo ressuscitou glorioso dentre os mortos:
Cristo ressuscitou ao terceiro dia.
Cristo subiu em corpo e alma aos céus e está sentado à direita de Deus Pai:
Cristo ascendeu aos céus em corpo e alma, à direita do Pai.
Tudo o que existe foi criado por Deus a partir do Nada:
A criação ex nihilo por Deus.
Caráter temporal do mundo:
O mundo tem início no tempo.
Conservação do mundo:
Deus conserva a existência do mundo.
O homem é formado de corpo material e alma espiritual:
A composição dual do ser humano.
O pecado de Adão se propaga a todos os seus descendentes por geração, não por imitação:
O pecado original se transmite por geração.
O homem caído não pode redimir-se a si próprio:
O homem pecador não se redime sozinho.
Imaculada Conceição e Virgindade Perpétua de Maria:
Maria concebida sem pecado e sempre virgem.
Maria, Mãe de Deus:
Maria é Mãe do Verbo Encarnado.
A Assunção de Maria:
Maria foi elevada ao céu em corpo e alma.
A Igreja foi fundada pelo Deus-Homem, Jesus Cristo:
Fundação divina da Igreja por Cristo.
Cristo constituiu o Apóstolo São Pedro como primeiro entre os Apóstolos e como cabeça visível de toda a Igreja, conferindo-lhe imediata e pessoalmente o primado da jurisdição:
Primado de Pedro como cabeça visível.
O Papa possui o pleno e supremo poder de jurisdição sobre toda Igreja, não somente nas questões de fé e costumes, mas também na disciplina e governo da Igreja:
Poder supremo do Papa sobre a Igreja.
O Papa é infalível quando se pronuncia ex cathedra:
Infalibilidade papal em definições ex cathedra.
A Igreja é infalível quando faz definição em matéria de fé e costumes:
Infalibilidade da Igreja em definições de fé e costumes.
O Batismo é verdadeiro Sacramento instituído por Jesus Cristo:
Instituição divina do Batismo.
A Confirmação é verdadeiro e próprio Sacramento:
Sacramento da Confirmação instituído por Cristo.
A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo:
Poder eclesial de perdoar pecados pós-batismais.
A Confissão Sacramental dos pecados está prescrita por Direito Divino e é necessária para a salvação:
Confissão sacramental necessária para a salvação.
A Eucaristia é verdadeiro Sacramento instituído por Cristo:
Instituição da Eucaristia por Cristo.
Cristo está presente no Sacramento do Altar pela Transubstanciação de toda a substância do pão em seu Corpo e toda substância do vinho em seu Sangue:
Presença real de Cristo na Eucaristia por transubstanciação.
A Unção dos enfermos é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo:
Sacramento da Unção dos Enfermos.
A Ordem é verdadeiro e próprio Sacramento instituído por Cristo:
Sacramento da Ordem.
O Matrimônio é verdadeiro e próprio Sacramento:
Sacramento do Matrimônio.
A Morte e sua origem:
Origem da morte no pecado.
O Céu (Paraíso):
Destino eterno dos salvos no Paraíso.
O Inferno:
Destino eterno dos condenados.
O Purgatório:
Estado de purificação após a morte.
O Fim do mundo e a segunda vinda de Cristo:
Fim dos tempos e _parusia_ de Cristo.
A Ressurreição dos Mortos no Último Dia:
Ressurreição corporal no fim dos tempos.
O Juízo Universal:
Julgamento final por Cristo.
A recusa voluntária e pertinaz (obstinada) de crer em um dogma após o Batismo constitui heresia, definida no Catecismo da Igreja Católica (CIC) como “a negação pertinaz, depois de recebido o Batismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou ainda a dúvida pertinaz acerca da mesma” (CIC 2089). A heresia difere da simples dúvida passageira ou ignorância invencível, que podem ser perdoadas com humildade e busca pela verdade.
Para aprofundamento, consulte o Catecismo da Igreja Católica.
Se você tiver dúvidas ou não crer em algum dos dogmas apresentados busque um padre confessor ou autoridade da igreja para ser orientado.
Incorruptibilidade
Sutileza
Agilidade
Claridade

“Pai, perdoai-lhes porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34)
“Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,43)
“Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” (Mt 27,46)
“Mulher, eis aí o teu filho”…“Filho, eis aí tua Mãe” (Jo19,26)
“ Tenho sede! ” (Jo 19,28)
“Tudo está consumado” (Jo 19,30)
“Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23,46)

Sabedoria
Entendimento (Inteligência)
Conselho
Fortaleza (Coragem)
Ciência
Piedade
Temor de Deus

Caridade
Alegria
Paz
Paciência
Bondade
Benignidade
Longanimidade
Mansidão
Fé
Modéstia
Continência
Castidade

Dar de comer a quem tem fome.
Dar de beber a quem tem sede.
Vestir os nus.
Dar pousada aos peregrinos.
Assistir aos enfermos.
Visitar os presos.
Enterrar os mortos.
Ensinar os ignorantes.
Dar bom conselho a quem o pede.
Corrigir os que erram.
Consolar os aflitos.
Perdoar as injúrias.
Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.
Rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos.

Pecados
Soberba
Avareza
Luxúria
Ira
Gula
Inveja
Preguiça
Virtudes
Humildade
Liberalidade
Castidade
Paciência
Temperança
Caridade
Diligência

O homicídio voluntário (o sangue do inocente derramado injustamente).
O pecado impuro contra a natureza (como a sodomia ou o bestialismo).
A opressão dos pobres, viúvas e órfãos.
A retenção ou o roubo do salário dos trabalhadores.

Vanglória: a) jactância, b) dissimulação/duplicidade
Ambição
Desprezo dos outros
Ira/vingança/ressentimento
Teimosia/obstinação

Cooperei nos pecados de outrem:
1) aconselhando,
2) mandando,
3) consentindo,
4) provocando,
5) lisonjeando,
6) ocultando,
7) compartilhando,
8) silenciando,
9) defendendo o mal feito?


Convém que se faça a meditação em família e que se reze o Santo Terço em seguida.
Dedi te in lucem gentium, ut sis salus mea usque ad extremum terræ.
Eu te estabeleci para luz das gentes, a fim de seres a salvação que eu envio até a última extremidade da terra (Is 49,6).
Considera o Pai celeste dizendo estas palavras a Jesus Menino no momento de sua concepção: Meu Filho, eu te estabeleci para luz das gentes e a vida das nações, a fim de que lhes procureis a salvação, que desejo tanto como se fosse a minha própria. É pois
necessário que vos dediqueis inteiramente ao bem do gênero humano: "Dado sem reserva ao homem deveis dedicar-vos inteiramente em benefício dele". É necessário que sofrais uma pobreza extrema desde o vosso nascimento a fim de que o homem se
torne rico: Ut tua inopia dites. É necessário que sejais vendido como um escravo para pagardes a liberdade do homem, e que, como escravo, sejais flagelado e crucificado a fim de satisfazer à minha justiça pelas penas devidas aos homens. É necessário que deis vosso sangue e vossa vida para livrar o homem da morte eterna. Numa palavra, sabei que não sois mais vosso mas do homem, segundo a palavra de Isaías: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um filho. Assim, meu caro Filho, o homem se sentirá constrangido a amar-me e a dar-se a mim, ao ver que vos dou todo a ele, vós meu único Filho, e que me não resta mais nada a dar-lhe. Eis até onde chegou o amor de Deus aos homens! Ó amor infinito, digno somente dum Deus infinito! Jesus mesmo, disse: Deus amou de tal modo o mundo
que deu por ele seu unigênito Filho.
A essa proposta Jesus Menino não se entristece, antes se alegra, aceita-a com amor e exulta: Dá saltos como gigante para percorrer o seu caminho. Desde o primeiro instante de sua encarnação, Ele se dá todo ao homem e abraça com alegria todas as dores e humilhações que deve sofrer no mundo por amor dos homens. Essas foram, diz S. Bernardo, as montanhas e as colinas escarpadas que Jesus Cristo teve de escalar para salvar os homens: Ei-lo, aí vem saltando sobre os montes, atravessando os outeiros.
Notemos bem: enviando-nos seu Filho como Redentor e Mediador de paz entre Ele e os homens, Deus Padre obrigou-se de certo modo a perdoar-nos e a amar-nos; entre o Pai e o Filho interveio um pacto em virtude do qual o Pai devia receber-nos em sua graça, contanto que o Filho satisfaça por nós à divina justiça. De seu lado, o Verbo também se obrigou a amar-nos, não por causa do nosso mérito, mas para cumprir a misericordiosa vontade de seu Pai.
Meu caro Jesus, se é verdade, como a lei o declara, que se adquire o domínio pela doação, vós me pertenceis porque o vosso Pai vos deu a mim: é por mim que nascestes, a mim fostes dado: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho. Posso pois dizer: Meu Jesus e meu tudo. Já que sois meu, todos os bens me pertencem. O vosso apóstolo me assegura: Como não nos dará também com ele todas as coisas? Por isso, meu é o vosso sangue, meus os vossos méritos, minha a vossa graça, meu o vosso paraíso. E se sois meu quem poderá jamais arrancar-vos de mim? Ninguém poderá tirar-me o meu Deus. Assim dizia com júbilo S. Antão Abade; assim também quero dizer no futuro. É verdade que vos posso perder ainda e afastar-me de vós pelo pecado; mas, ó meu Jesus, se no passado
vos abandonei e perdi, arrependo-me agora de toda a minha alma, e estou resolvido a perder tudo, a própria vida, antes que tornar a perder-vos, ó Bem infinito e único amor de minha alma.
— Agradeço-vos, Pai eterno, por me terdes dado vosso Filho; e já que mo destes todo, eu miserável dou-me todo a vós. Pelo amor desse Filho adorável, aceitai-me e prendei-me com cadeias
de amor a meu Redentor, mas prendei-me tão estreitamente que possa dizer com o apóstolo: Quem me poderá ainda separar de meu Jesus? — E vós, meu Salvador, se sois todo meu, sabei
que sou todo vosso. Disponde de mim, e de tudo o que me pertence como vos aprouver. E como poderia eu recusar alguma coisa a um Deus que me não recusou o seu sangue e a sua vida.
Maria, minha Mãe, guardai-me sob vossa proteção. Já não quero ser meu, quero ser todo do meu Senhor. A vós compete tornar-me fiel, confio em vós.
Hostiam et oblationem noluisti; corpus autem aptasti mihi.
Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo (Hb 10,5).
Considera a grande amargura de que o coração de Jesus devia sentir-se penetrado e oprimido no seio de Maria, no momento em que seu Pai lhe colocou ante os olhos a longa série de desprezos, dores e agonias, que teria de sofrer durante sua vida para livrar os homens de seus males.
Eis como o profeta faz falar a Jesus: Desde a manhã o Senhor abriu-me o ouvido. Desde o primeiro instante de minha concepção, meu Pai me fez conhecer a sua vontade que eu levasse uma vida de penas, para ser depois imolado na cruz. E eu não contradigo... entreguei meu corpo aos que me batiam. Tudo aceitei para a vossa salvação, almas queridas, desde então abandonei meu corpo aos flagelos, aos cravos e à morte.
Tudo quanto Jesus Cristo teria de sofrer durante sua vida e na sua paixão pairou ante o seu espírito desde o seio de sua Mãe, e Ele o aceitou com amor; mas para resignar-se a esse sacrifício e para vencer a repugnância natural dos sentidos, ó Deus! que angústia e que opressão não sofreu o coração inocente de Jesus! Ele sabia de antemão o que devia sofrer ficando encerrado nove meses na escura prisão do seio de Maria; sabia a que humilhação e penas devia sujeitar-se nascendo numa fria gruta que servia de abrigo aos animais, e passando depois trinta anos na oficina dum pobre artífice; sabia que os homens o tratariam como a um ignorante, um escravo, um sedutor, um criminoso digno de morte e da morte mais infame e mais dolorosa que se possa infligir aos celerados.
Nosso amantíssimo Redentor aceitou tudo isso a cada instante; e assim, a cada instante sofreu em conjunto todos os tormentos e todos os opróbrios que o aguardavam até a sua morte: O próprio conhecimento de sua dignidade divina lhe fazia sofrer mais profundamente as injúrias que deveria receber dos homens, e nunca as perdia de vista. A minha ignomínia está todo o dia diante de mim, dissera pelo profeta; e por essa ignomínia entendia sobretudo aquela confusão que devia provar um dia vendo-se despojado de suas vestes, flagelado, suspenso por três cravos de ferro e vendo assim terminar a vida no meio dos desprezos e maldições desses mesmos homens pelos quais morria: Foi obediente até a morte, até a morte da cruz. E por que? Para salvar a nós pecadores miseráveis e ingratos.
Ah! meu amado Redentor, quanto vos custou desde a vossa entrada neste mundo o livrar-me do abismo em que me lançaram os meus pecados! Para me libertardes da escravidão do demônio, ao qual me vendi voluntariamente entregando-me ao pecado, quisestes ser tratado como o pior dos escravos; e eu, sabendo isso, contristei muitas vezes o vosso amabilíssimo coração, que tanto me amou! Mas já que vós, que sois inocente e que sois o meu Deus, aceitastes por meu amor uma vida e uma morte tão penosas, aceito por vosso amor, ó meu Jesus, todas as penas que me vierem de vossas mãos. Eu as aceito e abraço porque me vêm dessas mãos traspassadas um dia para me livrarem do inferno que tantas vezes mereci. O amor que me testemunhastes, ó meu Redentor, prontificando-vos a sofrer assim por mim, obriga-me deveras a resignar-me por vós a todos os sofrimentos, a todos os desprezos. Senhor, pelos vossos méritos, dai-me o vosso santo amor; o vosso amor tornar-me-á doces e amáveis todas as dores e todas as ignomínias. Amo-vos sobre todas as coisas, amo-vos de todo o meu coração, amo-vos mais do que a mim mesmo. Mas no decorrer de toda a vossa vida destes-me tantas e tão grandes provas de vosso amor, e eu ingrato, após tantos anos de existência, que prova de amor vos tenho dado até agora? Fazei, pois, ó meu Deus, que nos anos que me restam de vida eu vos dê qualquer prova do meu amor. Não ousaria, no dia do juízo, aparecer diante de vós, pobre como sou atualmente e sem nada haver feito por amor de vós. Mas que posso fazer sem a vossa graça? Só posso pedir me ajudeis, e mesmo essa oração é um efeito da vossa graça. Meu Jesus, socorrei-me pelos méritos das vossas dores e do sangue que derramastes por mim.
Santíssima Virgem Maria, recomendai-me a vosso divino Filho, conjuro-vos pelo amor que lhe tendes: considerai que sou uma das ovelhas pelas quais vosso Filho deu a vida.
Natus est nobis, et Filius datus est nobis.
Nasceu-nos um Menino e foi-nos dado um Filho (Is 9,3).
Considera que após tantos séculos, após tantos suspiros e preces, o divino Messias, que os patriarcas e os profetas não tiveram a felicidade de ver, o Desejado das nações, o Desejo das colinas eternas, numa palavra, nosso Salvador veio enfim, nasceu, e deu-se todo a nós: Nasceu-nos um Menino, foi-nos dado um Filho...
O Filho de Deus se fez pequeno para nos fazer grandes; deu-se a nós, a fim de que nos demos a Ele; veio mostrar-nos seu amor a fim de que o correspondamos com o nosso. Recebamo-lo pois com afeto, amemo-lo e recorramos a Ele em todas as nossas necessidades.
As crianças, diz S. Bernardo, dão facilmente o que se lhes pede. Jesus veio sob a forma duma criança para manifestar a sua disposição de comunicar-nos seus bens. Ora, nele estão todos os tesouros. Seu Pai celeste colocou tudo em suas mãos. Desejamos luzes? Ele veio precisamente para iluminar-nos. Desejamos mais força para resistir aos inimigos? Ele veio para fortalecer-nos. Desejamos o perdão das nossas faltas e a salvação? Ele veio para perdoar-nos e salvar-nos. Enfim desejamos o soberano dom do amor divino? Ele veio justamente para inflamar nossos corações, e para isso é que ele se fez Menino: se ele quis mostrar-se aos nossos olhos num estado tão pobre e tão humilde, e por isso mesmo mais amável, foi para tirar-nos todo o temor e ganhar o nosso amor. Além disso, Jesus quis nascer como criança para que o amemos não somente sobre tudo, mas também com amor terno. Todas as crianças sabem conquistar a afeição terna de quem as vê; ora, quem não amará com toda a ternura a um Deus, vendo-o feito Menino, necessitado de leite, tremendo de frio, pobre, desprezado e abandonado, que chora sobre a palha numa manjedoura? Por isso S. Francisco inflamado de amor exclamava: Amemos o Menino de Belém, amemos o Menino de Belém. Vinde, ó almas, vinde e amai o meu Deus feito Menino, feito pobre; que é tão amável e que desceu do céu para dar-se todo a vós.
Ó meu amável Jesus, por mim tão desprezado, descestes do céu para resgatar-me do inferno e dar-vos todo a mim, e como pude desprezar-vos tantas vezes e voltar-vos as costas? Ó Deus, os homens são tão gratos às criaturas; se alguém lhes faz algum benefício, se de longe lhes fazem uma visita, se lhes mostram sinal de afeto, não podem esquecer-se disso e sentem-se obrigados a pagar-lhes. E são tão ingratos para convosco, que sois o seu Deus cheio de amabilidade, e que por amor deles não recusastes dar o sangue e a vida. — Mas ah! eu tenho sido pior do que todos, pois que, apesar de me terdes amado, eu vos tenho sido mais ingrato. Ah! se tivésseis concedido a um herege, a um idolatra, as graças com que me favoreceste, ele se teria santificado; e eu, eu vos ofendi! Senhor, dignai-vos esquecer as injúrias que vos fiz. Vós dissestes que, quando um pecador se arrepende, esqueceis todos os ultrajes que dele recebestes. Se no passado eu vos não amei, no futuro não quero fazer outra coisa senão amar-vos. Vós vos destes todo a mim; eu vos consagro toda a minha vontade, e assim vos amo, vos amo, vos amo, e quero repetir sem cessar; amo-vos, amo-vos; e quero dizer sempre a mesma coisa enquanto viver, e quero exalar o último suspiro tendo nos lábios a doce palavra:- Meu Deus, eu vos amo! — para começar depois, ao entrar na outra vida, a amar-vos sem interrupção, com um amor sem fim, com amor eterno. Aguardando essa ventura, ó meu Deus, meu único Bem, meu único Amor, estou resolvido a preferir a vossa vontade a todas as minhas satisfações. Venha o mundo inteiro, eu o repilo; não quero cessar de amar Aquele que tanto me amou; já não quero desgostar Aquele que merece amor infinito. Meu Jesus, secundai o meu desejo e a minha resolução com a vossa graça.
Maria, minha Rainha, reconheço que por vossa intercessão tenho recebido todas as graças que Deus me tem concedido; não cesseis de interceder por mim; obtende-me a perseverança, vós que sois a Mãe da perseverança
Dolor meus in conspectu meo semper.
A minha dor está sempre ante os meus olhos (SI 37,18).
Considera que, desde o primeiro instante em que foi criada a alma de Jesus Cristo e unida ao corpo no seio de Maria, o eterno Padre intimou a seu Filho a ordem de sacrificar sua vida pela redenção do mundo, e que ao mesmo tempo lhe pôs ante os olhos o espetáculo aflitivo de todas as penas que devia sofrer até a morte para salvar os homens. Mostrou-lhe então os sofrimentos, as humilhações, a pobreza que teria de suportar durante toda a sua vida em Belém, no Egito, em Nazaré, e depois todas as dores e todas as ignomínias de sua paixão, os flagelos, os espinhos, os cravos, a cruz, e os enfados, as tristezas, as agonias, os abandonos, em que terminaria sua vida sobre o Calvário.
Quando Abraão conduziu seu filho à morte, não quis afligi-lo antes, nem mesmo no pouco tempo necessário para chegar à montanha, e guardou em segredo o seu intento; mas o Pai celeste quis que seu Filho encarnado, vítima destinada a satisfazer à sua justiça por todos os pecados, sofresse antecipadamente todas as penas a que devia submeter-se durante a sua vida e na sua morte. Assim, essa cruel tristeza que Jesus provou no jardim das Oliveiras, e que bastava como ele mesmo declarou para lhe tirar a vida, ele a suportou continuamente desde o primeiro momento de sua existência no seio de Maria; e desde então ele sentiu e sofreu vivamente e em seu conjunto o peso de todas as dores e de todos os opróbrios que o aguardavam.
Toda a vida e todos os anos de nosso divino Redentor foram pois uma vida e anos de dores e lágrimas: A minha vida vai-se consumindo com a dor, e os meus anos com os gemidos. O seu adorável coração não ficou isento de penas nem um instante: velando e dormindo, trabalhando e descansando, orando e conversando tinha sempre diante dos olhos essa cruel representação, que mais atormentava a sua alma do que todos os tormentos dos mártires os fizeram sofrer. Os mártires sofreram, mas ajudados pela graça suportaram seus tormentos com a consolação e a alegria que o fervor proporciona; Jesus Cristo sofreu, mas sempre com um coração cheio, de tédio e tristeza; e tudo aceitou por amor de nós.
Ó doce, ó amável, ó amante coração de Jesus, fostes desde a infância repleto de amarguras e agonizastes no seio de Maria, sem nenhum alívio e sem que ninguém visse a vossa pena e vos consolasse com sua compaixão! Sofrestes tudo isso, ó meu Jesus, a fim de me livrar da agonia eterna que me aguardava no inferno em punição dos meus pecados. Sofrestes um duro abandono, a privação de todo socorro a fim de salvar a mim que tive a audácia de abandonar a Deus e de lhe voltar as costas, para contentar minhas más inclinações. Agradeço-vos, ó Coração aflito e amoroso de meu Senhor! Agradeço-vos e me compadeço das vossas dores, mormente ao ver a insensibilidade dos homens diante de tudo o que sofreis por seu amor. Ó amor de Jesus! Ó ingratidão dos homens! — Ó homens! olhai inocente Cordeiro agonizando por vós, a fim de satisfazer a justiça divina por vossas ofensas; vede-o orando e intercedendo por vós junto de seu Pai eterno; vede-o e amai-o. —Ah! meu Redentor, quão poucos são os que pensam em vossas dores e em vosso amor! ah! quão poucos são os que o amam! Infeliz de mim! Tive a desgraça de viver muito tempo sem pensar em vós! Sofrestes tanto para ser amado por mim, e eu vos não tenho amado! Perdoai-me, meu Jesus, perdoai-me; quero corrigir-me e quero amar-vos de hoje em diante. Quão infeliz seria, Senhor, se resistisse ainda à vossa graça e assim me condenasse! Todas as misericórdias que tendes usado para comigo e particularmente esse doce convite, com que neste momento me fazeis para amar-vos, seriam meu maior suplício no inferno. Meu amado Jesus, tende piedade; não permitais que eu responda ainda ao vosso amor com ingratidão; esclarecei-me e dai-me a força de vencer tudo para cumprir a vossa santa vontade. Atendei-me, vo-lo suplico pelos méritos de vossa paixão, na qual ponho toda a minha confiança.
Ó Maria, minha querida Mãe, socorrei-me: vós é que me tendes obtido todas as graças que tenho alcançado de Deus; eu vos agradeço; mas se me não continuardes a proteger continuarei a ser infiel como no passado.
Oblatus est, quia ipse voluit.
Foi oferecido porque ele mesmo quis (Is 53,7).
Desde o primeiro instante que o Verbo divino se viu feito homem e criança no seio de Maria, ofereceu-se sem reserva aos sofrimentos e à morte, para resgatar o mundo: Foi oferecido porque ele mesmo quis. Sabia que todos os sacrifícios de bodes e touros, oferecidos a Deus no passado, não podiam satisfazer pelos pecados dos homens, que só uma pessoa divina podia pagar o preço de sua redenção: Eis por que, escreve S. Paulo, desde sua entrada no mundo ele diz: Não quisestes hóstia nem oblação, mas me formastes um corpo... Então eu disse: Eis-me que venho. Meu Pai! todas as vítimas que vos foram oferecidas até agora, não foram suficientes e não podiam sê-lo para desarmar vossa justiça; destes-me este corpo passível a fim de que pela efusão do meu sangue eu vos aplaque e salve os homens. Eis-me pronto: Ecce venio; aceito tudo e me submeto em tudo à vossa santa vontade.
É certo que a parte inferior sentia repugnância; recusava-se naturalmente a viver e morrer no meio de tantos sofrimentos e opróbrios; mas a vitória coube a parte racional, que estava inteiramente submissa à vontade de Deus, e Jesus aceitou tudo, começando desde então a sofrer todas as angústias e dores que devia suportar no decorrer de sua vida. Eis o que fez por nós nosso divino Redentor desde o primeiro momento de sua entrada no mundo.
Mas nós, grande Deus, como nos temos portado para com Jesus, depois que, chegados ao uso da razão, começamos a conhecer pelas luzes da fé os santos mistérios da redenção? Quais foram os nossos pensamentos, as nossas ocupações? Que bens temos nós amado? Os prazeres, os divertimentos, o orgulho, a vingança, a sensualidade, eis os bens que prenderam os afetos do nosso coração. Mas, se temos fé, havemos enfim de mudar de conduta e amar outra coisa. Amemos um Deus, que tanto sofreu por nós. Ponhamos ante os nossos olhos as penas que o coração de Jesus suportou por nós desde a infância, e não poderemos amar outra coisa fora desse coração que nos amou tanto.
Senhor, quereis saber como me tenho comportado para convosco durante a minha vida? Desde que comecei a ter o uso da razão, comecei a desprezar a vossa graça e o vosso amor. Ah! vós o sabeis melhor do que eu; mas vós me tendes suportado, porque ainda me quereis bem. Eu vos fugia e vós não cessáveis de me perseguir chamando-me. O mesmo amor que vos fez descer do céu à procura das ovelhas perdidas, vos fez suportar as minhas infidelidades e não vos permitiu abandonar-me. Agora, meu Jesus, vós me buscais e eu também vos busco; sinto que vossa graça me assiste: ela me assiste inspirando-me uma viva dor de meus pecados, que detesto sobre todas as coisas; ela me assiste fazendo nascer em mim um grande desejo de vos amar e de vos agradar. Sim, Senhor, quero amar-vos e agradar-vos quanto posso. Temo, é verdade, devido à minha fragilidade e fraqueza que contraí por meus pecados; mas o meu temor cede à confiança que me vem da vossa graça e que, apoiando-se em vossos méritos, me enche de coragem e me faz dizer com o apóstolo: Tudo posso naquele que me conforta. Se sou fraco, vós me dareis força contra os meus inimigos; se sou enfermo, espero que vosso sangue será o meu remédio; se sou pecador espero que me tornareis santo. Reconheço que no passado vos perdi por ter deixado de recorrer a vós nos perigos; doravante, meu Salvador e minha esperança, estou resolvido a recorrer sempre a vós, e espero de vós todos os socorros necessários e todos os bens. Amo-vos sobre todas as coisas e quero amar a vós só; ajudai-me por piedade, pelo mérito de tantas penas suportadas por mim desde a vossa infância — Padre eterno, pelo amor de Jesus Cristo, permiti que vos ame. Se vos irritei, aplaquem-vos as lágrimas de Jesus Menino, que vos pede por mim: Olhai para a face do vosso Cristo. Sou indigno das vossas graças, mas vosso Filho inocente as merece por mim, ele que vos oferece uma vida de sofrimentos afim de que tenhais misericórdia de mim.
E vós, ó Maria, Mãe de misericórdia, não cesseis de interceder por mim. Sabeis quanto confio em vós, e eu sei que não abandonais quem a vós recorre.
Factus sum sicut homo sine adjutorio, inter mortuos liber.
Tornei-me como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos (Salm. 87,5).
Considera os sofrimentos de Jesus Cristo no seio de sua Mãe, onde esteve como numa prisão, durante nove meses. É verdade que as outras crianças se acham no mesmo estado, mas não lhe sentem os incômodos, porque os não conhecem. Jesus, ao contrário, tinha pleno conhecimento deles, pois desde o primeiro instante de sua vida, teve o perfeito uso da razão: Possuía os sentidos e não podia servir-se deles; tinha olhos e não podia ver; tinha língua e não podia falar; tinha mãos e não podia estendê-las; tinha pés e não podia andar, de sorte que durante nove meses teve de ficar no seio de Maria como um morto encerrado num sepulcro: Como um homem sem socorro, abandonado entre os mortos. Era livre, porque voluntariamente se fizera prisioneiro de amor naquele cárcere; mas o amor o privava da liberdade e lá o conservava tão estreitamente preso, que não podia mover-se: ele era livre, porém, entre os mortos. Ó paciência do Salvador! exclama S. Ambrósio ao considerar os sofrimentos de Jesus no seio de Maria.
O seio de Maria foi, pois, para o nosso Redentor uma prisão voluntária, porque era uma prisão de amor; não foi, todavia, uma prisão de injustiça: Jesus era inocente, mas se oferecera para pagar as nossas dívidas e expiar as nossas iniquidades. É pois com razão que a divina justiça o conservou assim encerrado, começando a exigir por esta primeira pena a satisfação que lhe era devida.
Eis a que se reduz o Filho de Deus por amor dos homens: priva-se de sua liberdade e se coloca em cadeias para livrar-nos das cadeias do inferno. E nós poderíamos sem injustiça não corresponder com gratidão e amor à bondade daquele que, sem estar a isso obrigado, mas por puro afeto para conosco, se fez nossa caução e nosso libertador, que se ofereceu para pagar nossas dívidas e de fato as pagou com sua vida divina, e se carregou das penas devidas aos nossos crimes? Não te esqueças, diz o Sábio, do benefício que te fez o que ficou por teu fiador, porque ele expôs a sua vida por ti.
Sim, meu Jesus, o vosso profeta tem razão de advertir-me a não esquecer a graça inapreciável que me fizestes. Eu era o devedor, o culpado; e vós inocente, vós, o meu Deus, quisestes expiar minhas faltas com vossas dores e com a vossa morte. Mas eu, depois disso, esqueci os vossos benefícios e o vosso amor e tive a audácia de voltar-vos as costas, como se não fôsseis o meu soberano Senhor, e um Senhor que me amou tanto! Mas, meu caro Redentor, se no passado fui ingrato, estou resolvido a não cometer mais a mesma falta: os vossos sofrimentos e a vossa morte serão o objeto contínuo dos meus pensamentos; recordar-me-ão sem cessar o amor que me tendes. Maldigo esses dias em que, esquecido do que sofrestes por mim, fiz uso tão mau da minha liberdade; vós ma destes para eu vos amar, e dela me servi para vos ultrajar! Mas hoje, consagro-vos inteiramente essa liberdade que recebi de vós. Por favor, Senhor, preservai-me da desgraça de me ver outra vez separado de vós e caído na escravidão de Lúcifer. Prendei minha pobre alma aos vossos sagrados pés pelas cadeias do vosso amor a fim de que se não separe jamais de vós. — Padre eterno, pelo cativeiro de Jesus no seio de Maria, livrai-me das cadeias do pecado e do inferno.
E vós, ó Mãe de Deus, socorrei-me. Tendes o Filho do Altíssimo encerrado em vosso seio e estreitamente unido a vós: já que Jesus é vosso prisioneiro, fará o que lhe disserdes. Ah! dizei-lhe que me perdoe, dizei-lhe que me torne santo. Ajudai-me, minha Mãe, eu vos conjuro pela graça e honra que Jesus Cristo vos fez de habitar nove meses em vós.
In propria venit, et sui eum non receperunt.
Veio para o que era seu, e os seus o não receberam (Jo 1, 11).
Um dia, durante as festas do Natal, S. Francisco de Assis andava chorando e suspirando pelos caminhos e florestas, e parecia inconsolável. Perguntaram-lhe a causa de sua dor e ele respondeu: "Como quereis que eu não chore, vendo que o amor não é amado? Vejo um Deus amar o homem até a loucura, e o homem ser tão ingrato a esse Deus!" Se a ingratidão dos homens afligia tanto o coração de S. Francisco, imaginemo-nos quanto mais afligiu o coração de Jesus Cristo.
Apenas concebido no seio de Maria, ele viu a cruel ingratidão, que devia receber dos homens. Viera do céu para acender na terra o fogo do amor divino; esse único motivo o levou a deixar-se imergir num abismo de dores e opróbrios: Vim trazer o fogo sobre a terra, e que quero senão que se inflame? E via um abismo de pecados que os homens iriam cometer depois de receberem tantas provas de seu amor! Eis, diz S. Bernardino de Sena, o que lhe causou uma dor infinita.
Nós mesmos sentimos pena insuportável vendo-nos tratados com ingratidão; é que, segundo a reflexão do bem-aventurado Simão de Cássia, muitas vezes a ingratidão aflige mais a nossa alma do que qualquer outra dor ao corpo. Qual não foi pois a dor de Jesus Cristo, nosso Deus, ao ver que corresponderíamos a seus benefícios e amor com ofensas e injúrias! Ele se queixou pela boca de Davi: Deram-me males em troca de bens, e ódio em troca do amor que eu lhes tinha; mas também hoje em dia parece que Jesus Cristo se lamenta: Sou como um estranho no meio de meus irmãos, por ver um grande número deles viver sem o amar e sem o conhecer, como se os não houvera beneficiado, e como se nada houvera sofrido por amor deles. Ah! que caso fazem hoje muitos cristãos do amor de Jesus Cristo? Nosso Senhor apareceu um dia ao bem-aventurado Henrique Suso sob a forma dum peregrino a mendigar de porta em porta um abrigo; mas todos o repeliam injuriando-o grosseiramente. Quantos se parecem com aqueles de que falava Jó: Diziam a Deus: Retirai-vos de nós...; E isso depois que enchera suas casas de toda a sorte de bens.
No passado, também nós fomos ingratos; queremos ainda continuar a sê-lo? Oh! não: esse amável Menino, que do céu veio sofrer e morrer por nós para obter o nosso amor, não merece tal ingratidão.
É pois verdade, meu Jesus, que descestes do céu para vos fazer amar de mim; viestes abraçar uma vida de penas e a morte da cruz por meu amor, a fim de abrir-vos a entrada do meu coração; e eu vos repeli tantas vezes dizendo: Recede a me, Domine: Retirai-vos de mim, Senhor; não vos quero! —Ah! se não fôsseis um Deus de bondade infinita, e se não tivésseis dado a vossa vida para perdoar-me, não ousaria pedir-vos perdão. Mas ouço que vós mesmo me ofereceis a paz: Convertei-vos a mim, dizeis, e eu me converterei a vós. Pois bem, meu Jesus, vós a quem ofendi, vos fazeis meu intercessor. Não quero pois fazer-vos ainda a injúria de desconfiar da vossa misericórdia. Arrependo-me de toda a minha alma de vos haver ofendido e desprezado, o Bem supremo; recebei-me em vossa graça, conjuro-vos pelo sangue que derramastes por mim. Não, meu Redentor e meu Pai, não sou digno de ser chamado vosso filho depois de haver tantas vezes renunciado ao vosso amor; mas vós com os vossos méritos me tornais digno dele. Agradeço-vos, meu Pai, agradeço-vos e amo-vos. Ah! já a lembrança da paciência com que me suportastes tantos anos e das graças que me prodigalizastes após tantos ultrajes da minha parte, deveria fazer-me arder sem cessar de amor por vós. Vinde, pois, meu Jesus, não quero mais repelir-vos; vinde habitar em meu pobre coração. Amo-vos e quero amar-Vos sempre; inflamai-me cada vez mais recordando-me sempre o amor que me tivestes.
Minha Rainha e minha Mãe, ajudai-me, pedi a Jesus por mim: fazei que durante o resto da minha vida, eu seja grato para com esse Deus que tanto me tem amado mesmo depois de haver recebido de mim tantas ofensas.
Apparuit gratia Dei Salvatoris nostri omnibus hominibus, erudiens nos, ut... pie vivamus in hoc sæculo, expectans beatam spem et adventum gloriæ magni Dei et Salvatoris nostri Jesu Christi.
A graça de Deus nosso Salvador apareceu a todos os homens e nos ensinou a viver no século presente com piedade aguardando a beatitude que esperamos, e a vinda da glória de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo (Tt 2,11).
Considera que por essa graça de que aqui fala o apóstolo, entende-se o ardente amor de Jesus Cristo aos homens, amor que não merecemos e que por essa razão é chamada graça. Esse amor em Deus foi sempre o mesmo, mas não apareceu sempre. Foi, primeiramente, prometido por um grande número de profecias e anunciado por muitas figuras; mas apareceu manifestamente quando o Redentor nasceu, quando o Verbo eterno se mostrou aos homens sob a forma duma criancinha, reclinada sobre palha, chorando e tremendo de frio, começando assim a satisfazer pelas penas por nós merecidas, e fazendo-nos conhecer o afeto que nos tinha pelo sacrifício que fez de sua vida por nós. Nisto conhecemos o amor de Deus, diz S. João, em ter ele dado a sua Vida por nós.
Apareceu pois o amor do nosso Deus e apareceu a todos os homens: Omnibus hominibus. Mas por que não o conheceram todos, e, ainda hoje nem todos o conhecem? Eis como Jesus mesmo responde a essa pergunta: A luz veio ao mundo, e os homens preferiram as trevas à luz. Não o conheceram e não o conhecem porque não querem conhecê-lo, amando mais as trevas do pecado do que a luz da graça.
Procuremos não ser do número desses infelizes. Se no passado fechamos os olhos à luz pensando pouco no amor de Jesus Cristo, procuremos no resto da nossa vida não perder jamais de vista as dores e a morte de nosso Salvador, a fim de amarmos, como devemos, Aquele que tanto nos amou. Assim, teremos direito de esperar, segundo as divinas promessas, o belo paraíso que Jesus Cristo nos adquiriu com seu sangue: Esperando a beatitude, objeto de nossas esperanças e o glorioso advento de nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. No seu primeiro advento, Jesus veio sob a forma duma criança pobre e desprezada, nascida num estábulo, coberta de míseros paninhos e reclinada sobre palha; no segundo aparecerá como juiz sobre um trono glorioso. Eles verão o Filho do homem vir sobre as nuvens do céu, com grande poder e majestade. Feliz de quem o tiver amado! mas ai de quem o não tiver amado!
Ó santo Menino, vejo-vos hoje sobre a palha, pobre, aflito e abandonado; mas sei que um dia vireis, para julgar-me, num trono resplendente e cercado de anjos. Ah! perdoai-me antes desse dia terrível. Então, devereis agir como juiz rigoroso; mas hoje sois Redentor e Pai de misericórdia. Eu, ingrato, fui um dos que vos não conheceram, porque não quis conhecer-vos; eis por que em vez de pensar em amar-vos considerando o amor que me testemunhastes, só pensei em satisfazer-me desprezando vossa graça e vosso amor. Entrego agora nas vossas mãos a alma que perdi; salvai-a. Ponho em vós todas as minhas esperanças, sabendo que, para resgatar-me do inferno, destes o vosso sangue e a vossa vida: Redemisti me, Domine. Não me fizestes morrer quando estava em pecado, e esperastes-me com tanta paciência, a fim de que, caindo em mim e arrependido de vos haver ofendido, comece a amar-vos, e vós possais depois perdoar-me e salvar-me. Ó meu Jesus, quero corresponder a tanta bondade; arrependo-me sobre todas as coisas dos desgostos que vos dei; arrependo-me e amo-vos sobre todas as coisas. Salvai-me por vossa misericórdia, e a minha salvação consista em amar-vos sempre nesta vida e na eternidade.
Maria, minha querida Mãe, recomendai-me a vosso divino Filho. Dizei-lhe que sou vosso servo e que pus em vós a minha esperança; ele vos ouve e nada vos recusa.
Ascendit autem et Joseph... ut profiteretur cum Maria desponsata sibi uxore praegnante.
José foi também... para se recensear juntamente com sua esposa Maria que estava grávida (Lc 2,4).
Deus havia decretado que seu Filho nascesse não na casa de José, mas numa gruta, num estábulo, da maneira mais pobre e mais penosa que possa nascer uma criança; e por isso dispôs que César publicasse um edito pelo qual cada um era obrigado a ir inscrever-se no lugar de sua origem.
Ao receber essa ordem, José ficou inquieto não sabendo se devia deixar ou levar consigo a Virgem Mãe, pois ela estava para dar à luz. — Minha Esposa e Senhora, disse-lhe, de um lado não vos quero deixar só, e do outro, se vos levar comigo fico aflito pensando no muito que tereis de sofrer em tão longa viagem e tão rigorosa estação; minha pobreza não me permite conduzir-vos com os devidos cuidados. — Maria, porém, encorajou-o dizendo: Meu caro José, não temais; irei convosco e o Senhor nos ajudará. — Ela sabia por inspiração e pelo conhecimento que tinha da profecia de Miquéias, que o divino Menino devia nascer em Belém. Tomou, pois, as faixas e os pobres paninhos já preparados, e pôs-se a caminho com José: Ascendit autem et Joseph... ut profiteretur cum Maria.
Acompanhemos os santos esposos em sua viagem considerando as piedosas conversas que nessa viagem deviam ter tido sobre a misericórdia, a bondade, e o amor do Verbo divino, que iria logo nascer e aparecer no mundo para a salvação dos homens. Consideremos ainda os louvores e as bênçãos, as ações de graça, os atos de humildade e amor, que de caminho faziam esses dois nobres peregrinos. Ela sofria certamente muito, essa jovem e tenra virgem prestes a dar à luz, fazendo trajeto tão longo, por caminhos difíceis e no tempo do inverno; mas sofria em paz e com amor, e oferecia a Deus todas as suas penas unindo-as às de Jesus que levava em seu casto seio.
Ah! unamo-nos a Maria e a José, e acompanhemos com eles o Rei do céu, que vai nascer numa caverna e fazer sua primeira aparição no mundo como uma criança, e como a criança mais pobre e abandonada que jamais nasceu entre os homens. Peçamos a Jesus, Maria e José, pelos méritos das penas que sofrem nessa viagem, nos acompanhem na viagem que fazemos à eternidade. Felizes de nós, se na vida e na morte formos sempre acompanhados por esses três grandes personagens!
Meu caro Redentor, sei que os anjos do céu vos acompanham nessa viagem; mas entre os habitantes da terra, quais são os que vos acompanham? Vejo convosco só José e Maria que vos leva em seu seio; ó meu Jesus, permiti que me una a eles para vos seguir. Ah! tenho sido bem ingrato para convosco! Vejo agora o mal que fiz: descestes do céu para me fazer companhia na terra, e eu tive tantas vezes a ingratidão de deixar-vos, ofendendo-vos. Ó meu divino Mestre, quando penso que para seguir minhas malditas inclinações tantas vezes me separei de vós renunciando à vossa amizade, quisera morrer de dor. Mas viestes para perdoar-me; perdoai-me pois agora me arrependo de toda a minha alma de vos ter tantas vezes desprezado e abandonado. Estou resolvido e espero, com a vossa graça, não me afastar nem separar de vós, meu único amor! Sim, minha alma está tomada de amor por vós, meu amável Deus-Menino! Amo-vos, meu doce Salvador, e já que viestes à terra para me salvar e me comunicar as vossas graças, eis a única que vos peço: fazei que me não separe jamais de vós; cativai-me prendendo-me estreitamente a vós pelas doces cadeias do vosso santo amor. Ah! meu Redentor e meu Deus, quem poderia ainda deixar-vos e viver sem vós, privado da vossa graça?
Santíssima Virgem Maria, venho fazer-vos companhia em vossa viagem a Belém; e vós, minha Mãe, não cesseis de ajudar-me na viagem que faço à eternidade. Assisti-me sempre, mas sobretudo no fim da minha vida, quando eu chegar a esse último momento que deve decidir se estarei, ou sempre convosco para amar a Jesus no céu, ou sempre longe de vós para odiar a Jesus no inferno. Minha Rainha, salvai-me com vossa intercessão; e a minha salvação seja amar-vos para sempre, a Jesus e a vós, no tempo e na eternidade. Sois minha esperança, espero tudo de vós.
Retirado da página https://missatridentinaembrasilia.wordpress.com/
1º — Ó Jesus Cristo, Nosso Senhor, verdadeiro homem, Santo Deus, grande Deus, Deus imortal, tende piedade de nós e de todo o gênero humano. Purificai-nos, hoje e sempre, dos nossos pecados e das nossas fraquezas, pelo vosso Preciosíssimo Sangue, para que possamos viver em vossa santa paz e em vosso amor, agora e por todos os séculos dos séculos. Amém.
2º — Clementíssimo Jesus, só Vós sois a salvação, vida e ressurreição nossa. Pelo que Vos suplicamos, não nos abandoneis em nossas angústias e perturbações, mas pela agonia do vosso Santíssimo Coração e pelas dores de vossa Mãe Imaculada, socorrei aos vossos servos, que remistes pelo vosso Preciosíssimo Sangue. Amém.
Do profundo abismo em que me acho, clamo a Vós, Senhor! * Senhor, ouvi a minha voz.
Sejam vossos ouvidos atentos * à voz de minhas súplicas.
Se olhardes, Senhor, para as nossas iniquidades, * quem poderá, Senhor, subsistir em vossa presença?
Porém Vós sois cheio de misericórdia, * e eu espero em Vós, Senhor, por causa da vossa Lei.
Espera a minha alma no Senhor, * na sua palavra tem a minha alma confiança.
Espera assim todo Israel no Senhor, * desde a aurora até a noite.
Porque o Senhor é cheio de misericórdia, * e n’Ele se encontra copiosa redenção.
E Ele mesmo há de remir a Israel * de todas as iniquidades.
℣. O descanso eterno concedei-lhes, Senhor!
℟. E a luz perpétua as alumie. Amém.
Recitar o Pai-Nosso e a Ave-Maria.
De profundis clamavi ad te, Domine; * Domine, exaudi vocem meam.
Fiant aures tuæ intendentes * in vocem deprecationis meæ.
Si iniquitates observaveris, Domine, * Domine, quis sustinebit?
Quia apud te propitiatio est; * et propter legem tuam sustinui te, Domine.
Sustinuit anima mea in verbo ejus; * speravit anima mea in Domino.
A custodia matutina usque ad noctem, * speret Israel in Domino.
Quia apud Dominum misericordia, * et copiosa apud eum redemptio.
Et ipse redimet Israel * ex omnibus iniquitatibus ejus.
℣. Requiem æternam dona eis, Domine.
℟. Et lux perpetua luceat eis. Amen.

– Eu meditar?!
– E por que não? Meditar é conversar com Deus, é refletir sobre as verdades da Santa Religião, é conhecer-se mais a si mesmo, é tomar boas resoluções, é antecipar a ocupação celestial, e isto te poderá ser alheio?
– Mas é costume só de clérigos e religiosos.
– De fato, é costume, porque os sacerdotes e os religiosos prezam realmente a garantia de sua salvação eterna e seu progresso espiritual. Se, porém, eles, afastados dos perigos do mundo, julgam necessária a meditação, quanto mais indispensável se torna ela aos seculares, tão expostos ao esquecimento dos deveres cristãos!
– Mas não é uso fazer meditações.
– Sim, não é uso geral. Quem estranhará isto? Não disse Jesus: “Muitos são chamados, mas poucos serão escolhidos”? Quem seguir as máximas e os costumes do mundo, verá um dia, com grande susto, que não caminhou no trilho estreito que leva ao céu, e sim na estrada larga que desemboca na eterna perdição.
– A meditação parece coisa dispensável.
– Pelo contrário. O céu não é fruto que por si caia na boca de quem o quer. para empregar séria e constantemente os meios de salvação da alma, é preciso muita e muita reflexão, que faça compenetrar-se da indiscutível verdade: Só uma coisa é necessária!
– Ainda que quisesse meditar, falta-me tempo.
– É sério? Deus acaso foi injusto contigo, não te concedendo o tempo para te salvares? Oxalá que francamente confessasses que só para a meditação e outras obras de piedade te falta tempo; que este não falta para o descanso, o recreio, a diversão, a satisfação da própria vontade e, às vezes, o pecado. Ninguém te pede negligenciar trabalhos e obrigações; antes, a meditação, ainda que feita só por minutos, te fará ser mais pontual no cumprimento de todos os deveres.
– Mas não posso; falta-me a prática, ocorrem-me mil distrações.
– Deus exigirá de ti o que não podes? Ao filho amoroso não custa pensar no pai, e tu serias incapaz de conversar com Deus? Pensar em seus benefícios, na encarnação, vida e morte de Jesus? Nos últimos momentos que te esperam: morte, juízo, inferno ou céu? – Não te assustem as distrações. O demônio não se oporia ao que te traz vantagens inestimáveis?… Para que Deus te ajude e conforma-te com sua santa vontade, quer te deixe saborear as doçuras de sua presença, quer te prove por aparente desamparo.
– E como poderei meditar?
– Se não preferes outro método, poderá servir-te o seguinte:
1. A Preparação
a) Põe-te vivamente na presença de Deus, teu Criador e Pai, Salvador e Juiz.
b) Invoca com humildade e fervor o Espírito Santo.
c) Faze atentamente a respectiva leitura.
2. A Meditação
a) Procura afundar-te nas verdades apresentadas, conhece o que te falta, e compara o seu proceder com o de Jesus e dos Santos.
b) Afetos salutares serão a consequência natural do precedente exercício; arrepende-te do passado, aspira a esta ou àquela virtude, aumenta o justificado receio do inferno, o desejo do céu e a confiança na divina misericórdia. É útil te demorares nesses afetos.
c) Faze poucos, mas bem determinados propósitos.
3. A Conclusão
a) Agradece a Deus, que se dignou falar a teu coração.
b) Oferece-lhe tua vida, corpo e alma.
c) Pede seu auxílio para executares os propósitos e implora a intercessão de Nossa Senhora, do Anjo da Guarda e dos Santos.
– Achas difícil tudo isto? Experimenta; a prática te ensinará. Um ignorante, dotado de boa vontade, conseguirá fazer meditações mais úteis do que os instruídos que em si mesmos confiarem.
Medita, e viverás!
As meditações deste livrinho não são todas minhas. Servi-me, entre outras, das meditações de Nicoláu Avancino, S. J., de M. Hamon e dos “Gedanken und Ratschlaege” de A. Doss., S. J., dando-lhes a forma que julguei conveniente adotar. Esforcei-me para reunir nas poucas linhas de cada meditação os pensamentos precisos para que não falte assunto a uma reflexão de 20 – 30 minutos e que a mesma meditação convenientemente desenvolvida, possa servir também para singelas práticas.
Faço votos para que este modesto opúsculo não seja de todo inútil, até que por outros, mais competentes que eu, forem publicadas meditações que mais correspondem à beleza e grandeza de nossa Santa Religião.
1 de janeiro
1. a) “Bons anos!” é o que hoje, provavelmente, te desejam. Mas, por mais que to desejem, o Ano Bom pode vir a revelar-se mau, e não te aproveitará, se ao fim do mesmo não fores mais virtuoso e mais rico em méritos para o céu. Amas hoje mais a Deus, e estás lhe servindo melhor, do que há um ano? Até quando tardarás? Por que deixas para amanhã o que podes fazer hoje? O tempo voa… Mãos à obra! Faze com que o novo ano ainda te dê prazer, quando todo este mundo já não existir mais…
b) Teu Salvador derramou hoje seu primeiro sangue, oferecendo-o por ti, para satisfazer por tuas culpas. Será justamente Ele, a quem pagarás com ingratidão?… O inocente carregou-se de teus pecados. Aumentar-lhe-ás o peso? Foi, ou não, por ti este prolegomeno sanguinolento da tragédia do Calvário?
2. Pela circuncisão os judeus tornavam-se filhos de Abraão e herdeiros das promessas a ele feitas. Pelo Batismo Deus te adotou como seu filho e herdeiro de seu reino celestial. Quanta glória, quanta distinção para ti; quanto amor por parte de Deus! É tua vida a dum filho de Deus? Assemelha-se ela com a de Jesus?Ele obediente, humilde, casto, e tu?… Se é grande tua dignidade cristã, grande também é tua responsabilidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 15)
2 de janeiro
1. a) “Dar-lhes-às o nome de Jesus”. Tão santo é o nome do Salvador que ante Ele “se dobram os joelhos dos que estão nos céus, na terra e nos infernos“. A Igreja ordenou a seus ministros se descobrirem, e inclinarem a cabeça ao pronunciarem tão venerado nome. Qual o respeito em que tens este Santo Nome?
b) É sem mérito próprio que filhos herdam um grande nome paterno. Jesus, porém, mereceu esse nome, que significa “Salvador“, porque com amor infinito se deu em sacrifício por ti: de modo cruento sob o cutelo no Templo, e, mais tarde, no lenho da cruz, e de modo incruento no sacrifício da Missa.
2. Teu nome mais dignificante e belo é o de cristão. Deste nome podes e deves gloriar-te; mostra-te digno dele. Títulos deste mundo nada te aproveitarão na morte, enquanto o nome de cristão, naquela hora, te consolará. Filho de Deus, tens a dita e a distinçao inefável de ser irmão de Jesus. Seus inimigos, os pecados, devem ser os teus; suas virtudes, as tuas. Só assim Ele te confessará perante seu Pai ue está no céu. Segue-o ao Calvário, e segui-Lo-ás em sua glória.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 16)
3 de janeiro
1. A devota invocação do Santíssimo Nome de Jesus equivale a uma oração inteira. Com esse nome os apóstolos fizeram estupendos milagres, os mártires triunfaram, os confessores venceram as carícias do mundo, fracas virgens tornaram-se fortes e insuperáveis.
“Tudo que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo dará”
Tens confiança? Como a Igreja, termina todas as tuas orações: “por Nosso Senhor Jesus Cristo“; chama por Jesus em horas de tristeza e de alegria, de consolo e de tentação. Seja-te familiar esta invocação na vida e o será na morte.
2. a) O divino Infante recebeu seu honroso nome, ao incorporar-se humildemente, pela circuncisão, no número dos pecadores. Admira e imita-lhe a humildade. Escuta a sua voz:
“Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”
E tu, que és?
b) Jesus recebeu seu Santo Nome, ao sujeitar-se à lei, da qual, como legislador, estava isento. Tu deves obediência a Deus e a seus representantes. És, a esse respeito, verdadeiro irmão de Jesus? O bendito nome de Jesus é para Ele também a recompensa do primeiro e doloroso derramamento de sangue na circuncisão. O discípulo não é superior ao seu mestre.
Foges à cruz ou a abraças? O amor de Deus é verificado pelos sofrimentos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 17)
4 de janeiro
1. A Santíssima Virgem e seu esposo bem sabiam que não estavam obrigados a levar o Menino Jesus, Filho de Deus, à penosa circuncisão, que tanto repugnava a seus sentimentos compassivos. Apesar disso não tardaram em sujeitá-lo às dores da cerimônia prescrita pela lei, preferindo a obediência perfeita ao amor natural. Sublime e meritório sacrifício! Obedeces também quando a obediência reclama sacrifícios?
2. Jesus, dotado desde logo do uso da razão, sujeita seu inocente corpo a graves mortificações e sofrimentos. Se pretendes desapegar teu coração do excessivo amor próprio, nega-lhe às vezes o que é lícito, para lhe negares mais facilmente o que é proibido. Ama a mortificação; odeia tua carne na terra, para salvá-la juntamente com a alma. Sê engenhoso em descobrir mais e mais ocasiões de te venceres e de ganhar muito para a eternidade. Vê como procederam os Santos; haverá um deles que hoje, na glória eterna, se arrependa da vida rigorosa que levou na terra? Um dia, quando estiveres na eternidade, a vida presente te parecerá imensamente pequenina e insignificante. Tira as consequências.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 18)
5 de janeiro
1. Sabes quanto deves ao divino Menino no presépio? Foi Ele que transformou a face do mundo. Antes se desconhecia a Deus; prestou-se adoração ao sol, a animais, a imagens. Tanto caiu o homem!
Os governantes abusaram do seu poder. O lar era profanado. A mulher estava entregue à crueldade e à volúpia dos que a disputavam.
Entre a abundância e a pobreza, entre a opulência e a miséria não havia ponte. Asilos para pobres, velhos, doentes e órfãos, não se conheciam.
E hoje?… Jesus é o Salvador!
Não sejas ingrato!
2. a) Com Jesus, o lar e a comunidade são um santuário; sem Ele, um inferno. Com Jesus, reinam a paz e a fidelidade; sem Ele, a perturbação e o vício.
b) Jesus te seja mais que a pátria:
“Deve-se obedecer mais a Deus do que aos homens”
Jesus te seja mais que teus progenitores e irmãos:
“Quem ama seu pai e sua mãe mais que a mim, não é digno de mim”
Jesus te seja mais que tua própria pessoa:
“Se teu olho te escandalizar, arranca-o”
Notam-se, em tua vida quotidiana, estas máximas?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 19)
6 de janeiro
1. a) O brilho desusado duma estrela, singular fenômeno predito, anuncia aos magos o nascimento do Messias.
Deixaram tudo; família e pátria, negócios e interesses, comodidades e ocupações. Puseram-se em caminho desconhecido, tendo por guia a estrela. Quanta fé!… Qual estrela certa chama-te a palavra de Jesus Cristo e a da Igreja. Obedeces?
b) Muitos viram a estrela, poucos por ela se deixaram guiar.
“Muitos são os chamados e poucos os escolhidos”
“Larga é a estrada para a perdição e muitos nela andam; estreito é o trilho para o céu, e poucos nele caminham”
Sê prudente!
2. Tão pequeno é o divino Infante e já atrai por seu poder os Magos. Tão humilde jaz no presépio, e uma estrela o anuncia. Tão fraco parece, e já faz tremer ao ímpio Herodes, assentado em trono soberbo. Quanto poder e majestade por Ele escondidos!
Se tens formosura, saber, talento, não te glories disto! Reconhece grato o que Deus te deu, mas dá a honra a quem ela unicamente compete.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 20)
7 de janeiro
1. a) Os santos reis não vieram de mãos vazias. Para dar expressão aos sentimentos de respeito e amor que lhes iam n’alma, ofereceram ricos e dignos presentes. Recebes constantemente de Deus: nunca lhe queres retribuir?
b) Os magos oferecem ouro, como mimo de insigne valor. Jesus te deu na terra o mimo da verdadeira fé e dará depois o da eterna bem-aventurança. Deus sempre excede nossa generosidade.
“Pouco prometemos, diz São Francisco, mais nos foi prometido”
2. a) Ainda hoje Jesus pode ser encontrado e presenteado.
“O que fazeis a um destes meus irmãos mais pobres, a mim o fazeis”
Esmola não é só a moeda que se oferece ao indigente, é o consolo dado ao aflito, o olhar amigo a quem carece de animação, a instrução facultada aos ignorantes, o bom conselho dado aos que erram, a oração feita por vivos e mortos. Por tudo Deus paga o cêntuplo. Quantas ocasiões por dia!
b) São até mais meritórias estas obras de caridade dispensadas aos nossos irmãos, do que se fossem feitas à própria pessoa de Jesus, porque nelas sobrevém ainda o mérito da fé. Nunca repeles a Jesus na pessoa de teu próximo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 21)
8 de janeiro
1. Guiados por singular estrela, os Magos acharam o Messias num presépio. Foi sujeita a sua fé à mais dura provação. Tudo é pobre e humilde na morada do recém-nascido. Será Ele o Rei tão procurado? Nada se revela de sobrenatural, nada de milagroso que faça distinguir a jovem mãe das outras mães. Não obstante, prostrando-se, eles adoram o Menino! Oferecem-lhe incenso que só à divindade se costuma oferecer, reconhecendo-o assim por Deus. Fé vigorosa!
2. a) Aos nossos olhos esconde Jesus, na Santa Hóstia, além da Divindade, também sua Humanidade. A estrela que nos anuncia sua real presença é a palavra:
“Este é o meu corpo”
Mais crédito do que à estrela, deves à palavra de Jesus, pois, “céus e terra passarão, mas minha palavra jamais passará”.
b) Os Magos se prostraram humildes, reverentes, amorosos. Como é teu proceder quanto a Jesus Sacramentado? Quantas visitas lhe fazes? O que trazes para lhe oferecer?Transparece sempre tua fé de tua conduta?Achas longo e penoso o caminho à Igreja? Quanto, neste caso, o procedimento dos Magos deverá confundir-te!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 22)
9 de janeiro
1. a) Qual coroa de flores para uma câmara mortuária, os Magos deram a Jesus mirra, destinada ao embalsamento do corpo, quando morto.
Presépio e cruz, quantas relações! Aqui, Jesus, sofrendo, começa; lá, termina a obra da salvação. Como o princípio e o fim, assim sua vida toda era penetrada pela mirra do sofrimento. Sofreu por ti; e tu?
b) Jesus continua a expor-se a ultrajes no Tabernáculo. Ousarás ainda queixar-te de desgostos e incômodos?
“O discípulo não está acima de seu mestre”
2. a) “Tanto progredirás na virtude quanto te vencerás”. Resignadamente sofrendo, provas teu amor a Deus, expias pecados, enriqueces-te de méritos, assemelhas-te a Jesus. Por maior ingratidão, injúria ou dor que sofras, a cruz do Salvador era mais pesada. Julgas sofrer sem o merecer? Inocente em um ponto, não o és em muitos outros.
b) Amor verdadeiro é aquele que procura a cruz, tirando-a dos ombros de Jesus, que vai adiante. Não passem, pois, infrutuosamente as ocasiões quotidianas de mortificar olhos e ouvidos, paladar e língua, de vencer loquacidades, tristezas, impetuosidade e caprichos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 23)
10 de janeiro
1. a) Além dos acidentes da penosa viagem e longa ausência, os Magos arriscaram sua fama de sábios e prudentes, quando seguiram a estrela muda e inanimada. Os primeiros representantes do paganismo tiveram de fazer sacrifícios pela graça da vocação que tu recebeste gratuitamente. Corresponde tua gratidão à grandeza do benefício?
b) Os Magos cooperam com a graça; Herodes, obstinado, a despreza. Os sacramentos e as graças da mesma Igreja a uns salvam, a outros aumentam a responsabilidade. De que lado estás tu?
O lugar à direita de Jesus, no último juízo, não te será concedido, se não o mereceres.
2. Foram mortos os apóstolos antes de poderem cumprir a palavra de Jesus:
“Ide, e ensinai todos os povos”
Almas zelosas continuam sua obra, umas levantando, recolhidas em santuários, súplices, as mãos aos céus; outras deixando tudo para pregar o evangelho, tratar doentes e ensinar aos ignorantes. Por dois meios poderosos são ajudados os apóstolos de hoje: esmolas e orações; uma e outra são necessárias. Ajudas também aos que assumiram a parte mais penosa?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 24)
11 de janeiro
1. a) “E o rei Herodes, ouvindo isto, se turbou, e toda Jerusalém com ele. Herodes receou por seu poder temporal; Jerusalém, por sua tranquilidade”. Quem serve ao mundo, nunca está tranquilo.
“Nosso coração – diz Santo Agostinho – está inquieto, ó Deus, até que repouse em ti”
Por que não te aproveitas dessa experiência? Quererás adiar tudo para quando talvez for tarde?
b) O amor excessivo à terra levou Herodes à hipocrisia e ao crime. A estrada do mal é declive e leva ao abismo. Andando nela, volta enquanto ainda é tempo.
2. a) Deus confia poder e fortuna, talento e saber, boa saúde e outros dons, para o exercício do bem e como meios de ganhar méritos eternos. Um dia pedirá conta rigorosa. Pensa-o bem.
b) Não é suficiente não fazer mal. Deus exige positivamente boas obras.
Achará em ti o que recompensar?
A quem deu um talento, pedirá um.
A quem confiou mais, exigirá outros tantos! Quantos lhe poderias apresentar, se agora ajustasse contas?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 25)
12 de janeiro
1. “Acharam o Menino com Maria, sua Mãe”. Onde está Jesus, aí está Maria, e onde ela, aí Jesus. É próprio da natureza humana servir-se de medianeiros. Quem está mais nas condições de ser medianeiro do que a Mãe de Jesus? Nós só teríamos de apresentar nossa fraqueza; ela, porém, poderá fazer valer sua autoridade maternal. Filha de Deus Padre, Mãe de Jesus, Esposa do Espírito Santo, Rainha do céu, refúgio dos pecadores, – quantos títulos que se impõem e que a recomendam à tua confiança!
2. a) Jesus quer que a escolhamos por nossa medianeira.
“Eis tua mãe!”
Todo o bom filho vela pela honra de sua mãe; quanto mais Jesus o fará em relação a Maria! Respeitas, veneras e invocas a Maria quanto deves?
b) Ser filho de Maria seja tua aspiração constante. Sê digno de tua Mãe! Mais agradável é a Maria um imitador de suas virtudes, do que um apologista ocioso. Quanto mais te tornares semelhante a Maria, mais honra lhe farás.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 26)
13 de janeiro
1. “Prostrando-se o adoraram“. Os Magos deram a conhecer sua fé, seu respeito, seu amor, prostrando-se por terra. Ainda que valham mais as disposições internas, não deve ser desprezado o culto externo. A falta de reverência externa é prova de fraqueza da fé e de coração frio. A Deus quererás negar o que reclamam os altos personagens da terra? O que tu mesmo exiges para ti?
Como costumas dobrar os joelhos, persignar-te e fazer as demais cerimônias em uso comum?
2. a) Os Magos retiraram-se do presépio, dando execução às santas deliberações ali tomadas. Prova-o sua vida, daí em diante toda santa, coroada com a palma do martírio. Como te retiras do colóquio com Deus, como da Santa Comunhão? Como procedes depois?
b) Não é a abundância de bons propósitos que te fará progredir, mas antes a fiel execução do necessário. Altíssimo valor tem a fidelidade no mínimo, palavra odiosa aos negligentes, doce aos zelosos. Poucas são as ocasiões para a prática de obras grandes que chamam a atenção, constantes as ocasiões para excitar o amor de Deus em coisas pequenas. A reflexão as mostrará.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 27)
14 de janeiro
1. A desumanidade de Herodes, ordenando a morte dos meninos recém-nascidos, ameaçou a vida de Jesus. Até para os mais santos a terra é um vale de lágrimas. A Providência Divina permite que todos sofram: uns mais, outros menos. É lícito, às vezes mesmo necessário, reagir dentro da lei de Deus, mas quanto maior a conformidade com a vontade de Nosso Senhor, tanto menos o sofrimento se fará sentir, e tanto maior será o mérito.
Se Jesus, a inocência em pessoa, e ainda criança, é exposto a injustas perseguições, como ousarás queixar-te de incômodos e desgostos?
2. São José, ainda que de extraordinária virtude, todavia é a menos notável das pessoas a Santíssima Família. Não obstante, é a ele que o anjo transmite a ordem de Deus:
“Levanta-te e toma contigo o Menino e sua Mãe e foge para o Egito”
Jesus e Maria sujeitam-se ao chefe da família, posto que o excedam em santidade. Seja, ou não, a autoridade mais digna do que tu, ela representa Deus, que exige pronta obediência. Vendo nela semelhantes, a obediência tornar-se-á custosa e até insuportável; respeitando nela Deus, a sujeição será fácil.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 28)
15 de janeiro
1. Que requintada malícia a de Herodes: perseguir a quem veio salvá-lo! Que perversidade, perseguir a quem é ainda criança!
Que extrema humilhação para Jesus, fugir duma criatura sua! Não obstante, Jesus foge; foge, apesar de ter mil outros recursos.
Maria, sua Mãe, reza de novo:
“Faça-se em mim segundo a vossa palavra”
São José levanta-se e foge, sem pedir explicação nem apresentar a menor objeção. Quantos exercícios de virtude numa única ocasião! E tu?
2. Longos anos durou a provação. Os que mais direito tinham à proteção divina, mais sofreram. A quem Deus ama, a este castiga. Quão fraco deves ser, se Deus não te prova mais! Já longos anos conta tua vida e ainda não sofreste tanto quanto Jesus em sua infância. E queixas-te… Do tempo… Dum incômodo… Duma palavra brusca… De reveses da fortuna… De tudo… Do próprio Deus! A cruz dos sofrimentos é um mistério. Pede a Deus que te faça conhecê-lo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 29)
16 de janeiro
1. Jesus no presépio é objeto de inefável assombro. O Criador é alimentado e enfaixado por usa criatura. O Verbo eterno não fala, soltando apenas os vagidos próprios duma criança. Quem sustenta o mundo, tem os bracinhos fracos, as perninhas vacilantes. A Sabedoria incriada parece ignorante; a Onipotência divina – inerme; a Autoridade suprema – de extrema dependência. Poderá haver maior humildade?… Durante longos anos? E por quem tudo isso? Não te impõe deveres sagrados a gratidão?
2. Jesus, no presépio, trabalha por nossa salvação. Ligado com as faixas, apresenta-se vítima ao Pai. Reza; ao oitavo dia derrama seu sangue na circuncisão; sujeita-se à humilhante fuga para um país distante e de língua e costumes diferentes. Não satisfeito com estes sacrifícios, estende-se seu zelo, seu amor, sua satisfação por todos os países e por todos os séculos. Se Jesus tivesse vindo revestido de sua divina majestade, talvez tivesse inspirado temor. Vem, porém, criança, para que o amem. Passarás indiferente diante de tantas provas reais de amor?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 30)
17 de janeiro
1. Jesus é todo amor. No Sinai, entre relâmpagos e trovões, foi promulgada a lei do Altíssimo; em Belém, coros angélicos anunciaram a paz a todos que tem boa vontade. Na antiga lei, mesmo aos sacerdotes era vedado entrar no santuário interior; na nova, os pastores são convidados pelos próprios anjos a visitarem o Menino Deus. Na antiguidade, Jeová era Deus de majestade tremenda; no Novo Testamento, Jesus anda com os pecadores e convida:
“Vinde a mim vós todos, que andais carregados e aflitos, consolar-vos-ei”
2. a) Viveram santamente os justos da antiga lei, mas não tiveram entrada no céu, senão depois da salvação por Jesus. Que condições melhores as de hoje! Já lhas agradeceste? Suficientemente?
b) Desde que Jesus veio à terra, continuou a estar em nosso meio. O tabernáculo é novo presépio, é outro Nazaré, é mais um Calvário, imita o fervor dos pastores, dos santos reis e de todos os outros que seguiram a Jesus, seu e teu Salvador.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 31)
18 de janeiro
1. Jesus despreza a glória e o bem-estar humano. Nasceu à noite, ao reinar silêncio e não havendo sinal algum de esplendor mundano. Sua vinda é anunciada a pobres camponeses. Ele tem comum sua morada com animais. Dispensa a visita dos grandes da capital, que, ao menos, desde a viagem dos Magos, sabiam de seu nascimento. O Salvador, a quem a humanidade estava obrigada a render homenagem, continuou a ficar escondido 40 dias na lapa de Belém, morada indigna do mais pobre.
Muito vale aos olhos de Deus o desprezo do mundo, de suas glórias e comodidades. Como procedes a esse respeito?
2. Deus, que exalta os humildes, recebeu em primeiro lugar a visita dos pastores. Os magos só depois vieram adorar o Deus Infante e prestar-lhe as devidas homenagens. Jesus recebeu presentes que corresponderam à riqueza e à posição social de seus visitantes. Todavia não usou deles para melhorar suas condições na lapa ou para se impor, pela riqueza terrestre, aos que, devido à sua pobreza, o desprezavam. Continuou modesto, humilde e pobre. Assemelhas-te a teu Mestre? É o que, um dia desejarás ardentemente.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 32)
19 de janeiro
1. “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”
Isto já diz o divino Infante desde o presépio. Deus se humilha ao ponto de vestir-se com a nossa carne. E mais. Aceitando um corpo humano, escolheu o que dos homens é mais desprezado: por mãe – uma virgem pobre; por pai nutrício – um humilde artista; por casa – uma estrebaria; por berço – um presépio; por vestes – pobres faixas. Escondeu sua majestade, seu poder, sua sabedoria e as demais qualidades divinas. Que contraste entre Jesus e teu modo de ver e de agir!
2. a) A humildade é o fundamento indispensável ao céu e à terra. Ela torna agradável ao céu e à terra. Não se jacta, não fala sempre de si, não aspira honras e distinções, não se confunde quando censurada, sofre resignadamente injustiças, cala-se e imita a Jesus, que até ao traidor lavou os pés.
b) O humilde não se julga fora de perigo de cair tanto quanto os outros caíram; mas confia no socorro de Deus e implora-o constantemente.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 33)
20 de janeiro
1. a) Jesus, que no céu não pode achar a pobreza, procurou-a e encontrou-a na terra. Vê tu sua morada, seu duro presépio, o bafejo dos animais que aquece seus membros frios. Quase tudo que se tem por necessário lhe falta, e o pouco que tem não podia ser pior. O estábulo aberto não pôde abrigá-lo contra o frio, a umidade e a tempestade.
b) Só os bens eternos tem valor.
“Bem-aventurados os pobres em espírito”
Estes pobres não são os que nada tem, mas aqueles cujo coração não está apegado aos bens da terra. Pertences, como é indispensável, a estes pobres?
2. a) Por maior que fosse a sua pobreza, Jesus jamais se queixou. Sofreu com resignação o frio; a extrema indigência, as dores da circuncisão, a cruel certeza de que para muitos sofria debalde, e tudo mais. Se o médico sofre tanto e com tamanha paciência, o que não cumpre ao doente, a ti, sofrer?
b) Jesus sofre, sem o merecer, e como Ele sofrem os santos. Não tens nada a expiar, a satisfazer? Só pela cruz te tornarás semelhante a teu Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 34)
21 de janeiro
1. a) Jesus, Deus como seu Pai, obedece às suas criaturas. O Cordeiro imaculado sujeita-se não só a Maria e a São José, mas até a pecadores. Veio para cumprir não só sua própria vontade, mas a de seu Pai celestial. E tu?…
b) Como Jesus obedeceu na infância, assim durante toda a vida. Sujeitou-se no Egito, em Nazaré, na vida pública, na paixão, na morte, e ainda hoje no Santíssimo Sacramento.
“Foi obediente até à morte”
E tu?…
2. a) Cumprir simplesmente uma ordem não equivale a ter virtude da obediência. Esta supõe que se veja nos superiores a pessoa de Deus e por isso se lhes obedeça prontamente.
b) A obediência ao confessor e a todos os superiores, além de ser sumamente meritória, dá paz e certeza da eterna salvação. O obediente tem o próprio Deus por seu guia. Procura conformar em tudo tua vontade com a vontade divina, manifestada por intermédio das autoridades legítimas.
“Não se faça a minha vontade, mas a tua”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 35)
22 de janeiro
1. Jesus, por pequeno que seja, já é Salvador, já trabalha e sofre por ti e por todos nós. Aos pais dirige suas súplicas de infinito valor, visto serem dum Homem-Deus. Jesus não reza por necessidade, mas por amor, e para servir de exemplo. Rezas?… Rezas bem?… Rezas muito?… O fogo sem lenha apaga-se; a luz, sem renovação do material que a alimenta, extingue-se; assim tua alma, não sendo revigorada pela oração, desfalecerá.
2. Sem a oração és inerme, qual soldado sem armas, qual navio sem leme.
Inimigos te rodeiam, prestes a te levarem aos eternos abismos. O demônio não deixa de te perseguir, a carne de tentar-te, o mundo de armar-te ciladas.
Não escaparás incólume, se não te refugiares, pela oração, em Deus. Basta negligenciar a oração e já te achas na estrada do mal. A canoa em forte corrente por si descerá. Quanto mais e quanto melhor rezares, tanto mais doce será esta prática, tanto mais te conservará no bem e te consolará na desventura.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 36)
23 de janeiro
1. “Sem mim, nada podeis fazer”
Nada, diz Jesus; sem o socorro divino não há salvação e aquele é dado somente a quem reza. A oração é a chave do tesouro celestial. As primeiras graças são dadas gratuitamente; as outras dependem da cooperação humana. Quanto maior tua necessidade de auxílio, tanto mais deves rezar. A perseverança final é dada somente a quem muito pede; não pode ser propriamente merecida, mas deve ser pedida. Não bastará esta convicção para que te resolvas a rezar continuamente?
2. De joelhos deverias agradecer a Deus, que te permite rezar, isto é, conversar com Ele, o Altíssimo, teu Pai e Amigo. Se o amasses, se o amasses com todas as fibras do coração, quanto irias ter com Ele!
Adora-o; não há coisa que mais te enobreça. Agradece-lhe; é o mais justo. Pede; isso é salutar e tranquilizador. Deus mesmo o quer:
“Importa rezar sempre e não cessar de o fazer”
Reza para que, caindo te levantes; doentes, sares; estando bom, sejas robustecido. Reza por ti, pelos teus, pelos vivos e mortos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 37)
24 de janeiro
1. A oração torna semelhante ao próprio Deus.
Moisés, depois de ter conversado por longo tempo com o Altíssimo, no monte Sinai, teve, ao descer, o rosto luzente, despedindo raios de intenso brilho, reflexo da conversação com Deus. Indo ter com homens, aceitas seus costumes e suas inclinações. Não experimentarás efeitos idênticos, se conversares, pela oração, com o Altíssimo?
Deus é puro espírito. Conversando muito com Ele pela oração, o eterno, o divino te fará desprezar o material, o terreno. Tua alma mais e mais se elevará, chegando a repousar unicamente em seu Deus.
2. Quanto menos rezares, mais te assemelharás ao mundo. Sem a oração geme e passa sede e fome o espírito, por achar-se separado da fonte da vida. A oração, qual doce brisa, purifica e refresca. Ela coloca a alma entre os próprios Santos, que gozam de indizível ventura em cantando eternos louvores a Deus. Reza, pois, muito nos louvores a Deus. Reza, pois, muito, cheio de humildade, respeito, confiança, perseverança e resignação.
“Pedi e recebereis”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 38)
25 de janeiro
1. a) Contemplando a incarnação de Jesus, ressalta aos olhos a infinita perfeição de Deus. Que poder e sabedoria não foram precisos para unir a divindade com a humanidade, sem alterar aquela, para assumir a natureza de escravo, sem diminuir a de Deus; para abater a majestade sem fazê-la decair; despojá-la sem empobrecê-la; para tornar a divindade visível, sem torná-la menos adorável. Como Deus é grande! Como Ele é onipotente!
b) Para nos curar, opõe à nossa soberba a humildade de um Deus; à nossa sensualidade, os sofrimentos de um Deus; ao nossos horror da morte, a morte de um Deus.
2. Sobressai ainda mais a divina bondade, Deus desce até à nossa baixeza. É o monarca que vem morar no meio de seus súditos, para se fazer mais amado deles; é o bom pai que balbucia com os seus filhinhos, para os instruir; é o bom pastor que procura as ovelhas, perdidas ou fugidas, até achá-las. Pode haver amor igual a este?Haverá quem mais mereça possuir teu coração do que Jesus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 39)
26 de janeiro
1. A santidade e a justiça de Deus pressupõe um extremo ódio ao pecado. No próprio Filho de Deus, que assumiu a forma do homem pecador, a santidade divina procurou a satisfação. Persegue-o lá no berço, sujeitando-o à pobreza, ao frio, à humilhação; fá-lo fugir até longínquo país. trabalhar em pobre casebre; cobre-o de chagas, de sangue, de ignomínias; tira-lhe o sangue das veias e fá-lo morrer na cruz após martírios inauditos; tudo isto porque Jesus se responsabilizou pelos nossos pecados.
Que mal não deve ser o pecado e quanto Deus não deve odiá-lo, se assim o persegue no Filho inocente!
2. Quanto não transluz da incarnação, da vida e da morte de Jesus, sua infinita misericórdia! Deus era ofendido e é Ele que satisfaz pela ofensa. Ele se faz vítima em nosso lugar. Ele sofre o castigo que era a nós devido. A misericórdia apressa-se, para dar o ósculo da paz à própria justiça. Ambas, em aliança inefável, obrigam a confessar, em êxtases de fé, a infinita perfeição de Deus. Como pagarás a quem tanto te perdoou, e a quem tanto te ama?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 40)
27 de janeiro
1. Os anjos que pecaram não tiveram um Redentor, mas foram logo, e para sempre, condenados ao inferno. O homem peca e é remido. Os anjos não eram culpados senão de um único pecado, e nós? Por que esta diferença? O homem era indigno da redenção por todos os títulos. Devido a seus pecados previstos, aparecia a Deus como um objeto de horror para a justiça divina, um expulso do paraíso terrestre e um condenado à morte neste e no outro mundo, se não fosse remido. E Deus redime semelhante criatura com preferência aos anjos. Oh! Mistério de Amor!
2. Teria sido para Jesus humilhação incompreensível assumir a natureza dos anjos; foi mais, descer até nós. Escolheu, porém, abaixar-se até ao último grau da nossa natureza. Quis ficar escondido no seio de Maria; depois no presépio; ao sair da infância, na oficina; anos depois em laborioso apostolado, sempre caluniado e perseguido até à morte. Ó tu, que anelas por uma palavra de amor por parte dos homens, não resistas a tão forte lição dada por Deus que te ama!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 41)
28 de janeiro
1. Jesus é nosso modelo. Como homem, mostrou o caminho a seguir; como Deus, garante a perfeição deste caminho. Suas virtudes são imitáveis, porque foram praticadas por um homem; são norma segura, porque foram praticadas por um Deus.
“Dei-vos o exemplo, para que, como eu fiz, assim façais vós também”
A predestinação dos escolhidos é com a condição de se tornarem imagem de Jesus Cristo. Mereces teu nome de cristão?
Terás algum direito à recompensa eterna, prometida aos que seguirem a Jesus?Ou deverás ser excluído por não haver em ti semelhança alguma com Ele?
2. O que pode ser mais glorioso e honroso, do que ser chamado a imitar um Deus? Jesus é modelo irrecusável. Deus sujeitou-se primeiro, prometendo elevar-nos em nossa fraqueza. É modelo amável. Merece nosso amor. É modelo ao nosso alcance: sua vida tem mais atrativos que a de São João Batista; teve vida simples e comum, trabalhou numa oficina, padeceu e passou por todas as privações; era humilde, quando aclamado; bondoso e meigo, quando perseguido, para em tudo servir de bom exemplo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 42)
29 de janeiro
1. a) Aproxima-se de seu fim o primeiro mês do novo ano. Quanto nele ganhaste para a eterna vida? Tem valor só aquilo que é feito para a eternidade.
b) Aproveita bem o maior dom de Deus, o tempo. Repara que o tempo vale tanto quanto o céu e o próprio Deus; é a moeda com que podes adquirir a eternidade feliz. Dá tempo à alma do purgatório, e logo terá satisfeito por tudo; ao condenado, e fará penitência; ao santo, e elevar-se-á seu trono no céu por muitos graus.
Sê prudente e aproveita o que tem valor tão indescritível.
2. Quão precioso, tão passageiro é o tempo. O passado já não te pertence, o futuro é incerto, o presente é só um momento; enquanto dele falas, já passou.
Aproveita bem o momento, e ninguém, por toda a eternidade, te roubará o mérito. Experimenta-o até ao meio-dia, até à noite. Quanta satisfação interna, ao poderes dizer:
“Não perdi hoje momento algum!”
Não confies no futuro. Tão ligeiro ele passará como passou a infância.
Trabalha ativamente para não chegares ao termo da viagem terrestre com as mãe vazias.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 43)
30 de janeiro
1. Perde-se o tempo, não fazendo coisa alguma; perde-se-o, não fazendo como se o deve fazer. Sê solicito para pagares a Deus tuas dívidas enquanto Ele aceitar o pagamento. Cada momento pode ser o teu último. Em vão esperarás misericórdia na eternidade, se não a pedires na vida. Em vão chorarás na morte o tempo perdido, se agora o malbarateas.
2. Fazes bom uso do tempo, quando o gastares no cumprimento do dever, ou na prática de boas obras. Eterna será tua recompensa. Também podes fazer valer as obras indiferentes. Estudar, comer e beber, dormir e descansar, serão atos meritórios, quando tocados com a varinha mágica: a boa intenção.
Renova esta, para não perderes, por inadvertência, considerável parte de tua vida e para dares maior valor às obras já em si boas. Com alguma boa vontade poderás expiar tantas faltas, e aumentar, enormemente, a recompensa eterna. Trata-se de tua alma, não de qualquer outra.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 44)
31 de janeiro
1. Maria, sujeitando-se ao preceito da purificação, neste caso ociosa, procurou evitar qualquer admiração dos judeus. Muitos sabiam que ela tinha dado à luz um menino, mas ignoravam que era Mãe de Deus. Receando poder dar mau exemplo, não se serviu de seu privilégio. O amor ao próximo mais duma vez exige coisa semelhante.
Maria, seguindo o uso e a tradição comum, quis evitar tudo o que pudesse causar alguma estranheza. A santidade não consiste na prática de coisas extraordinárias. Sê fiel nas coisas pequenas, e serás santo.
2. a) Maria quis fazer mais do que estava obrigada a fazer. Limitando-te ao que é indispensável, facilmente chegarás a deixar isto mesmo. Aponta bem alto, pois o peso fará abaixar a flecha. Ai de ti, se Deus não costumasse dar suas graças larga e abundantemente. Paga-lhe com igual generosidade.
b) Pela purificação, Maria quis aproximar-se mais da pureza incriada. Não contente por apagar as manchas de tua alma, pratica as virtudes, para te tornares mais digno de Deus, sobretudo quando O fores receber na santa Comunhão.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 45)
1 de fevereiro
1. “Tendo-se preenchido os dias da purificação de Maria, segundo a lei de Moisés, levaram Jesus a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor”
A Santíssima Virgem, a quem o arcanjo Gabriel tinha declarado “cheia de graça”, a que Santa Isabel proclamara “bendita entre as mulheres”, cumpre uma lei da qual está isenta. Não alega ter conservado sua virginal pureza, nem ter dado à luz, não um filho qualquer, mas o Filho de Deus. Contando-se no número das mulheres impuras, Maria segue o exemplo de Jesus, que se sujeitou à humilhante circuncisão. Que obediência! Que humildade! Segues tal exemplo? Ou rebela-se todo o teu “eu” ao sofreres uma humilhação?
2. A pobre lapa de Belém, que Maria e José com o Menino Jesus deixaram, era testemunho de muitas privações e de grandes consolações. Onde está Jesus, aí sente-se menos a pobreza e a solidão. As criaturas não consolam plenamente nas horas de dor; o verdadeiro consolo acharás só em Jesus, a fonte da água viva. Acompanha os santos viajantes, admira-lhes a paciência e o fervor religioso. Qual é teu fervor quando Jesus sacramentado está em teu coração? Pensas, durante o dia, em teu divino Hóspede?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 46)
2 de fevereiro
1. Apresentação no templo, Jesus, o legislador, hóstia melhor do que o casal de pombos preceituais, sujeita-se à sua própria lei. Durante toda a vida Jesus procedeu como dessa vez. Palavras movem, o exemplo convence. Aconselhando a outros, precede as tuas palavras pelo bom exemplo. Sendo infrutíferos teus conselhos e esforços, examina se é por não corresponder a eles teu procedimento. Lembra-te também que não se salvam nem a si próprios os que só ensinam e aconselham, mas tão somente os que realmente cumprem a vontade de Deus, pondo em prática o que recomendam aos outros.
2. Jesus passou no mundo praticando a humildade. Ao ser apresentado no templo, é tido por um homem pecador como os demais; e Ele – é paciente, humilde, porque não veio procurar sua honra, mas a de seu Pai. Continuou a proceder do mesmo modo por toda a vida. Não costumas fazer o contrário? Neste caso, receia ouvir a sentença:
“Já recebeste o teu prêmio”
Procura conhecer as ocasiões quotidianas de humilhar-te e reza, para teres força de aproveitá-las bem.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 47)
3 de fevereiro
1. O próprio Deus declara santo o velho Simeão, dando-lhe na Santa Escritura o título de justo timorato. A justiça e o temor de Deus dispõem o coração a receber Nosso Senhor. Aquela unir-se-á com Cristo, removendo o que lhe desagrada e adquirindo o que lhe apraz. Este te conservará em íntima união, preservando do desprezo de coisas pequenas que se afiguram sem importância. A perfeição não consiste no extraordinário e sim na fidelidade nas coisas pequenas. Transparece de tua vida a justiça em todos os atos e o santo temor do Altíssimo?
2. Esperava a consolação de Israel. a) Simeão, sabendo da promessa dum Salvador, aguardava firmemente sua vinda. Tinham passado séculos; o mundo mais e mais indigno se mostrava dum Messias; Simeão, porém, continuava a confiar na palavra divina e não se viu iludido.
Não confies em consolações humanas ao ponto de ficares fora de ti, quando iludido; só Deus é sempre fiel.
b) “E sabia pelo Espírito Santo que não morreria, sem ver primeiro a cristo, o Senhor”
Mereceu esta recompensa por sua justiça e confiança. Também a ti foi prometida tal dita. Guarda os mandamentos e verás a Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 48)
4 de fevereiro
1. a) “Por inspiração veio ao templo”
O mesmo Espírito Santo que a Simeão prometeu ver o Salvador, agora o inspira para ir ao templo. Simeão obedece logo. Tardando, ter-se-ia exposto ao perigo de não encontrar mais o Verbo encarnado. Aproveitas as inspirações como Simeão? Fazendo bom uso de uma graça, ela atrai outras, e estas, novas ainda! Quantas perdes, não o imitando!
b) Cada graça pode ser a última. Quantas já desprezaste! Estima-as e aproveita-as mais dora em diante.
2. a) “Tomou-o em seus braços”
Era-lhe prometido ver o Salvador; teve, porém, dita maior: tomou-o nos braços. Deus dá mais do que promete. E tu? Quanto prometeste no batismo, na primeira Comunhão, em outros tempos de graça… E quão pouco fizeste!
b) “Agora, Senhor, podeis deixar partir o vosso servo em paz”
Não foi, pois, o amor à vida, ao mundo, que deteve o santo ancião. Visto o Messias, está pronto a deixar a terra. Felizes as almas que só a Deus procuram! Um dia, quer queiras, quer não, terás de deixar tudo. Quanto mais te afastares das criaturas, mais te aproximarás de Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 49)
5 de fevereiro
1. a) “Está posto este menino para ruína de muitos”
Jesus para ruína? Sim, mas só daqueles que o conhecem e não lhe servem, que recebem sua graça e a menosprezam. Quanto maior a compreensão, quanto mais abundantes as graças, tanto maior a responsabilidade. Se o sangue de Jesus não cura, necessariamente mata.
b) “E para a ressurreição de muitos“, de todos os que querem.
“Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva”
Jesus tem maior cuidado de tua salvação, do que tu mesmo. Se não te salvares, a ninguém terás de acusar senão a ti.
2. “Para ser o alvo de contradições”
Jesus, em toda a vida, foi perseguido. Herodes mandou procurá-lo para ser assassinado; os judeus o caluniaram, o apedrejaram, e, afinal, o crucificaram.
Nos séculos seguintes sua doutrina foi desprezada, sua divindade negada, sua Igreja perseguida. Tudo foi predito; confia, pois, firmemente em sua palavra. A Igreja não perecerá.
“As portas do inferno não prevalecerão contra ela”
Segue teu Salvador agora, para estar com Ele na glória eterna.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 50)
6 de fevereiro
1. “E uma espada transpassará a tua alma”
No auge da sua satisfação pelos louvores prestados a Jeus, Maria ouve esta dura profecia de Simeão. Seu coração de mãe, anos antes do cruel martírio de seu Filho, foi ferido mortalmente, e nunca mais a deixou o pensamento nos duros sofrimentos preditos por Simeão. Queres saber quanto amas a Jesus? Examina quanto te afliges pelas ofensas feitas a Ele, por tantos ultrajes ao Santíssimo Sacramento e seus ministros! Por tantas profanações do domingo, injustiças, seduções, tantos roubos, etc.! Impedes tais ofensas quanto to permitem tuas forças?
2. a) Já na infância do Filho o terno coração da Mãe foi transpassado de dor, para ela tornar-se mais e mais semelhante ao Filho. Aprecias assemelhar-te a Jesus carregado com a cruz.
b) Maria é a Mãe de Deus e a Rainha dos mártires. Contempla-a na fuga para o Egito, na pobreza de Nazaré, na busca do filho perdido, durante a vida pública, na paixão e na morte de Jesus.
Nunca aumentaste suas dores?… Foges a Maria quando de todos te vês desamparado?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 51)
7 de fevereiro
1. a) “Havia também uma profetisa, chamada Ana:… não se apartava do templo”
Quanto zelo! Sem perseverança não haverá coroa. Não é suficiente ter começado bem; é preciso nele perseverar até ao fim da peregrinação.
A profetisa não se afastou do templo. E tu?
O templo de Jerusalém não era distinguido pela presença de Jesus Sacramentado; os nossos o são.
2. “Sobreveio na mesma hora”
Como Simeão, também Ana seguiu imediatamente a inspiração divina. Por menos que tivesse tardado, ter-se-ia exposto ao perigo de não chegar a tempo. Deus oferece suas graças; o descuido fá-las perder, talvez para sempre, e com uma graça quase sempre se perdem as que dela dependiam.
Duma única pode depender tua eterna salvação. Pequenas causas, grandes efeitos! Presta, pois, ouvido à voz de teu Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 52)
8 de fevereiro
1. A profetisa Ana “louvava ao Senhor”. Ela sabia apreciar a extraordinária graça divina, adorando e bendizendo o Menino Deus. No tabernáculo está Jesus tão perto de ti, como no templo o esteve da piedosa Ana. Mostra, pois, a mesma fé, a mesma admiração pela humildade de Deus; faze os mesmos atos de amor, humildade, desejo e gratidão.
Tua dita é maior que a dela, quando Jesus te visitar na Santa Comunhão. E, em geral, só de ti depende recebê-lo na morada de teu coração, uma, duas ou mais vezes por semana, senão todos os dias. Que ventura! Que responsabilidade! Cresce, com a distinção, também o dever de melhor preparação e ação de graças.
2. a) “Louvava ao Senhor”
O grande amor prorrompe em entusiásticas palavras. Ana bendisse as misericórdias de Deus. Por que falas tão pouco de Deus, dos Santos, do céu? Fala a boca, o que sente o coração. Estás, pois, ainda tão apegado aos bens da terra?
b) “E falava no Menino a todos os que esperavam a redenção de Israel”
Feliz, ela quis tornar felizes também os outros. Concorrem também tuas conversas para edificação e utilidade do próximo, ou para seu prejuízo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 53)
9 de fevereiro
1. Pelo preço de cinco siclos a Santíssima Virgem resgatou seu divino Filho das mãos de Deus Pai. Já uma vez Deus nos tinha dado seu Filho que Ele agora de novo nos dá. Já deste algumas vezes teu coração, tua vontade, tuas inclinações a Deus? Por quem lhos tiras e negas em seguida? Por que preferes alguma criatura a teu Deus, o único que poderá encher, para sempre, o vácuo do coração, e tornar eternamente feliz a ti e a todos que amas? Renunciaste a Satanás; ao mundo, à tua carne; por que não segues a Deus mais fielmente?
2. Insignificante é o preço do resgate, insignificante também o preço do céu e do próprio Deus.
“Os desgostos desta vida não podem ser comparados com a glória de Deus, que há de ser manifestada em nós”
Deus nada exige que exceda às nossas forças; não quer nada de extraordinário, de sobre-humano. És mais solícito por lucros terrenos, honras mundanas, divertimentos passageiros do que pelo bem de tua alma? Quererás perder o que vale muito mais do que todo o mundo e seus prazeres, e o que é facílimo de conseguir? O que não é eterno, nada vale. Um dia o verás, por mais que, hoje, feches os olhos e prefiras o que passa.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 54)
10 de fevereiro
1. a) Jesus, para honrar seu Pai, não tinha nenhuma necessidade de ir ao templo de Jerusalém. Tinha, porém, a peito, dizer-te por seu exemplo que não desprezasses nenhum exercício de religião, pelo que fez, a pé, uma viagem de 30 léguas, mais ou menos. Qual é o teu zelo e quais os teus sacrifícios no serviço de Deus?
b) Chegado ao templo, Jesus ali passou não só 8 dias, quanto durou a festa da Páscoa, mas ainda os 3 dias seguintes e lá se demoraria mais, se não viessem buscá-lo. quais as tuas disposições na casa de Deus e durante a oração? Cinco minutos te parecem meia hora? Sinal que não estás a vontade.
2. a) Jesus foi ao templo em companhia de seus Pais. São José costumava ir todos os anos, cumprindo a lei fielmente. A virtude consiste não em boas obras, que uma ou outra vez se fazem, mas no constante exercício delas. Tens a virtude?Ou começas algum bem para desistir já amanhã ou na primeira dificuldade?
b) A lei só obrigava os homens a visitar o templo. Não obstante, a Santíssima Virgem foi também. Bastava-lhe a convicção de que se tratava duma obra agradável a Deus. Fazes só o indispensável ou és generoso para com Deus, como Ele o é para contigo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 55)
11 de fevereiro
1. Numa era de incredulidade, em um país da culta Europa, onde mais ousadas eram as investidas dos inimigos de Deus para arrancar dos corações a última centelha de fé, a Virgem Imaculada aparece a uma pobre e ignorante pastora. Um grito de alarma, proferido pela incredulidade, passa pelo país:
“Não pode ser! Não dever admitido! Não há milagres!”
A polícia, o poder brutal dos que mandam, a pena dos jornalistas e escritores, embebida no veneno da calúnia, tudo foi empregado para abafar a nascente veneração em Lourdes. Debalde! Maria é mais poderosa, e já não se contam por milhares, mas por centenas de milhares os romeiros de todos os países que anualmente afluem a Lourdes.
2. Ainda há milagres, ainda hoje. Lourdes continua a apresentá-los tão grandes, tão extraordinários e frequentes que a ciência internacional, depois dos mais rigorosos exames, não pode deixar de reconhecê-los como tais. Cegos recuperam a vista, surdos o ouvido, todas as classes de doentes a saúde. Não recorrerás também a ela em tuas doenças de corpo e alma? Ou nada tens a pedir? Pede a Maria, tua carinhosa Mãe, que te faça conhecer quanto te falte, e te inspire confiança filial em seu amor materno.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 56)
12 de fevereiro
1. Os pais de Jesus, não contentes com uma simples visita ao templo de Jerusalém, demoraram na cidade santa durante todos os oito dias de festa. Só depois puseram-se a caminho de volta. Quando rezas ou cumpres outra obrigação religiosa, não abrevias o tempo? Nunca o fizeste? Não deixaste, às vezes, de cumprir obrigações tuas por motivos fúteis, por comodidade? Cada momento, tirado a Deus, inquietar-te-á ao morrer. Devias considerar preciosos, e prolongar o mais possível os momentos da conversação com Deus.
2. O zelo de Jesus é tão grande que ficou no templo, ainda que bem previsse a aflição extrema da Santíssima Virgem e de São José. Quis dar a entender que tinha outro Pai no céu, ao qual, para salvar os homens, se sujeitava, sem atender excessivamente a vínculos de sangue e de amizade. Repara que a todos, sem exceção, Jesus dirige esta palavra:
“Se alguém vem a mim, e não renuncia a seu pai e sua mãe, a sua mulher e filhos, a seus irmãos e irmãs, até mesmo a sua vida, não pode ser meu discípulo”
Ofender a Deus para atender a alguma criatura sua, não deixa de ser pecado e de merecer castigo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 57)
13 de fevereiro
1. Não estranhes que Maria, na volta de Jerusalém, perdesse de vista seu divino Filho. Era tão extraordinária a amabilidade de Jesus, que atraía a todos, pelo que a Santíssima Virgem o julgava na companhia dos outros, onde quis deixá-lo, sem o reclamar para si. Por amor e em proveito dos outros, Maria renunciou por algum tempo à companhia de seu filho. O que fazes tu por teu próximo? “Ama teu próximo como a ti mesmo“; ama-o, pois, solicito em preservá-lo de males e em cumulá-lo de bens.
2. Com quanta dor e aflição Maria e José procuram seu filho. Nenhum trabalho, cansaço ou obstáculo os faz desanimar. Provação terrível que durou dias longos e noites mais longas ainda. Não o achando entre os parentes e conhecidos, não ficam contentes senão depois de o encontrarem.
Procuras com a mesma solicitude a Jesus, quando tiveste a desgraça de perdê-lo? Sentiste, como seus pais o sentiram, estar longe dEle? Ou foi isto indiferente para ti? Procurando-o, sabe que na companhia de amigos mundanos custosamente o acharás, mas facilmente o perderás.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 58)
14 de fevereiro
1. a) Três dias depois de o procurarem, Maria e José acharam seu Filho no templo, no lugar onde, como sabiam, estavam sempre seus pensamentos: na casa de Deus. No bulício do mundo em vão procurarás a Jesus: na solidão porém, na oração e na Igreja, facilmente o acharás.
b) “Assentado no meio dos doutores”
Jesus é encontrado no meio dos sacerdotes. A eles ainda hoje, e mais que antigamente, todos tem de dirigir-se. Ninguém pode ser seu próprio condutor, mestre e médico. No negócio mais importante, no único indispensável, não confies em ti. Sê franco para teu confessor, e humilde e confiante aceita sua direção.
2. “Estavam pasmados da sua sabedoria e das suas respostas”
Maria presenciou a admiração que tributavam a seu Filho. Entretanto, não se deu logo a conhecer como sua Mãe. Escondes igualmente o que te atrairia a atenção do mundo, a estima, a simpatia de outros? Ou antes procuras a glória vã do mundo? Serás melhor se o mundo te louvar? Ou pior, se te tratar com desdém? Tanto vales quanto és aos olhos de Deus. Escolhe Maria por tua mestra e teu exemplo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 59)
15 de fevereiro
1. a) “Filho, por que assim fizeste conosco?” disse Maria, que não podia abafar seu amor maternal. Chama-o carinhosamente de Filho, nada dizendo, porém, de sua divindade. Não quis manifestar o que pudesse contribuir para sua própria honra.
b) “Sabe que teu pai e eu te andávamos buscando cheios de aflição”
Maria fala em primeiro lugar, mas referindo-se antes a seu Esposo. Mais uma vez testemunha assim seu respeito e seu humilde amor ao chefe da família.
2. Maria e José procuraram o Filho com tamanha aflição que lho contaram amorosamente. Enquanto perdido o Filho, fizeram, porém, mais do que romper em pranto e lágrimas: procuram-no com toda a diligência e sem olhar para sacrifícios. Nenhuma perda é tão grande como a de Jesus. Nenhuma, por isso, deves evitar mais energeticamente do que esta. E se não obstante perdeste a Deus, procura-o por uma contrição sincera e o firme propósito de jamais abandona-lo no futuro. Como procedestes até hoje? Tiveste em conta menor a posse e a perda de teu deus, do que a de bens terrenos, de honras, de uma afeição humana? Adias, sem motivo realmente grave, a reconciliação com Nosso Senhor?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 60)
16 de fevereiro
1. “Por que é que me buscáveis?” disse Jesus a seus Pais. Sem os censurar, deu-lhes a entender que havia algo de misterioso no que se tinha passado. Os misteriosos desígnios de Deus impuseram à Santíssima Virgem e à São José uma dura provação. Jesus, às vezes, e por algum tempo se esconde às almas que ama. Não deixes de confiar nEle, quando és atormentado por inúmeras distrações e tentações. Sê tanto mais fiel, e Jesus, que está perto de ti, que presencia tudo o que fazes, sentes e pensas, consolar-te-á.
2. “Não sabeis que importa ocupar-me mas coisas de meu Pai?”
Jesus diz claramente que prefere o serviço de seu Pai a tudo o mais.
Para atender ao serviço de Deus, deves sacrificar tudo o que se lhe opõe: a própria comodidade, inclinações e amizades. Não é necessário que tenhas saúde, que sejas instruído e benquisto, que teu nome esteja na boca de muitos, mas é indispensável que sirvas a Deus no estado para o qual Ele te chamou, que só assim salvarás a tua alma. Na hora da morte, ao menos, assim pensarás. Não será prudente e mesmo necessário guiares-te sempre por estes princípios?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 61)
17 de fevereiro
1. a) “Desceu com eles e veio para Nazaré”. O Filho de Deus deixa a grande capital, para morar por longos anos em lugar tão modesto, que dEle se dizia:
“De Nazaré pode vir alguma coisa de bom?”
Que humildade! Compara o cuidado de Jesus, de fugir da glória humana, com teu procedimento, para não te confundires no último juízo, quando Deus fizer esta mesma comparação.
b) “Sua Mãe conservava todas estas palavras no seu coração”. Embora sua Mãe, Maria se deixa instruir pelo Filho, prestando a maior atenção às sua palavras. Ouves com iguais disposições a palavra divina no sermão, na leitura espiritual, na meditação?
2. “E lhes estava sujeito”. Quem?… e a quem? O Criador às criaturas, o Senhor aos servos, Deus aos homens. “Cora de vergonha, pó soberbo!“, diz São Bernardo, “Deus se humilha e tu queres te exaltar? Se indigno fosse imitares o exemplo dum homem, não pode ser vergonha seguir as pisadas de quem te tirou do nada“. Tenham ou não teus superiores imperfeições e defeitos, o exemplo de Jesus não te permite nem um pretexto de desobediência.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 62)
18 de fevereiro
1. a) “E lhes estava sujeito”. Em que obedeceu Jesus? Em tudo. A oficina dum pobre artista não tinha nada de grande, de extraordinário, de brilhante. Jesus obedeceu nas coisas mais pequeninas, ajudando a sua mãe no serviço doméstico e a seu pai em seus trabalhos de oficial.
b) Como obedeceu? Imediatamente, sem hesitar ou adiar, de boa vontade, humildemente e sujeitando o próprio juízo. A Sabedoria incarnada, infinita, sujeita-se a criaturas de inteligência ilimitada. E tu?
2. Quanto tempo obedeceu Jesus? Durante todos os anos em que viveu junto com seus pais. De fato, quem de Jesus não aprende a obedecer, jamais o aprenderá. Tenhas poucos ou muitos anos de idade, Ele é o teu exemplo.
Não desprezes a obediência quando se trata de cosias pequenas. Diante de Deus nada é pequeno, contanto que seja em seu louvor. Mais vale a simples obediência por amor de Deus, do que obra grandiosa por amor próprio. Quanto poderias progredir, se te examinasses, noite por noite, severamente, sobre o cumprimento destas máximas! Um dia em obediência perfeita – quantos méritos!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 63)
19 de fevereiro
1. Em Nazaré Jesus dá o mais sublime exemplo de humildade. Embora fosse Deus, dispensou as honras que lhe eram devidas, não fez uso do poder de operar milagres, para não atrair os olhos humanos. Contentou-se em se ocupar com trabalhos manuais, rezar e sofrer por nossa salvação. Que contraste entre Ele e ti! Não desejas, muitas vezes, atrair para ti a atenção do mundo? Nunca te afliges, quando não te apreciam tanto quanto julgas merecê-lo?
2. a) Em obediência perfeita ao Pai eterno, Jesus resignou à própria vontade para fazer a de sua mãe e de seu pai nutrício. O Criador obedece às suas criaturas!… Nada te será mais meritório do que te sujeitares deliberadamente aos representantes de Deus.
b) Com paciência admirável Jesus sofreu a pobreza e todas as suas consequências, como o desprezo, a indigência, incômodos, etc. Mostrou, com seu exemplo, ser o caminho do sofrimento o mais curto e seguro para a vida eterna. Acostuma-te a ver nos sofrimentos provas de amor de teu Pai celestial, a reagir só dentro da lei de Deus e a pedir perfeita resignação. É um meio seguro para te sentires sempre feliz.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 64)
20 de fevereiro
1. A Santíssima Trindade resolveu sobre a sorte da humanidade merecedora da morte eterna. A infinita Justiça alegou a excepcional malícia que houve no pecado, ofensa da criatura ao Criador, feita sem o impulso das paixões; alegou a facilidade com que podia ser observado o mandamento, a dura pena previamente ameaçada e a sorte dos anjos caídos. O que teríamos para alegar em nossa defesa? Nada.
“Se olhardes, Senhor, para as nossas iniquidades, quem poderá, Senhor, subsistir em vossa presença?”
Teme o pecado e foge-o.
2. Interveio a Divina Misericórdia. Alegou a fraqueza humana, o ódio e a astúcia da serpente maligna e as terríveis consequências para todo o gênero humano, se Deus não se compadece. Vencerá a Justiça ou a misericórdia? Terrível momento para a humanidade culpada!… Deus se compadeceu. A misericórdia, infinita, impeliu o Criador a ser vítima em lugar da misera criatura. Que abismo de amor!
“O Senhor é cheio de misericórdia e nEle se encontra copiosa redenção”
Não cuidas em mostrar-te grato? Perdido estavas, para sempre, se Deus não tivesse vindo em teu auxílio. Sabe que nunca assaz poderás agradecer!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 65)
21 de fevereiro
1. “Reuniram-se os pontífices e os fariseus em conselho”. Corresponderam seus conselhos à ilustração de sua posição social? Oh! Não. Invejosos do poder e da santidade de Jesus, deliberaram sobre as medidas a tomar contra Ele. Tal a recompensa dada a Jesus, o benfeitor de sua nação o último recurso dos doentes e pecadores. Que sentença poderá Ele esperar dos homens que o odeiam com todas as fibras do coração?… Não te exasperes, entretanto, contra os judeus e sim contra ti. Os teus pecados também pagam com ingratidão ao teu benfeitor, obrigando-o a sofrer para te salvar, se já o não tivesse feito.
2. Que faremos?
“Porque este homem faz muito milagres!”
O ódio proíbe aos inimigos pronunciar o santo nome de Jesus. Todavia, veem-se obrigados, mau grado seu, a confessar seu poder sobre-humano. O que seria mais natural do que confessá-lo Deus e segui-lo? Mas não! A inimizade fá-los cegos… A fé não depende só da inteligência nem da compreensão. É uma graça de Deus que cada um deve pedir para si e para os outros, recebendo e guardando-a em coração humildade e grato. Tu conheces a Jesus e prometeste segui-lo. Tu conheces a Jesus e prometeste segui-lo. Por que não cessas de ofendê-lo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 66)
22 de fevereiro
1. a) “Se o deixarmos… virão os romanos”. Os inimigos de Jesus, reunidos contra Ele em conselho, assim falam, não por temor, mas por hipocrisia. Bem sabem que Jesus não aspira nenhuma poder temporal. A inveja tem sempre o que censurar, ora exagerando o que há, ora inventando onde nada encontra. És, de todo, livre de tão indigno e repugnante vício?
b) Os judeus mais tarde sofreram o justo castigo que com sua iniquidade procuravam afastar de si: vieram os romanos a destruir a cidade e exterminar seu povo. O mesmo Deus ainda hoje vive e pagará o bem e o mal, segundo cada um merecer.
2. “Convém – diz o sumo pontífice – que morra um homem pelo povo e que não pereça toda a nação”. Quem deverá morrer? Um inocente, um profeta, cujos milagres os próprios inimigos confessam? Sim, é melhor que Ele morra, mas ai do juiz injusto a quem toca a inteira responsabilidade! É melhor para a humanidade, porque a Providência divina sabe servir-se dos maus para conseguir o bem. Confia nela sempre. Onde há maior aflição, lá mais perto está o auxílio de Deus. Ainda que os homens te persigam: Deus sabe escrever direito por linhas tortas.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 67)
23 de fevereiro
1. “Eis, vamos para Jerusalém”. Pela última vez Jesus, acompanhado pelos apóstolos, vai a Jerusalém. Ele conhece o que lá o espera, e o prediz aos discípulos. Não obstante isso, vai pressuroso, como se para Ele não houvesse coisa mais preciosa do que o sofrimento pela nossa redenção. Abraças também, de boa vontade, a cruz que Deus diretamente ou por outros te manda? Há uma única contrariedade que sofres, sem te queixares a ninguém? Mais perfeito é ires ao encontro da cruz, vencendo-te por amor de Deus. Ou não fazes nunca algum sacrifício voluntário por teu Salvador?
2. “E tudo o que está escrito pelos profetas, sobre o Filho do homem, será cumprido”. Com o mesmo amor com que Jesus vai a Jerusalém para começar sua paixão, quer também terminá-la. Por maiores que sejam os sofrimentos, Ele aceita-os em perfeita obediência, cumprindo em tudo as profecias.
“O que perseverar até ao fim, esse será salvo”
Não é começo, mas o fim do combate vitorioso que será recompensado. Por que, pois, recuas na primeira dificuldade? Por que não te levantas mais depressa depois de uma descaída?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 68)
24 de fevereiro
1. Jesus, que sempre fugira às aclamações do povo, prepara tudo para uma entrada triunfal em Jerusalém. Efetua-a com aparato, não obstante sua humildade e modéstia. O que não terá sentido, no meio das aclamações, Ele, que prevê o futuro e sabia como seria tratado poucos dias depois! Nada se dá sem que a Providência o queira. Deus transformou o coração do povo, para que não receasse mais os fariseus, cujo ódio contra Jesus era por todos conhecido. Confia também em Deus, a quem exclusivamente deves temer. Querendo, Ele mudará intenções e corações.
2. “Eis que o teu Rei aí vem a ti, cheio de mansidão”. Os judeus, desta vez, o receberam dignamente, aclamando-o seu Messias prometido e testemunhando-lhe respeito e amor.
“Uma grande multidão de povo estendeu seus mantos pelo caminho; outros cortavam ramos de árvores e com eles juncavam a estrada”
O que fazes tu, quando teu Rei vem a ti, na Santa Comunhão? Deixarás excederem-te em zelo e amor os judeus? E já não te lembras de tarde dAquele que, de manhã, te honrou com sua visita?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 69)
25 de fevereiro
1. a) “Eis – diziam os fariseus – corre atrás dEle todo mundo”. É esta a linguagem da inveja. Os fariseus, vendo as grandiosas homenagens prestadas a Jesus, por ocasião de sua entrada em Jerusalém, ficaram indignados. Os invejosos, sem motivo sério que os justifique, atormentam-se a si mesmos, prejudicando a saúde de seu corpo e de sua alma.
b) A inveja exagera. Os fariseus dizem “todo o mundo“, quando é só muito povo. Este vício torna o homem injusto e fá-lo lançar mão da mentira, para se excitar a si mesmo. Oxalá todo o mundo seguisse a Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida!
2. a) Diziam os fariseus:
“Mestre, repreende teus discípulos”
A inveja nada é santo. Os fariseus nem queriam que Jesus fosse louvado pelos seus discípulos, que o reconheciam como Messias. És inteiramente livre de sentimentos de inveja?
b) “Se eles se calarem, clamarão as próprias pedras”, replicou Jesus. Deu-se isto na morte do Salvador, rasgando-se o véu do templo, escurecendo-se o sol e partindo-se os rochedos. Assim a graça de Deus saberá tocar os mais duros corações. É indispensável, porém, pedir.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 70)
26 de fevereiro
1. “E quando chegou perto, ao ver a cidade, Jesus chorou sobre ela“. Lágrimas no meio de alegrias? Sim, porque Jesus veio para salvar a todos e viu que muitos, por culpa própria, não se salvariam. Que amor, o de Jesus que chora! Terá Ele já chorado sobre ti?… Talvez ainda há pouco? Não te faltam momentos em que te oferece suas graças. Aproveita-as melhor que a infeliz Jerusalém o tem feito. De uma graça única poderão depender muitas, e mesmo a salvação eterna.
2. a) Jesus prediz a destruição da cidade. Ela é o castigo do endurecimento do coração de seus habitantes. Como pelo primeiro pecado entrou a morte no mundo, assim a ele ainda hoje seguem grandes males na vida e na eternidade. É o único verdadeiro mal. Que cegueira, que loucura, que malícia cometê-lo com tanta felicidade!
b) A cena da destruição de Jerusalém é que, de alguma maneira, se reproduz na morte do pecador. Também este é rodeado de inimigos, que o procuram perder para sempre. Aproveita a graça, enquanto ainda podes. Prepara-te desde já, para não teres que recear este cerco dos inimigos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 71)
27 de fevereiro
1. “Então foi ter um dos doze, que se chama Judas Iscariotes, com os Príncipes dos sacerdotes“. Judas lamentou a soma gasta na compra do óleo precioso, derramado por Madalena sobre os pés do Salvador. A avareza, que o fez censurar esta obra de amor, fê-lo odiar, desde este momento, seu divino Mestre, e levou-o, finalmente, a tomar a resolução de vender Jesus aos seus inimigos. Quanto não se deve recear uma paixão que, embora pequena a princípio, leva a tais abismos! Estás de todo isento dela? Ou tens uma outra a combater?
2. Quem caiu era um dos apóstolos, e amigo de Jesus. A escritura acrescenta-lhe o sobrenome, para que não o confundam com outro apóstolo. O infeliz traidor vai aos inimigos mais encarniçados de Jesus Cristo, esquecendo todas as provas de amor por ele recebidas. Nem mesmo um Santo tem garantia de sua eterna salvação; portanto, muito menos tu! O que fazes para te salvar? Os Santos, entretanto, recearam por sua salvação, e usaram de meios heroicos para garanti-la. Pensas que Deus tenha de fazer exceção, por se tratar de ti?…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 72)
28 de fevereiro
1. “E lhes disse: Quanto me quereis dar, e eu vo-lo entregarei”. Quanta malícia, entregar alguém a seus inimigos! Quanto atrevimento, expor à venda o Filho de Deus! Quanto desprezo! O vendedor deixa ao arbítrio do comprador determinar o preço. Podia haver maior ultraje ao Filho de Deus? Também o pecador vende a Jesus e fá-lo por preço vil e baixo. Pode haver demasiado arrependimento, para reparar tal injúria e perversidade?
2. “E eles lhe prometeram trinta dinheiros de prata”. Vendedor e compradores são dignos uns do outro. Os fariseus ofereceram, por Aquele que veio salvá-los e que era o benfeitor de sua nação, o preço estabelecido para um escravo ou um animal de carga. Que requintada malícia!… Quanta humildade, porém, em Jesus, que admite tudo isso! Entretanto, não houve um Judas só; inúmeras vezes, no correr dos séculos, o Filho de Deus viu-se abandonado e traído por aqueles que lhe juraram ser fiéis. Jesus ainda hoje é vendido por movimentos de vingança, de sensualidade, de satisfação dum capricho, de cobiça, de um nada. Farás o mesmo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 73)
1 de março
1. a) “Ide à cidade, à casa de um tal, e dizei-lhe: o Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa quero celebrar a Páscoa com os meus discípulos”. Quanto era pobre o Filho de Deus! Nem tinha uma casa própria, onde pudesse festejar a Páscoa. És digno discípulo do Mestre pobre?
b) Bastou que Jesus transmitisse ao dono da casa o seu desejo, para logo ser atendido. Segues com igual boa vontade as inspirações divinas e a lei de Deus? Não faltas, às vezes, a tuas obrigações por motivos fúteis? O que dirás a isso, na hora da morte?
2) “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes que eu padeça”. Porque nesta ocasião quis dar a maior prova de amor, instituindo o Santíssimo Sacramento do altar. Nem a traição de Judas, nem tamanhas e tão numerosas ingratidões previstas podiam desviá-lo deste mimo de amor. Visitas a Jesus Sacramentado o mais possível? Pensas nEle? Respeitas devidamente Sua presença? Recebes com as devidas disposições o Santíssimo Sacramento? Quantas vezes? Qual é a tua preparação?
Agradeces também? E se a próxima Comunhão fosse tua última!…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 75)
2 de março
1. a) Jesus lavou os pés dos apóstolos. Lavou os pés?… Quem? Aquele a quem “seu Pai entregara todas as coisas, e que saíra de Deus“. Que excesso de humildade!… E tu?
b) Jesus mesmo, sozinho, “depôs suas vestiduras, e, pegando numa toalha, cingiu-se. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos e a limpá-los com a tolha de que estava cingido”. Nas coisas honrosas, como perdoar os pecados, expulsar os demônios, curar enfermos, Jesus deixou tomarem parte seus discípulos. O que é humilhante, isto faz sozinho. Que exemplo!
2. “Chegando logo a Simão Pedro, este lhe disse: Senhor, tu me lavas os pés?” Justa admiração do apóstolo! O Criador serve à criatura. Entretanto, Jesus por ti faz mais do que no lava-pés dos apóstolos. A eles lavou, com água, os pés; a ti, com o próprio sangue, tua alma. Onde a tua admiração, onde teu reconhecimento? Oxalá ao menos peças que Jesus mais e mais te purifique das más inclinações e de todas as imperfeições! Ama a quem te ama.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 76)
3 de março
1. “Jesus turbou-se no espírito, e protestou, e disse: Em verdade, em verdade vos digo que um de vós me há de entregar“. Como não devia estar aflito o pobre Jesus, prevendo o crime dum amigo e discípulo ingrato! Ainda uma vez procura desviar a Judas de seu mau intento, fazendo-lhe ver que tudo sabia. Não diz o nome, para lhe facilitar a conversão. Não conseguindo esta, indica o sinal pelo qual possa ser conhecido, e afinal procura inspirar-lhe salutar medo: “Melhor seria a tal homem nunca ter nascido“. Tudo debalde!… Preserve-te Deus de chegares, pouco a pouco, a igual dureza de coração!
2. a) “E, muito contrito, começou cada um a dizer: Porventura sou eu, Senhor?“. Estavam aflitos, porque viam-se ameaçados de perder o seu Mestre; mais ainda, porque seria por tão nefando crime. Não confiaram em si mesmo… Santa e necessária desconfiança! Procedes assim?
b) Judas teve a triste coragem de fingir-se inocente e perguntar também: “Sou eu?” para evitar alguma desconfiança da parte dos outros. Não receias também mais o juízo dos homens, que o de Deus? E por que?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 77)
4 de março
1. a) “Sou eu?” perguntou, na última ceia, o traidor a Jesus, e este respondeu, com toda a mansidão: “Tu o disseste“. Que cena, a verificação do traidor, na mesma ocasião em que os apóstolos pela primeira vez comungaram! Imitas o exemplo de Jesus, que fala com ternura aos próprios inimigos? Que os ama?
b) O infeliz Judas sacrilegamente recebe a Santa Comunhão. Dado um passo na estrada do pecado, seguem outros. Que incompreensível bondade e paciência a de Jesus, que nem agora se esgota! Com quanta ingratidão viu Jesus pago, desde a instituição, o sacramento do seu amor!
2. a) Judas não quis que Jesus reinasse em seu coração; veio, pois, o demônio, para dele tomar posse. “Entrou nele Satanás“. Quanto caiu um apóstolo! Não te julgues seguro! Vigia e ora, para não cairdes em tentação.
b) E depois que ele saiu, disse Jesus: “Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele“. O mau saiu, os santos ficaram. No fim do tempo haverá separação geral dos bons e dos maus. Ambos têm de glorificar a Deus; estes, sua justiça, aqueles, sua misericórdia.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 78)
5 de março
1. “E suscitou-se entre eles a questão sobre qual deles se devia reputar o maior“. Que inconstância! Apenas os apóstolos souberam da triste sorte de seu divino Mestre, com ingratidão deplorável falam da sucessão. Uma virtude, que mostra tão pouca firmeza, não é sólida. Não confies em ti, se até os apóstolos se mostraram tão fracos. Seu Mestre era o mais humilde. Esquecendo, porém, seus preceitos, querem saber quem devia ser reputado o maior, não quem realmente perante deus o era. Queres também tu sobressair aos outros? Com prejuízo para tua alma? Que te adiantará na eternidade?
2. a) “O que entre vós é maior, faça-se como o menor; e o que governa seja o que serve“. Se sabes ou possuis alguma coisa, humilha-te; Jesus, o Mestre, que possuía e sabia mais, te precedeu com seu exemplo. Quanto mais alta uma posição, maior humildade é necessária. De ti nada tens, Deus é o proprietário a quem tudo terás de restituir.
b) “Quem se humilha, será exaltado“. Verificou-se isso com Jesus; verificar-se-á em todos os que o seguirem. Quererás trocar a glória eterna pela glória passageira deste mundo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 79)
6 de março
1. “Como meu Pai me amou, assim vos amei eu. Permanecei no meu amor“. Quem jamais apreciará condignamente a permissão de elevar seus olhos ao próprio Deus, de amá-lo, e, o que é mais, de ser mesmo obrigado a amá-lo? Se Deus no-lo não dissesse, como nos atreveríamos a crê-lo? O Criador pede amor à sua criatura! Como compreender este mistério! Já lho agradeceste devidamente? O pensamento nesta sorte inaudita acompanha-te a toda a parte? Aproveitas essa licença, que de ti deve fazer a mais feliz das criaturas?Poder amar a deus, e ser por Ele amado!…
2. “Se me amais, observai meus mandamentos“. Eis a prova de verdadeiro amor, que te permitirá saber se amas a Deus ou não. Não confies em sentimentos nem desanimes, quando sentires o coração frio. Amas a Deus, se lhe obedeces em tudo. Sua lei é um jugo doce e uma carga leve. Observando-a, Deus Pai te amará e em tua alma feliz a Santíssima Trindade virá habitar. Poderás desejar mais? Unido na terra a Deus, gozarás sua posse completa na eternidade. Deus será teu, e tu dEle.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 79)
7 de março
1. “Nisto conhecerão todos os que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros“. Jesus, prescrevendo o amor ao próximo, acrescenta:
“Assim como eu vos amei, amai-vos também mutuamente”
Ele nos amou sem limites; assumiu nossa culpa e pena, sofrendo e morrendo por nós, prolongou sua vida na terra, por nosso amor, no Santíssimo Sacramento do Altar.
Amas assim? Sujeitas-te a sacrifícios por amor do próximo? Amas, como Cristo o quer, a todos? Ou só, como os pagãos, aos que te fazem bem?
2. Há outra norma para o mútuo amor:
“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”
Como te amas a ti? Só por dias e semanas? Fria e indiferentemente? Não! Foges do mal e aspiras ao bem. Faze o mesmo quanto ao próximo. Preserva-o da infelicidade quanto estiver em tuas forças, e trabalha por seu bem-estar temporal e espiritual. O motivo para tal amor, longe de ser a sensualidade, deve ser o preceito e o exemplo de Deus. Nota bem que se trata não de um conselho que deus dá, mas de um mandamento, por cuja observância responderás no tribunal do Juiz eterno.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 81)
8 de março
1. Quanto mais vale a alma do que o corpo, tanto mais o amor verdadeiro olha para o bem espiritual do próximo que para a sua felicidade material. Será suficiente não fazer mal e não matar a ninguém? Se visses alguém submergir nas ondas, quando te fosse possível socorrê-lo, ficarias indiferente? Muitos se perdem, porque, alegando incômodos ou pouca esperança de melhoramento, ninguém lhes mostra o perigo em que estão.
O amor verdadeiro achará sempre um acertado meio aconselhado pela prudência e pelo zelo cristão. Não sejas, pois, indiferente quanto ao bem-estar espiritual de teu próximo.
2. Muito vale um bom conselho dado em tempo oportuno; mais ainda um contínuo bom exemplo. Indispensável, porém, e ao mesmo tempo fácil, é o salutar meio da oração pela salvação do próximo. Santos e santas salvaram a milhares de almas só por este meio. O próprio Jesus só 3 anos ensinou publicamente, enquanto durante 30 anos, em vida humilde e desconhecida, salvou pela oração. Que fizeste neste ponto até hoje? Quando imitarás o exemplo de Jesus, benfeitor e salvador, por orações, palavras e obras?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 82)
9 de março
1. a) Vendo Jesus a tristeza de seus discípulos, consola-os, prometendo estar a seu lado em toda aflição. Deus é testemunha também de teus sofrimentos. Se Ele está contigo, que recearás?
b) Jesus inspira ânimo, lembrando o prêmio eterno.
“Há muitas moradas em casa de meu Pai, e vou, para vos preparar um lugar”
Os desgostos desta vida não podem ser comparados com a bem-aventurança indizível que por eles poderás merecer. Lembra-te do céu nas horas do sofrimento. Sofre calado, querendo ter só a Deus por testemunha.
2. a) Porque vós não sois do mundo, mas eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos detesta. É bom sinal estar sujeito a contradições. A quem não se salvará, Deus concede, não raras vezes, gozos e satisfações na terra. A que classe pertences? Receia por tua alma, quanto te faltarem contrariedades.
b) “Se me perseguirem a mim, também a vós perseguirão“. Queres ter sorte melhor que teu Jesus? Acaso és mais inocente? Mais perfeito? Serão justas as tuas queixas? Se amas a Deus, não te contentarás em não te queixar; sofrerás com alegria e satisfação. Fazes assim?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 83)
10 de março
1. “Pai justo, o mundo não vos conheceu“. Eis por que são perseguidos tão sistemática e incessantemente os que são de Deus. Jesus por isso os chama de felizes:
“Bem-aventurados vós, quando os homens vos odiarem, perseguirem e injuriarem… por causa do Filho do homem! Folgai e exultai, porque é grande o vosso galardão no céu!”
Na terra, pranto e lágrimas; no céu, a recompensa. Sê resignado: passa ligeiramente o tempo da provação; à paixão seguir-se-á a ressurreição gloriosa.
2. É preciso que venham perseguições, “Tenho-vos dito estas coisas, para que não vos escandalizeis“. Sob o ponto de vista natural e sobrenatural, não podem faltar desgostos e perseguições a quem ama e serve a Jesus. O mundo o tem por inimigo, aturando-lhe mal a existência, e, além disso, é justo que se assemelhe a jesus perseguido até à morte. Mas que consolação, que garantia da eterna bem-aventurança é o sofrimento!
“Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era dele, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso o mundo vos detesta. Confiança, pois vossa tristeza se converterá em alegria”
Compreendendo teoricamente estas máximas, pede a força de segui-las também na prática.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 83)
11 de março
1. “E, tendo saído, encaminhou-se, segundo costumava, para o monte das Oliveiras“. Jesus deixa a cidade de Jerusalém, que tanto tinha amado e cumulado de benefícios. Um dia chorou sobre ela, agora abandonou-a. Não julgues certa a tua salvação pelo número de benefícios de que até agora tens sido cumulado. Não é só deles que depende a tua salvação, e sim ainda da tua cooperação. Foste mais fiel que Jerusalém? Jesus já teve de chorar sobre ti? Mais de uma vez? Terá, talvez, de abandonar-te?
2. Jesus foi ao monte das Oliveiras. Costumava procurar a solidão para conversar com seu Pai celestial. Apesar de saber que neste dia sua oração seria interrompida e que o levariam preso, não deixou de recolher-se à solidão.
E tu… estimas a oração mais que tudo? Não procuras pretexto para não rezar ou para abreviar ou interromper tua conversa com Deus? Não mostras menos respeito ao falares com Deus, do que em conversar com os homens? Que é que diz tua consciência sobre estes pontos? O que te impede de rezar com perfeição?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 85)
12 de março
1. “Serei para todos vós uma ocasião de escândalo nesta noite”. Jesus predisse que os apóstolos não perseverariam na fidelidade. Uma coisa é pensar no perigo, na perseguição e na morte, outra é vê-la presente. Mil vezes fizeste o propósito de não ofender a Deus, por mais que te custasse, e, entretanto, por tão pouco caíste. Vive, pois, em santo temor; não confies nas próprias forças e em tua firme vontade, mas na graça de Deus. Humilha-te, sobretudo na confissão, em face dos pecados cometidos; aliás não deixes de agradecer a Deus, que te preservou de faltas ainda mais numerosas e mais graves.
2. “E, respondendo, Pedro disse-lhe: Ainda que todos contigo te escandalizem, nunca me escandalizarei eu“. Esta resposta mostra o zelo do apóstolo, mas um zelo não unido à devida humildade. Pedro ousou responder incrédulo à Eterna Verdade, opor-se ao bom Mestre, seduzindo com seu exemplo os demais apóstolos. “E todos os mais discípulos disseram o mesmo”. Não teria caído, se tivesse dito:
“Dá-me, Senhor, tua graça, para que eu não me escandalize, ainda que todos os outros o façam”
Julgou-se, porém, melhor que os outros e caiu. Aprende dele o que não deves fazer.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 86)
13 de março
1. a) Por excesso de amor Jesus sujeitou-se a sofrer tristeza e aflição mortais no monte das Oliveiras. Via diante de si todas as fases de sua paixão e morte, da qual se horrorizava sua natureza humana.
b) Mais ainda, oprimia-o o peso dos pecados cometidos desde Adão até ao fim do mundo; pecados de omissão, de pensamentos, de palavras e obras; pecados sem número. Viu também os teus. Sofreu excessiva dor, prevendo, na ingratidão humana, a causa do desaproveitamento dos frutos da sua paixão.
2. a) “A minha alma está triste até a morte“. Em vista de tudo isso, não podia deixar de ser assim. Por sua tristeza de morte, Jesus mostrou que com a natureza humana tinha aceitado toda a nossa fraqueza, tudo por amor. Sofreram seu corpo e sua alma, para assim dar satisfação por todas as culpas. Jesus padeceu para nos servir de consolo em horas de sofrimento, e, principalmente, na hora da morte.
b) Aos três apóstolos que o viram transfigurado, mostrou também sua aflição; assim não está isento de dor quem é distinguido por consolações divinas. Não te perturbes, pois, quando Deus mandar sofrimentos a quem o ama e lhe é fiel.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 87)
14 de março
1. Se Jesus tantas vezes, com santa impaciência, tinha predito e aguardado sua paixão, por que exclama agora no horto das Oliveiras:
“Pai meu, se é possível, passe de mim este cálice?”
É porque tinha assumido toda a fragilidade da nossa natureza, que se assusta ante todo o sofrer. E que sofrimentos inauditos os que esperavam o Cordeiro Imaculado!… Mas Jesus acrescenta “se é possível“, isto é, salvar o gênero humano sem tão grande sofrimento e terrível morte. Seu amor transluz de todas as palavras. Por mais que o assuste a paixão, prefere sofre-la a nos ver condenados para sempre. Tudo por nós! Tudo por ti!
2. “Mas não se faça a minha vontade, e sim a tua“. Em Jesus havia uma dupla vontade, a humana e a divina. Sujeitava aquela a esta, por mais que tivesse de sofrer. Todos os teus pedidos a Deus devem basear-se nas mesmas condições: “Não se faça a minha vontade, mas sim a tua”. Passam brevemente as aflições e os desgostos desta vida.
Se Deus quer que sofras, conforma tua vontade com a dele. Quanto mais resignadamente sofreres, mais te assemelharás a Ele. A indenização na eternidade compensa tudo; mais: está acima de toda a imaginação.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 88)
15 de março
1. “E posto em agonia, orava Jesus com maior insistência“. Por um lado Jesus receava a paixão; por outro desejava-a, combatendo o próprio medo. Muitas vezes terás de lutar contra a lei da carne, para que prevaleça a do espírito. Toma Jesus por teu exemplo. Quanto maior forem tua aflição e confusão, mais ardentemente deves rezar. Como rezas? Quantas vezes? Pedes, nas horas de calma do espírito, a indispensável força para as horas de desgosto e tentações? Lembra-te, no combate, que Deus te vê. Testemunha de teu proceder, reservar-te-á a coroa, se fores bom combatente.
2. “E veio-lhe um suor, como de gotas de sangue, que corria sobre a terra“.
Com santa comoção contempla o triste estado do Filho de Deus que por ti sofre. Tu estavas doente; Ele, derramando abundante suor de sangue, sarou-te o mal. Tu eras culpado; Ele sofre o castigo que te era devido. Como mostraste até hoje tua gratidão? Tu pertences, por acaso, aos ingratos? Por amor dEle não receies nem fadiga, nem suor, nem perda do próprio sangue, quando se tratar do seu serviço.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 89)
16 de março
1. a) “Então lhe apareceu um anjo do céu que o confortava“. É este o fruto da oração de Jesus. Sê fiel a Deus na provação. No auge da dor, quando mais o precisares, Deus te consolará.
b) Quanta humildade a de Jesus! Em sua infância e durante sua vida aceitou, como se deles precisasse, os serviços e os cuidados por parte dos homens; agora aceita a consolação dum anjo. Se o Criador se deixa consolar pela criatura, rejeitarás orgulhoso o conselho e o auxílio de teus semelhantes ou súditos? Fica sabendo que nesta vida ninguém é seu próprio condutor.
2. a) Tendo rezado, Jesus se levanta pra ir ver os seus apóstolos, aos quais tinha mandado que vigiassem, rezando. Um exemplo de solícito e verdadeiro amor, que nem no auge da dor se esquece dos outros!
b) “Achou-os adormecidos“. Foi uma dor muito especial para Jesus ver-se desamparado até dos mais fiéis amigos; vê-los dormir, quando por eles sofria tanto. Se, por felicidade excepcional, encontraste um amigo de todo fiel, não é a sua solicitude limitada pelo tempo? Há um só amigo constante e poderoso, que nunca te enganará. No sofrimento e na morte o experimentarás.
É teu Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 90)
17 de março
1. a) “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação“. Jesus, aflito até à morte, censura seus apóstolos. Com quanto amor, porém, e com quanta mansidão! Procedes assim? Censuras por aversão, ou por dever?
b) Dos apóstolos, que, calados e humildes, aceitaram a merecida censura, aprende o que fazer em caso semelhante. Se fores censurado sem o mereceres, lembra-te que muitas vezes foste culpado, e não sofreste censura. Não será teu amor a Deus capaz de sofrer calado, ou, ao menos, de justificar-te calmamente, sem ofender?
2. a) A vigilância e a oração são meios mais eficazes para contrabalançar o efeito das tentações. A vigilância faz evitar muito o que poderia prejudicar-te gravemente. A oração te fará forte, onde por tua natureza jamais o serias.
b) “Dormi quanto antes e repousai“. Estas palavras são, na frase de São Crisóstomo, não uma permissão e sim uma censura. Não se tendo preparado os apóstolos para a hora da tentação, não podiam resistir. Se isto acontece aos santos apóstolos, o que será de ti, fraco, se deixares de vigiar e de orar?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 91)
18 de março
1. a) “Levantai-vos! Vamos. Eis aí vem chegando o que me há de entregar“. Que mudança! Aflito antes até à morte, Jesus enfrenta agora seus inimigos, cheio de grandeza e força. É esta a consequência da contínua oração. Deus não elimina do gênero humano o sofrimento, mas lhe dá a força para suportá-lo. Serás pusilânime, se não rezares.
b) Que se terá passado na alma de Jesus, ao ser preso! Deus, preso por suas criaturas! O inocente, pelos culpados! Cristo, por ti!…
2. “Falando-lhes ainda, eis que chega Judas, um dos doze, e com ele muita gente“. Judas à frente dos malvados que iam prender seu Deus! Judas, chamado a ser uma coluna da Igreja! Tanto caiu quem foi tão distinguido por Deus!
O apóstolo, há tempos, não se opôs ao sentimento de cobiça: tornou-se avaro, ladrão, inimigo de Jesus, seu traidor, e, enfim, chefe dos assassinos. Ainda ousarás confiar em ti, que menos graças recebestes? Que confusão para ti, se no último juízo tivesses de ser apresentado ao mundo todo como outro traidor de Jesus, outro Judas!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 92)
19 de março
1. A escritura, que pouco nos refere da Santíssima Virgem, também pouco nos diz de São José. Contenta-se em chamá-lo de Justo. São José, porém, além deste, tem mais dois títulos que dispensam todos os outros: Pai nutrício de Jesus, Esposo de Maria. Nestas qualidades de São José funda-se tanto a sua dignidade e grandeza, quanto a nossa confiança. Lembra-te que, segundo a palavra de Santa Teresa, ninguém recorre a São José em vão.
2. a) Simeão tomou Jesus nos braços, mas uma só vez; São José podia fazê-lo constantemente. São João repousou no peito de Jesus; São José podia acariciá-lo com direito de pai. Maria Madalena enxugou os pés de Jesus; São José ficava sempre na companhia de seu Filho, que lhe obedecia fielmente.
b) Ainda que o menos saliente na casa de Nazaré, São José era o chefe. Aprende a obedecer a teus superiores, como Maria e Jesus obedeceram a José. Como chefe da Igreja, São José a protege. Como protetor de famílias, já a inúmeras tem socorrido. Quanto maior tua confiança em sua proteção, tanto mais te ajudará. É o pai da vida espiritual, o padroeiro da boa morte. Recorres a ele tanto, quanto na morte desejarás ter feito?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 93)
20 de março
1. a) “Aquele a quem eu der um ósculo, prendei-o!“. O ódio e a paixão nada esquecem. Judas lembrou-se que Jesus tinha escapado aos que o quiseram apedrejar e aos que o queriam coroar. Quanto era para desejar que com igual zelo fizesses o bem!
b) “Deus te salve, Mestre“, e beijou-o. O cúmulo da hipocrisia! Judas dá o “salve” a quem quer perder, abusando, pois, do sinal de amizade. Quantos não se assemelham a ele! Quantos até procedem de modo pior, recebendo Jesus em coração indigno! Não lhes darás alguma satisfação por tantos ultrajes?
2. a) “Amigo, a que viestes?“. Jesus ainda chama de amigo ao traidor, dando-lhe a entender que perdoaria se se arrependesse. Não o trata de ingrato, como merecia. Não o fez assim também contigo? E tu?
b) “Judas, com um beijo entregas o Filho do homem?“. É o último convite ao pecador para abandonar seu intento. Debalde! Judas não ouve o seu melhor amigo. A paixão o obceca… Jesus te admoesta nas horas da tentação pela voz da consciência. Já foste um Judas? Quererás sê-lo no futuro?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 94)
21 de março
1. “Vendo o que ia suceder-lhe, disseram: Senhor, batamo-los a espada?“. São Pedro, não esperando resposta a esta pergunta dos demais apóstolos, e amando realmente a Jesus em extremo, “puxou da espada e feriu um servo do pontífice e lhe cortou a orelha direita“. Começa a imitar o zelo do apóstolo, mas não em descobrir e censurar faltas e imperfeições dos outros, e sim fazendo desaparecer as tuas próprias. 2. a) “Disse, porém, Jesus a Pedro: Mete a tua espada na bainha. Não hei de beber o cálice que meu Pai me deu?“. Jesus, sempre manso e cheio de amor, dá a entender que os judeus são instrumentos da divina Justiça. Quanto proveito tirarás dos sofrimentos, ao considerá-los enviados ou, ao menos, permitidos por deus, abstraindo dos homens que os causam!
b) “Tendo-lhe tocado a orelha, o sarou“. Duplo milagre, um do poder, outro da bondade de Jesus. Como tratas tu àqueles que te procuram fazer mal?
O milagre de Jesus não comoveu seus inimigos. És tu mais grato? Esqueceste de todos os milagres de poder e de amor que Deus fez em teu benefício?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 95)
22 de março
1. “Como se fora a um ladrão, saístes vós com espadas e paus para me prender“.
Eis a censura amorosa do divino Cordeiro. No momento em que é humilhado profundamente, tratado com desumana crueldade, não profere nem uma palavra menos compatível com seu amor. Seus inimigos, porém, não o querem compreender, pois, “puseram as mãos sobre Jesus e o prenderam“. Terrível crime! As criaturas prendem a seu Deus; os pecadores, ao único que pode e que veio salvá-los. O céu, os elementos o permitirão? Sim, para que tu possas ser salvo.
2. “Então, todos os discípulos, desamparando-o, fugiram“. Que dor, para o coração de Jesus, ver-se, em tal momento, desamparado por aqueles que tanto amava e sempre distinguia! Todos fogem. João, o apóstolo predileto; São Pedro, o mais distinguido e quem mais assegurava ser fiel. Não confies em teu próprio zelo. Sem Deus, és fraco e cairás. Pede, pois, constantemente, a graça da perseverança final. Esforça-te também em consolar a Jesus por dupla fidelidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 96)
23 de março
1. a) “Conduziram-no primeiro a Anás“. Quanta diferença entre a entrada solene de Jesus em Jerusalém, no domingo anterior, e esta nova entrada! Quanta inconstância humana! Ao festivo “Hosana!” segui-se, depois de poucos dias, o implacável “Seja crucificado!“. Não te admires, pois só Deus merece confiança.
b) “O pontífice pergunta Jesus quais os discípulos que tinha, e qual era a sua doutrina“. Um homem perverso ousa interrogar insolentemente ao eterno Juiz! Ainda assim, Jesus responde com admirável humildade. Se Ele se sujeita, por que te queixas das censuras do mundo?
2. a) Respondeu-lhe Jesus:
“Eu falei publicamente ao mundo… pergunta, àqueles que ouviram, o que eu lhes disse”
Assim se pode defender aquele a quem a consciência nada acusa. Procede sempre assim, e não terás de recear o testemunho de ninguém.
b) Jesus responde só quanto à sua doutrina, não dizendo nada com relação a seus discípulos, cuja fuga não podia louvar. Não se queixou deles, apesar da ingratidão com que o trataram. Procedes assim?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 97)
24 de março
1. “Um dos quadrilheiros que se achavam presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: ‘Assim é que tu respondes ao pontífice?’“.
“O céu assustou-se, – diz São Crisóstomo – e a terra toda tremeu com tal insolência do servo”
E que aconteceu? Jesus não se vingou, como bem o podia. Admirável paciência e humildade do Filho de Deus! Não te envergonhas por te zangares tão facilmente com qualquer ofensa, menosprezo, ou simples falta de atenção, quando Jesus te dá tal exemplo? 2. a) “Disse-lhe Jesus: Se eu falei mal, dá testemunho do mal; mas se falei bem, por que me bates?“. Jesus se defende com toda a mansidão e humildade, para não ser suspeito de ter faltado ao respeito devido ao pontífice. Aprende de Jesus a defender-te quando preciso, e o modo digno e justo de fazê-lo.
b) Jesus falou bem e foi esbofeteado. Tu falas do próximo, faltando à caridade, senão à própria justiça, e levas a mal quando te pagam com a mesma moeda. Se por tua língua pecas, pode Jesus perguntar-te de novo:
“Por que me bates?”
Evita os pecados da língua com especial cuidado.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 98)
25 de março
1. Em casinha pobre, desconhecida do mundo, mora a mais santa das virgens. Sua virtude atraiu ela as vistas de Deus. Vem um príncipe celestial para lhe comunicar que é cheia de graça e escolhida para Mãe do Verbo divino. Maria estremece, mas aceita. No mesmo instante, anelantemente esperado por todo o céu, realiza-se o maior de todos os mistérios: a criatura concebe a seu Deus. Deus começa a morar como homem entre os homens. Quanta gratidão não devem todos a Deus e à Santíssima Virgem!
2. O anjo chama “bendita entre as mulheres” à Virgem Maria, bendita apesar de ser ela pobre, apesar de ocasionar desconfiança a seu imaculado esposo, apesar de dar à luz em pobre estrebaria, apesar de ter de fugir com o recém-nascido filho, apesar de vê-lo viver pobre, perseguido e morrer na cruz. Deus reserva o sofrimento principalmente para os seus escolhidos. Não desanimes, pois, no sofrimento; aceita-o satisfeito, que assim te assemelharás a teu Deus e a tua Mãe celestial. Lembra-te de Maria e da recompensa eterna, e tudo te parecerá mais fácil.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 99)
26 de março
1. Levado Jesus a Caifás, “os príncipes dos sacerdotes e todo o Conselho buscavam algum testemunho falso contra Jesus, para o entregar à morte“. Que ódio diabólico, que lança mão da mentira e da calúnia para conseguir seus fins perversos! Os juízes, cujo ofício era proteger o inocente, procuravam testemunhos falsos! A tanto leva o ódio, a paixão. Quantas vezes poderias e deverias defender teu próximo, se não atendesses à voz da paixão e do egoísmo!
2. a) “E não o achavam“. Que belo testemunho para a inocência de Jesus, único na história do mundo! Até os mais encarniçados inimigos não lhe descobrem uma falta sequer. Que feliz também tu, se o demônio nada tiver a dizer contra ti no dia do juízo, ao menos desde o dia de hoje!
b) “Jesus, estava calado“. Uma vida sem mancha é a melhor defesa. Jesus cala-se, quando podia provar sua inocência; tu ainda te escusarás, quando a consciência te acusa? E não suportarás nunca uma censura, justa ou injusta, por amor a teu Jesus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 100)
27 de março
1. Caifás, como se estimasse saber a verdade, disse a Jesus:
“Diz se tu és Cristo, o Filho de Deus”
Hipocrisia e malícia requintada! Se Jesus negar, será condenado, porque antes reivindicou para si esta dignidade; se afirmar, o condenarão como blasfemador. Jesus, podendo livrar-se da dificuldade, não o quis em respeito ao nome de Deus e por amor a nós. Seu exemplo mostra que antes deverás sacrificar a vida do que a fé ou a inocência. 2. a) Jesus, declarando-se Deus, acrescentou que virá sobre as nuvens do céu… Virá infalivelmente, e será o teu juiz. Não o esqueças nunca!
b) Então o príncipe dos sacerdotes rasgou as suas vestiduras, dizendo:
“Blasfemou”
Mais uma vez cobre com o manto da hipocrisia sua perversidade. Que dor não terá sentido o coração amoroso de Jesus, ao ouvir o grito uníssono:
“É réu de morte!”
Assim o tratam aqueles a quem fez tanto bem! E tu?… Acaso deixou Jesus de ser o teu melhor amigo, para que o trates como fizeste?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 101)
28 de março
1. a) “Então lhe cuspiram na face“. A quem? A seu Criador e Salvador. Incrível atrevimento das criaturas! Incompreensível humildade de Jesus! Fizeste-lhe o mesmo, ao manchares tua alma com o pecado, pois tua alma é sua imagem. Arrepende-te. Faze mais: sofrendo injúrias, imita a mansidão de teu Salvador.
b) “Deram-lhe bofetadas no rosto, dizendo: ‘Adivinha, Cristo. Quem é que te bateu?’“. Os insanos julgaram não ser conhecidos por Deus. Ele os conheceu, como te conhece a ti, tuas obras boas e más. E tu, pecado, sabias tudo isto!
2. a) Não há ninguém que defenda ao inocente Jesus nesta última noite de sua vida. Quando se conhecerá tudo quanto Ele suportou? Sem uma queixa sequer, sofre desamparado como ainda ninguém sofreu. Por quem? Por ti, por tua alma. Quanto amor! Com que o pagas?
b) Em obediência ao Pai, Jesus sujeita-se ao mais terrível tratamento. Como procedes nos sofrimentos que Deus diretamente ou por outros te manda? És digno irmão de Jesus? Nem o serás?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 102)
29 de março
1. a) “E Pedro ia seguindo-o de longe até ao pátio do príncipe dos sacerdotes“. São Pedro segue a Jesus: é sinal de amor; mas segue-o de longe: é sinal de fraqueza.
O respeito humano tirou-lhe a antiga coragem e o primitivo zelo. Sofres, acaso, do mesmo mal?
b) Pedro aproximou-se dos servos para se aquecer. Oh! Que antes se tivesse aproximado de Deus, para este lhe acender novo amor. Procurou a companhia dos inimigos de seu Mestre. Quem ama o perigo, nele cai. Não serás uma exceção à regra.
2. a) Pedro negou seu divino Mestre. Na companhia dos apóstolos ele confessou que Jesus era deus; no meio dos soldados o nega. Eis até onde leva a má companhia. Pedro cai por causa da pergunta duma criada. Milhares caem, porque não fogem à voz da sensualidade. Três vezes nega a Jesus. Tanto cai quem teve tamanha confiança em si!
b) “E Pedro lembrou-se da palavra que lhe havia dito Jesus… E tendo saído para fora, chorou amargamente“. Bondade inesgotável de Jesus! O mesmo Jesus olha também para ti. Chora com São Pedro e levanta-te do pecado e da indiferença.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 103)
30 de março
1. “Chegada, porém, a manhã, todos os príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo entram em conselho contra Jesus, para o entregarem à morte“. Pela terceira vez se reúnem contra Jesus. Assim, dado o primeiro passo, desceram a escada do vício, passando de um crime a outro. Evita a primeira caída.
De manhã se reúnem. Eis quanta atividade! Não envergonham teu zelo os filhos das trevas?
2. a) “E levantando-se toda a multidão, levaram Jesus a Pilatos“. Todos contra seu benfeitor! Ninguém que lhe tome a defesa!… Nada ou pouco dormiram. O ódio facilitou-lhes o vigiar. És tão solícito por amor, quanto os judeus pelo ódio?
b) “E eles não entraram no pretório, para se não contaminarem“. São escrupulosos no secundário, cegos no essencial. Mais vale a pureza interna, do que a sua aparência. É bom seres escrupuloso no mínimo, mas, suposto que o sejais, ainda mais deves sê-lo nas coisas de importância. Nada de hipocrisia, tão indigna do homem e, em particular, do cristão!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 104)
31 de março
1. a) “Foi, pois, Jesus apresentado ao governador“. Quem está aqui como acusado? Incrível… é Deus! O Criador, o eterno Juiz! Diante de quem? Diante de um iníquo, um juiz injusto. Para que? Para ser sentenciado. Tanto Deus se humilha! Quando, enfim, começarás a imitar teu Jesus humilde?
b) “Tu és o rei dos judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu o dizes“. A criatura atreve-se a interrogar seu Criador! Sim, Jesus é o Rei de todos. Respeitas a Ele sempre? Deixas a Ele reinar em teu coração? Soberanamente?
2. a) “Que mal fizeste?“. Assim o injusto juiz ousa perguntar a quem a todos faz bem, inclusive a seus inimigos. Toma sentido para que Jesus, quando vier como juiz, não tenha de te perguntar: “Que mal fizeste?”
b) “Eu não acho nEle crime algum“. Ainda que injusto, o juiz não pode furtar-se a esta confissão. E, não obstante, Jesus vai ser condenado! Feliz tu, se, no dia da sentença final, Jesus também em ti não achar culpa. Acharia culpa, se viesse hoje?…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 105)
1 de abril
1. “E quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o ao mesmo Herodes“. Que paciência e humildade sem par de Jesus! Que iniquidade do juiz! Este não quis condenar a Jesus, porque conheceu sua inocência, mas também não ousou livrá-lo por temor humano. O respeito humano, postergando a Deus, quer livrar-se de apuros. Lembra-te, entretanto, que só um juiz te julgará: Deus!
2. a) “Herodes, tendo visto a Jesus, folgou muito… e esperava vê-lo fazer algum milagre“. Não era santo este desejo de Herodes, pois só visava a satisfação de sua curiosidade. É sempre pura tua intenção, na leitura, nas relações com o próximo e em todas as tuas obras?
b) Jesus mostrou paciência e humildade admiráveis. Eis aí o milagre pedido. Herodes não o percebeu, “mas fez escárnio dEle, mandando-o vestir de uma túnica”. A infinita Sabedoria não recusa levar o nome e o sinal de louco.
E tu? Por que tanta susceptibilidade em vista de tal exemplo! Por que falar em tua dignidade, quando Jesus se cala!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 106)
2 de abril
1. “Qual quereis vós que eu vos solte? Barrabás ou Jesus?“. Seria injúria confrontar Jesus com um anjo. Que foi, porém, confrontá-lo com um criminoso, um assassino?! Iníquo juiz o que assim procede! Quantas vezes fizeste, porém, o que Pilatos só uma vez fez! Quantas vezes confrontaste Jesus com o objeto de tuas inclinações e paixões! Não compreendeste nunca a baixeza e ingratidão de tal procedimento?
2. a) “Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo que pedissem Barrabás, e que fizessem morrer Jesus“. O assassino tem seus advogados e protetores. Jesus não encontra nenhum que lhe tome a defesa! Oh! Que viva pelo menos em teu coração! Oh! Que nunca mais dEle te envergonhes!
b) “Mas todo o povo exclamou a uma voz, dizendo: Faze morrer a este e solta-nos Barrabás“. Se foi injúria o confronto, que será esta resolução do povo todo?! E Jesus sempre manso, amoroso, humilde!… E tu quererás indignar-te quando menosprezado? Preferirás tua honra à honra de Deus? Tanta susceptibilidade em ti, tanta resignação humilde em Deus!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 107)
3 de abril
1. “Pilatos lhes tornou: Então, o que hei de fazer de Jesus, que se chama Cristo? Responderam todos: Seja crucificado“. O iníquo juiz já não atende mais à inocência de Jesus; apela para as massas. Que dor, para Jesus, ver tanta injustiça do juiz e ouvir o grito: “seja crucificado!” daqueles aos quais fez tanto bem! Que inconstância deste povo, que antes cantou “Hosana!“. Ama Jesus tanto mais, quanto mais outros o odiarem.
2. a) “Pilatos lavou as mãos à vista do povo, dizendo: vós lá vos avinde“. O criminoso ainda dá a culpa a outrem. O medo do povo e o amor próprio o levaram à mais execranda injustiça. Vê o que tens de evitar.
b) “E respondendo, todo o povo disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos“. Já por dezenove séculos se presencia a maldição temerariamente provocada.
O sangue de Jesus veio também sobre ti. Faze-te digno dele, para que não te sirva de maior suplício na eternidade. Consola teu Jesus do desprezo com que inúmeros tratam seu precioso sangue.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 108)
4 de abril
1. “Pilatos o mandou açoitar“, depois de o ter declarado inocente. Que injustiça! Que dor terrível! Jesus foi despido. O mais puro está despido em presença do populacho que dEle zomba! Oh! Quanto não sofreu, para satisfazer por teus pecados contra a santa pureza! Ainda julgarás insignificante o que tanto custou a Jesus? Sim, terás que lutar; mas não te vencerás em vista do cruel martírio de teu Salvador? Tão pouco o amas?
2. Com desumana crueldade os soldados açoitaram a Jesus, até eles mesmos cansarem. Com varas e cordas rasgaram-lhe as carnes; seu sangue divino corre pelo chão; em convulsões terríveis, Jesus procura com seus olhos os algozes. Não encontra compaixão. Quão imenso não foi seu amor, que a tão terrível suplício se sujeitou voluntariamente! Que monstro será o pecado, a causa do seu sofrimento! Anima-te a mortificar, enfim, a tua carne, fitando teus olhos nAquele que sofreu inocente por ti, o culpado.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 109)
5 de abril
1. “E os soldados, tecendo de espinhos uma coroa, lhe puseram sobre a cabeça“. É um mistério de humilhação e de dor. Os espinhos fortes e agudos, cravados a força na cabeça, a parte mais sensível do corpo, e causando dores indescritíveis, fazem correr o sangue pela face toda desfigurada. A profecia de Isaías cumpre-se à letra:
“Desde a planta do pé ao alto da cabeça não há nele parte sadia”
Não serás capaz de nenhum sacrifício por esse teu Deus? Pondera a palavra de São Bernardo:
“É uma vergonha sermos nós membros delicados no corpo da Igreja, quando Jesus, sua cabeça, está coroado de espinhos”
2. A coroação de espinhos é um mistério de humilhação. Fazem do grande Deus um rei de comédia, que entregam à irrisão pública. Ridicularizam a coroa real que lhe era devida; colocam-lhe na mão uma cana por cetro e sobre os ombros, depois de o terem de novo despido cruel e desavergonhadamente, um manto de púrpura gasto e roto. Ajoelham-se e dizem, por zombaria:
“Deus te salve, rei dos judeus”
E Jesus sofre resignadamente. Quanto amor! Conforma teus sentimentos e atos com tão precioso ensino.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 110)
6 de abril
1. a) “Saiu Pilatos ainda outra vez fora e disse-lhes: Eis, aqui vo-lo trago fora, para que vós saibais que não acho nEle crime algum“. Como poderia Pilatos mandar açoitar a Jesus e tratá-lo com tamanha crueldade, se não achou culpa nEle? Mas foi só ele injusto para com Jesus? Não tens de acusar-te a ti, de nada?
b) “Eis aqui o homem“. Compara este Jesus com o do Tabor, o do presépio, e de Nazaré. Exteriormente, todo desfigurado por ti! Interiormente, porém, continua a ser o mais belo entre os homens. Estimas mais a beleza da alma do que o bem-estar e as atrações do corpo?
2. Os sacerdotes e todo o povo, longe de ficarem comovidos pelo triste espetáculo, gritaram com furor:
“Crucifica-o, crucifica-o!”
Que insaciável ódio! Que obcecação dum povo todo! Que dor para Jesus, ver-se assim pago pelos beneficiados! Não ouve nem uma voz em seu favor… A mãe não o pode socorrer, os discípulos fugiram. Não fujas também, quando se trata da honra ou do serviço de Deus!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 111)
7 de abril
1. Que contraste entre Pilatos e Jesus! Aquele, revestido de todo o brilho de seu cargo, está presidindo a sessão; Jesus, ligado e escoltado por vis soldados e algozes, é o acusado. Muitas vezes na terra a injustiça é exaltada, enquanto o amigo de Deus sofre. Só na eternidade vai mudar de face a cena, recebendo castigo o mau, prêmio o bom. Longe de desânimo, espera, pois, pacientemente e imita na terra teu Jesus em sua divinal humildade.
2. a) “Responderam os pontífices: Não temos rei senão Cesar“. Os pontífices, que jamais se queriam confessar súditos romanos, agora o fazem por ódio a Jesus, ao qual preferem o imperador. Rejeitavam a liberdade verdadeira que Jesus lhes oferecia, para abraçar o jugo romano. Não preferes nunca criaturas, ou alguma afeição, a teu Deus?
b) “Então, finalmente, lho entregou para que fosse crucificado“. Quão repugnante injustiça! Pilatos tinha reconhecido e confessado publicamente a inocência de Jesus e não obstante isso mandou açoitá-lo e agora até crucificá-lo. Quanto não sofreu o pobre Jesus! Já lhe pediste que te perdoe? Imitas sua resignação?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 112)
8 de abril
1. “E levando a sua cruz às costas, subiu para aquele lugar que se chama Calvário“. Começa o último ato do mais santo e augusto de todos os dramas. Jesus abraça a cruz, não se horrorizando nem deste sinal de afronta, nem do grande peso ao qual seu corpo enfraquecido teve de sucumbir. Não receies levar exatamente aquela cruz que Deus te manda e ainda mandará. Faltando-te forças, olha para Jesus e pede-lhas.
2. a) O amor de Jesus foi maior que suas forças físicas. Três vezes o Salvador caiu na via dolorosa, sob o peso da cruz, renovando-se cada vez as dores de todas as chagas. Os judeus dão-lhe Simão de Cirene, não para aliviá-lo, mas para que não morra antes de chegar ao Calvário. Com cada passo aumentam-se asa dores de Jesus: entretanto nem uma queixa sequer. E tudo isso por ti!
b) Jesus e Maria encontram-se. Que espada de dor para ambos! Não te esqueças de que também teus pecados contribuíram para tais sofrimentos. Tanto maior é a malícia dos pecados, quanto maior a compreensão.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 113)
9 de abril
1. Chegando Jesus, morto de cansaço, ao monte Calvário, despem-no, não com mãos delicadas, mas cruelmente, da sua túnica, pegada ao corpo ensanguentado. Corre de novo seu sangue. Mais ainda sofre Jesus por ver-se exposto nu, até à morte, aos olhos desrespeitosos ad multidão. Atiram-no ao chão. Estendem-lhe as mãos e depois os pés; retine o ar com as marteladas; em jorros corre o sangue do Salvador, manchando os circunstantes. O Cordeiro imaculado não se queixa, mas oferece suas dores indizíveis por nossa salvação. Ele sofre a pena que tu mereceste, ocupando o lugar que a ti era devido.
2. Levantando os algozes a cruz e fixando-a na terra, aumentaram, com o abalo tremendo, as dores de Jesus. Não contentes com isso, insultaram-no ainda, na hora de sua morte, crucificando-o no meio de dois ladrões, para que fosse considerado o pior dos três, o mais celerado. Mas quanta diferença entre os três crucificados! Um é malvado e obstinado, o segundo é penitente, o terceiro é a própria Santidade. A cruz é a parte dos bons e dos maus. Feliz, se te assemelhares ao penitente e a Jesus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 114)
10 de abril
1. Rasgadas suas carnes, o Salvador na cruz sente dilacerado também seu coração pela negra ingratidão do povo. Ainda assim não fala de si, nem se queixa, nem pensa primeiramente em sua santíssima Mãe, mas, antes de tudo, pede por seus implacáveis inimigos:
“Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”
Que excesso de amor! Jesus reza por todos que o ofenderam ou no futuro o ofenderão e já alega, como atenuante, a ignorância. Agradece o perdão que deus te ofereceu, arrepende-te e imita Jesus em seu amor aos inimigos.
2. O Salvador está no meio de dois malfeitores. Um deles, penitente, dirige-se a Jesus, com quem está sofrendo:
“Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino”
O bom ladrão não pede ser livre das dores, mas só que Jesus dele se lembre. E Jesus lho promete:
“Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso”
O bom Pastor achou a ovelha perdida, no último instante. Entretanto, um só dos ladrões se converteu. O segundo, apesar de estar na companhia de Jesus, perdeu-se. Quem dispensará todo o medo e cuidado em vista de tal sorte?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 115)
11 de abril
1. “Estava em pé, junto à cruz de Jesus, sua Mãe“. Maria não teme que a ignomínia do supliciado recaia sobre ela. Viu o Filho arrastado pelas ruas de Jerusalém, insultado, açoitado, coroado de espinhos, proclamado, pelo povo, réu de morte e pior que o assassino Barrabás. Vê-o deitado na cruz, sem que lhe possa prestar socorro, ouve as marteladas, vê-lo agonizante entre o céu e a terra. Partilha com Ele os opróbrios e insultos, esgotando com o filho o cálice das amarguras. De fato: grande como o seu amor é a sua dor; seu sofrimento é um mar.
2. a) Jesus, tendo perdoado aos inimigos e ao bom ladrão, diz à sua Mãe:
“Mulher, eis aí teu filho”
Consola a Mãe; mas que troca para ela: São João e, em sua pessoa, nós, por Jesus! Réus pelo Inocente! Estranhos e ingratos, em lugar do Filho Divino! Só lhe pode isso servir de consolo como lembrança do Filho.
b) A São João, Jesus disse:
“Eis ai a tua Mãe”
A pureza e a constância mereceram a São João esta distinção. Em sua pessoa também tu recebeste Maria por Mãe. Que belo legado de teu Jesus agonizante! Sê, em verdade, filho de Maria.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 116)
12 de abril
1. a) Tão pouca consolação teve jesus de sua natureza divina que exclamou:
“Deus meu, deus meu, por que me desamparaste?”
Não se queixou do Pai Eterno, mas apenas manifestou ao mundo o auge das suas dores. Que diferente o teu proceder ao sofreres!
b) Semelhante desamparo por parte de Deus, desamparo só aparente, pode vir também sobre ti. Confia, então, mais em deus, que é testemunha de tudo quanto pensas, falas e fazes, e pede-lhe o necessário conforto.
2. a) Em consequência de suma fadiga, da perda de sangue e do longo e cruel martírio, tornou-se sumamente penosa a sede de Jesus, tanto que ela o fez exclamar:
“Tenho sede”
O autor das fontes e águas não tem uma gota d’água para o seu próprio alivio. Mas, além desta sede natural, teve outra ainda maior: a da nossa salvação. Quanto amor!
b) Ainda na cruz, agonizante, Jesus tem de experimentar a ingratidão humana, apesar de todo seu amor:
“Eles, ensopando no vinagre uma esponja, lha chegaram à boca na ponta duma vara de hissope”
Assim o mundo trata seu maior benfeitor, quando o vê agonizante! Nunca deste algum vinagre a teu Jesus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 117)
13 de abril
1. Jesus, porém, havendo tomado o vinagre, disse:
“Tudo está consumado”
Lembra-te de todas as fases de sua paixão, que logo começou desde que veio ao mundo. Pouco vale começar uma boa obra; a questão é continuar e acabá-la bem. Quanto começaste, sem o terminar! Feliz, se na hora da morte puderes dizer com Jesus:
“Tudo está consumado”
2. E Jesus, dando um grande brado, disse:
“Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito”
Eis as últimas palavras de teu Salvador. Não fala de seu corpo pregado no duro lenho da cruz e, sim, só de sua alma, ensinando-te que mais deves cuidar da alma imortal que do corpo, futuro pasto dos vermes. Recomenda também tua alma a Deus, teu Pai! Faze-o muitas vezes na vida, para não deixares de fazê-lo, com afeto especial, na hora da morte. A teu Jesus agradece tudo o que Ele sofreu por ti, bem como os ensinamentos que por seu belo exemplo, durante 33 anos de sua vida, te deu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 118)
18 de abril
1. “Ressuscitarei ao terceiro dia“, tinha dito Jesus aos seus discípulos. Entretanto, dois discípulos, não sabendo esperar, partem tristes para Emaús. Parecia-lhes tudo perdido. Nenhuma estrela de esperança. Esqueceram que a verdadeira consolação está em Deus. Não fazes muitas vezes o mesmo? Queres ser ouvido logo por Deus; qualquer demora já te perturba e abala a confiança. Mereces a censura de Jesus:
“Ó estultos e tardos de coração para crer!”
Jesus virá logo em teu socorro, como socorreu os discípulos.
2. a) Se acaso tiveram defeitos os dois discípulos, tinham também virtudes próprias para edificar. Sua conversão é a mais santa; à pergunta de Cristo, podem responder:
“Falamos de Jesus”
O que terias de responder, se Jesus, no meio da palestra, do recreio, ou divertimento, te dirigisse a mesma pergunta? Mereces alguma recompensa eterna ou antes castigo por tuas conversas?
b) Os dois viajantes ouvem com grande respeito os ensinamentos de Jesus e unem-se a Ele, não querendo deixá-lo mais. Procedes assim? Ou antes julgas longo o tempo passado na igreja e na oração?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 123)
19 de abril
1. E no primeiro dia da semana vieram muito cedo ao sepulcro, trazendo os aromas que haviam preparado. As piedosas mulheres não se deram por satisfeitas de terem assistido à morte de Jesus. O amor leva-as a fazerem mais. Querendo embalsamar o corpo de seu divino Mestre, tiveram de comprar aromas, sinal de que já os não possuíam para fins vaidosos. Compraram-nos, ainda que soubessem que José e Nicodemos já tinham embalsamado a Jesus. Visaram só o próprio dever, não o que foi feito por outros. Costumas fazer assim?
Vieram muito cedo, porque o amor as impelia. és também ativo, quando se trata da honra ou do amor de Deus?
2. As piedosas mulheres reconheceram a dificuldade de suas empresa, pois “diziam entre si: quem nos há de volver a pedra da entrada do sepulcro?”
Apesar disso não voltam, mas, confiando em Deus, continuam seu caminho. E Deus recompensou tão grande amor e confiança, pois, “elas, olhando, viram revolvida a pedra“. Deus sabe remover os obstáculos que em seu serviço se nos opõem ou que ameaçam nossa vida e nosso bem-estar. Põe nEle toda a tua confiança.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 124)
20 de abril
1. “Mas o anjo, falando logo, disse às mulheres: Vós outras não temais, porque sei que procurais a Jesus, que foi crucificado“. Aparecendo o anjo aos guardas, o seu aspecto era como de um relâmpago; às piedosas mulheres, porém, apareceu como jovem, coberto de roupa branca. A má consciência tem de temer a Deus e a seus anjos; a boa vê neles seus consoladores e protetores. As mulheres tinham acompanhado a Jesus em sua paixão, e Ele, por seu anjo, agora as consolava.
2. a) “Não está aqui, porque ressuscitou, como disse“. Elas o procuram no sepulcro, alegrando-se ao saberem da sua gloriosa ressurreição. Onde procuras teu Jesus? Se entre divertimentos ou criaturas, terás a mesma resposta:
“Não está aqui”
b) Examina-te, se já ressurgiste espiritualmente, deixando o sepulcro do pecado e das más inclinações. Se ainda não evitas o que te leva a ofender a Deus, estás ainda no sepulcro. Ressurge! Quem sabe se amanhã ainda o poderás! A graça de Deus, quando menosprezada, talvez nunca mais voltará. Chorarás, mas será tarde.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 125)
21 de abril
1. “Mas ide, dizei a seus discípulos, e a Pedro, que ele vai adiante de vós, esperar-vos em Galileia“. Que bondade de Jesus! Apesar de ter sido negado três vezes por São Pedro, a ele mais particularmente do que aos outros manda anunciar sua ressurreição. Tanto Jesus quer ver honrada a autoridade, o chefe da Igreja, e tanto lhe agradou a sincera e contínua penitência do apóstolo. De fato, no céu haverá maior alegria por um pecador que se converte, do que por cem que da penitência não precisam. Do mesmo modo Jesus também perdoou aos demais discípulos que o tinham desamparado na sua paixão. Não deves, pois, nunca desanimar em vista das tuas ofensas a Deus.
2. “Mas o que as mulheres lhes diziam pareceu-lhes como que um delírio, e não lhes deram crédito“. A antiga fraqueza! As mulheres não referiam mais do que Jesus já muito antes tinha predito. Não obstante isso, os apóstolos não lhes deram crédito, tão inaudito lhes parecia o milagre. Como aos apóstolos pelas piedosas mulheres, assim a ti Deus fala pela Igreja e por teus superiores. Não imites os discípulos em sua incredulidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 126)
22 de abril
1. a) “Saíram, então, Pedro e aquele outro discípulo, e vieram ao sepulcro“. Pedro e João não queriam fazer como os demais apóstolos, que não deram crédito às mulheres. O amor e a prudência os impeliram a verificar incontinente a verdade das palavras que ouviram, indo ao sepulcro examinar tudo.
b) Corriam ambos juntos. O amor acelerou-lhes os passos. Quem ama a Deus, corre a seu serviço. És veloz e prestes para obedecer, e, em geral, para servir a Deus? Ou costumas subtrair-te a deveres religiosos por qualquer pretexto?
2. a) “Mas aquele outro discípulo correu mais apressado do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro… porém não entrou“, diz São Jerônimo:
“João correu mais apressado do que Pedro, porque era levado pelas asas da pureza virginal”
Esta virtude, que leva mais ligeiro a Deus, te é indispensável.
b) Não obstante isso, São João deixou entrar no sepulcro primeiro a São Pedro, o chefe dos apóstolos. Não se julgou mais digno, apesar de ter ficado ao pé da cruz, enquanto São Pedro tinha negado a seu Mestre. Como respeitas tu teus superiores?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 127)
23 de abril
1. Na verdade, o Senhor ressuscitou, e apareceu a Simão. Ao primeiro dos apóstolos Jesus apareceu, não para censurá-lo da tríplice negação, mas para confirmá-lo na fé e assegurar-lhe o perdão completo. Como Jesus perdoou plenamente, assim exige de ti, sob pena grave, perdoar aos que te ofenderem.
“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”
Tem todo o cuidado, para que, com estas palavras, não te condenes a ti mesmo. Jesus acrescenta:
“Se não perdoardes aos homens tão pouco vosso Pai vos perdoará os vossos pecados”
2. a) Os discípulos, que não creram na palavra das piedosas mulheres, não negaram sua fé à palavra de São Pedro, seu chefe. Alegam como prova suficiente que Jesus apareceu a Simão. Este achava-se encarregado por Jesus de confirmar seus irmãos na fé. Prestas a mesma fé, em tudo, ao sucessor de São Pedro?
b) São Pedro, sinceramente arrependido, mereceu a aparição do ressuscitado. Se com ele chorares o muito que tens feito contra o teu bom Deus, com ele serás agraciado.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 128)
24 de abril
1. a) “Madalena voltou-se para trás e viu Jesus em pé: e não sabia que era Ele“.
Tão perto estava Jesus de Madalena, que, solícita, o procurava. Jesus nunca está longe daqueles que o procuram com todo o coração. Se perseverares em ir à sua procura, o acharás.
b) Disse-lhe Jesus:
“Mulher, por que choras? A quem procuras?”
Que ternas palavras! Não obstante, Madalena não o conhece. Jesus, por perto que esteja, às vezes se esconde, deixando em tristeza a alma, para lhe aumentar o desejo de o encontrar e possuí-lo e ficar com Ele.
2. “Ela, julgando que era o hortelão, lhe disse: ‘Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei‘”. Madalena só em Jesus pensava; por isso nem repara que com suas palavras não menciona nem o nome daquele a quem procura, como se todos estivessem preocupados com o mesmo. Diz-se pronta para levar o corpo do Senhor, não receando os judeus furiosos, os soldados romanos e sua falta de força. Ao verdadeiro amor nada é demasiado.
Amas a Deus como Madalena?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 129)
25 de abril
1. Tendo Maria Madalena, por sua visita ao sepulcro, provado mais uma vez seu grande amor, “Jesus lhe disse: Maria!“. Ela, voltando-se, lhe disse: “Raboni!” que quer dizer: “Mestre!“. Que bela recompensa! Com voz assas conhecida, Jesus chama-a pelo nome. Esta voz penetra-lhe no coração e fá-la conhecer seu Mestre. Com que extrema bondade trata Jesus a pecadora de outrora! Pecaste tanto quanto ela, ou ainda mais? Nem assim Jesus te rejeitará, se vieres a Ele arrependido como Madalena.
2. a) “Disse-lhe Jesus: Não me toques!“. Jesus proibiu a Madalena o que concedeu a outra Maria e a Salomé. A uns dá Jesus consolações, enquanto a outros manda provações, visando, porém, o maior bem de todos. Sem te queixares, e sem o compreenderes, segue os caminhos de Deus, entrega-te com confiança à Providência divina.
b) Jesus abrevia o tempo da aspiração, mandando a Madalena que avise aos apóstolos, consolando-os com a notícia da ressurreição. Assim, às vezes, exige interromperem-se ocupações boas e mesmo o serviço divino, para atender à necessidade ou itilidade do próximo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 130)
26 de abril
1. a) Quando as piedosas mulheres regressaram do sepulcro, para anunciar aos discípulos as palavras do anjo, “saiu-lhes Jesus ao encontro, dizendo: ‘Deus vos salve’“. Jesus recompensou o amor e a fidelidade das mulheres, saindo-lhes ao encontro e saudando-as amorosamente. Confia na bondade de teu Salvador, que faz o mesmo com todo pecador arrependido.
b) “E elas se chegaram a Ele e, abraçando-lhe os seus pés, o adoraram“. Com quanto respeito e amor terão feito o que a Madalena não foi concedido! Deus consola de modo diferente. Reza de coração:
“Faça-se a tua vontade”
2. a) Apesar de todo o regozijo, as mulheres ainda temiam, e então Jesus as consolava:
“Não temais”
Os justos também temerão, quando Jesus voltar como Juiz; converter-se-á, porém, seu temor em alegria. De que lado estarás no dia das contas finais? Tua vida responde…
b) “Ide, avisai a meus irmãos para que vão à Galileia“. Jesus chama de irmãos os que o tinham abandonado. Perdoou, pois, completamente. Também tu és irmão de Cristo. És digno deste nome?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 131)
27 de abril
1. a) “Chegada, porém, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e estando fechadas as portas, onde, por medo dos judeus, se achavam juntos os discípulos, veio Jesus“. Escondidos pelo respeito humano! Não sofres do mesmo mal? Já não perdeste muito devido a ele? A falta de preparação retarda a vinda de Jesus. O Senhor mandou avisar seus discípulos por diversas pessoas, para que se preparassem, vindo por isso tarde.
b) As portas dos sentidos devem estar fechadas, para que Jesus possa entrar no coração; senão já terão antes entrado a distração e a tentação.
2. a) “Veio Jesus e pôs-se no meio“. Onde dois ou três estiverem reunidos em nome de Jesus, lá estará Ele também. Aprecia, pois, devidamente as orações e outras práticas de piedade, feitas em comum.
b) “Paz seja convosco; sou eu, não temais“. A verdadeira paz só Deus a pode dar; fora dEle, é inquieto o coração. “Sou eu“, o Deus de misericórdia e de amor, que te procura. Por que foges tantas vezes? “Sou eu“, o único fiel; o único que ainda depois da tua morte poderá auxiliar-te.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 132)
28 de abril
1. a) “Assim como o Pai me enviou, assim eu vos envio“. Jesus nomeia os apóstolos seus representantes. Quanto amor não teve a todos, providenciando nessa ocasião para todo o futuro! A Jesus se devem os benefícios emanados do sacerdócio da Santa Igreja, durante tantos séculos. Não é grande ingratidão esquecê-los?
b) “Recebei o Espírito Santo“. Jesus fortificou seus apóstolos para sua árdua missão: Possuis ainda a vida da graça pelo Espírito Santo, que te foi dada no batismo e, novamente, em tantas confissões? A que grau de santidade chegarias, se correspondesses a todas as suas iluminações?
2) O amor de Jesus foi mais além:
“Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados”
Deus infinito, ofendido por nós, envia-nos a fracos homens, aos quais dá o poder de perdoar em seu lugar. Quanta facilidade para obter o perdão! Se para o perdão exigisse o sacrifício da vida, da fortuna, de toda a espécie de comodidade, ser-nos-ia lícito queixarmo-nos? Agradece de coração este divino benefício de que tanto precisas e sem o qual não te salvarás; mostra-te digno dele pela melhor disposição possível.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 133)
29 de abril
1. a) Porém Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Tomé preferiu sua opinião à dos dois discípulos de Emaús e à de todos os mais. Privou-se por isso da ocasião de ver a Jesus.
b) “E oito dias depois estavam os seus discípulos outra vez dentro, e Tomé com eles – Veio Jesus pelas portas fechadas”. Oito dias o apóstolo perseverou em sua descrença; Jesus, porém, o socorreu, desde que se achava com os demais apóstolos. Eis a vantagem dos exercícios comuns de piedade. Os méritos dos outros te aproveitarão.
2. a) Jesus dirigiu sua palavra a Tomé, ainda que estivessem presentes outros mais dignos. Mostrou que veio buscar a ovelha perdida. Quantas vezes Jesus foi à tua procura! Que fazes tu pela salvação do próximo e pela tua própria?
b) “Mete aqui o teu dedo“. Quanto não condescende Jesus com a fraqueza de seu apóstolo! Se este se tivesse anteriormente lembrado da presença de Deus e todos os lugares, não teria usado de tais palavras que agora Jesus lhe censura. Tomé aproveitou-se, porém, da graça, exclamando, arrependido:
“Senhor meu e Deus meu!”
Fazes assim?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 134)
30 de abril
1. a) “Disse-lhes Simão Pedro: Eu vou pescar. Responderam-lhe os outros; Vamos nós também contigo“. Que harmonia fraterna! Em perfeita concórdia, todos se sujeitam a seu chefe. Procuras também em tudo o mérito da obediência?
b) “Saíram, pois, e entraram numa barca; naquela noite, porém nada apanharam“. Por disposição divina foram infrutíferos os esforços dos apóstolos – para que compreendessem que da bênção de Deus depende tudo. Pede esta bênção para tuas obras, santificando-as pela boa intenção, mas não desanimes nunca. Deus não te desamparará.
2. a) “Mas, chega a manhã, apresentou-se Jesus na praia… Lançai a rede para a parte direita da barca e achareis“.
Jesus deu esta ordem antes de ser reconhecido pelos apóstolos, cuja obediência foi largamente recompensada. Deus sempre aceita bondoso os atos de obediência.
b) São João reconheceu primeiro ao Senhor. A pureza virginal predispões a todas as virtudes e ao conhecimento mais íntimo de Deus.
“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 135)
1 de maio
1. Em doces acordes, sobem hoje ao céu de toda as partes do mundo católico, louvores à Santíssima Mãe de Deus. Moços e velhos, homens e mulheres, religiosos e seculares rivalizam entre si, para prestar sua homenagem a Maria Santíssima. Milhões a veneram, dia por dia, noite por noite, por orações e cantos em comum, dedicando-lhe todo este mês. Serás, por tua indiferença, uma dissonância inadmissível nesta sinfonia universal? Não faças assim. Tens muitos meios à tua disposição para mostrar teu afeto à tua boa Mãe. Faze propósitos bem determinados.
2. Maria merece a maior homenagem possível. Quem excederá em dignidade a Filha do Pai Eterno, a Mãe de Jesus Cristo, a Esposa do Espírito Santo?! Quem reunirá em si tantas prerrogativas como a Imaculada Rainha do céu e da terra, o refúgio dos pecadores, a Mãe dos aflitos?! Todos os seus títulos merecem ser bem ponderados. Se de todo o mundo fosses abandonado, sabe que jamais se ouviu que Maria tenha alguém desamparado. Também a ti ela socorrerá. Confia nela. Ama-a com amor grande, sincero e constante, feliz de poderes elevar até ela teus olhos e teu coração.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 136)
2 de maio
1. “Simão Pedro, quando ouviu que era o Senhor… lançou-se ao mar. E os outros discípulos vieram na barca“. O grande amor de São Pedro fê-lo impaciente. Esqueceu-se da pesca e até do perigo, procurando unicamente chegar, o mais cedo possível, a Jesus. O caminho a Deus é um só! É indiferente, porém, o modo de caminhar. O amor verdadeiro faz correr, isto é, não receia nem cansaço, nem obstáculo. Compara tua indiferença com o amor ardente e impetuoso de São Pedro.
2. “E tanto que saltaram em terra, viram umas brasas postas, e um peixe em cima delas, e pão“. Quanta bondade e ternura de Jesus! Apesar de já ter ressurgido e estar transfigurado, não despreza preparar alguma comida a seus apóstolos. Quanto te envergonha tal exemplo de amor aos inferiores! Não terás nada que aprender de Jesus para tua vida quotidiana? Se Jesus já na terra se mostra tão amoroso, que recompensa terá reservado no céu aos que o amam! Faze-te digno do prêmio eterno e da companhia dos anjos e santos, pois o que são toda a glória humana, todo o prazer da terra em vista do céu?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 137)
3 de maio
1. a) “Simão, filho de Jonas, amas-Me tu mais que a estes?“. Respondeu-lhe:
“Sim, Tu sabes que Te amo”
Disse-lhe Jesus:
“Apascenta os meus cordeiros”
Pedro é nomeado chefe por Jesus, que escolheu para isso quem muito o amava. Desconfiado do testemunho da própria consciência, São Pedro recorre à onisciência de seu divino Mestre, dizendo humilde e modestamente:
“Tu sabes que Te amo”.
b) Pedro respondeu: “Tu sabes que Te amo“, desconfiando de si próprio desde que negou a Jesus. Nem diz que o ama mais do que os outros, por proibir-lho sua humildade. Imita o apóstolo nestas belas virtudes.
2. a) Três vezes foi perguntado por Jesus, quem três vezes o tinha negado. De certo já negaste a Jesus mais vezes do que São Pedro o fez. Fizeste outras tantas vezes atos de desagravo, de contrição e de propósito? Ou vale Jesus tão pouco a teus olhos, que não tens por nada tê-Lo ofendido?
b) Feliz apóstolo que a seu Deus onisciente podia dizer:
“Tu sabes que Te amo”
O que devias responder a idêntica pergunta de teu Jesus? Oxalá que não falem tuas ações omissões, todo o teu proceder, outra linguagem do que tua boca, e talvez o contrário daquilo que São Pedro pôde dizer!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 138)
4 de maio
1. “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação dos séculos“. Jesus enviou seus discípulos como ovelhas entre lobos, expondo-os a enfrentar incômodos, desgostos, em perigos e perseguições. Consolava-os, porém, assegurando-lhes sua eterna assistência. Que ideia sublime! Deus está contigo, é testemunha de todas as tuas ações, de todos os teus sofrimentos. O mundo, parentes, amigos, teus íntimos, talvez não te compreendem; que mal fará isto, desde que Deus aprove o teu proceder! Nada faças, pois, que ofenda o seu divino olhar.
2. Não só por sua divindade Jesus está contigo todos os dias. No Santíssimo Sacramento está tão realmente presente em corpo e alma, como há 19 séculos esteve na Terra Santa (1). Dia e noite espera ser visitado, adorado e implorado, dando ricas graças aos que o procuram. De nada precisas? Minutos passados perante o Tabernáculo te fariam muito progredir na virtude e vencer todos os obstáculos. Deixarás a Jesus amar=te tão indizivelmente, sem corresponder-Lhe? Que cegueira incompreensível!
Nota: (1) Calculado a partir da época em que foi escrito este livro, 1944.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 139)
5 de maio
1. Donde vens? Como se explica o maravilhoso organismo de teu ser? Donde tens tua consciência? Donde vem o mundo em que vives? A única explicação admissível é:
“No princípio criou Deus o céu e a terra”
Jamais o vento formará, de madeiras e pedras no chão dispersas, majestosa catedral, jamais os tipos de chumbo, caindo por si, formarão mavioso drama; jamais as tintas esvaziadas por acaso sobre uma tela darão uma pintura de mestre; tão pouco o acaso ou constante desenvolvimento da matéria pode ser a causa de tua existência. És, pois, a obra de Deus. Alta e nobre origem! És grato a teu Criador? Pensas nos direitos que Ele tem sobre ti?
2. O Altíssimo criou-te para si. Permite-te e até te prescreve amá-Lo e servi-Lo, para um dia O possuíres. Este é o teu fim; tudo mais, sem exceção, é dispensável. Ter haveres, saúde, bem-estar, saber, longa vida, pode ser útil; necessário não é, contanto que te salves. Corresponde a tua vida a estas máximas indiscutíveis?
Preferir o serviço de Deus a tudo o mais, longe de amargurar-te a vida, adoçará teus dias e tua morte. Vens de Deus, por isso a Ele terás de voltar; eis o resumo de tua vida.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 140)
6 de maio
1. Dentro de nós existe e vive o que não pode ser percebido com os sentidos, o que, porém, se conhece por seus efeitos: a alma, sopro santo de Deus, imagem do Altíssimo. Que é o corpo, mesmo o mais belo e perfeito, em comparação com uma alma? Que são todos os cetros e tesouros, todas as criaturas da vasta natureza, em comparação com uma alma? Tão precioso bem possuis tu! Por que não a prezas mais? Por que trabalhas tanto pelo bem-estar do corpo, deixando passar fome a sede espirituais tua alma? Aprecia-la-ás só quando perdida?
2. A alma é imortal. Contigo trazes uma eternidade. O sepulcro, que um dia encerrará teu corpo, não possuirá tua alma. De fato, “que dará o homem em troca pela sua alma?“. O mundo inteiro na concha duma balança subirá, quando na outra estiver colocada uma única alma. Foi por isso que Jesus veio nascer pobre, fugir perseguido, viver oculto, pregar e trabalhar, suar sangue, ser açoitado, coroado com espinhos e crucificado. Por isso temos o tabernáculo, os sacramentos, por isso também há tantos esforços por parte do demônio. E não quererás convencer-te do valor de tua alma?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 141)
7 de maio
1. Há uma só necessidade: salvar a alma; é o dever dos deveres. Nenhum há que urja mais; o descuido de nenhum outro tem tão funestas consequências. Quer vivas pouco, quer muito, nunca terás outra coisa mais necessária a fazer. Sê, pois, justo para contigo mesmo.
“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma?”
Quanto maior loucura será dar a alma, não por todo o mundo, e sim por um punhado de bens, de honras, de satisfações carnais, por afeição humana que terminará, ao menos, com a morte! E que dano terás, perdendo todo o mundo, se salvares a alma? Nenhum; pois, salva a alma, tudo está salvo, o céu e a posse do próprio Deus.
2. A alma vive pela graça santificante. Morta por isso está pelo pecado grave, enfraquecida pelo pecado leve. Em que estado se acha a tua alma? Sê franco e sincero contigo mesmo e com Deus que te observa. Se vives, procura aumentar a vida da graça:
“Eu vim, diz Jesus, para terem a vida, e para a terem em maior abundância”
Firma-te em Jesus, que te diz:
“Eu sou a ressurreição e a vida; o que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 142)
8 de maio
1. “Como é estreita a porta e apertado o caminho que guia para a vida, e como são poucos os que acertam com ele!”. É penoso e difícil caminhar em areia embaraçosa ou sobre blocos de pedra. O caminho ao céu é mais custoso ainda, pois satanás e o mundo aumentam-lhe, de mil modos e incessantemente, a dificuldade e o perigo. A própria natureza convida a gozar, enquanto Jesus exige abnegação:
“Os que fazem esforços, estes são os que o conquistam”
Decide-te, pois!
“Ninguém pode servir a dois senhores”
Sacrifícios aqui, gozos eternos ali, mas não prazeres neste e no outro mundo. Só uma das duas coisas. Escolhe.
2. Há constante combate entre o espírito e a carne, que ambos aspiram à felicidade de maneira bem diferente. Só serás feliz em Deus, que é elemento vital e por quem foste criado. Queres honra?
“Grande glória é seguir ao Senhor”
– Aspira à riqueza? Deus possui tudo e dá tudo a seus escolhidos. – Queres alegria?
“Saboreia e experimenta quão doce é o Senhor”
Pobre coração que se contenta com a gota, quando pode ter um oceano de felicidade!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 143)
9 de maio
1. Há só uma verdadeira desgraça: o pecado. Tudo mais é menos grave. Pecando, preferes tua vontade à de Deus e rompes com Ele. Mas quem é Deus, a quem ousas ofender? É o Senhor que te criou, que é tão grande e santo, diante de quem se ajoelham todos os que estão no céu, na terra e debaixo da terra. E quem és tu? Uma criatura ricamente adornada e distinguida, mas sempre criatura… mortal, pobre e fraca, dependente de mil coisas.
2. Pecando, ofendes teu Pai divino, a quem deves os dons da natureza e os da alma. Em verdade, Deus tem toda a razão de se queixar:
“Alimentei e criei filhos, mas eles me desprezaram”
Acresce que Deus odeia o pecado. Pecando, estás, pois, do lado dos inimigos de teu Deus; mais, tu mesmo és este inimigo. Aumenta-se a malícia, quanto mais viva é a consciência de que Deus vê tudo, que Ele ameaçou a quem o ofende, e que sabe executar suas ameaças. O pecado é a mais feia ingratidão. A ingratidão avilta-nos aos olhos dos homens; será menos desculpável a ingratidão para com Deus? Esquecerias tão facilmente quanto fez Deus por ti? Quanto faz ainda hoje?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 144)
10 de maio
1. a) Para fugir sempre do pecado, é preciso conhecê-lo em toda a sua repugnância. Amas o que é belo: o pecado, sob todos os pontos de vista, é o mais feio que se pode imaginar. Amas o que é grande e nobre: o pecado degrada até ao último grau, quebrando o selo da divina filiação.
b) O pecado rouba os maiores bens. Foste bom, talvez mesmo santo, cheio de méritos. Um pecado… e tudo perdido! Perdida mesmo a possibilidade de ganhar, neste estado, méritos para o céu. O pecado rouba ainda mais: a paz, envenena tua vida pelos remorsos da consciência e sujeita-te ao duro jugo do demônio.
2. O pecado separa de tudo que é bom; separa-te de Deus ofendido, em cuja posse tua alma acha, segundo a palavra de Santo Agostinho, a sua felicidade. O pecado mata a tua alma, fazendo-a perder a graça santificante que dá vida… Um cadáver, que aspecto repugnante! Mas intolerável é o aspecto de uma alma sem a vida sobrenatural, dada pela graça santificante! Com ela andarias tranquilo dias e semanas? E se a morte neste estado te surpreender, no outro mundo terás a morte eterna, a perdição certa. E ainda desprezarás o pecado?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 145)
11 de maio
1. A leviandade ousa dizer:
“Já muitas vezes pequei, e que mal me aconteceu?”
Calar-se-ia, se olhasse para certos fatos. Espíritos puros, poderosos, sábios e belos tinham sido criados por Deus. Alguns rebelaram-se e logo despovoou-se o céu. Lúcifer e os que o tinham seguido caíram do céu como um relâmpago. Santo Deus! Quanta transformação! Um único pecado fez de anjos, demônios; de espíritos belos, monstros de hediondez; de felizes, desesperados; de amigos do Altíssimo, condenados! Assim puniu Deus, que, entretanto, é todo amor! O que deve ser o pecado!
2. Adão e Eva eram uma obra prima do Artífice divino. Sua razão era esclarecida pela eterna luz, sua vontade, voltada para o sol da justiça, sua carne, sujeita devidamente ao espírito; felizes, conversavam familiarmente, em delicioso jardim, com o próprio Deus… Pecaram, e apesar de nunca terem visto a consequência dum pecado, seu castigo foi tremendo. Foram expulsos do paraíso; obscureceu-se-lhes a razão, tornou-se-lhes fraca a vontade, rebelou-se a carne, conhecendo eles que estavam nus. Morte, fome, peste, guerra, discórdia, inveja, traição, tudo isso são consequências de um só pecado. Qual não dever a sua malícia!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 146)
12 de maio
1. a) Por um só pecado terrivelmente foram castigados os prediletos de Deus, os anjos e os primeiros homens. Será, pois, uma bagatela ofender a Deus? Onde é grande o castigo, maior deve ter sido a culpa, porque Deus, mesmo castigando, ainda é bondoso.
b) Não estará mais de um condenado no inferno devido a um único pecado mortal, o primeiro de toda a vida? Não estarão lá os que menos do que tu pecaram? O que sofrem? Por quanto tempo?É realmente para assustar-se, pensar em seus sofrimentos eternos. deus é um retribuidor longânimo, mas infalível.
2. Milhares pereceram pelo dilúvio, em consequência do pecado da carne. Milhares pelo fogo e enxofre em Sodoma e Gomorra, e as mais cidades, cujos habitantes haviam cometido crimes abomináveis. Os infiéis israelitas foram punidos pelas serpentes no deserto, pela espada dos inimigos, pela perda da arca da lei, pela tirania dos próprios príncipes. Jerusalém foi destruída, o povo judeu, reprovado e disperso, e o pecado não será nada? Não dará cada um destes fatos assunto para séria meditação? Se Deus a outros castigou inexoravelmente, também tu, pecando, não lhe escaparás.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 147)
13 de maio
1. Na cruz está agonizante, entre indizíveis tormentos, o Mártir divino. É teu Salvador, pois nasceu, viveu, ensinou, padeceu e morreu para te salvar. Outro, a não ser Ele, isto é, Deus, não podia apagar as manchas feias do pecado e curar as chagas terríveis que ele causou. A ofensa ao Infinito reclamava uma reparação infinita. O pecado é, pois, a causa da morte de Deus Filho. Em seus ombros carregou os pecados de todo o mundo, de todos os países, de todas os tempos. Talvez tivesse sentido os teus como muitos pesados e dolorosos. Os judeus eram os instrumentos culpados da justiça divina, mas tu e os demais pecadores a verdadeira causa. Vê quanto custou a Deus tua libertação!
2. Pecando, de certo modo renovas a paixão de Jesus. Se ainda te não tivesse salvado, teria de padecer e morrer agora para te salvar. Ousarás, pois, traí-Lo, arrastá-Lo, açoitá-Lo, feri-Lo com espinhos, crucificá-Lo, traspassar-Lhe o coração? Não digas: “Assim não o pretendo“, pois a realidade é que os pecados são os algozes de Jesus.
Se o sangue de Jesus não te curar, perder-te-á, aumentando tua responsabilidade. Darás ao demônio o prazer de pisar o sangue divino em tua alma condenada?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 148)
14 de maio
1. Correspondeste no passado à justa expectativa de Deus? Deves a Ele tudo quanto tens; como Lhe pagaste? Por uma vida toda dedicada a Ele? Ou antes por pecados de desobediência contra teus superiores, falta de respeito em lugar santo, oração indiferente, pensamentos ilícitos, excessos ou falta de abnegação na mesa, descuido dos deveres de estado, perda de tempo, arrogância, vaidade, orgulho, injustiça, discórdia, falta de caridade? Deste a devida satisfação por tudo isto?
2. Se em vão tiveres contado com uma longa vida, que será de ti? Que fizeste para Deus, o céu, a vida eterna? Onde as tuas boas obras, os teus méritos? E se ainda mais tempo viveres, não está irreparavelmente perdida pelo menos grande parte da tua vida? Ainda poderás e ousarás adiar a séria conversão para mais tarde? Em cada dia que se passa, aumentará tua responsabilidade. Oh! Santifica todos os momentos pela boa intenção. Faze boas obras quanto puderes, visto ser tão escasso o tempo. Sê prudente agora, para não te arrependeres no leito da morte e na eternidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 149)
15 de maio
1. Há um inferno, e ele é profundo e terrível, acima de toda descrição. A razão e a fé nos falam de sua existência e de sua natureza. Onde, se não houvesse inferno, acharia o mal a sua punição? Seria Deus só misericordioso, sem ser também justo? Nele todas as divinas perfeições são iguais. Jesus, o bom, o manso, o compassivo, não menos de 15 vezes fala no Santo Evangelho do fogo infernal, fogo criado pela justiça ofendida, fogo abrasador que arde fora e dentro do corpo. Não há que fugir a esta verdade. Quem poderá suportar este castigo do pecado?
2. O desespero dos condenados é indescritível. “Eu podia facilmente salvar-me“, brada-lhes, sem cessar, a própria consciência.
“Era tão fácil, e eu, por leviandade, não o fiz”
Estão em trevas terríveis. Desapareceu-lhes o sol, a luz eterna: “Apartai-vos de mim, malditos“, assim lhes falou quem é toda luz, beleza, vida, riqueza e verdade; assim lhes falou quem agora queriam amar, ardentemente, para também serem amados. É tarde. Afastou-se o mundo, afastou-se Deus; nenhum consolo, pois. Um pecado – um inferno; mil pecados – mil infernos! No inferno há moços e velhos, seculares e religiosos. Estarás tu seguro?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 150)
16 de maio
1. A eternidade das penas do inferno é tão terrível, que Jesus muitas vezes repetiu esta verdade, para cortar qualquer dúvida. O encarcerado, o doente, o mutilado espera, se não por outro alívio, ao menos pela morte, como libertadora. O condenado jamais morrerá. Sua vida sem fim é suplício sem fim. A longa duração já por si é incômoda, até em diversões, espetáculos, música, etc, quanto mais ao tratar-se de dores, de uma incisão feita pelo médico, etc. No inferno o castigo é horroroso, as dores excessivas e a duração sem fim. Quem o aguentará?
2. Quanto durará a eternidade? Escreve um número de duas léguas de comprimento: os condenados o lerão aos poucos, ainda que cada algarismo significasse milhares de séculos. pergunta ao infeliz traidor de Jesus, Judas, quanto tempo já sofre, e quando, enfim, se livrará. Os 1900 anos passados são um momento, comparados com os que lhe restam ainda (1).
Sofrimentos sem fim, na mais abominável e repugnante companhia, sem um momento sequer de alívio – eis o castigo do pecado. Ainda o menosprezarás?
(1) Conta realizada desde a fundação da Igreja Católica sob Pedro e os discípulos até a época de publicação deste livro.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 151)
17 de maio
1. A covardia faz crer que o pecado mereça alguma desculpa. Sabe, porém, que só pode servir de desculpa o que como tal é aceito pelo Juiz eterno. A lei divina seria dura e difícil de observar?
“O meu jugo, diz Jesus, é suave, e o meu peso leve”
O mundo por acaso não exige sacrifícios? Quanto não suportas em troca de honras, riquezas, aplausos, vantagens, satisfações, divertimentos, afeições humanas? Queres ser fraco e negligente só no serviço de Deus, que com Sua lei visa unicamente teu bem?
2. És inexperiente? Pois pede conselhos e reza para receber a luz divina.
– És fraco? Pede e apoia-te em outros, que podem e querem ajudar-te.
– És leviano? Sê sério no emprego dos meios necessários: a oração e a recepção dos Santos Sacramentos.
– O exemplo do mundo te atrai? Por que olhas para a sombra, e não antes para a luz? Apóstolos, mártires, confessores, virgens fracas, jovens, meninos e crianças, mostram quanto se pode com a graça de Deus!
Podes salvar-te, e deves fazê-lo, porque da tua salvação depende a tua felicidade, não só no tempo da vida terrestre, mas em toda a eternidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 152)
18 de maio
1. Que te impede de voltar todo inteiro a Deus? Será o medo de novas obrigações? A leviandade? Queres adiar a cura até que a chaga se torne mais perigosa? Cada pecado agrava o teu estado, aumenta as tristes consequências, enfraquece ainda mais a tua vontade e aperta a corrente que te prende ao mundo e a Satanás. Querendo, podes. Deus o quer, em todo momento. Preferirás mostrar a Ele negra ingratidão e expor-te a gravíssimos perigos?
2. Em que confias? Teu leito de morte pode ser a cadeira ou o banco em que estás assentado, o assoalho ou o caminho em que andas, a cama em que te deitas, a rua pela qual passas. Que coisa é mais incerta do que a morte? que é mais incerto do que a hora, o lugar e o modo desta morte? Uns 100.000 homens, dia por dia, passam da terra para a eternidade. Um dia farás parte deste número. És forte, sadio, moço? Jovens e robustos acham-se entre esses 100.000. Tem sempre azeite em tua lâmpada, isto é, está na graça de Deus, para que o divino Esposo não te exclua de seu reino. Quanto mais tempo já passou, sem utilidade para tua vida futura, mais te deves esforçar. É incerta a data do dia das contas finais.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 153)
19 de maio
1. “Tudo é vaidade”. Vaidade são as riquezas, as honras, os divertimentos. Vaidade em si, para nós, perante Deus e para a eternidade. Os bens da fortuna são limitados. A maior parte dos homens fica sem eles por toda a vida. Mas, ainda que tenham tudo quanto o mundo possa dar, este não sacia; antes, qual água do mar, aumenta a sede. O abismo de aspirações e desejos jamais será cheio, pois não tem fundo. O imoderado desejo de gozar prejudica, como veneno, a saúde da tua alma e causa nojo dos bens eternos que, de preferência a todos, deves aspirar.
2. É de pouca duração o que o mundo dá. Só pode dar por pouco tempo; e desse por toda a vida! Não é passageira tua vida como um sonho? O que são 50 e 100 anos no mar da eternidade? Hoje, talvez, riqueza, glória, saúde, amor e felicidade; amanhã, a última lágrima dos olhos a se fecharem. Só um bem sacia a sede: Deus.
“É inquieto o coração até que repouse no Senhor”
Se não achares repouso e felicidade, sem fim e sem medida, em Deus, que será de ti? Nasceste para coisas sublimes. O mundo, que jamais poderá encher o vácuo do coração, não é digno de ti.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 154)
20 de maio
1. a) Vem a morte, propaga o luto, afugenta os amigos, faz emudecer a alegria, correr as lágrimas, separar-te de tudo e de todos. Mais: levas contigo a morte, pois, és pó, e ao pó voltarás. És condenado, por Deus mesmo, à morte, contra a qual não há médico nem remédio algum.
b) Morrerás, mas uma só vez. Passo decisivo, de que dependerá tua sorte eterna! Não é possível voltar. A morte virá, mas quando? Onde? Como? Virá de repente? Em breve? Bruscamente? Incerteza inquietadora!
2. A morte não respeita ninguém. Ela rouba ouro, prata e outros bens. Separa, arrancando os filhos aos braços dos pais, tirando estes aos filhos. Não há quem possa afugentá-la: nem conjurando, nem ameaçando. A morte entrega o corpo à podridão. Do corpo então cadáver, em pouco tempo só restarão ossos… a caveira. Eis a sorte da carne, tantas vezes adorada e preferida! A alma será entregue ao inexorável juiz. Ai dela, se estiver manchada por alguma culpa!
Tens certeza de que tua morte ainda tardará?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 155)
21 de maio
1. Que se dará contigo no leito da morte? Cercado dos teus, esperarás o último momento que já te anunciaram e que mais e mais se aproxima. Tuas mãos trêmulas já não podem sustentar o Crucificado; teus olhos vítreos e ofuscados fixam um olhar lânguido na imagem de Jesus; teus lábios frios, pela última vez, invocam seu santo nome; teus ouvidos cerram-se às palavras dos circunstantes; tua imaginação está submergida em mortais tristezas; cai tua última lágrima; desaparece o mundo, daí a pouco está longe de ti, e tu – estás morto.
2. a) Vencerás o demônio que na última hora te tentará? Como, enfraquecido pela doença, vencerás, se na robustez de tua vida não o conseguistes? Vence-te agora e recomenda frequentemente tua última hora a Maria Santíssima e a São José.
b) Na terra, em breve, serás mais ou menos esquecido. Pobre sorte, a de teu corpo! E tua alma? Pensa muito na morte, que bem te ensina o valor da terra e de seus bens.
Para os bons, é a libertadora; para os maus, vingadora tremenda.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 156)
22 de maio
1. Apenas chegado à eternidade, intensa luz sobre ti se derramará. Verás tudo assim, como é na realidade e como o devias ter visto antes. Abrir-se-á, para teu julgamento, não o código do mundo, mas o do Supremo Juiz, cujas máximas, em tua vida, nem sempre quiseste ter por norma. Estarás sozinho à face de Deus, qual segundo Isaac, como que amarrado. Gritarás por socorro? Quem te ouvirá?… Escaparás? O braço de Deus é onipotente… Pedirás perdão? O Juiz é inexorável… Recorrerás a Maria? Ao Anjo da Guarda? Acabou-se o tempo de misericórdia… Grande Deus! Que será de ti?
2. O demônio te lembrará as promessas do batismo, livremente por ti depois renovadas. Renunciaste de fato a Satanás? Ao mundo? À tua carne? O terrível acusador não deixará escapar o que possa servi-lhe contra ti, e teu próprio Anjo da Guarda só como testemunha poderá assistir. Terás desculpas? Outros, mais jovens, mais fracos, em condições mais difíceis se salvaram, santificando-se, e tu? Quanto tempo faltará até esta horrível prestação de contas?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 157)
23 de maio
1. “Eu juro por minha vida, diz o Senhor Deus, que não quero a morte do ímpio, mas que se converta e siga o caminho da vida“. Poderá alguém duvidar da palavra da eterna verdade?
“Se os vossos pecados forem encarnados como o escarlate, eles se tornarão brancos como a neve; e se forem rubros como o carmim, ficarão alvos como a branca lã”
Que infinita bondade de Deus! Sim, Ele odeia o mal; ama, porém, o arrependido. Como bom pastor, procura-o por montes e vales, chamando-o amorosamente e levando-o, Ele próprio, em seus ombros.
2. Em Jesus foi manifestada a incompreensível bondade de Deus. Visitou a casa do publicano, a quem tudo perdoou:
“Hoje entrou a salvação nesta casa”
Apesar dos comentários maliciosos dos fariseus, Jesus não repeliu a contrita pecadora Madalena:
“Perdoados lhe são seus grandes pecados, porque muito amou”
O apóstolo, que tinha jurado não conhecer a Jesus, ainda assim recebeu o perdão, logo que se arrependeu:
“E voltando-se o Senhor, pôs os olhos em Pedro… E tendo-se retirado, chorou Pedro amargamente”
Assim, ainda ao morrer, Jesus procedeu:
“Hoje estarás comigo no paraíso”
Ama, pois, a quem tanto te ama.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 158)
24 de maio
1. A terra é cheia da misericórdia do Senhor. A criação do vasto universo a Deus só custou um ato de vontade. Quanto, porém, lhe custou a salvação? A resposta é dada por Belém, Egito, Nazaré, toda a Palestina, Jerusalém, o Calvário, a Igreja, os sacramentos, o tabernáculo. Como não amar, a quem tanto te ama! Toda gota de suor e de sangue, cada passo de Jesus, toda a palavra que proferiu, é prova da sua infinita misericórdia.
2. Quem é que perdoa, e quem é que do perdão precisa? Quanto custa às vezes ao homem perdoar o próximo! Mas, que é o homem, comparado a Deus?! Como perdoa Deus? Não procura Ele seu ofensor? Não perdoa logo? Não perdoa sem reservas? Quantas vezes Deus perdoa? Não só sete vezes, “mas setenta vezes sete“, isto é: cada vez que o ofensor o desejar seriamente, sem jamais negar-se a esquecer e a perdoar tudo. Ainda mais: Deus recompensa ricamente a conversão; aceita, como amigo e filho, quem era inimigo e rebelde; dá até a eterna glória a quem não mais a merecia. Digna-se mesmo de alegrar-se com a volta das ovelhas perdidas. Quanta bondade!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 159)
25 de maio
1. Conheces o bom pastor, que deixa 99 ovelhas para procurar a que se perdeu?
“Eu sou o bom pastor”, diz Jesus
O bom pastor dá a sua própria vida pelas suas ovelhas.
“O Filho do homem veio buscar e salvar o que tinha perecido”
Lê em seus olhos seu terno amor, vê-o apressar seus passos, ouvi-o erguer sua branda voz que pronuncia teu nome. Preferirás andar perdido? Longe do Pai? Ainda não estás cansado? Não desejas repousar onde há verdadeiro repouso e paz e felicidade?
2. Como se não fosse suficiente a parábola do bom pastor, Jesus, para te convencer de sua bondade, ainda conta outra. É tocante a parábola do filho pródigo, que deixou a casa do pai, dissipou seus bens e só regressou quando se achou no auge da miséria. A bondade de Deus, porém, ainda excede a do pai do filho pródigo. Este pai espera seu filho, Deus lhe vai ao encontro. O pai, como homem, não está acima de seu filho; Deus, porém, é infinito. O pai só deu benefícios temporais, Deus dá estes e os espirituais, infinitamente mais apreciáveis. O pai teria perdoado também a quinta, a vigésima vez? Talvez não. Deus perdoa cem e mais vezes. Sê, pois, grato, e ama a quem é tão bom.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 160)
27 de maio
1. “Desejo ser dissolvido e estar com Cristo“. Eis o que aspira o coração do justo. Na terra encontra miséria e desgostos sem medida e sem fim; em toda parte, inimigos o rodeiam. Paz, segurança e alegria haverá no céu. Alimenta cada vez mais em tua alma tais desejos, pois eles são a fome e a sede de justiça, de que fala Jesus. Não aspires o céu por covardia, mas por amor a Jesus, por vivo amor de ser quanto antes unido a Ele.
2. Restará um passo grave: a morte. Nada receies, porém: Jesus foi pelo mesmo caminho. Maria, os apóstolos, teus padroeiros, todos os santos também. A morte tem verdadeiros horrores só para os maus; aos justos é algo precioso, consolador, amável e desejável. Que receará o justo? Reconciliou-se já há longo tempo com Deus. Tem o crucifixo não só nas mãos, mas também no coração. De Jesus ele aprende a morrer, como dEle aprendeu a viver. Atrás de si tem o bom passado, adiante o glorioso caminho do céu. Morre… abrem-se os céus… Jesus o recebe:
“Servo bom, entra na glória do teu Senhor!…”
Os céus contam mais um justo. Oh! Apreciável sorte! Por ela não darás a mesquinhez da terra e de seus prazeres passageiros?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 162)
28 de maio
1. O inocente, ao morrer, exultará. Nada também terá de recear o penitente. O que o poderia inquietar, já lhe foi perdoado. A consciência não o acusa mais, não o tortura a memória, nem o assusta a ideia do juiz. Terminou a obra que Deus lhe confiou, veio agora a noite feliz em que vai receber sua recompensa. Passou toda a incerteza, todo o medo, todo o tropeçar e cair. Uma surpresa indizível o espera; a luz eterna, a cidade santa, o próprio Deus, nunca antes visto por ele. A mão da morte, que lhe rouba as flores oriundas da terra, dá-lhe a coroa eterna, de imperecível beleza. Não valerá tal morte todos os sacrifícios?
2. Deus é liberal e magnânimo. Dá, aos escolhidos, prazeres sem fim. Assentar-se-ão ao banquete celestial. Nenhuma lágrima se deslizará de seus olhos, não conhecerão mais a dor, o desgosto, o sofrimento. Gozam da mais harmoniosa e nobre companhia. Deus em pessoa será a recompensa. Mostra-se-lhes-á de face a face, Ele, o Incompreensível, o Espírito puro, a infinita Perfeição! Vai-te, ó mundo! Não te quer mais aquele que seriamente pensou uma vez no que é o céu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 162)
29 de maio
1. Por que tantos homens estão como acorrentados a este mundo? É devido aos breves prazeres da terra. Estes mesmos deviam antes lembrar-nos daqueles eternos gozos, de que são apenas um reflexo. O que na terra é chamado prazer, é comum a justos e pecadores. Que deverá, pois, ser aquilo que Deus reservou a seus favorecidos! Aos inimigos já dá tanto, aos filhos diletos não dará infinitamente mais?
2. Quanta diferença entre o gozo de cá e o de lá! Cá, em tudo, há algo de amargo; lá, tudo é puro e completo. Aqui, todo o gozo é breve; apenas te divertes e já chegas ao fundo do cálice dos prazeres; lá, a alegria é duradoura, hoje, como ontem e assim em toda a eternidade. Aqui, quando muito, tens a gota; lá terás a fonte. Aqui, o prazer é perigoso, porque faz esquecer o Criador; lá não haverá nem sombra de perigo. De fato: mais vale um dia no átrio do céu, que mil nos gozos terrenos. Ainda preferirás a terra ao céu? Ainda te custará renunciar a afeições e satisfações perigosas, quando Deus te quer dar infinitamente mais e para sempre?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 163)
30 de maio
1. O que faz o inferno ser inferno é a eternidade. Ela também faz o céu ser céu. Caia no inferno um raio de esperança de um fim, e já deixará de ser o lugar do desespero. Caia no céu uma sombra de medo dum termo de suas alegrias e já não será mais o lugar do gozo infinito. Mas, alma feliz! Nada receies; o céu é eterno:
“Entrarão para a vida eterna”
Enquanto Deus for Deus, os bem-aventurados serão felizes no céu. Deus é imortal, por isso será eterna a felicidade. Eternamente prazer, consolação, júbilo, felicidade, segurança! Quem o compreenderá? Quem o apreciará bastante?
2. Um dia inteiro na terra sem desgosto algum, quão raro não é! E lá? Milhões e milhões de anos terão passado e a alegria é ininterrupta ainda. Que tempo seria preciso para desfazer a terra, arrancando-lhe, de mil em mil anos, um grão de areia?! Alma feliz! Tua glória durará mais! Que de séculos para que os oceanos, os rios, os lagos, gota por gota, fossem exaustos em intervalos de milhões de anos?! Exulta, pois tua felicidade durará mais. e não queres que te custe um pouco tão infinda felicidade?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 164)
31 de maio
1. Termina hoje o mês de tua Mãe do céu.
“Eis aí tua Mãe”
Maria é tua, sim, tua Mãe. Ela sabe quanto careces da sua maternal proteção, quanta fraqueza te aperta? Ela, lírio sem mancha, usa de todo o seu poder, para conservar em seus devotos o distintivo da pureza. A humilde escrava do Senhor favorece o exercício da humildade; a modesta Virgem de Nazaré aprecia em seus filhos a santa modéstia; a atenciosa visitante de Isabel quer ver amor ao próximo; a Mãe das dores estima a resignação. És semelhante à tua Mãe?
2. Sem amor a Maria não és cristão virtuoso. Sua veneração é um sinal da salvação eterna. Evita, pois, cuidadosamente, o que lhe pode desagradar. Reflete frequentemente sobre a sua dignidade como Mãe divina, Mãe Imaculada, e sobre a sua santidade. Procura imitá-la. Reza todos os dias a ela determinadas preces. Favorece, se te for possível, suas congregações e irmandades. Recorre a ela nas tentações, nos perigos e em todas as tuas necessidades. Defende sua honra quando atacada, pois trata-se de tua Mãe! Persevera em seu serviço até à hora em que ela te abraçar no céu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 166)
1 de junho
1. Junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus. A devoção a este Sagrado Coração tem por fim assemelhar o próprio coração ao de Jesus. Bem ordenado o coração, o homem todo é bom. O coração é o símbolo dos afetos. Mau coração – mau homem; coração generoso, homem generoso. Deve-se adoração ao coração corporal de Jesus, porquanto é unido à Sua divindade. Nele se basearam os mais santos afetos que jamais houve e as mais sublimes virtudes que o mundo viu. Que fonte de bênçãos pode por isso ser a todos a veneração deste Sagrado Coração!
2. Queres conhecer o Coração do Salvador? Vê-O submisso ao Pai, feito vítima da Divina Justiça; Ele vive só pela honra de Deus, vendo-Se carregado das culpas humanas; é o foco de amor aos homens, amor que guiou seus passos, inspirou-lhe as palavras, carregou-o com a cruz, fê-lo suportar resignação tão incrível ingratidão; humilhou-o no Tabernáculo; amor sem medida, sem cansaço, amor para com todos, amor sem fim. Tal coração não será capaz de prender-te em vínculos de amor? Não será digno de imitação? Não merecerá gratidão infinda?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 167)
2 de junho
1. Quem souber rezar bem, também saberá viver bem. A oração livra-nos do pecado, afasta ou vence as tentações, faz alcançar e completar as virtudes. Quem, pois, não sabe rezar bem, também não sabe viver bem. Por nós, nada podemos: “Sem mim, nada podeis”, diz Jesus. Deus dá as primeiras graças gratuitamente, as subsequentes, porém, dependem de nossa cooperação. Quanto maior a necessidade do socorro divino, tanto mais urge rezar nas tentações, nos sofrimentos, etc. A perseverança final é dada só a quem muito pede.
2. Rezarás só porque a oração é necessária? Não é a maior honra, a mais agradável doçura, a maior das alegrias conversar, em santa intimidade, com o grande Deus? Não é a maior felicidade adorá-Lo, louvá-Lo, agradecer-Lhe seus inumeráveis benefícios, pedir Seu forte amparo, refugiar-se a Ele nas horas da dor, do desamparo? Sim, Deus conhece todas as necessidades, e sua bondade precede, às vezes, os nossos desejos. Todavia, quer ser rogado, quer ver usado um meio com o qual não só alcançamos o fim desejado, mas ainda nos enriquecemos de méritos. E ainda menosprezarás a oração?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 168)
3 de junho
1. Para apreciares mais a oração, vê a grande necessidade que tens de rezar. Deves pedir que Deus te ilumine; que fortifique tua fraqueza; que te defenda de tua carne, do mundo, do demônio; que te ressuscite a uma vida espiritual mais vigorosa; que afaste de ti a indolência; que guarde o teu maior tesouro, que é a castidade; que te dê força contra o respeito humano; humildade no pensar, falar e proceder; que afaste de ti grandes tentações. Reza por ti, por teus pais e irmãos, e todos a quantos amas, pelos que carecem do auxílio divino, pelos vivos e defuntos. Não tens, pois, múltiplos motivos de rezar?
2. “Pedi e vos será dado; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á“. Reza com grande respeito, com muita humildade, com toda a confiança. Reza em nome de Jesus, rezo com fervor e constância. A oração é um valioso meio de santificação. Moisés, depois de falar com Deus, no Monte Sinai, tinha a face iluminada. Não podes conversar muito com homens, sem te assimilares a eles. Isto não valerá também quanto à conversação com Deus? Pela oração serás espiritualizado e transfigurado; o corporal, o carnal, pouco a pouco será vencido pelo espírito.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 169)
6 de junho
1. “E de repente partiu do céu um estrondo, como de vento“. O Espírito Santo vem de repente; se não estiveres preparado em cada momento, te expões ao perigo de não o receberes em teu coração. Veio do céu, donde vem todas as graças e onde deves procurar o auxílio em todas as necessidades. Como o vento, o ar, o Espírito Santo purifica a alma e a revigora, move o coração e o preserva da podridão do pecado. Quanto precisas do Espírito Santo, se tão poucos frutos de boas obras produziste até hoje!
2. “E encheu toda a casa, onde estavam assentados“. Maria Santíssima, os apóstolos, os discípulos, todos receberam o Espírito Santo. Abre-lhe teu coração, fechando-o ao mesmo tempo às distrações mundanas, para que venha sobre ti, trazendo a luz à tua inteligência, força à tua vontade, constância a teu coração, de que tanto necessitas.
Uma vez, no batismo, o Espírito Santo já veio sobre ti e sem a tua cooperação. Onde os frutos até hoje? Agora só virá morar em tua alma, se, como os Apóstolos, o implorares a vir e te preparares.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 172)
7 de junho
1. O espírito Santo traz à alma bem preparada seus 7 dons. O Dom do Entendimento é uma luz sobrenatural para fazer melhor conhecer a Deus em suas perfeições inefáveis, nas riquezas de seu amor, em suas palavras contidas na Sagrada Escritura, na santa religião que revelou, e na Providência que a tudo preside. Sem este dom, a beleza de Deus não arrebata, sua bondade não encanta, a Sagrada Escritura é letra morta, a oração torna-se insípida, a Providência parece, às vezes, surda e dura. Vê quanto precisas do Dom do Entendimento.
2. O Dom da Ciência, não menos apreciável, mostra todas as coisas criadas, tais quais são; tira às honras, aos prazeres e perigos esse sedutor encanto que os envolve. É este dom que povoa os claustros e dá ao mundo tantos cristãos generosos, caritativos e devotados. O Dom da Ciência faz ler na natureza como num livro. O esmalte das flores fala da beleza do céu, o canto dos pássaros das harmonias celestes, na tempestade vê-se a majestade de Deus, na colheita sua bondade, em tudo suas perfeições. Que progresso farás na virtude, se conseguires, com muitas preces, o Dom da Ciência!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 173)
8 de junho
1. O Dom do Conselho ajuda as luzes da razão com as luzes melhores da sabedoria que vem lá de cima. Ele ensina a aproveitar tudo para um tríplice fim: a salvação própria, a santificação dos outros e o adiantamento da obra de Deus. Antes de terem recebido este dom, os apóstolos pediram fogo do céu para que destruísse Samaria, que recusava acolher o Salvador; depois de terem recebido o Dom do Conselho, suportaram tudo, desprezo, ultrajes e perseguições com paciência e resignação. A falta do Dom do Conselho fará cair em muitas culpas.
2. O Dom da Sabedoria se manifesta, segundo São Bernardo, no desgosto das coisas do mundo, e no gosto pelas coisas de Deus. Este dom dá um inexprimível prazer em pensar em Deus e falar com Ele. A terra, com tudo quanto oferece, torna-se insípida. A sabedoria dá mais complacência em fazer, por amor de Deus, as coisas mais desprezíveis, do quem trazer cetros e coroas. A pobreza torna-se por ela um tesouro, as austeridades um gozo, os sofrimentos uma felicidade, as afrontas uma glória. O tempo parece uma sombra passageira; só a eternidade é conhecida como digna de ocupar todo o pensamento.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 174)
9 de junho
1. O Dom da Piedade produz na alma um afeto todo filial a Deus. Amar a Deus é o desejo de todo aquele que tem este dom, e quanto mais O amar, mais ainda quererá amá-Lo. Ao caíres em culpa, este dom faz com que tua alma não se perturbe, mas que te lances, arrependido e confiante, nos braços do Pai ofendido. A Piedade faz reparar a culpa com maior amor e com um procedimento melhor. No infortúnio ela faz dizer as palavras:
“Seja feita a tua vontade”
Deste dom provém grande amor a Deus, zelo por Sua glória, afeição à Igreja Triunfante e Militante, e compaixão para com a Igreja Padecente no Purgatório.
2. A Piedade vê em todos os homens irmãos e coerdeiros de Jesus. Por esse Dom o Espírito Santo dá a simplicidade dum menino para com os superiores, a cordialidade dum irmão para com os iguais, verdadeira compaixão para com todos os que padecem, acompanhada de uma terna inclinação a socorrê-los. A piedade faz suportar os defeitos dos imperfeitos e ser tudo para todos, sérios para com os que o são, alegres com os que são alegres, sem sair dos limites da modéstia. Não valerá tão sublime dom muitos pedidos ao Espírito Santo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 175)
10 de junho
1. Excelente Dom do Espírito Santo é o Amor de Deus, temor inspirado pelo amor e pelo respeito das vistas de Deus, fixadas sobre nós. “Deus me vê!” é a máxima do temente a Deus. Este dom conserva em eminente pureza, dá horror pela menor ofensa a Deus; na oração faculta uma grande devoção; no lugar santo inspira uma atitude respeitosa e uma profunda adoração; nos trabalhos, verdadeira dedidcação; por toda a parte dá uma modéstia exemplar. Enfim, dá amor sempre crescente, porque sempre cresce a compreensão da grandeza das perfeições divinas.
2. O Dom da Fortaleza é uma energia sobrenatural, que preserva contra a pusilanimidade no serviço de Deus; eleva o homem acima de si mesmo e lhe torna possíveis e até fáceis as coisas que parecem impossíveis. Tendo alguém este dom divino, caiam sobre ele todos os reveses da fortuna, ataque-o a calúnia, cerquem-no todas as desgraças – ele está firme e tranquilo qual rochedo batido pela tempestade. Este dom fez triunfar fracas virgens e crianças que tiveram de enfrentar o mundo ímpio. Não precisas deste dom?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 176)
11 de junho
1. Os primeiros cristãos mostram quanto, com o auxílio do Espírito Santo, se pode fazer e conseguir. Não conheciam o meu e o teu, esta causa de tantas discórdias, mas seguiam a palavra de Jesus: “Vendei tudo o que tendes e dai-o aos pobres e depois vinde e segui-me!” e “Quem não dá de mão a tudo que possui, não pode ser meu discípulo”. Renunciaram às honras, glórias e altas posições. Renunciaram a seus próprios amigos e parentes, pais e filhos, para não se arriscarem a perder sua alma. Fazes, pelo menos, os pequenos sacrifícios impostos por tua religião e teu estado?
2. Estavam todos unidos, os primeiros cristãos, como uma só e mesma família, ligados pelo vínculo dum sincero amor recíproco.
“Da multidão dos crentes o coração era um e a alma uma”
Desapareciam as diferenças entre nobres e obscuros, ricos e pobres, livres e escravos. O amor comum a Jesus fazia não serem notados os defeitos e as faltas dos outros. Buscavam a necessária força na Santa Missa, à qual, muitas vezes, com perigo de vida, assistiam com o maior recolhimento. O que eles podiam, a ti será de todo impossível? Ó! Quanto pode quem ama!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 177)
13 de junho
1. a) Santo Antônio de Lisboa não é sem motivo o Santo popular de uma à outra parte da terra. Como São Luiz de Gonzaga, ele tem o lírio como símbolo de sua grande pureza, que guardou ilibada desde a infância até à morte. Amas e conservas imaculada, como ele, a santa castidade?
b) Não menos brilha em Santo Antônio uma extraordinária humildade. Dotado de raro talento, soube escondê-lo, como sempre também escondia sua nobre origem. Prestou a seus irmãos de hábito os serviços mais humildes, como se fosse incapaz de pregar e de ensinar. Nele se realizou, porém, a palavra de Maria:
“Deus exaltou os humildes”
2. O verdadeiro amor de Deus, de que era inflamado o Santo, fê-lo trabalhar com zelo indescritível na vinha do Senhor. Ganhar almas era sua máxima e o fim de todos os seus esforços. Deus abençoou-o, convertendo por ele inúmeros pecadores e distinguindo-o pelo dom dos milagres. Imitas a Santo Antônio em suas virtudes principais? Em todas as necessidades, põe nele inteira confiança; a experiência prova que ele não deixa de ouvir os rogos de seus devotos, mesmo nas necessidades temporais. Pede-lhe, mais que tudo, a graça de ser um dia seu companheiro no céu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 179)
14 de junho
1. “Apesar de ser Deus sapientíssimo, diz Santo Agostinho, não soube dar mais que a Eucaristia“. Jesus quis voltar ao Pai, mas sem nos deixar; quis ficar em nosso meio, sua sabedoria faz tudo isto na santa Eucaristia. Oculta-se seus esplendores, sob os véus eucarísticos, deixando-nos o mérito de crer o que não vemos. Que abismo de amor, que sabe achar tais meios e praticar tais sacrifícios para nosso proveito espiritual!
2. a) Com o próprio exemplo Jesus nos ensina a humildade e a modéstia. Na santa Hóstia mostra o que é uma vida retirada, o que são a abnegação e a caridade que se sacrificam.
b) Querendo, por excesso de amor, ser nosso alimento, dar-nos a comer e beber a própria carne e o próprio sangue, não hesita em torná-lo possível, mudando-lhes as aparências. Na mais pequena parte encerra sua grandeza infinita. Quem não adorará do fundo da alma tal mistério de amor e de sabedoria? Quem não correrá a visitá-Lo? Quem deixará de lembrar-se de tão bom Amigo com verdadeira saudade?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 180)
15 de junho
1. “Sendo Deus poderosíssimo, não pode dar mais“, assim diz Santo Agostinho. Com efeito, na santa Eucaristia, Jesus acumula os milagres até ao infinito: milagre da Sua presença nos altares do mundo, onde há hóstias consagradas; milagre da presença até em cada parte de cada Hóstia Sagrada, por mais que tenha sido partida; milagre das aparências de pão e vinho, sem nenhuma substância que as sustente. Quanto Deus te ama, se tantos milagres faz por ti!
2. “Sendo Deus riquíssimo“, continua Santo Agostinho, “não teve mais que dar“. A generosidade conhece-se nos sacrifícios feitos. E Jesus? Não dá só duas graças, dá tudo o que tem, dá-se a Si mesmo. Sujeita-se a sofrer irreverências por ti, esquecimentos, ultrajes, sacrilégios e profanações, desde o dia da última ceia até hoje, até ao fim dos tempos. E amas tão pouco a Jesus Sacramentado? Poderá haver sacrifício demasiadamente grande, que não devas fazer por Ele? Compara o que Ele faz por ti e tu por Ele. Deixarás tudo no mesmo? Serás insensível a tão paciente, constante e infinito amor?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 181)
17 de junho
1. O que seria de nós, pobres e fracos pecadores, se não tivéssemos estas duas fontes de salvação: a confissão e a santa Eucaristia; aquela para limpar-nos, esta para nos alimentar! Deus, que conhece nossas necessidades, faz muitíssimo para a conservação e o desenvolvimento da vida corporal, ainda mais, porém, para a alma. Deu-lhe um alimento adaptado a sua natureza e dignidade. Jesus mesmo quis ser o alimento, Ele que reina à direita do Pai. É como que um aniquilamento, por excesso de amor.
2. O Santíssimo Sacramento dá a vida à alma. “Eu sou o pão da vida“, disse o próprio Jesus. A santa Comunhão aumenta a força vital, fazendo progredir em virtude e fortalece contra os perigos. Pouco a pouco realizar-se-á uma verdadeira transformação por Jesus, o vivificador.
“O que come a minha carne e bebe o meu sangue, fica em mim e eu nele”
Cada comunhão digna favorece e apressa mais e mais esta transformação. Os traços da imagem humana tornar-se-ão sempre mais semelhantes à imagem divina de Jesus; o mundo desaparece, o celestial prevalece e transparece.
“Já não sou eu que vivo, mas Cristo vive em mim”
A que altura poderá levantar-te a santa Comunhão!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 183)
18 de junho
1. Jamais te prepararás à Santa Comunhão, como a dignidade deste Sacramento, de amor o exige. Pois, que és, para que prepares uma morada em tua alma, e quem é quem se digna visitar-te? Preparando-te para a Santa Comunhão, deves trabalhar para que não só o pecado grave, mas ainda o venial e toda inclinação voluntária, desapareçam de tua alma. Penetrar-te-ás de viva fé, que te faculta contemplar teu Deus escondido; banirás do coração toda a animosidade contra outros; aproximar-te-ás humilde, inflamar-te-ás de santo amor, cheio de vivos desejos, e solícito de embelezar a alma por atos das diferentes virtudes.
2. Onde está a fé de tua primeira Comunhão? Onde o fervor daquele dia? Ó! Triste leviandade, que se imiscui no que há de mais santo! Não poderias, já dias antes da Santa Comunhão, recolher-te, pensar no que vais fazer, e ser mais fervoroso nas orações? Não poderias dedicar o tempo entre a Confissão e a Comunhão a obras de piedade? Tantas horas de tua vida pertencem ao mundo; a Deus nada podes dar? Não te será possível ler algum livro espiritual, visitar o Santíssimo Sacramento, fazer algumas mortificações, dirigir o primeiro pensamento do dia da Santa Comunhão a esta união mística? Da preparação dependerão os frutos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 184)
19 de junho
1. Deus não só te conserva a vida, Ele também trabalha por ti. Assim no Santíssimo Sacramento Jesus reza por ti, oferece-se ao Pai, satisfaz por ti, expõe-se por ti a mil injúrias. Que exemplo para teu amor tão pequeno! Queres amar a Deus, mas sem que te custe coisa alguma. Teu amor não é grande, senão não fugirias do sacrifício. Falhar-te-á a ocasião, para provares teu amor? Não. O cumprimento dos deveres de teu estado pressupõe atenção, dedicação e atividade. És tão fiel no cumprimento de teus deveres quanto o exigem a grandeza, a amabilidade e a bondade de Deus? Feliz, se puderes afirmá-lo!
2. Que triste cegueira apreciar o grande, negligenciar o pequeno! Para fazeres obras grandes, pouca ocasião terás; para pequenas, todos os dias.
“Quem teme o Senhor, não tem nada por pequeno”
O que dá valor ao mínimo é a intenção boa e pura, a fidelidade e a perseverança. Tudo para Deus, por isso faze tudo do modo mais perfeito. Fidelidade no mínimo é um horror para a alma que a Deus ama; é um martírio constante, sumamente grato a Deus, e meritório. Sem ela, não te santificarás nunca.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 185)
20 de junho
1. É fácil seguir Jesus ao Tabor, isto é: à Sua glorificação. O amor é provocado pelo sofrimento.
“Quem não tomar sua cruz às costas e me seguir, não é digno de mim”
A vida humana, principalmente na velhice, é rica em provações. Amarás realmente a Deus, se nada sofres sem te queixares? Examina-te como procedes, ouvindo uma má palavra, sofrendo desilusões, perdas, perseguições, rigores do tempo, morte de amigos, doenças, dores, etc. Queixando-te em quase todas estas ocasiões, ainda ousarás dizer:
“Eu te amo, ó Deus”?
2. No sofrimento mostras quanto vales aos olhos de Deus e quanto Deus vale aos teus olhos. Aí manifestas se aprecias os sofrimentos que Jesus, sem jamais se queixar, por ti assumiu e se és grato a Ele. A resignação mitiga a dor, caindo como bálsamo na ferida; diminui as penas merecidas pelos pecados; enriquece de méritos celestes, eternos; assemelha ao divino Salvador. o Mártir dos mártires, e a Maria Santíssima, a Rainha dos Mártires; aperfeiçoa mais e mais a alma e garante a eterna bem-aventurança. Quantas vantagens! Se os Santos do céu pudessem lamentar-se de alguma coisa, seria que não sofreram ainda mais por seu Deus e Senhor.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 186)
21 de junho
1. “Ó! Quão formosa é a casta geração” riza São Luís de Gonzaga. A própria aparência do pecado o assustava; uma palavra pouco decente, proferida na infância, sem compreender-lhe o sentido, causou-lhe tão viva dor, que na primeira acusação sacramental caiu desfalecido, e que nunca, durante toda a vida, falava a este respeito, sem chorar amargamente. Cada semana se confessava com tão viva contrição, que julgavam muitas vezes que ia expirar. Sufocava os primeiros ímpetos. Tomava tanto a peito seus exercícios de piedade, que até com intensa febre não os omitia… Compara-te a ele, antes que o Eterno Juiz o faça!
2. Como preservativo contra o pecado e incentivo do amor a Deus, tudo em São Luís era mortificado. Não levantava os olhos para ver pessoas de outro sexo, ainda que parentes; macerava o corpo com goles e açoites; fazia outras penitências das mais rigorosas. Tinha tão profundo desprezo de si mesmo, que se considerava o pior dos homens. Buscava o insulto e a humilhação, como outros a honra e a glória. Oxalá tenhas por máxima a palavra de São Luís Gonzaga:
“Não se ama a Deus, quando não se tem um ardente e contínuo desejo de sofrer por seu amor”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 187)
22 de junho
1. “Ó quão formosa é a casta geração com claridade, pois imortal é a sua memória, porquanto é honrada diante de Deus e dos homens“. Sublime elogio, dado pelo Espírito Santo! O casto assemelha-se a Deus e aos anjos, adquirindo em longo, árduo e perigoso combate, o que estes possuem por sua natureza. Ainda aqueles que não tem a coragem de seguir a vereda luminosa da castidade, olham-na com admiração. Na terra, indizível paz de consciência, e veneração por todos; no céu, a palma da vitória e prerrogativas dados só aos castos, – eis quanta recompensa!
2. A castidade era a predileção de Jesus. Sua Mãe era a Virgem Imaculada; seu pai, o virginal São José; o discípulo preferido, São João. Jesus ama os inocentes:
“Deixai vir a mim as criancinhas… os limpos de coração, porque destes é o reino dos céus”
Aos pequenos acaricia, impõem-lhe as mãos e abençoa-os. Para protegê-los chama tremenda maldição sobre o sedutor. Ressuscita jovens castos: Lázaro, o mancebo de Naim e a filha de Jairo. Distingue o apóstolo virginal, levando-o ao Tabor e ao Calvário, e dando-lhe Maria por Mãe. Vê, pois, o que mais caro te fará a Jesus: a pureza. Custará? Sem dúvida, mas sabes onde encontrar força.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 188)
23 de junho
1. Puro é quem sujeita a carne ao espírito, subtraindo ao serviço das baixas inclinações a imaginação, a memória, o pensar, querer e sentir, olhos, ouvidos, boca e mãos. Virtude tão estimável é um vaso precioso, mas muito quebradiço. Não há nada para onde a natureza corrupta se incline, sem cessar, com tanta veemência, como para o lado dos prazeres sensuais. Talvez passem anos sem graves combates; de repente, desencadeia-se verdadeiro furacão. Além disto outros perigos ameaçam a santa pureza: o impetuoso combate do mundo, as más companhias, o próprio anjo impuro. Quantos cuidados por isso são precisos!
2. A santa pureza deve ser apoiada pelo baluarte do temor de Deus, para que seja preservada de insolentes assaltos e para que cresça. Este temor de Deus em momento de tentações faz exclamar:
“Como poderia eu cometer tamanha maldade e pecar contra meu Deus, diante de seus olhos!”
Esse temor, em horas críticas, apresentará exemplos positivos dos castigos da justiça divina e fará dizer:
“Antes morrer do que pecar! Passageiro é o gozo, mas o castigo, eterno. Se a morte me surpreender, qual será a minha sorte?”
Luta, pois, sem cansar. O prêmio eterno é indescritivelmente grande.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 189)
24 de junho
1. Não vulgar é a santidade de João Batista. Um anjo anuncia o seu nascimento; a criança é santificada já no seio da mãe; os parentes e vizinhos perguntam pasmados:
“Quem julgais vós que virá a ser este menino?”
30 anos depois Jesus responde a esta pergunta, proclamando João Batista o maior dos homens, profeta e mais que profeta, outro Elias, lâmpada que arde e alumia. Que bom intercessor junto a Deus não será este intrépido pregador da verdade e mártir da pureza!
2. Por anos e anos João Batista vivia retirado no deserto, ocupando-se com a grande tarefa de esquecer o mundo e de empregar na própria santificação todos os seus cuidados e momentos. Suas mortificações são rigorosas: a terra nua é o seu leito, peles de camelo suas vestes, gafanhotos e mel silvestre sua comida. Ele prega nas margens do Jordão, onde sua grande virtude atrai os judeus. Repreende as desordens, sejam do povo, sejam do próprio rei, a quem lança em rosto suas ligações incestuosas, temperando, aliás, este zelo de tal modo, que induz Herodes a fazer obras boas. Tens semelhante zelo prudente por teu próximo? Passarão as festas dos grandes Santos, sem aprenderes nada para teu governo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 190)
25 de junho
1. O exercício de te pores na presença de Deus consiste numa fé viva e habitual nesta verdade que “Deus enche o céu e a terra”; que te vê nas trevas como em plena luz; que conhece os teus mais secretos pensamentos; que penetra teu ser, como a água à esponja, de modo que em Deus vives, te moves e existe. Esta fé viva deve ser acompanhada de profunda veneração das grandezas de Deus, de uma amorosa aquiescência à Sua adorável vontade, a Seus desejos e Suas graças, e de completo desapego dos prazeres sensuais. Madalena, junto ao sepulcro do Salvador, nem pelos anjos se deixa distrair de pensar em Jesus. Eis teu modelo!
2. Seria repreensível quem não respeitasse a presença dum monarca; quanto mais aquele que não respeitar a de Deus! Estar na presença de Deus quer dizer que estás diante de Sua onipotência, que exige profunda submissão; diante de Sua bondade que merece todo amor; diante de Sua justiça, que requer santo temor. Não incorras na exprobração que São João fez aos judeus:
“No meio de vós está quem vós não conheceis”
Tem Deus sempre diante dos olhos e fácil te será a fidelidade no mínimo e o progresso em todas as virtudes.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 191)
26 de junho
1. O pensamento perseverante na presença de Deus regulará os movimentos do coração, moderará as paixões e purificará as intenções. Não há tentação que a fé viva nesta continua presença divina não vença; fragilidade que ela não ampare, e, depois da queda, não há pecado do qual não inspire contrição. Ela, na boa ação, faz ponderar:
“Deus me vê, Deus me ouve, observa tudo o que faço, digo, penso, sinto e deixo de fazer”
Tendo Deus perante os olhos, a oração torna-se agradável, a mortificação, fácil, todas as virtudes serão mais a teu alcance.
2. O exercício da presença de Deus dá força no infortúnio. “Não estou só, Deus está comigo”, é o consolo nas horas da dor. Esta convicção faz ser grato a Deus. Não há momento algum em que não recebas um benefício particular de Deus; por isso nenhum momento há, em que possas deixar de dar-lhe graças. A alma tornar-se-á atenta em corresponder ao amor de Deus e em bem fazer tudo o que é obrigada a fazer. Teu exterior, neste caso, será modesto, fazendo transparecer em tudo o respeito devido a Deus. Procedes assim? É tão justo e tão meritório!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 192)
27 de junho
1. A modéstia cristã não consiste numa simples compostura do rosto, dos gestos, das maneiras. Isso só seria apenas uma virtude farisaica, que poderia encobrir um interior bem diferente. A verdadeira virtude tem sua origem no coração, e as aparências não devem ser senão o reflexo da piedade interior. Tal modéstia é a consequência do respeito da presença de Deus, que inspira grave decoro. Em toda parte está Deus, logo em toda parte deves respeitar quem faz tremer céu e terra, quem enche os próprios anjos de santo temor e quem, um dia, pedirá contas de tudo que houveres feito.
2. a) A modéstia é poderoso meio na salvação do próximo. Nem todos podem pregar, mas todos podem e devem edificar seu próximo. São Francisco de Assis pregava por seu modesto andar; São Luís Gonzaga, por seu celestial recolhimento.
b) A modéstia concorre para a própria salvação. Ela conserva fechada as portas, pelas quais o inimigo pudesse entrar. Preserva de muitas tentações e de graves perigos. Ela faz fechar os olhos, ouvidos e boca quando preciso ou útil. A mesma modéstia por isso enche de grande paz e tranquilidade e de grande confiança em Deus, em quem sempre pensa.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 193)
28 de junho
1. A modéstia é uma escada que conduz à perfeição. Por ela expiam-se os pecados, pois, sem recorrer a graves penitências, ela serve de mortificação universal que afeta todos os sentidos, a vista, a língua, o gosto, o andar, as inclinações. É uma mortificação possível a todos, inofensiva para saúde, e que não esgota as forças, mortificação praticável em todos os lugares, particulares ou públicos, sagrados ou profanos; em todo o tempo, de dia e de noite, ao estar-se só ou em companhia; mortificação sempre prudente, em que os excessos não são para temer; mortificação que leva a passos largos ao desprezo das comodidades.
2. Pela modéstia sobe-se a todas as virtudes, segundo a palavra do Espírito Santo:
“Os frutos da modéstia são o temor de Deus, as riquezas espirituais e a vida”
Ela predispõe a alma, enriquece-a e aperfeiçoa-a. Ela une a Deus.
“Os olhos inclinados à terra”, diz São Bernardo, “fazem elevar o coração ao céu”
Quanto menos te ocupares dos objetos exteriores, mais fácil te será ocupares-te interiormente de Deus. Aprenderás pela modéstia a viver em Deus e com Deus, sem que as criaturas consigam distrair-te.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 194)
29 de junho
1. São Pedro é o modelo da fé sobrenatural e viva. Ele deixa tudo para seguir a Jesus Cristo. À palavra de Jesus caminha sobre a água. Ele proclama o seu Mestre – Filho de Deus. Recusando alguns discípulos crer em Jesus, quando prometia a santa Eucaristia, São Pedro exclama:
“Só vós tendes palavras da vida eterna”
E ele ouviu em recompensa: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, e onde ela estiver, lá está a vida eterna. Que provas de gratidão deste a Deus, por te haver chamado a esta Igreja Salvadora?
2. São Pedro ensina-te amor humilde, fervoroso e generoso. “Amas-me mais do que estes?” pergunta-lhes Jesus. E ele só diz “Amo-Te”, sem se comparar e menos ainda antepor aos outros. Mostrou amor fervoroso, pregando o Evangelho a todo Israel, ao gentilismo, no meio de mil perseguições, até na própria capital do mundo, onde o desprezam como pobre estrangeiro, e ignorante. Teve amor generoso a Jesus; por Ele sofre alegre prisões e açoites e, finalmente, a morte na cruz, rogando, por humildade, ser crucificado de cabeça para baixo. Quanto tens a aprender do príncipe dos apóstolos!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 195)
30 de junho
1. São Paulo não é dos que a Jesus dão a metade de seu coração, reservando para si mesmos a outra metade. É todo do Senhor. Desafia todas as criaturas que sejam capazes de separá-lo de Jesus. Ao Filho de Deus dedica o seu corpo pela mortificação, disciplinando-se e estando pregado com Jesus Cristo na cruz da perseguição e do sofrimento! A Ele dedica sua alma e toda sua vida, indo levar o nome do Salvador desde Jerusalém até aos confins da Ilíria, até Roma. Imita ao Senhor de modo tão perfeito que, tranquilamente, pode dizer:
“Sede meus imitadores, como também eu o sou de Jesus Cristo e que vive em mim”
2. A vida de São Paulo foi toda devotada ao serviço do próximo.
“Eu, dizia ele, de mui boa vontade darei tudo o que possuo e me darei a mim mesmo pelas vossas almas. Ansiosamente desejo não só dar-vos o conhecimento do Evangelho de Deus, mas ainda a minha própria vida, porquanto vós sois muito amados”
O que o apóstolo disse, também fez. Fez-se tudo para todos, para salvar a todos. Como imitas tu a Jesus e o que fazes pela salvação de teu próximo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 196)
1 de julho
1. Na arte, na ciência e nos ofícios preza-se a opinião e o juízo crítico dos peritos. Quem com maior conhecimento poderá falar, com relação à alma, do que Jesus Cristo e os Santos? Poderá ser bom o que eles condenam, e mau o que recomendam? O juízo de Deus é oposto ao do mundo. Este chama bem-aventurados os ricos, os que tomam vingança. os que não conhecem os trabalhos e desgostos, e os que saciam o próprio coração. Jesus, porém, chama bem-aventurados os pobres de espírito, os castos, os penitentes, os oprimidos… A quem segues?
2. Não só por palavras, mas também por obras, Jesus prova que suas máximas são opostas aos princípios do mundo. Vá a Belém, ao Egito, a Nazaré, ao monte das Oliveiras, ao Calvário; aí em toda parte encontrarás um Jesus pobre, humilde, sofrendo por sua própria vontade. Vê quanto Ele preza a comodidade, a riqueza e o bem-estar, bens estes levantados pelo mundo até aos astros e cuja posse uns disputam aos outros. Como Jesus, o Mestre, condena as máximas do mundo, assim o faz toda essa multidão luminosa de apóstolos e mártires, de confessores e virgens. Vês, pois, a quem deves seguir; examina-te, porém, para veres a quem de fato estás seguindo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 197)
2 de julho
1. A abençoada casa de Isabel foi o teatro de muitas e extraordinárias graças. A Santíssima Virgem, instruída pelo Espírito Santo, faz, sem demora, uma visita a sua virtuosa prima Isabel. Não se queixa da obrigação de deixar o lar querido e de ter que atravessar quase toda a Judéia, para ir de Nazaré a Hebrão, nem alega como desculpa seu estado, ameaçado por tão longa e perigosa jornada. Ao conhecer a vontade de Deus, logo parte e caminha apressadamente… Nas obrigações que contrariam tua vontade, mostrarás se amas ou não a Deus.
2. Maria, a Santíssima Mãe de Deus, excede em tudo a Santa Isabel. Pouco importa; ela a visita, e, atenciosa, obsequiadora e prestativa para com todos, fica três meses em sua companhia, servindo-a. Sua caridade é sobrenatural; não é tanto por urbanidade nem só por afeição humana que assim procede, mas para corresponder à vontade divina.
A caridade de Maria é benéfica. Pela sua saudação, São João Batista é purificado da nódoa original, e Santa Isabel reconhece o Messias. Não são menores as graças, que Maria alcança a seus devotos. Pertences realmente a estes? Quantas graças, neste caso, poderás receber! Quanto consolo na hora da morte!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 198)
3 de julho
1. O olhar espiritual, tanto quanto o corporal, pode ser desviado ou ofuscado. Podes deixar de ver o que é necessário e útil para tua alma; teu próprio estado espiritual pode escapar ao teu conhecimento. Tal cegueira tem mais graves consequências do que a cegueira corporal. Se não te conheces, qualificar-te-ás erradamente, desconhecendo os perigos e não sabendo o que fazer ou corrigir. O inimigo da salvação alimenta, quanto pode, tão triste cegueira, servindo-se ora de distrações exteriores, de negócios e passatempos, ora do amor próprio que nada mais receia do que descobrir o que o contrarie.
2. É exatamente perigosa essa cegueira de espírito. Como nauta menos vigilante, poderás perecer de repente. A responsabilidade por tua cegueira será toda tua. Não estão à tua disposição, para te conheceres a ti mesmo, as luzes natural e sobrenatural? Não poderás examinar-te mais a fundo antes da confissão? Não poderás, à noite, prestar contas sobre o dia passado? No último do mês, sobre o mês decorrido? Conheces, talvez, o caráter e as ações de outros, e quanto a ti não sabes se, no último mês, semestre ou ano, progrediste na virtude ou se antes aumentaste o teu débito? Talvez nem sabes qual teu defeito predominante, ou, antes, nem queres sabê-lo. O que será então de ti no tribunal de Deus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 199)
4 de julho
1. Quão triste é ser cego! Seja jovem ou velho, tenha bens de fortuna ou não, é sempre um pobre. Mas, mais triste ainda é o cego de espírito, porque nem a si, nem a Deus conhece. Ainda, continuamente, à beira dum precipício; mais um passo, e precipitar-se-á infalivelmente no abismo. Duas ciências há que deves adquirir e sem as quais não te salvarás: conhecer-te a ti e a Deus. Aquela dar-te-á a verdadeira humildade, salutar confusão pelas repetidas ingratidões e forte estímulo de trabalhar pela salvação da alma; esta causar-te-á santo temor do Onipotente, filial amor e assídua imitação de Suas perfeições. Tens estas duas ciências para adquiri-las?
2. Por que adiar para mais tarde o necessário conhecimento próprio? Por que esperar até que as trevas voluntárias sejam dissipadas pela luz brilhante da eternidade? Anos de tua vida passam-se; inúmeras graças talvez perdeste; é incerto quanto tempo e quantas graças ainda te restam. Por que, pois, expores-te a prejuízos que jamais poderão ser reparados? Se neste momento Deus te pediste contas, poderias dá-las sem receio? Já deste alguma satisfação pelos pecados cometidos e pelas graças desperdiçadas? Se ainda não, quando, enfim, o farás? Os dias voam, e nada de um progresso espiritual?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 200)
5 de julho
1. A vontade, como as demais forças da alma, é capaz de aperfeiçoamento. A vontade séria e verdadeira é tão rara! Falta o querer e mais ainda o perseverar, quando se trata de dificuldades na vida sobrenatural da alma. Até aqueles que são vencedores intrépidos no reino da técnica, das descobertas, das ciências, das artes, etc., às vezes não alcançam nem uma única vitória sobre o próprio coração e sobre as suas inclinações; talvez nem num mês, nem num ano inteiro. Heróis em outro plano, acovardam-se neste. Procedes de modo idêntico? Tens uma vontade séria quanto à tua salvação? Ou queres talvez reformar tudo, menos o próprio coração e o teu procedimento?
2. Apontada, pela consciência, alguma chaga do coração, manifesta com energia a tua vontade:
“Será curada a ferida; Deus o quer, e eu o quero!
Pouco importam as dificuldades. Sejas vencido por elas cem vezes; avança outras tantas vezes. A vontade séria é onipotente. Os santos não nasceram santos. O que eles puderam fazer será de todo impossível a ti? Se negligenciaste este sério querer no passado, ainda mais urge remediar tudo. Deves limpar o jardim do coração de toda a cizânia e plantar nele as flores mimosas e as árvores frutíferas das virtudes. Querendo, podes!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 201)
6 de julho
1. Ainda que haja muitas inclinações e paixões no coração, é uma delas que procura dominar as outras. Qual será em ti essa inclinação predominante? Facilmente a conhecerás, se refletires bem. Quais sãos as faltas de que em todas as confissões tens de acusar-te? De que te deverias corrigir, se tivesses o salutar costume de um exame de consciência, feito com regularidade todas as noites? Que é o que mais ocupa os teus pensamentos? Que é que outros em ti censuram? Que é o que com vigor sempre novo se manifesta? Responde, e saberás qual o defeito que em ti predomina.
2. É de decisiva importância atacar e vencer a inclinação predominante. Ela é o centro onde se reúnem todos os germes das doenças espirituais. Subjugada ela, mais fácil será a vitória sobre as demais paixões. Quão duradoura será esta vitória, se faltarem às paixões aliadas aquela que as liga umas às outras! Subjugado por uma paixão, esta o fará seu escravo, humilhando-te cada vez mais e levando-te, afinal, à perdição certa. Um apóstolo, cativo desordenadamente do dinheiro, tornou-se ladrão, traidor de Deus e suicida; e dele diz Jesus:
“Bom lhe fora a tal homem que nunca houvesse nascido!”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 202)
7 de julho
1. Que pensas a respeito dos bens deste mundo? Tens talvez o coração a eles apegado desordenadamente? Examina-te, pois, até um apóstolo caiu nesta infelicidade que o levou ao suicídio. Bens terrenos, na opinião de alguns, às vezes compensam a falta de virtude e bondade; fazem crer no próprio poder, dispensando Deus e abrindo as portas a todos os vícios. A cobiça tem por consequência infidelidades e injustiças, dureza para com os pobres, avareza para consigo e outros e esquecimento do céu, de Deus e da eternidade.
2. Que são as riquezas? Não são elas vaidades, como toda a terra? Não são passageiras? Não estão expostas a mil acidentes? Não serão dissipadas ao menos pela morte? Quão infeliz é o cobiçoso! Quanta inquietação ao adquirir, quanto cuidado ao possuir, quanta mágoa e quanto desespero ao perder! Enfraquece-se a fé, pois esta aprecia os bens do céu. Esmorece a esperança, cedendo à confiança na riqueza. Substituído pelo egoísmo, apaga-se o fogo do amor de Deus.
“Melhor é pouco com o temor do Senhor, do que grandes tesouros e insaciabilidade”
E “afluindo torrentes de riquezas, não esteja nelas pegado teu coração“. Rico, a Deus deves tua riqueza. Pobre, alegra-te de seres semelhante a Jesus, e de poderes esperar, quando resignado, indenização definitiva no céu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 203)
8 de julho
1. Nada é tão santo que não possa ser prejudicado pelo excessivo amor próprio. Rezas, mas, talvez, não tanto para louvar a Deus, e sim para seres socorrido por Ele. Deixando-te Deus esperar algum tempo, quantas vezes não esfria e diminui teu fervor! O mesmo amor próprio desordenado afeta também as relações com o próximo. Talvez estimas os outros e lhes fazes bem, não porque representam a pessoa de Cristo, mas para que eles te retribuam outro tanto. E não prevendo favor algum, quantas vezes não retrais a mão benéfica! Foge deste amor interesseiro.
2. A ti mesmo muito prejudica o desordenado amor próprio; é o verme que estraga os frutos mais belos. Nenhum vício há que ele não saiba ocultar, ou, pelo menos, desculpar. O egoísmo é uma injustiça contra Deus, a quem rouba a honra e cujos intentos de amor contraria; é inimigo da humanidade, opondo interesses e causando invejas e discórdias; é inimigo de cada indivíduo, afastando-o de Deus e roubando-lhe a paz e os méritos. Examina todos os teus atos, para ver se não estão viciados por este inimigo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 204)
9 de julho
1. Ainda que não haja coisa mais natural do que amarem-se todos a si mesmos, contudo são poucos os que verdadeiramente se amam; pois, como quer bem a si aquele que aos bens eternos prefere os da terra? Como ama sua alma o desonesto, o usuário, o avarento, o maldizente, o egoísta? Os bens do mundo passam; nada, absolutamente nada poderás levar contigo à eternidade. Continuarás, pois, a apreciar, a aspirar excessivamente, o que poderá agenciar-te males eternos? Ouve a voz de Deus:
“Quem ama a iniquidade, aborrece a sua alma”
2. Se te amares verdadeiramente, reputarás por grandes bens o que o mundo tem por males: a cruz de Cristo, trabalhos feitos por Ele, injustiças sofridas por seu santo Nome. Abre os lhos da alma, da fé, para não trocares os nomes das coisas, chamando bens o que são males e amando o que deves repelir. Se duro te parece carregar a cruz do Salvador, lembra-te que é mais duro ouvir a terrível sentença final que afastará para sempre de Deus e de seus escolhidos, e que, em vez do eterno repouso, dará penas e remorsos sem fim.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 205)
10 de julho
1. Quem se presumirá livre de toda vaidade? Possuindo alguém prerrogativas, a vaidade as exagera; não as possuindo, ela as cria, exaltando-se nessa grandeza imaginária. Mormente na juventude, a vaidade frequentemente causa tentações. Faltando ainda verdadeiro saber, experiência, habilidade e força, a aparência deve suprir isto. Daí, presunção, arrogância, jactância e ostentação; daí, alarde de tudo: dos vestidos e do adorno, da morada, da linguagem, dos talentos, das relações sociais, da própria virtude e, mesmo, da suposta humildade.
2. a) Ridículo e deplorável que és, ó vaidoso! Que tens que não tenhas recebido? Em jactando-te, serás menos dependente de Deus? O olhar divino não penetrará nas nuvens de incenso em que te envolves? Não te reconhecerá Ele, tal qual és, nesta pobreza e indigência que um dia a todos será manifestada? Se te enganares a ti, atribuindo-te o que não é teu, terás honra nisso?
b) O que, apesar de boa e séria vontade, não puderes conseguir, não te servirá de desonra. Tão pouco é desonra não ter o que não depende de tuas forças, quão pouco te podes gloriar daquilo que te foi dado sem mérito próprio. A ti não é que deves honrar, mas sim a Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 206)
11 de julho
1. O desordenado amor próprio degenera facilmente em orgulho e endeusamento pessoal. O orgulho, admirando em si tudo, reclama louvor e respeito e requer honras só a Deus devidas. Que flagrante oposição entre tal proceder e o que te compete por tua indigência e tua dependência total do Criador! O ambicioso ocupa-se principalmente com o futuro, desejando posições importantes, para dominar e ser honrado, talento para poder brilhar e ofuscar outros; sonha glórias, persegue os rivais, oprime os fracos, ama os que o adulam, odeia os que não lhe dão importância, quer ser o primeiro em toda a parte e por todo o tempo.
2. Quanto mal já não causou o orgulho! Por ele o inferno povoou-se de anjos caídos; a terra, de infelizes rebeldes. Frequentemente Deus faz sentir ao orgulhoso sua fraqueza, permitindo que caia em graves e baixos pecados. O orgulho é uma verdadeira doença mental, que faz perder o juízo, sacrificando glórias eternas por uma que é só imaginária e momentânea. Deste vício, como de uma fonte envenenada, provem tantos outros pecados!
“O orgulho é o princípio de todo o pecado”
Tua consciência, após séria reflexão, de nada te acusa?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 207)
12 de julho
1. Deus, o Senhor de todas as coisas, distribui seus bens segundo Ele quer. Não é arrogância, pois, invejar os do próximo? O mero desejo de gozar bens semelhantes é natural e perdoável. Este desejo, porém, começa a ser pecaminoso, quando voluntariamente cede a movimentos de inveja, que mais e mais inquietarão o coração até envenená-lo completamente. Vício ignóbil! Pela inveja do demônio entrou a morte no mundo, e, ainda agora, o demônio, por inveja, leva os homens à rebelião contra Deus. Foge do vício que te faz semelhante a Satanás!
2. Este vício faz desejar tudo: a um o talento, a nobre origem, a habilidade, a outros os bens, a estima e até a virtude. O invejoso considera como prejuízo seu o que o próximo tem de bom. Vício execrando! Pela inveja jamais possuirás o que outros tem, antes prejudicas-te a ti mesmo pela tristeza indigna e pela insaciabilidade! Vício prejudicial ao corpo e à alma. Rouba a paz e a energia, fomenta injustiças e juízos maus, aconselha outros vícios. Pela inveja de Caim, a terra foi inundada de sangue de irmãos; pela inveja dos fariseus, Jesus foi preso e morto. Tanto obceca este vício!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 208)
13 de julho
1. Anda ocioso o que não faz nada; anda também ocioso quem não faz bem o que deve fazer. Por acaso teu passado te dará direito à ociosidade? Não; pois pouco fizeste para o céu, e por muitos pecados ainda tens de prestar satisfação. O futuro é incerto; se for teu, deves preparar-te para nele ajuntares frutos; se não for teu, em breve já não terás mais tempo, e te exporás ao perigo de chegar com as mãos vazias perante o tribunal divino, semelhante ao mau servo, que enterrou o talento e por isso foi condenado.
2. a) A ociosidade é uma ingratidão contra Deus, que te deu as forças da alma e do copo para as aproveitares em seu serviço; é uma injustiça contra a sociedade e a Igreja, que exigem membros ativos; é um prejuízo dado ao próximo, talvez seduzido pelo mau exemplo.
b) A ociosidade é a mãe dos vícios. Ela enfraquece e desvia a razão, preparando o caminho ao orgulho, à dissipação, à impureza, etc. O ocioso é a árvore sem frutos, do qual foi dito:
“Toda a árvore que não dá bom fruto será lançada ao fogo”
Em que deverás corrigir-te? Um exame de tuas ocupações quotidianas mostrá-lo-á.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 209)
14 de julho
1. Satanás, inimigo jurado de todo o bem, não deixará de armar também a ti mil ciladas e cercar-te de artimanhas engenhosas, capazes de te fazer capitular. O mundo convida, apresentando-se de modo fascinante, como amigo verdadeiro. Desconfia!… Não sairás ileso, a não ser que domines qualquer propensão desordenada a divertimentos puramente mundanos ou excessivos em número ou qualidade. Durante os divertimentos e as recreações, sê comedido e modesto, tendo sempre Jesus e Maria diante de teus olhos.
2. Ainda que te sejam necessárias recreações honestas, pensa nas palavras da Santa Escritura:
“Filho, lembra-te que recebeste bens em tua vida e que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado e tu em tormentos”
A sensualidade enfraquece o coração; quanto mais alguém está apegado aos prazeres da terra, mais surdo se torna às palavras de Deus.
“O reino dos céus sofre violência, e os que fazem força, estes são os que o conquistam”
Desde que Jesus carregou a cruz, não é lícito julgar possível chegar ao céu em mar de rosas.
“Quem não tomar a cruz e me seguir, não é digno de mim!”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 210)
15 de julho
1. Vícios levam a outros vícios, sobretudo àqueles, para o qual há tanta inclinação: a impureza. Este vício é um horror aos olhos de Deus, do céu e da terra. O Pai celestial destruiu, por fogo do céu, cinco cidades entregues à impureza. Jesus Cristo, que com paciência suportou os nomes de revolucionário, possesso, etc., jamais permitiu que lhe tocassem na sua reputação de inocentíssimo. O Espírito Santo, espírito por excelência, detesta a impureza, que profana seu templo no coração humano. E que pensas tu, ou melhor, como procedes tu neste ponto?
2. Os anjos abominam a impureza, que faz perderem-se tantos de seus tutelados. Os santos tanto mais se horrorizam deste vício, quanto mais o evitaram em sua vida ou quanto mais por ele tiveram de fazer rigorosa penitência. Mesmo os desonestos desprezam este vício. Se conhecessem outros como manchados por este vício, não mais os estimariam. Os impuros a si mesmos desprezam, envergonhando-se de suas quedas e de sua fraqueza. E é tão fácil cair na impureza! Se foste feliz até hoje, não te tenhas por seguro; se caíste, onde está tua penitência? No céu não entra quem na alma tem manchas, que a Deus, aos anjos e aos homens causam horror.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 211)
16 de julho
1. São extremamente tristes as consequências da impureza, porque ela é como o fogo abrasador que tudo destrói. Se não é belo o que está manchado, o que será então quem é desonesto? A saúde corporal, geralmente, é prejudicada, a vida abreviada, a fisionomia alterada, a memória, a inteligência e a vontade enfraquecidas, o caráter corrompido e debilitado. O vício, dia por dia, torna-se mais dominador, levando a abismos e precipícios nunca sonhados. Que consequências!
2. Mais tristes ainda são as consequências da impureza para a alma. Esta, em breve, sente nojo da virtude, julga insípida e aborrecida a oração e foge dos sacramentos, das práticas e das boas leituras. Enfraquece-se a fé, surgem dúvidas; a religião torna-se incômoda porque prescreve pureza e ameaça castigos sem fim para o devasso. A alma fica cada vez mais cega, o coração mais endurecido; as graças são desprezadas; sobe a maré até arrastar tudo em suas ondas. Quantos, neste estado, são surpreendidos por morte repentina! E a tua sorte?!… Recomenda-te frequentemente a Maria, e tem sempre Deus diante de teus olhos, para não caíres, ou, ao menos, para te levantares mais cedo, e ficares mais energicamente de pé.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 212)
17 de julho
1. Há uma mentira do coração, outra da boca, e ainda outra do fato, conforme ela é praticada no pensar, no falar ou no proceder. Quase sempre a mentira tem por base o desejo de agradar, de escapar a uma humilhação, ou de conseguir algum louvor ou lucro. Não falta quem tenha a mentira por necessidade e lícita, enquanto Deus a detesta sob todas as suas formas. Mentir é um vício frequente; encontra-se na choupana e no palácio, na vida particular e pública, na juventude e velhice, em lugares profanos e sacros. És livre dele, de todo?
2. Tendo de sofrer o justo por causa da verdade, consola-se esperando ver esta triunfar, qual raio de luz, pelo menos no dia das contas finais. Mais vale sofrer com Jesus, do que tornar-se, pela mentira, filho do demônio, pai da mentira, que já enganou aos primeiros pais e que tentou ao próprio Jesus. Aprecias a verdade mais do que tudo? Evitas a exageração, a mentira por gracejo e, sobretudo, as mentiras graves? Se no tribunal de Deus terás de dar contas de cada palavra inútil, quanto mais então das palavras mentirosas! Como confessarás a verdade em coisa grave, quando tentas fugir a leves embaraços, alterando os fatos ou as circunstâncias?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 213)
18 de julho
1. As faltas de caridade tem frequentemente sua base no orgulho e na excessiva apreciação do próprio eu. São favorecidas por verdadeira ou suposta superioridade corporal ou espiritual, pela inveja e pelo espírito moderno. A falta de caridade facilmente leva a se igualar aos superiores, desprezando os inferiores. Faz esquecer que o próximo representa a pessoa de Jesus Cristo, que o salvou e que o instituiu herdeiro do céu. Acaso ignoras isto? Amas a teu próximo como a ti mesmo? Sempre? A todos?
2. Em se tratando de assunto tão importante, examina o teu proceder com a devida seriedade. Não julgas nunca o proceder de teu próximo? Não supõe nele, às vezes, sem base certa, más intenções? Não lhe exageras o mal e lhe diminuis o bem que faz? Nunca propagas o que sabes de mal a seu respeito? Nem na intimidade? És atencioso nas relações mútuas, pontual na correspondência, fiel nas promessas grandes e pequenas? Perdoas? Sempre? E tudo? Quantas vezes são incuráveis as chagas levianamente feitas por levantares um falso, ainda que em coisa pequena, ou por propagares o que outros te referiram! Torna-te, antes, por princípio e sempre, defensor corajoso de teu próximo. Se Deus recompensa o copo d’água dado ao sedento, que dará a quem defende a honra do próximo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 214)
19 de julho
1. Em São Vicente de Paulo Deus fez reviverem as virtudes dos primeiros cristãos e dos próprios apóstolos. Seu coração, amante de Deus, ardia em chamas de amor ao próximo. Este amor o fez trabalhar por muito tempo nas galés e na escravidão; o fez recolher inúmeras crianças abandonadas, educá-las, tratar doentes e desvalidos, servir a todos corporal e espiritualmente. Vês também tu nos pobres, como São Vicente, a pessoa de Jesus? Ou, antes, tratas de modo bem diferente ricos e pobres? Praticas obras de caridade? Tanto quanto desejarás um dia ter feito?
2. Apesar das obras verdadeiramente grandes que São Vicente fez pela glória de Deus e bem do próximo, era ele extremamente humilde, jamais se justificava, quando repreendido. Daí a modéstia de São Vicente que, apesar de seus altos cargos, reluzia em toda a sua pessoa, que fez exclamar um dos seus amigos que jamais ambicioso algum teve tanta paixão pelas honras do que São Vicente pela humilhação e pelo desprezo. Por esta humilhação a tribulação não o desanimava, nem tão pouco os sucessos o embriagavam. Atribuía tudo a Deus… Mira-te neste espelho.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 215)
20 de julho
1. A vida nesta terra parece-se com uma representação teatral. Quantas vezes aquele que no palco se vê honrado e obedecido por fazer o papel de rico ou de príncipe, após o espetáculo é menosprezado por ser pobre! Termina sua glória e sua posição invejável, ao cair do pano. Pois bem, quer seja brilhante, quer seja modesto o papel que Deus te confiou para o espetáculo da vida, não tens razão de gloriar-te daquele, nem de queixar-te deste. Jesus, rico e adorado no céu, é pobre e perseguido na terra; o Pai eterno o quis, eis por que o Filho obedeceu. Apenas, porém, terminou a vida, começou, sem tardar, a glorificação que não terá fim.
2. Que dirias do ator que, para poder brilhar no palco, no papel de monarca, gastasse toda a sua fortuna, levantasse empréstimos e até roubasse? Chamá-lo-ias de louco. Oxalá que não profiras a sentença contra ti mesmo! As faculdades corporais e espirituais, as graças, o tempo e tudo o que é de Deus e que Ele te deu emprestado, empregaste-o para a glória do Altíssimo e para salvação eterna, ou, antes, para brilhares aos olhos dos homens e para gozares uma vida alegre? Cedo, talvez mais cedo que o esperes, cairá o pano, e o que será de ti? Não te salvarão então os aplausos do mundo, mas unicamente os méritos reais e boas obras.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 216)
21 de julho
1. Só de uma coisa deves ter pejo: é do mal; entretanto, te envergonhas, às vezes, do contrário: de fazer o bem. Não te inquieta nunca a ideia de poderes ser censurado? Não deixas por isso, às vezes, de aproveitar uma graça oferecida por Deus? Quantas conversões do mal ao bem, do bem ao melhor, são impedidas pelo respeito humano! Triste covardia, que te torna escravo do mundo, fazendo sacrificar a tua própria convicção! É infundado, aliás, o receio de censura por firmeza de princípios; o mundo, bem a contragosto seu, estima o corajoso e cala-se diante de quem não se lhe curva.
2. Só a Deus deves temer:
“Temei, pois, àquele que, depois de matar, tem o poder de lançar no inferno”
Que aconteceria, se te pagasse com a mesma moeda?
Quem são aqueles, porém, cujo juízo temes? Os bons? Os que virão com Jesus, para julgar o mundo? Não são antes os maus, os indiferentes, os iludidos? Onde chegarias, se quisesses seguir os maus? Receias ser chamado esquisito? Ainda que fossem esquisito todos os que andam no caminho estreito, só estes se salvarão.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 217)
22 de julho
1. Quantas quedas por causa do respeito humano! Ele prejudica o cumprimento de todos os deveres, os para com Deus, os para com a Igreja, o próximo e para consigo mesmo. Receando ser tido por beato, aquele que está dominado pelo respeito humano comporta-se menos reverente na Igreja e na recepção dos sacramentos, e se ainda os recebe, talvez permite sejam atacados em sua presença a Igreja e seus dogmas, e censurados seus ministros e suas instituições. Não temes um Deocleciano, um Nero ou Juliano, mas o simples sorriso sarcástico dum outro! Que falta de caráter!
2. Jesus não se envergonha, ficando pendurado e despido na cruz, desamparado, zombado, em pleno dia, no meio de dois ladrões. Procedes também assim? A Igreja não se envergonha de guiar-te, desde o berço até ao túmulo, e de considerar-te filho, mesmo quando andas perdido. Fazes o mesmo? Cedendo um pouco ao respeito humano, cada vez mais cederás; partilharás as ideias dos outros; calar-te-ás em conversas equívocas, chegando a sorrir ao ouvi-las e a tomar parte nelas. O pior que te poderá acontecer, seria para ti o melhor: isto é, que tais homens te evitassem. Lembra-te sempre que não são eles os que te julgarão, mas Deus!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 218)
23 de julho
1. Ainda que as tentações possam concorrer para maior virtude, elas não deixam de ser perigosas, por pintarem o bem a esperar-se pelo pecado, como grande e apreciável, estimulando a fantasia e a paixão. O perdão de que precisas depois do pecado é por elas apresentado como extremamente fácil e sem incômodo algum. Feito, porém, o pecado, a conversão se afigura pesada, penosa, senão impossível. De todos estes enganos o autor é aquele que é o pai da mentira: o demônio. Não deves, pois, ouvi-lo.
2. É mentira que o pecado seja doce. Será doce o que é seguido de confusão, de vergonha, de aflição, de remorsos? Ainda que fosse doce, antes de ser bem gozado, já passa deixando na alma a culpa. É mentira que a conversão seja tão fácil. Acaso não precisas para ela da graça de Deus? Não poderás morrer durante o pecado, ou logo depois? É, porém, igualmente mentira que a conversão seja impossível. Antes do pecado, teme-o; depois dele, confia. Não desanimes quando as tentações forem frequentes e fortes. Será Deus menos potente? Muito menos desesperes quando uma vez fores vencido. Pede humildemente perdão e acautela-te melhor no futuro.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 219)
24 de julho
1. Grande número de tentações podem ser evitadas por uma séria vigilância. Em vez de ceder aos caprichos dos sentidos, deves dominá-los. Vindo, porém, a tentação, não a tenhas por invencível. Deus não permite que sejas tentado acima de tuas forças. Reza logo, aliando-te assim com Deus, o mais forte e fiel dos aliados. Invoca o nome de Jesus, recomenda-te a tua Mãe, Maria. Sobretudo, resiste imediatamente, que assim o tentador fugirá. Brincar com a tentação é mais perigoso: é o princípio da derrota… Como procedes?
2. Não passando logo a tentação, fortifica-te com pensamentos salutares: Deus me vê! Como tu poderia cometer tamanha maldade perante Seus olhos? Que ganharia? Breve é o prazer, eterno é o castigo! O que prometi a Deus solenemente no batismo, na primeira comunhão, na última confissão! E se eu morresse agora? Ofender a Deus, meu Criador e Salvador, Amigo e Pai? Onde o crucifixo? Eu pagaria assim a Jesus?… Será útil ocupar o espírito com outra coisa, para desviá-lo de seus pensamentos; será ainda melhor vencer o inimigo pela virtude oposta, vencendo-o com as próprias armas. Não voltará então o tentador, para não contribuir para tua maior perfeição. Vencendo nas tentações, não deixes também de agradecer a Deus, que te ajudou.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 220)
25 de julho
1. Não estás seguro, enquanto não evitares energicamente também o pecado venial, por leve e insignificante que te pareça. E por que não o evitarás? Não é ele também uma ofensa ao bom Deus? Uma ingratidão? Uma rebelião contra Ele? Não derramou Jesus seu sangue também por causa do pecado leve? Haverá, com exceção do pecado grave, mal algum que seja maior do que o do pecado venial? Ter-se-iam santificado os amigos de Deus, se só tivessem evitado o que é culpa grave? Não admites faltas por parte de amigos, interpretando-as como ofensas, injustiças e provas de pouca ou nenhuma afeição; e quererás ofender levianamente a Deus?
2. Já contaste, alguma vez, o número de teus pecados veniais? As distrações mais ou menos voluntárias na oração e na Igreja? Os maus juízos do próximo e de seu proceder? As palavras duras, os gracejos levianos, as pequenas omissões no cumprimento dos deveres? As exagerações ou alterações da verdade, as divagações um tanto licenciosas da fantasia, a intemperança no comer e no beber, etc? Não parece que serves a Deus só por medo do inferno e não por amor a Ele? É teu amor a Deus capaz de sacrifícios?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 221)
26 de julho
1. Não é mal pequeno o pecado venial, isto é, a transgressão da lei divina em coisas pequenas, ou em maiores, sendo com a vontade um tanto repugnante. A gravidade duma ofensa depende principalmente da pessoa do ofendido. Frieza entre desconhecidos não é estranhada por ninguém; entre pais e filhos, ou esposos, porém muito. Deus não é mais para ti do que pai e mãe? Será atenuante tratar-se de coisas pequenas? Não! Se se tratasse da fama, da saúde, da fortuna, da vida, talvez houvesse atenuantes; ofendendo, porém, a Deus, por um nada, não as haverá, tornando-se a culpa muito mais repugnante. E tais ofensas não são feitas muitas vezes voluntariamente?
2. O pecado venial é um grande mal também para ti. Ele leva pouco a pouco ao pecado grave e a todas as suas horríveis consequências. Enfraquece a vida da alma; impede numerosas graças de Deus, que te fariam chegar a alto grau de perfeição; tornam aborrecidas a oração e as outras obras boas; dão forças às paixões, até que estas, como em Judas, dominem. E não há no outro mundo um lugar próprio, onde sofrem indizíveis dores, no meio de chamas horríveis, todos aqueles que morreram bem, mas que não fizeram a devida penitência, ou que deixaram a terra com pecados leves? Teme agora o purgatório, para evitá-lo no futuro.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 222)
27 de julho
1. “Quem desprezar as coisas pequenas, pouco a pouco perecerá“. Será tarefa fácil conhecer sempre onde o limite entre o pecado venial e o grave? Desprezando o pecado leve, andas a margem dum abismo; se ceder uma só gleba de terra, perecerás. Como, aos poucos, a doença leva a sua vítima à morte, assim o pecado venial leva o pecador ao pecado grave. Satanás torna-se tanto mais atrevido, quanto mais lhe facilitas embalar-te com indolência e indiferença até tua final conquista.
“Quem é injusto no pouco, também é injusto no muito”
2. Os pecados veniais são simples gotas; mas também gotas podem arruinar o palácio mais soberbo… Eles sãos feridas; tratas de curar em teu corpo só as feridas graves?… Eles são rupturas; consertas no vestido só as de grande dimensão?… Os pecados leves te trazem uma indisposição para todo o bem e fazem com que Deus diminua suas provas de amor, suas consolações e graças. Que será de ti se Deus for tão pouco generoso contigo, como tu és para com Ele? Que adianta ter na boca a palavra “amor a Deus”, e, entretanto, não deixar passar um dia sem entristecê-lO?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 223)
28 de julho
1. “Sem oração“, diz São Boaventura, “não há progresso na virtude“. Ela é o que há de mais sublime; é um colóquio familiar com Deus, a ocupação dos anjos permitida aos homens; a vida do céu começada já na terra… É sumamente necessária; sem a oração não se satisfaz o preceito de Deus, nem se recebe o que é preciso para a salvação. Ela faz aumentar o amor a Deus, diminuir os pecados e santificar-se mais e mais. Dela principalmente vale a palavra:
“Gostai e vede quão suave é o Senhor”
Experimentaste-o seriamente? Rezas como os Santos?
2. Convém examinar-te frequentemente sobre o modo de fazeres tuas orações. Malfeitas, servem para tua maior responsabilidade; bem feitas, far-te-ão progredir na virtude em pouco tempo. Lembras-te, ao rezar, da presença de Deus? Evitas distrações voluntárias? Qual é a posição de teu corpo ao rezar? Interrompes, às vezes, o teu colóquio com Deus? E por que motivo? Examinas-te sempre no fim da oração para da outra vez rezares melhor? Por que te admiras dos poucos progressos no bem, se nas orações és um tanto indiferente? Só a amarás, se aprenderes a fazê-la perfeitamente. “Ensinai-me a orar, ó Deus“, pede assim com os apóstolos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 224)
29 de julho
1. “Sede perfeitos como é perfeito vosso Pai do céu“, é isto que Jesus exige de todos. Deves, pois, por ordem do próprio Salvador, adquirir virtudes, visto em sua posse consistir a perfeição. A virtude não é uma única ação boa, nem consiste em se estar isento de graves faltas ou em praticar exercícios exteriores de piedade. A virtude sobrenatural é mais; é ela que nos habilita para ações boas que tem por fim agradar a Deus. A virtude é, pois, uma aspiração perseverante ao bem e um exercício continuado, sendo por isso mais do que um entusiasmo passageiro. Ela deve inspirar e modificar todas as ações.
2. De Jesus podes aprender o que é verdadeira virtude. Seus pensamentos, suas palavras, suas obras, tudo visa Deus: não faz nada para agradar aos homens, e as censuras destes não o detém de fazer a vontade do Pai. Jesus vive, contribuindo sempre mais e mais para a glória do Pai. Deixa ao Pai Eterno o cuidado da honra, do descanso e da vida do Filho. Jesus não condena a riqueza; prefere, porém, a pobreza; não condena os prazeres inocentes, mas escolhe para si a cruz. Torna-se tudo para todos… Não saberás aprender dEle coisa alguma?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 225)
30 de julho
1. a) Se nada de grande e de importante poderá ser adquirido sem trabalho e combate, muito menos a virtude. Não temas ao ouvir falar em combate e violência; a virtude e sua recompensa, o céu eterno, tudo valem. “O reino dos céus padece luta“, mas aos “que fazem força” ele está garantido!
b) O meio mais indispensável é querer seriamente. O que tão fácil parece, não o é para abranger o homem todo. Tal vontade séria é rara; desejar alguma coisa ainda não é querer. Começar hoje e desistir amanhã, ou querer, mas não aquilo que se deve, não é querer seriamente.
2. Querendo ter virtude, deves atender à voz interna de Deus, que te fala pela consciência. Estando demasiadamente ocupado, não perceberás a voz de quem quer ensinar e guiar-te. Atende a esta voz! Deixar de fazê-lo, seria em teu próprio prejuízo, eterno, irreparável. Sê prudente. Só o sossego interno te facultará contemplar teu Jesus em tudo e deixar-te guiar por Ele.
“Eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, assim façais vós também”
Quão conhecida e, ao mesmo tempo, quão desconhecida é para ti a vida de Jesus!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 226)
31 de julho
1. Passaram-se anos de tua vida, sem que tenhas feito muito por Deus, mas servido antes ao mundo? Santo Inácio de Loyola fez o mesmo, e, não obstante, tornou-se ainda um grande santo. Aproveitou a graça que o tocou ao ler a vida dos Santos, e que lhe dizia:
“Faze como estes, cuja vida lês”
O antigo guerreiro torna-se soldado de Cristo; deixa o mundo, renuncia ao que amava, condena-se a privações, e conserva a alma em uma santa contemplação, sempre unida a seu Deus. Da corte real passa para os hospitais; vence seu gênio, transformando-o, de colérico que era, em manso. Como esperas tornar-te santo, se não queres que te custe?
2. Era quase inexcedível em Santo Inácio o zelo pelas almas. Conhecendo a necessidade dos estudos, para conseguir mais seguramente a salvação do próximo, ele, já homem feito, vai a Paris, confundir-se com os meninos, para estudar. O amor das almas leva-o a procurar companheiros que partilhem seus ideais e com ele trabalhem, tornando-se assim fundador da ínclita e benfazeja Companhia de Jesus. Milhares e milhões de pessoas devem sua salvação a Santo Inácio e seus filhos. Quantos são os que tu encaminhaste para o céu?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 227)
1 de agosto
1. Por indulgência entende-se a remissão de penas merecidas pelos pecados já perdoados. O pecado causa múltiplos males à alma. Rouba-lhe a amizade de Deus e o direito ao céu, fá-la digna do inferno e de castigos temporais. Pela boa confissão fica restabelecida a amizade com Deus, e perdoada a pena eterna; não sempre, porém, o castigo temporal. Este pode ser perdoado pela Santa Igreja, que dispõe de riquíssimo tesouro espiritual e recebeu de Jesus o poder de desligar tudo o que impede de entrar no céu. Assim os méritos superabundantes de Jesus, de Maria e dos Santos redundam em proveito dos pecadores.
2. Não estás obrigado a ganhar indulgências. Preferindo satisfazer a justiça divina nas chamas do purgatório até ao último ceitil*, tens plena liberdade. Mas ai de ti, se adiares para a eternidade o que agora podes pagar com tão pouco! Se te amares a ti mesmo, serás solícito em ganhar muitas e muitas indulgências, para escapar assim às horríveis penas do purgatório. Lá, por mais que sofras, nada ajuntarás à tua glória no céu, enquanto aqui todas as obras satisfatórias são também meritórias e aumentarão tua glória.
Notas: * Ceitil: moeda portuguesa do tempo de D. João I 1385-1433. Quantia insignificante. Os nossos centavos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 228)
2 de agosto
1. Se, com um simples golpe de pena, dia por dia pudesses riscar do livro do eterno Juiz algumas penas merecidas pelos pecados, não o farias? Tens, em verdade, esta possibilidade, usando das indulgências que em tão superabundante número a Santa Igreja põe à tua disposição. Ela anexou grande número de indulgências a tão pequeninas orações, quais suspiros da alma, que não há dificuldade alguma em repeti-las devotamente em todo o lugar, ao estares só ou mesmo na companhia de ouros. Ou seria difícil rezar jaculatórias indulgenciadas como “Meu Jesus, Misericórdia!” e semelhantes?
2. Se muito vale toda a indulgência, mais vale a plenária, – isto é, aquela que perdoa todas as penas ainda restantes de pecados já perdoados. cada manual de orações indica o modo de ganhá-las. desde as Vésperas de ontem à noite de hoje pode ser ganha a indulgência plenária da Porciúncula, tantas vezes quantas vezes se rezar o Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória na intenção do Papa, numa Igreja ou capela da Ordem Franciscana, precedendo confissão e comunhão. Quantas almas do purgatório poderão ser libertadas deste modo! Almas que te são caras! Quantas ações de graças merecem Deus e seu grande servo São Francisco, por tamanho favor!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 229)
3 de agosto
1. Não é a mesma coisa crer e ter uma fé viva.
“O justo vive pela fé”
A fé viva compenetrar-te-á das verdades eternas, de modo que sirvam de norma a todo o teu proceder. Na tentação a fé viva te faz lembrar: Deus me vê; eu ofenderia a meu Pai, benfeitor e tudo? Eu me exporia ao perigo de cair no inferno? O mundo engana com promessas vãs; a fé avisa: Só o eterno tem valor. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a alma? Tens esta fé realmente viva?
2. Deus te manda alguma cruz: a fé te faz levantar os olhos a Jesus Crucificado. A semelhança com Ele tranquiliza e consola-te; não queiras descer dessa cruz; antes exclama: Ainda mais, Senhor.
– Pagam-te com ingratidão? O espírito da fé mostra-te que Deus, e tão somente Ele, é amigo sempre fiel.
– Sofres muito? A fé te lembra que deus poderia livrar-te e que, se não o faz, é só para teu maior bem.
– Custa-te ser obediente? A fé recorda que teus superiores são os representantes de Deus, a quem na pessoa deles tens de obedecer.
– Vêm-te sentimentos de raiva, de desafeto? A fé te diz: Somos todos filhos do mesmo Pai…
Tiras esse proveito da fé?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 230)
4 de agosto
1. “Estarei convosco até ao fim dos séculos“. Em todos os tempos tem-se realizado esta palavra de Deus. Quando grandes eram as necessidades da Igreja, era grande também o auxílio de Deus. Assim Deus lhe enviou ao décimo terceiro século, ao lado do Serafim de Assis, o ínclito São Domingos, pai de outros inúmeros apóstolos, cujo exemplo equivalia a muitos sermões. Como Deus cuida das necessidades de toda a Igreja, assim também protege a todos, um por um. Quanto maior a tua confiança em Deus, tanto mais te socorrerá. Para longe, pois, todo o desânimo! Como procedes em horas de desgostos e de dor?
2. São Domingos exerceu o apostolado da oração e o da palavra. O apostolado da oração consiste em atrair as bênçãos do céu sobre os pecadores, para eles se converterem; sobre os males da Igreja, para repará-los; sobre as calamidades, para conjurá-las, e sobre as boas obras, para aumentar a sua prática. Este apostolado é possível a todos, e não é exposto ao excessivo amor próprio ou à vaidade, visto passar-se tudo em segredo. És um apóstolo da oração? Amas, como São Domingos, o rosário?
Também apóstolo da palavra poderás ser, dando bons conselhos e instruções, defendendo a Igreja e o próximo quando atacados, e tendo em tudo grande zelo por Deus e pelas almas.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 231)
5 de agosto
1. Ser piedoso e afetar piedade são coisas bem diferentes. A verdadeira piedade é coisa real, fundada na convicção de que Deus é Criador, Benfeitor, Pai e Tudo, merecendo adoração, obediência, respeito e ação de graças. Quem é piedoso, possui virtude ou, pelo menos, está trabalhando para tê-la. O piedoso sabe bem distinguir entre obras e meros sentimentos; estes são dispensáveis; aquelas, necessárias. Procurar em tudo a vontade de Deus, deve ser a norma sempre predominante de tua vida.
2. Quem é realmente piedoso sabe achar muito tempo para a conversação familiar com Deus, por meio da oração; transforma todo o seu proceder, pela boa intenção, em oração contínua. Longe de ostentar-se, procura a solidão, não receando, porém, defender os interesses de Deus perante os homens, quando necessário. O verdadeiramente piedoso não se tem por melhor que outros, estando convencido de que outros, com as mesmas graças, teriam correspondido muito melhor a Deus. Por isto também, longe de ser intolerante, tem-se na conta de indigno servo de Deus. O piedoso não pode ser triste, pois, tendo Deus no coração e nos lábios, mostrará uma honesta e santa jovialidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 232)
6 de agosto
1. O Evangelho apresenta hoje a maravilhosa cena da transfiguração de Jesus no monte Tabor. O rosto do Messias, transfigurado de todo, resplandecia como o sol, difundindo para toda parte raios de intensa luz; suas próprias vestes eram brancas como a neve. Os três apóstolos que Jesus tinha levado consigo eram os que mais se distinguiam: São Pedro, de fé inabalável; São Tiago, quem primeiro morreu mártir por Jesus; São João, o virginal. Estes três discípulos mostram o que precisas para ser glorificado com Jesus: crer como São Pedro, sorver o cálice do sofrimento como São Tiago, ser casto como São João. Tens estas virtudes?
2. Para que nunca desanimes, Jesus mostra-te Sua glória, na qual um dia poderás tomar parte. Pela cruz chegarás à luz. Quanto mais agora sofreres pacientemente, por amor a Deus, tanto maior será tua glória. Os apóstolos pediram ficar no Tabor, o que Jesus, porém, não permitiu. A terra não é o lugar do repouso, e sim do trabalho e do sofrimento; no céu virá o descanso e o prazer eterno. Este pensamento te preservará no tempo da consolação, de todo o orgulho, e, durante as contrariedades, do desânimo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 233)
7 de agosto
1. Não é suficiente não ter ódio ao próximo, Deus exige amá-lo positivamente.
“Um novo mandamento vos dou, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei a vós”
Jesus dá a norma; resta, pois, saber como Ele nos amou. Ofereceu-Se vítima por nós; carregou-Se de nossos pecados; sofreu indizivelmente por livre vontade; morreu na cruz; mora ainda entre nós no tabernáculo; dia por dia renova Sua morte na Santa Missa; hora por hora está pronto a perdoar tudo a todos. Amas tu assim? Inteiramente assim jamais poderás fazê-lo, mas, por outro lado, não deves afastar-te demasiadamente do ideal, do exemplo de Jesus.
2. Ainda outra norma de amor é dada por Jesus:
“Amarás a teu próximo como a ti mesmo”
Como te amas a ti? Só por algum tempo? Fria e indiferentemente? Ó! Não! Amas-te, ao ponto de procurar afastar de ti todo o mal e conseguir para tua pessoa todo o bem; és solícito por tua saúde, tua honra, teus bens, a satisfação de teus desejos, por teus pais e parentes e todos os teus interesses. Com semelhante amor sincero, pois, deves amar também teu próximo. Examina-te, por isso, sobre tão importante obrigação.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 234)
8 de agosto
1. Para poderes amar ao próximo assim como Deus o quer, isto é, como Jesus amou a nós e tu te amas a ti, precisas dum motivo bastante poderoso. Este não pode ser outro senão o amor que Deus tem a ti e a todos. Deves ver no próximo um irmão teu, criado segundo a imagem de Deus, remido pelo sangue de Jesus, membro do corpo místico da Igreja e, como tu, herdeiro do céu. Só este motivo te pode dar verdadeiro amor ao próximo, amor que difere da filantropia e também da afeição pecaminosa, como a luz do sol difere da claridade duma vela.
2. A quem amas?
“Se vós não amais senão os que vos amam, que recompensa haveis de ter? Não fazem os publicanos o mesmo?”
Amarás só a quem é bom e amável? Então não corresponderás à vontade de Jesus. Sim, o amor admite e até exige graus diferentes. Assim, antes de tudo, deves amar a teus pais, irmãos e outros membros da família, depois teus amigos e benfeitores, etc. A todos, porém, deves amor sincero. Podes e deves odiar o vício, porém aos homens tens que amar. Assim Deus o faz, mandando nascer o mesmo sol sobre bons e maus e cair a mesma chuva benéfica sobre justos e injustos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 235)
9 de agosto
1. Não há ninguém na terra que não tenha de obedecer a alguém. Deus tem como seus representantes os pais, autoridade eclesiástica e civil, etc. Que disparate contemplar neles só a pessoa e o caráter humano, desprezar suas ordens ou cumpri-las à força! Obediência – palavra misteriosa que poucos compreendem a fundo e, menos ainda, põem em prática. palavra odiosa a muitos, a todos aqueles que a tem por fraqueza e covardia! Entretanto, a história de toda a mocidade de Jesus está compreendida nas palavras:
“Desceu com eles, e veio para Nazaré e lhes estava sujeito”…
2. Para que a obediência tenha o caráter de virtude, deve ser baseada na fé cristã. Quem te manda, representa, ainda que talvez indignamente, a Deus. Quão fácil te seria a obediência, se nos superiores não considerasses só o homem! Deus o quer! Este pensamento tornará tudo fácil e agradável. Sem esta convicção, porém, a obediência será difícil, amarga e até insuportável. Sem este motivo também tua obediência perderá muitos méritos. Talvez terás de ouvir a sentença: “Já receberam a sua recompensa”, porque evitaram castigos e censuras; recompensa triste, enquanto a da obediência, por amor a Deus, é eterna.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 236)
10 de agosto
1. Um gênio pacífico concorre tanto para a própria paz como para a do próximo. Uma ofensa qualquer às vezes é suficiente para irritar-te e para te levar a pensamentos de desafeto e ódio, a palavras precipitadas, a atos de que depois terás de arrepender-te. Irritando-te, a ira começa a predominar no coração e a obscurecer a razão, causando muitos males, desalojando a virtude, que só pode existir em um coração pacífico, e fazendo entrarem as inimizades com suas consequências.
2. Vigia tanto mais, quanto és consciente de tua irritabilidade. Não venhas com a desculpa de teres gênio irascível, pois todo gênio pode ser dominado. Aprende a calar-te quando te sentes excitado, e perdoa sempre e tudo, imitando a mansidão de Jesus. Não dês a outrem ocasião de se zangar, ainda que às vezes tenhas de renunciar a um direito teu. Havendo uma desavença, procura terminá-la amigavelmente. A vontade séria pode conseguir muita coisa; não dá importância a ofensas, nem ouve a voz do egoísmo e do amor próprio, que falam em dignidade ultrajada. Imita o mais possível a Jesus, que, ultrajado, nunca se vingou, mas pagou com novos benefícios.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 237)
11 de agosto
1. Nada é mais custoso do que amar a quem ofende. Rebela-se o interior, opõe-se o amor próprio, e o coração insiste em seu direito. Todavia, é preciso, e não há que fugir a este dever.
“Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio e orai pelos que vos perseguem e caluniam”
Este amor e este perdão são como que uma condição do perdão divino:
“Perdoai-nos as nossas dividas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”
2. Em geral trata-se de ofensas pequeninas. Julgas estas bastantes para intrigar corações e semear inimizades? Não vês que é orgulho, amor próprio e ciúme o que tens por excitação justa e por defesa de tua dignidade e honra? Falas em afrontas. Se Deus fosse tão suscetível, se Ele tão dificilmente perdoasse, que seria de ti? Quantas vezes exiges misericórdia de Deus, negando-a ao próximo! Onde a tua humildade, se continuas a guardar aversão contra quem te melindrou? Que diferença entre ti e Jesus, o Filho de Deus! Lembra-te da morte e deixa de ser hostil. Perdoa, e a ti te será perdoado.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 238)
12 de agosto
1. Não é suficiente não odiar a ninguém. Dirás: “Não quero mal, mas também nada tenho que ver com quem me ofendeu”? Palavra é essa detrás da qual se escondem aversão e rancor. Deus não exige indiferença e sim amor ao inimigo. Por ti, Jesus crucificado, embora tenhas ofendido grave e repetidamente, orou:
“Pai, perdoa-lhe, pois não sabe o que faz”
Queres o teu direito? Pois Deus quer o seu; quer que não seja ofendido por implacabilidade e quer que por ti seja amado todo aquele que Ele não exclui de seu amor.
2. Há alguma coisa que te desagrade em teu próximo? Lembra-te que também tu tens fraquezas, e que outros precisam de resignação e paciência, para aguentá-las. Foste ofendido? Pagar o bem com o mal é diabólico; o bem com o bem, é humano; o mal com o bem, é divino. Imita a Deus na imensidade de Seu amor. Examina o teu íntimo. Não há nele nenhum susceptibilidade? Nenhuma aversão prolongada?
“Não deixes entrar o sol sobre a tua ira”
Perdoa, para que aches um juiz que também a ti te perdoe. Ser-te-á mais fácil quando te lembrares da brevidade da vida e da aproximação do dia das contas finais. Fazer agora o que então desejarás ter feito.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 239)
13 de agosto
1. Trabalhar é esforça-se. Ocupar-se ainda não é trabalhar; há ocupações que mais se assemelham à ociosidade do que ao trabalho. Este pressupõe vencer dificuldades. A lei do trabalho todos estão sujeitos. Desde que Adão se rebelou, o homem foi condenado a trabalhar no suor do rosto. Em nenhum campo de ação, profano ou religioso, se faz algo de valor sem esforço, sem trabalho. Ainda que outros por ti trabalham, não tens o direito à ociosidade… Como gastas o teu tempo?
2. A vida não te foi dada só para gozares na terra. O viajante, ainda que de quando em vez descanse, procura caminhar adiante. Levou Jesus uma vida ociosa? Não! Ele trabalhou até que na cruz pode dizer:
“Tudo está consumado”
Eram ociosos os Santos? Não! Nem os mártires magnânimos, nem os apóstolos incansáveis, nem os penitentes, nem as virgens zelosas, nem os confessores ativos. Não te confunde seu exemplo? Como poderás, um dia, aparecer em seu meio, se não te esforçares mais? Ainda que o descanso justo e recreios moderados nada tenham de mal, lembra-te que cada minuto é precioso. O que perdes, perdes para sempre.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 240)
14 de agosto
1. A santa pureza, a mais bela das virtudes, requer vigilância assídua. Antes de tudo guarda teus olhos, pois, por eles, as mais das vezes, entra a morte na alma. Suposto que um olhar indiscreto já não seja pecado, quão facilmente conduz ao mal! A curiosidade leviana de olhar para tudo e de querer tudo saber, a ociosidade, a falta de energia consigo mesmo, a repugnância à mortificação, tem reduzido fortalezas, até então nunca tomadas, a simples montão de cinzas.
“Quem ama o perigo, nele há de perecer”
Prefere ser tido, nesta virtude, antes por exagerado, do que por leviano.
2. Vindo tentações, é da maior importância resistir-lhes imediatamente, e do modo mais enérgico. A irresolução, a tardança, muitas vezes é chorada, antes que se pense, no cárcere do pecado. Um espelho bem polido e limpo se embacia ao mais leve sopro. A centelha na roupa deixa uma queimadura; assim a pureza está sempre em perigo. O caminho do pecado é escorregadio; quem te segura os passos para não caíres no abismo?
“Trazemos o tesouro da pureza em vaso quebradiço”
O que fazes para não cair?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 241)
15 de agosto
1. Os justos que morrem na graça de Deus com toda a razão esperam ouvir a doce palavra:
“Servo bom e fiel, entra no gozo de teu Senhor”
Não obstante isso, também muitos deles sentem-se inquietados pela lembrança dos pecados e do bem omitido. Nada disso na Santíssima Virgem. Maria Santíssima, lançando um olhar retrospectivo aos 72 anos de sua vida, nada encontrou que a pudesse inquietar, nenhuma falta, nenhum momento mal empregado. Com quanta satisfação podia dizer:
“Está consumado!”
Que morte doce, única! Que é que tu tens feito para morrer feliz como Maria?
2. Não convinha que o corpo puríssimo de Maria fosse entregue à corrupção do túmulo. Ressuscitada gloriosamente por seu Filho, Maria ascende aos céus, vindo-lhe os anjos, os profetas e os patriarcas ao encontro. Deus assenta-a no trono que lhe compete como sua Filha, Mãe e Esposa. Rainha dos mártires na terra, Maria é agora Rainha do universo no céu.
Deus te chamou também a ti para a eterna glória. Já o mereces? Tornas-te dela mais digno de dia para dia? Lembra-te que todas as graças passam pelas mãos de Maria.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 242)
16 de agosto
1. A todas as virtudes é indispensável a humildade. Os motivos para ser humilde não os procures fora de ti, mas em ti mesmo.
“Lembra-te que és pó e em pó te hás de tornar”
Se alguém julga ser alguma coisa antes de o ser, engana-se a si mesmo. Beleza, mocidade, nobreza, saber, etc., então serão nada? Pelo contrário, são dons de não pequeno valor, mas não os possuis por ti, e sim por Deus.
“Que tens que não hajas recebido?”
A Deus deves a existência, a saúde, o bem-estar, tudo o que és e o que tens. Se para a sua posse concorreste com as tuas forças, também estas deves a teu Criador, pois nada possuis por ti mesmo.
2. Se deves a Deus todos os bens corporais, quanto mais os espirituais!
“Pela graça de Deus, sou o que sou”
Quem lavou tua alma da mancha do pecado original? Quem te perdoou tantas vezes os pecados? Quem te deu as graças necessárias para praticares algum bem? Deves humilhar-te, não só reconhecendo tua dependência completa de Deus e tua pouca gratidão, como também teus insignificantes progressos na virtude e tuas numerosas recaídas no mal. Quanto teriam outros progredido, se tivessem recebido as mesmas graças que a ti te foram dadas?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 243)
17 de agosto
1. O humilde goza de grande paz e tranquilidade. Que é que poderia roubar-lhas? Censuras, em vez de o entristecerem, alegram-no, porque julga merecê-las, ou, pelo menos, tê-las merecido em outras ocasiões. Injúrias e calúnias não o perturbam; os bens da terra e a prosperidade não o ensoberbecem; a preferência dada a outros não o aflige; faltas de atenção não o abatem, não havendo nada que lhe possa roubar a tranquilidade. Se não gozas desta paz constante, examina-te se não é por falta de humildade.
2. a) Da humildade nascem todas as mais virtudes. Ela é o fundamento da castidade. O amor ao próximo e a obediência tornam-se fáceis e agradáveis, quando te desprezares a ti mesmo. A humildade conserva na virtude, faz fugir das tentações e recorrer sempre à fonte da força. Maria foi exaltada, porque era humilde.
b) Usas dos meios necessários para alcançares esta virtude? Ou estás antes acostumado a falar de preferência de ti, a exaltar-te, reclamar atenções e distrações, procurar honras, fugir a todas as humilhações, ocupar-te de ti em teus pensamentos e sonhos de futuro?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 244)
18 de agosto
1. Para fazeres ações extraordinárias terás pouca ocasião; tanto mais é necessário fazer bem as ordinárias. Quão diferentes são estas em diversas pessoas! Aqui, intenções santas; lá, profanas; aqui, tudo com Deus; lá, tudo ou muito sem ou contra Ele; aqui, pensa-se em Deus reza-se a Ele; lá, é de todo esquecido. A intenção pura dá valor e merecimento às próprias obras já em si boas. Sem ela, muitas das nossas ações talvez não valham nada. Estás convencido, praticamente, dessa verdade?
2. “Os céus cantam a glória de Deus, fazendo o que já fizeram durante séculos, em obediência ao Altíssimo“. Procede assim? Que fez Jesus durante 30 anos? Nada de notável segundo a opinião do mundo. Fazendo Ele, porém, com perfeição as ações ordinárias de cada dia, trabalhos no serviço doméstico e na oficina, era objeto das complacências de Deus, seu Pai. A vida de Maria e José era obscura, oculta, desconhecida do mundo; entretanto, depois de Jesus, ninguém era maior nem mais santo do que eles. Não procures, pois, ao longe, a santidade, e sim na perfeição a dar às ações quotidianas.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 245)
19 de agosto
1. A boa intenção, como que uma varinha mágica, transforma as ações mais simples e insignificantes em gemas preciosas. Ela é para a ação o que é o alicerce para o edifício, a raiz para a árvore, a alma para o corpo. Sem o alicerce, o edifício cai por terra; sem a raiz, a árvore seca; se, a alma, o corpo não é mais que um cadáver. Sucede o mesmo com a boa intenção. Além de alcançar méritos, a boa intenção influi para que seja bem feita a ação toda. Ela ainda facilita a posse do céu, por tornar meritórias as mais ordinárias ações, tais como descansar, dormir, comer, etc.
2. A vida consta de grande número de ações indiferentes, a saber, nem boas nem más. Por que não valorizá-las pela boa intenção? Por que perder grandes e muitos méritos? Por dias, semanas, anos! Faze a boa intenção cada manhã e renova-a frequentemente durante o dia, sobretudo antes de ações de certa importância. Toma sentido para que nada faças por egoísmo ou glória vã e que não tenhas de ouvir um dia a sentença:
“Eles já receberam suas recompensas”
Muitos desconhecidos do mundo adquirem, por meio da boa intenção, méritos grandes, enquanto tu talvez percas inúmeras ocasiões de ganhar recompensas eternas.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 246)
20 de agosto
1. “Dai a Deus as primícias do vosso dia – diz São João Clímaco – porque este será todo daquele que o ocupar primeiro“. Não permitas que pensamentos mundanos, embora lícitos, entrem antes de Deus em teu coração. Não foi o repouso um benefício de Deus? Não é uma graça o dia que te concede, enquanto muitos outros faleceram durante a noite? Inicia todos os dias com uma vitória sobre a própria comodidade; saúda teu Criador com cordiais orações; agradece-Lhe, pede-O, renova teus bons propósitos e a boa intenção.
2. Como o levantar, assim o deitar-se pode e deve ser um ato meritório. A modéstia exige que teu procedimento revele em tudo o respeito devido a Deus e ao anjo da guarda, que te observam. A religião requer que não te deites sem ter agradecido a teu Deus os inúmeros benefícios feitos durante o dia, pedido sua proteção para a noite, e implorado, depois de examinada a consciência, perdão pelas faltas cometidas. Uma noite será a tua última. Se fosse esta de hoje? Estás preparado?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 247)
21 de agosto
1. Não há lei eclesiástica que obrigue a assistir à missa, senão aos domingos e dias santos; todavia, não haverá responsabilidade alguma deixando de assisti-la nos dias úteis, quando é fácil? Não será um menosprezo deste altíssimo mistério de amor? O sacrifício é oferecido por todos os fiéis, pelo que todos dele aproveitam; só os assistentes, porém, colhem os frutos especiais, de eterno valor. Cego, louco e caprichoso que és, renunciando a um tesouro que tão facilmente podes ter! Como te envergonham os primeiros cristãos e os neo-conversos! Como te arrependerás no termo da tua viagem por este mundo!
2. Um dos modos mais úteis de assistir à santa missa é meditar nela a santa Paixão de Jesus. Nada mais fácil, visto tudo lembrar Jesus: o altar, as vestes sacerdotais, a cruz, as genuflexões, etc.
Todo o método pode ser bom. Escolhe aquele que te parecer mais proveitoso. A santa missa pode ser para ti a fonte de força para o combate contra a carne, o mundo e o demônio. Por ela facilmente vencerás as tentações e conseguirás graças especiais para ti e para outros. Examina-te quantas vezes e como a assistes, e quais os frutos espirituais que dela tiraste ou que deves tirar.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 248)
22 de agosto
1. A santa missa é indubitavelmente a mais excelente das orações. Nela é o próprio Jesus que reza, encarregando-se das tuas petições e apoiando-as com Seus méritos infinitos. Apresenta-se ao Pai como suplicante e vítima; faz falar por ti todo o seu sofrimento, durante 33 anos, todas as suas chagas e todo o seu sangue. Pela santa missa tornas-te infinitamente rico, dando a Deus mais do que lhe pedes; pois lhe dás o Filho amado, enquanto pode suas graças.
2. Na missa é o próprio sacerdote que determina as intenções do sacrifício, dizendo a Jesus o que quer pedir; e Jesus, seu dócil mandatário, apresenta a Seu Pai todas as petições, sem jamais achá-las excessivas. Não é propriamente onipotente uma tal oração? As orações dos anjos e santos não se aproxima dela; aquelas são súplicas de criaturas; a missa é uma prece do Filho de Deus mesmo. Quanta confiança, pois, deves ter na santa missa! Quanto zelo para te mostrares digno de tal graça! Quantas riquezas poderás alcançar, dia por dia, com tanta facilidade!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 249)
23 de agosto
1. A casa de Deus é uma casa de oração. O Infinito, em sua extrema bondade, escolheu um lugar na terra, onde pode ser visitado, adorado e rogado. Este lugar deve ser respeitado, sendo indispensável o recolhimento externo e interno. Teu proceder deve ser baseado no pensamento: Quem é Deus? Quem sou eu?
Tudo na igreja deve lembrar-te de Deus; o Crucifixo – falando da paixão e morte de Jesus; as Imagens – recordando as virtudes dos santos; o Confessionário – teus pecados e a misericórdia de Deus; o Altar – o preço da tua salvação; o Tabernáculo e a Mesa da Comunhão – o Sacramento do Amor.
2. Não entras às vezes na Igreja, como se ela fosse um lugar profano? Quanta distração, frieza, impaciência e indiferença! Acaso pensas que Deus tenha de sentir-Se honrado e não sejas tu o pobre e mendigo que tudo a Deus deve? Inclina a cabeça, os joelhos e o coração perante Aquele que com sumo respeito é adorado pelos anjos e santos. Vens à Igreja para buscar bênçãos divinas; toma sentido para não levares, por falta de respeito, alguma maldição. Vens por causa de Deus; não te ocupes, pois, com as pessoas presentes ou coisas mundanas.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 250)
24 de agosto
1. Quem te dera que se desvendasse uma vez a teus olhos o véu que encobre o sobrenatural. Um príncipe do céu, enviado por Deus para tua proteção, está sempre a teu lado.
“Vede, diz Jesus, que não desprezeis um só destes pequeninos; pois, eu vos digo que os seus anjos no céu veem incessantemente a face de meu Pai que está nos céus”
Quanto pode e deve influir para teu proceder a convicção e a lembrança constante da presença de teu anjo! Sua presença deve chamar-te a atenção para tua tarefa principal: salvar a alma.
2. Quanto Deus deve amar-te, se te manda acompanhar e proteger, durante toda a vida, por um de seus anjos! Este te segue, apesar de teres uma natureza inferior. Quanta humildade! – Ele te assiste, sejas justo ou pecador. Quanta obediência! – Por que tão pouco respeitas sua presença? Por que fazes perante ele o que perante teus semelhantes jamais farias? Respeita-o sempre, tem confiança nele, faz-lhe pedidos, agradece-lhe. Sabe que o mesmo anjo, agora protetor, um dia se apresentará testemunha incorruptível de todas as tuas ações.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 251)
25 de agosto
1. Jesus e o demônio disputam a posse de tua alma. Este, e os demais anjos caídos, não cessam de promover tentações e ciladas a todos. São eles que te fazem estimar demasiadamente os bens da terra, honras, divertimentos, prazeres da carne e a satisfação da própria vontade. Que te aproveita ganhar o mundo inteiro, se vieres a perder a tua alma? Teus inimigos, conhecendo o nenhum valor dos prazeres da terra, com astúcia afastam todo o pensamento na eternidade e na vaidade do mundo. Foges de fato e sempre das ciladas dos inimigos infernais?
2. Jesus não promete riquezas, honras vãs, prazeres e sensualidades. Pelo contrário, chama de bem-aventurados os pobres, os humildes e pacíficos, os que sofrem com resignação, os castos. Pertences a Jesus, de quem deves ser? Vê se és pobre, humilde, pacífico, arrependido dos pecados e casto. Deves ser de Jesus, pois ninguém fez mais por ti, do que Ele, e longe de Jesus só há eterna infelicidade. Quanto mais te venceres a ti mesmo, mais pertencerás a Ele. Amas a cruz?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 252)
26 de agosto
1. No exército de Jesus há cargos e lugares muito diferentes. Todos os soldados de Jesus combatem o pecado; quanto mais, porém, alguém pelejar contra o demônio, o mundo e a própria carne, seguindo o exemplo do supremo chefe, tanto mais elevado é o seu lugar. Todos os soldados de Jesus devem odiar e evitar o pecado grave, ainda que tivessem de renunciar a todas as coroas da terra e de sujeitar-se às mais duras penas. Vida eterna ou morte perpétua, eis o dilema.
2. a)Mais perto de Jesus estão as almas puras que evitam também o pecado venial. Nunca o cometerão voluntariamente, nem por todo o ouro da terra, nem por medo dos mais horrorosos tormentos. Basta-lhes saber que ofende a seu bom Deus.
b) Mas ainda há soldados mais nobres, com armas mais luzentes, em postos mais elevados. São os que procuram unicamente a Jesus; que escolheram para sua parte a pobreza e castidade de Jesus e lhe voltaram obediência em tudo. Não lhes é suficiente nunca ofender a Deus; não querem deixar sozinho a seu Jesus em Sua voluntária pobreza e humilhação.
Onde achas neste exército de Cristo? Ao lugar corresponde o prêmio eterno.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 253)
27 de agosto
1. O sacerdócio é tão sublime, que também aos que não são sacerdotes cumpre estimá-lo devidamente. Os sacerdotes tem de curar, de pedir e de sacrificar. Perdoando, em lugar de Deus, os pecados, e curando assim as almas, ressuscitando-as até da morte e dando-lhes nova vida, tem o poder mais alto que pode haver. Se outra distinção e poder não tivessem, este seria suficiente para tratá-los com um respeito inexcedível. Pela recitação do breviário, o ofício divino, não só conversam, dia por dia, longo tempo com Deus, mas intercedem também por tantos que não rezam ou que rezam pouco ou mal.
2. O sacerdote tem ainda o imenso poder de efetuar todos os dias o mais incompreensível milagre, transformando pão e vinho no Corpo e Sangue de Jesus. Quão respeitáveis são as mãos que todos os dias levantam seu Deus ao alto, quão respeitável a boca e a língua, que, repetindo as palavras da instituição, realizam o milagre! De fato, mais elevada é a posição do sacerdote, do que a do anjo. Quantos outros sacramentos ainda são administrados por ele! Sacerdote ou não, examina se tens na devida conta a dignidade sacerdotal.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 254)
28 de agosto
1. Não serás capaz da verdadeira virtude, da própria perfeição? A fé e a própria inteligência dizem que não, pois não é a longa duração de vida que faz alguém ser respeitável, e sim a vida ilibada. Ó! Sublime pensamento: posso ser um santo. Sim, posso. Haverá talvez um embargo por parte de Deus? Não, Ele o quer. Por parte de ti mesmo? O que não podes por ti, podes pela graça divina. Há dificuldades, mas também há meios de vencê-las. Podes ser um santo. Deus to diz; o coração o confirma, os santos o provam. Por que ainda não és santo?
2. Se estás longe de ser santo, outro não tem a culpa, senão tua própria covardia e falta de energia. Foges do combate contra a tua natureza corrompida, contra tuas inclinações ainda tão fortes, e tua comodidade. Sem esforço real e constante jamais terás a palma da vitória. A semente tem de morrer, para poder nascer à nova vida e crescer. Tens medo desta morte? Anima-te; ela equivale à vida, ressurreição e imortalidade.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 255)
29 de agosto
1. Sendo tua vocação tornares-te santo, antes de tudo seriamente deves querer sê-lo. A santidade não nasceu contigo, nem te será dada sem tua colaboração. Para aspirares séria e energicamente à santidade, deves estar convencido de que tua colaboração é indispensável; que a santidade é de infinito valor e que sem sérios esforços não só nunca a alcançarás, mas também correrás risco de perder-te eternamente. Deves querer assemelhar-te a Deus. Sendo Ele de perfeição infinita, o alvo sempre será alto, e a fome e a sede da eterna justiça só serão saciadas na eternidade. Quanto mais te esforçares agora, mais perto estarás um dia de Deus.
2. Se já renunciaste de todo ao pecado grave e leve, não te dês por satisfeito. Não digas sempre:
“Devo fazer isto, aquilo? Sou obrigado?”
Sabes, acaso, a que grau de santidade o Senhor te elevaria, se a Ele te desses sem reserva? Nem podes imaginar quais as intenções de Deus para contigo. Não lhe faças a injúria de marcar limites à sua liberalidade. O céu não é o mesmo para todos. Há lugares e graus que diferem, quais estrelas, em luz e brilho. Se, para adquirir bens terrestres, és tão incansável, acaso valerá menor estima o que é celestial?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 256)
30 de agosto
1. Santa Rosa de Lima é a Padroeira da América do Sul. A Santa, quando ainda tenra criança, já mostrava uma abnegação singular, não se queixando nunca nas dolorosas operações às quais teve de sujeitar-se. Devendo, por ordem terminante de sua mãe, enfeitar-se, teceu, na coroa de flores que lhe deram, espinhos, os quais, penetrando em sua cabeça, lhe causaram dores quase insuportáveis. Recolhendo-se, aos 21 anos de idade, a um lugar ermo, entregou-se ali a incríveis práticas de penitência. Tal é o modelo; qual é a tua semelhança com ele?
2. Se uma virgem de vida ilibada cingia a fronte com espinhos, flagelava o corpo até correr sangue, jejuava até quase cair desfalecida, qual a penitência que te convém a ti? Se menos fazes, será porque menos precises de penitência? Quanta confusão sentirás um dia, quando Deus confrontar tua vida sensual com os rigores desta Santa e de tantos outros servos de Deus, de constituição fraca, mas de vontade férrea! Tão graves mortificações não são de lei; mas seria demais teres paciência para com o próximo, nos desgostos e no trabalho, e fazeres pequenos sacrifícios?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 257)
31 de agosto
1. Quantas vezes Jesus, teu Amigo mais desinteressado, bate à porta de teu coração, pedindo entrada! Não tem de esperar, teu Jesus, às vezes, por longo tempo? E não tem de retirar-se outras vezes, por ser-lhe negada a entrada? Nunca chegarás à perfeição, à santidade, se não atenderes bem às aspirações divinas, que não te faltam e que serão tanto mais numerosas quanto mais prontamente lhes prestares ouvido.
2. “Eu vim trazer fogo à terra; e que quero eu, senão que ele arda?“. Quão pouco amor tens a teu Deus, se em tudo só consultares quanto podes fazer, sem incorrer em culpa grave! Quanta indiferença ofensiva e falta de respeito, se tão pouco atendes às graças e inspirações divinas! Jesus fala-te diretamente, e por seus ministros; outras vezes por teus semelhantes, pela natureza, por incidentes e por muitos outros modos. Ele inspira boas resoluções quanto à humildade, à mortificação, o amor ao próximo, etc. Nunca desprezas Sua voz?
“Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a Ele, e estabeleceremos nEle morada!”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 258)
1 de setembro
1. Também na estrada ao céu há desvios e rodeios. Ai de ti, se a quiseres trilhar sem condutor que te guie e que, ao caíres, te levante. Tal condutor é o confessor. Ainda que seja indiferente quem te dê a absolvição dos pecados, uma vez que tenha poder para isso, não é indiferente como ele te guia e como tu te deixas guiar. O sacerdote não é só juiz, mas também médico e conselheiro. Quem não compreenderá quanto, como tais, diferem uns dos outros! Que importante papel, o do confessor! Com o médico é conselheiro trata-se só de interesses passageiros; com o diretor espiritual, porém, tem de se tratar de interesses eternos.
2. a) Se tiveres livre escolha do teu diretor espiritual, visa unicamente o bem de tua alma. Em todo o caso estás interessado em pedir, frequentemente, para teu confessor a luz celestial, para que ele te possa guiar bem, e a necessária energia, para que seja franco e resoluto contigo, ainda que isto se torne custoso. Das orações oferecidas pelo confessor, tu mesmo terás a maior vantagem.
b) Se queres fazer progresso verdadeiro, não te limites a acusar teus pecados, mas expõe com confiança e sinceridade todo o estado de tua alma. Se pouco progrediste, não foi talvez por falta de sinceridade? Receaste aparecer aos olhos do confessor, tal qual és?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 259)
2 de setembro
1. “Deus é a caridade“. Ele tirou-te do nada. O corpo, com todas as suas faculdades, é seu presente. A alma, de infinito valor, recebeste-a de Deus; as criaturas ficaram sujeitas a ti; anjos te servem. Deus mesmo, por incompreensível amor, assumiu tua natureza; tornou-se menino, pobre; trabalhou, sofreu e morreu por ti. Fundou a Igreja para tua salvação, instituiu a santa Eucaristia, para se sacrificar muitas vezes por ti e para tu O teres presente. Como correspondes a tanto amor?
2. Ainda outros benefícios te deu; teus pais, tuas condições de vida, tuas faculdades corporais e espirituais, inúmeras graças, repetido perdão – benefícios sem número. Quem é que dá e quem é que recebe? O Infinito – à ingrata criatura. E considera-te, talvez, apenas como o patrão ao criado? Não! Ele quer que lhe dês o nome de Pai. Ele consente em que O ames. Terá Deus alguma vantagem em prodigalizar-te tanto amor? Não! Antes expõe-se a novas ofensas. Seu amor é todo desinteressado, é sem fim, sem limites. Não te envergonhas de preferir ao amor de Deus a afeição a uma criatura e a interesses terrenos? Se outro tivesse recebido de Deus tudo que Ele te deu, talvez seu coração se abrasaria de amor. Mas tu?…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 260)
3 de setembro
1. Se em verdade amas a Deus, rezarás não só com a boca, mas também com o coração e por todo o proceder.
“Seja feita a vossa vontade, assim na terra como nos céus”
Nada se dá, sem que Deus o permita. Por seu consentimento vem alegrias e dores, honras e humilhações, vida e morte. E tu serás pusilânime? Até murmurarás contra Deus? Dize antes como Jó, em todas as condições da vida:
“Seja bendito o nome do Senhor!”
Se de Deus recebeste tanto bem, por que não aceitarás dEle também alguma provação? É arte santa conformares-te com a vontade de Deus; arte, ao mesmo tempo, de inexcedível valor para ti.
2. Será impossível esta conformidade com a vontade divina? O que não podes por ti, podes ajudado pela graça que está à tua disposição. Acostuma-te cedo a não te queixares jamais e a seguires em tudo as inspirações divinas. Se Deus exigir um sacrifício, dará também a força de fazê-lo, e, feito um, tua força redobrará. A quem é magnânimo, nada é demais. Não olhes o pouco que fazes por Deus, mas admira o quanto Deus fez e faz por ti.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 261)
4 de setembro
1. Deus não manda nada que seja impossível. Podes, pois, fazer o que Ele diz:
“Importa orar sempre, não cessar de o fazer”
A oração não depende de fórmulas, de palavras, da posição do corpo, de lugares e tempos. Cada voo espiritual ao céu é uma oração, porque cada um tem por fim aproximar-te de Deus. Deus, como espírito, está presente em todo lugar, e por isso é testemunha de cada pensamento teu e de teu desejo de lhe agradar. Não podes sempre rezar com a boca, mas sim com o coração, conservando nele, carinhosamente, grande afeição a Deus.
2. Santifica, pela intenção boa e pura, todas as tuas ações do dia, transformando-as assim em santa e valiosa oração. Se não podes rezar muito, oralmente, ser-te-ão também impossíveis orações breves, as jaculatórias? Se amas a Deus de fato, muitas vezes durante o dia O saudarás, ora como teu Senhor, Criador, Benfeitor, ora como Redentor, Irmão e Pai e tudo. Muitas vezes terás de pedir-Lhe alguma coisa, de agradecer-Lhe, de adorá-lO e de comunicar-Lhe tuas condições e necessidades com filial confiança. Assim a oração te será, pouco a pouco, uma verdadeira alegria e necessidade, e os frutos para tua alma serão grandes.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 262)
5 de setembro
1. Como o corpo carece de alimento para que possa viver, assim a alma precisa da graça da oração e das íntimas relações com Deus. Não será como que cego espiritualmente quem, por dias inteiros, não olha para Deus, presente em seu coração? Não será surdo, quem nunca ouve suas inspirações? Não será mudo, quem não sabe falar a Ele? Não será sem sentimento, quem não admira a grandeza, a santidade, a bondade de Deus?
2. Não seja teu coração uma feira onde para todos há lugar, menos para teu Deus e Senhor. Quanto bem te fará um santo recolhimento! Receias incorrer na censura do próximo? Podes e deves ter relações com ele, enquanto preciso e útil, mas sempre dum modo que impressione bem ao próximo e não te afaste a ti nem a ele de Deus. Os santos, por acaso, foram membros inúteis da sociedade? De forma alguma. E, entretanto, em íntimo recolhimento conversaram sempre com Deus, achando nisso as forças para feitos grandes por Deus e por teu próximo. Por que não os imitas em seu procedimento, se tanto desejas segui-los na glória e recompensa eternas?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 263)
6 de setembro
1. O verdadeiro amor a Deus não descansa. Quem ama a Deus não se contenta em sofrer com paciência o que lhe sobrevém, mas procura, ao menos algumas vezes, o que dói e o que contraria a natureza corrompida… Vê os Santos. Que engenhosos não foram em descobrir o que contrariasse a sensualidade! Não se limitaram à defesa, foram ao ataque. Sentiam as dores, mas fitaram o olhar no exemplo inexcedível, em Jesus, procurando tornar-se semelhantes a Ele.
2. a) Ficas horrorizado ao pensar em mortificações? Mas, não és filho do Crucificado e irmão de Santos heroicos? Se eles fizeram penitência, tens dela tu ainda maior necessidade. Estás rodeado de perigos, paixões violentas te ameaçam; a carne é rebelde e, nestas condições, a mortificação seria supérflua?
b) Quem exige algo de extraordinário? Dia por dia tens inúmeras ocasiões de vencer e de mortificar-te, suposto que prestes a devida atenção. Podes mortificar ora os olhos, os ouvidos, o paladar, a loquacidade, ora uma tristeza desordenada, um capricho, etc. Tanto mais progredirás na vida espiritual, quanto mais souberes vencê-la.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 264)
7 de setembro
1. Deus castiga a quem ama. Se bem conhecesses o valor do sofrimento resignado, jamais terias inveja dos chamados felizes da terra; antes terias pena do perigo em que estão. A prosperidade leva muitas vezes ao esquecimento de Deus; o sofrimento dá humildade, faz olhar para o céu e afasta da terra e de seus bens. A cruz do sofrimento faz semelhante a Jesus e dá direito a recompensas eternas.
“Não podem ser comparados os desgostos deste tempo com a glória futura que será manifestada em mim”
2. Se pouco sofres, não será assim porque ainda não pertences aos prediletos de Deus, porque Ele ainda te vê fraco, porque ainda não és digno do sofrimento? Pede a Jesus que te deixe sofrer na terra, para logo o veres na eternidade; para aqui satisfazeres por teus pecados e para te tornares digno dEle. Verdadeiro amor a Deus transforma os espinhos do sofrimento em perfumosas flores, o fel em doçura, a terra em céu. Quando isto compreenderes, terás compreendido a verdadeira sabedoria, para tua felicidade temporal e eterna.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 265)
8 de setembro
1. O próprio Deus deve alegrar-se em Maria, que hoje nasceu. Ele não podia criar alguém com quem entrasse em relações mais íntimas do que com ela. Maria, por sua dignidade de todo excepcional e única, é dotada de todas as perfeições corporais e espirituais, é “cheia de graça”, criatura em que Deus Pai vê sua Filha; Deus Filho, sua Mãe; o Espírito Santo, sua Esposa. Ainda é criança, e a Santíssima trindade já a contempla com suma complacência. Que espetáculo maravilhoso para todos os anjos do céu! Que dignidade a de Mara Santíssima, tua Mãe; sim, tua!
2. O dia do nascimento de Maria é para todo o mundo um dia de glória, de felicidade, de esperança e de edificação inefável. Ela trouxe ao mundo uma glória que não pode ser excedida, porque a dignidade de Maria é a mais alta possível; trouxe felicidade, porque Maria é a Mãe do Redentor; trouxe esperança e edificação, porque ela nos foi dada por mãe, que já desde o berço roga por todo o mundo. Ama a Maria; ela não desprezará teu amor, antes te dará, em recompensa, uma afeição maternal inexcedível.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 266)
9 de setembro
1. Ser-te-á suficiente não escandalizar a ninguém e não concorrer para a perdição do próximo? Terás por meritório não ter precipitado a ninguém na água ou no abismo? Se alguém, lutando com as ondas, precisar do teu socorro, negar-lho-ás? Não! Tão pouco podes ser indiferente quanto à sorte de tantas almas. Ou ousarás dizer:
“Por ventura sou eu o guarda de meu irmão?”
Que seria de ti, se Jesus, se os apóstolos e teus diretores espirituais assim tivessem falado! Deves fazer, pela alma do próximo, quanto permitirem tuas forças.
2. a) São muitas as obras de misericórdia espiritual: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar aos ofensores, sofrer resignado as injúrias, pedir por vivos e defuntos.
b) O zelo pelas almas deve ser prudente e bem ordenado, paciente e perseverante. Não te envergonha o inferno, incansável e sagaz na obra da perdição das almas? Ó! Como te agradecerão, um dia, os que salvaste! Não te faltam ocasiões; o verdadeiro zelo pelas almas as encontrará aos milhares. Já salvaste alguém? Ou mostraste, talvez, menor zelo por Jesus do que o inferno mostra contra Ele?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 267)
10 de setembro
1. a) Jesus começou sua vida pública com um ato de grande humildade. Ele, sendo Deus, dirigiu-se, como se fosse um pecador, a uma das suas criaturas, João batista, para ser batizado. Jesus, o Justo, quis ser tido por pecador, e tu, o pecador, queres ser tido por mais do que és?
b) São João disse a Jesus:
“Eu devo ser batizado por ti e tu vens a mim?”
Se São João julgou dever ser purificado, que dirás tu, que não és tão inocente, nem tão penitente como ele?
2. a) Jesus, tendo sido batizado, saiu da água, e os céus se lhe abriram imediatamente. A humildade é a chave que abre os céus. Depois da humilhação, aceita por amor a Deus, gozarás de grande alegria e paz interna, e aumentar-se-ão teus méritos.
b) “E viu o Espírito de Deus que baixava em forma de pomba, e vinha sobre Ele“. Eis como o Espírito Santo honra quem se humilha. Veio como pomba, o símbolo da pureza, porque a humildade conserva a pureza, que, sem ela, se tornará impossível. O próprio Pai Eterno glorificou o Filho, dizendo:
“Este é o meu Filho dileto, no qual tenho posto as minhas complacências”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 268)
11 de setembro
1. Depois do batismo “foi Jesus levado pelo espírito ao deserto“, subtraindo-se assim às homenagens que talvez lhe teriam prestado pela vinda do Espírito Santo e pela voz celestial que se fizera ouvir. Foges, como Jesus, às honras mundanas, ou antes as procuras, entristecendo-te quando não te dão a importância que teu coração reclama? Quanta diferença entre ti e teu Salvador! Ele merecia ser honrado e evitava-o, e tu? Entretanto, só quem se humilha será exaltado. Não farás exceção a esta regra!
2. “E era tentado por Satanás“. Se o demônio ousava tentar ao Santo dos Santos, quanto mais a ti!
“Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”
As tentações, apesar de serem perigosas, em si ainda não são um mal, contanto que lhes resistas logo e energeticamente. Examina-te, porém, se não és, talvez, tu mesmo a causa de tentações que vem sobre ti e que te fazem cair, e vê se sempre, realmente, opões ao tentador séria resistência. Não sucumbirás, se logo recorreres a Deus e a Nossa Senhora.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 269)
12 de setembro
1. O demônio, aproveitando a fome de Jesus, após seu jejum de quarenta dias, tentou-o para que convertesse pedras em pão; mas Jesus replicou com as palavras da Santa Escritura:
“Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai de Deus”
Também tu nunca viverás no rigor da palavra, se não procurares ter relações íntimas com Deus. Bens terrenos jamais matarão a sede de felicidade que sente o coração, nem consolarão nas horas de dor e menos ainda afastarão o sofrimento e a morte. Aprecias devidamente a palavra de Deus, a propagação de seu reino e a salvação de tua alma? Ou preferes a tudo isso gozos da terra?
2. a) Satanás tentou Jesus à vaidade:
“Se és filho de Deus, lança-te daqui abaixo”
Nunca cedes à vaidade, menosprezando, pelo respeito humano, deveres pequenos e preferindo fazer o que cai na vista dos homens?
b) “Todas estas coisas te darei, se, prostrando-te, me adorares”. O demônio, insolentemente, exige honras divinas e promete o que não pode cumprir. E se te pudesse dar o mundo todo, que te aproveitaria, se viesses a perder a alma? Mas não preferes, de fato, muitas vezes, a terra ao céu?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 270)
13 de setembro
1. Os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas a São João, a perguntar-lhe:
“Tu quem és?”
São João impôs-se a todos pela santidade de sua vida e pelo sucesso de seus sermões. Falando de si, chamava-se “a voz que clama no deserto“, ainda que o próprio Jesus dele houvesse dito que era mais do que profeta. Como falas tu de ti? Não te glorias de bens, qualidades ou talentos que te foram dados por Deus? Desta ou daquela virtude real ou aparente? Responde com sinceridade à pergunta:
“Quem és tu em verdade, isto é, aos olhos de Deus?”
2. São João aproveitou a ocasião para falar acerca de Jesus:
“Este é aquele de quem eu não sou digno de desatar a correia dos sapatos”
Com quanto respeito não fala o santo precursor de seu querido Messias! Com quanta solicitude o louva! Assemelhas-te a São João? Ou antes custa-te falar bem do próximo, exaltar seus méritos, receando por tua própria fama? Não procuras nunca louvores? Quão pouco talvez cuidas da honra de Deus, e quanto da tua! E, “quem és tu?“…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 271)
14 de setembro
1. “Ao outro dia, ainda João estava e dois de seus discípulos. E, vendo a Jesus, que passava, disse: ‘Eis ali o cordeiro de Deus’“. São João não perdeu nenhuma ocasião de dar testemunho de Jesus. Aproveitas assim todas as graças que Deus te oferece? Segues a todas as boas inspirações? Dos discípulos de João só dois seguem a Jesus. Deus dirige os corações. A ti, entre milhões, deu a verdadeira fé. Mostras-te grato por tamanha distinção? Não deixes de notar: o que aproveita a vocação, se não cumprires as obrigações todas? E mais: Quem te deu e ainda dá tantas graças que, talvez, não aproveitas, poderá, no futuro, dá-las a outros mais reconhecidos.
2. a) “E foram seguindo a Jesus“. Quão preciosa é a graça de Deus! Oxalá que a aproveites como estes discípulos! Jesus perguntou-lhes:
“Quem procurais?”
A terra ou o céu? A vossa ou a minha honra? E tu, que procuras?… Tua vida deu e continua dando a resposta.
b) “Eles lhe responderam: Rabi, onde habitas? Ele lhes disse: Vinde e vede“. Também a ti Jesus não deixará sem resposta. Como os discípulos, encontrá-lo-ás na maior pobreza e humildade. Procurando aí, o acharás… Visitas a Jesus Sacramentado tanto quanto o respeito e a gratidão o exigem?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 272)
15 de setembro
1. a) André, um dos doze discípulos que tinham seguido a Jesus, dirigiu-se logo a seu irmão, dizendo:
“Achamos o Messias”
Eis o fruto da conversação com Jesus: André, venturoso, quer conseguir para outros a mesma felicidade. Por que tão cedo ficas aborrecido da conversação com Deus, da oração, da leitura espiritual, da palestra sobre coisas divinas? Fala a boca do que sente o coração!
b) Jesus olhou para Simão e deu-lhe o nome de Pedro. Para ti muitas vezes olhou, dando-te Suas graças depois de te ter distinguido com o nome de cristão. Correspondes à dignidade deste nome?
2. a) Jesus escolheu seus apóstolos entre homens incultos, não versados nas letras. Deu a entender que fundava Sua admirável obra, não na sabedoria humana, mas na divina. Deus costuma escolher para grandes coisas os pequenos e humildes. És dos humildes que dão a Deus o que é de Deus, ou talvez dos arrogantes, que mostram que se não conhecem a si próprios?
b) Atende ainda às palavras:
“Segue-me!”
Quem é que convida? E quem é o convidado? Quanta dignidade para nós; pobres humanos, seguir a Jesus! A Deus! Com quanto fervor isto deve ser feito! Quão pequeno, porém, é teu fervor nas coisas espirituais!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 273)
16 de setembro
1. É significativa a presença de Jesus nas bodas de Caná. Festas por justos motivos não são proibidas, desde que a elas presidam o temor de Deus, a pureza de consciência, a ordem e a sobriedade. É a própria Mãe de Deus que nesta ocasião socorreu, quando notara falta de vinho. Com as palavras “não tem vinho“, limitando-se a indicar que outros estavam embaraçados, exprime a sua fé no amor e na onipotência de Jesus. Se Maria intercede por outros, sem ser rogada, e ainda em coisas temporais, quanto mais te socorrerá, se a ela recorreres nas necessidades espirituais!
2. a) Maria não se mostra aborrecida quando seu divino Filho não satisfaz imediatamente seu desejo. Quanto dela deves aprender, tu que te exasperas por uma humilhação ou uma palavra um pouco dura!
b) Com plena confiança Maria se dirige aos que serviam:
“Fazei tudo o que Ele vos disser”
E, de fato, à súplica de Maria, seguiu o primeiro dos inumeráveis milagres de Jesus. Quanta bondade a de Jesus e de Maria! Ainda preferirás à sua constante e honrosa amizade as vaidades do mundo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 274)
17 de setembro
1. Causa verdadeira admiração ver como Jesus, ainda quase desconhecido entre os judeus, com pouquíssimos discípulos a segui-lo, pode aterrar tão grande multidão de mercadores que, embora seus negócios tivessem sido permitidos pelos sacerdotes, profanavam o templo. A Majestade Divina a lampejar-lhe no aspecto, foi a causa principal que os pôs em confusão e fuga. Qual é o teu comportamento na casa de Deus? Não provocaste nunca a teu Deus a tratar-te como aos profanadores do templo de Jerusalém? Que será de ti no tribunal de Deus, se mostrares pouco respeito num lugar infinitamente mais santo que o templo de Jerusalém?
2. A tua alma também é um templo. Nela nada se encontra que ofenda os olhos de Deus? Inclinações a este ou àquele pecado, afeições menos puras, rancores, orgulho? Se Jesus, revestido da nossa fraca natureza, tanto terror causava aos profanadores do templo, quanto não será o susto quando Ele se revestir da majestade de juiz supremo! Ó! Afasta de tua alma o que mais tarde teria de confundi-la! Tem também, como Jesus, maior zelo pela glória do Pai Eterno, do que pela tua.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 275)
18 de setembro
1. Nicodemos, um dos príncipes dos judeus, veio a Jesus de noite. Tanta era a irritação dos fariseus contra Jesus, que Nicodemos, membro do Sinédrio, escolhe a hora noturna para não ser visto. Seu respeito humano merece alguma desculpa, porque ainda não conhecia bem a Jesus. Isto não dá, porém, contigo. Se preferes o respeito humano ao temor de Deus, nada tens que alegar em tua defesa. Nicodemos confessou a divindade de Jesus. Tu crês o mesmo; corresponde, porém, tua vida a esta crença? Nunca preferes a Deus pessoas ou coisas da terra?
2. Jesus fez conhecer a Nicodemos os mistérios da encarnação e da paixão, e tão dócil mostrou-se o príncipe dos judeus que dora em diante passou a servir a Jesus, sabendo vencer seu temor ao ponto de, mais tarde, tirar o Senhor Morto da Cruz. Efeito admirável da graça de Deus e da cooperação decidida de Nicodemos! Que fruto produziu o conhecimento dos mistérios da encarnação, da paixão e da morte de Jesus em ti? Já te infamaste de verdadeiro amor a um Deus que tanto de extraordinário fez por ti? Criaturas com verdadeira facilidade conquistam teu amor; a Deus o recusarás?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 276)
19 de setembro
1. “Mestre, quem estava contigo da outra banda do Jordão, de quem tu deste testemunho, ei-lo aí, está batizando e todos vem a Ele“. Eis os discípulos de São João invejosos. Até pessoas santas veem-se tentados por este vício, que faz falar dos outros com desprezo e exagero.
“Todos vem a Ele”
Os discípulos, zelando a honra de São João, visavam sua própria glória, que julgavam ameaçada. Nunca cedeste a este vício? Amas a glória de Deus mais do que a tua? A inveja, indigna do homem sob todos os pontos de vista, não deve entrar em teu coração.
2. São João, longe de partilhar os sentimentos de seus discípulos, diz-se amigo de Jesus, para fazer compreender sua alegria pelo acolhimento que Jesus encontrava. Falando de Jesus, disse:
“É necessário que Ele cresça e que eu diminua”
Quanta humildade daquele que por sua santidade atraía os olhos de todos! Se visasses, como ele, só a glória de Deus, alegrar-te-ias das humilhações que em seu serviço tiveres que suportar e que, tão generosamente, por Ele serão compensados. Para Deus, a glória, para ti, agora, o trabalho.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 277)
20 de setembro
1. a) Por amor duma alma, a da Samaritana, Jesus caminhou até cansar e esperou no lugar onde ela havia de aparecer. Quantas vezes Jesus caminhou para te salvar a ti! Por que tardas em correr a Seus braços?…
b) Vindo, enfim, a Samaritana. Jesus disse-lhe:
“Dá-me de beber”
Mulher feliz, porque veio na hora em que era esperada. Jesus lhe pede pouco, para lhe dar muito. O pouco que te pede a ti, recompensará também fartamente. Não negas nada a Jesus?
2. a) Disse-lhe então a Samaritana:
“Tu, sendo judeu, como é que me pedes de beber, a mim, que sou mulher Samaritana?”
Eis com quanto insolência Jesus se deixa tratar. Mas não a condenes tão cedo! Tu, acaso, o tratas melhor? Não recusaste jamais matar-lhe a sede que tem de tua salvação?
b) Convertida, a Samaritana esquece-se da água que viera buscar e do cântaro que havia trazido, e só pensa em instruir-se com Cristo, e em comunicar a todos o tesouro que encontrara. E tu, que não recebeste menos graças que a Samaritana, cuidas também de tua salvação e da de teu próximo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 278)
21 de setembro
1. Um régulo, dirigindo-se a Jesus, “rogava-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava para morrer“. Mais importante do que para o pai era a cura do filho, deve ser para ti a cura da tua alma. O régulo fez o longo caminho de Cafarnaum a Caná, pessoalmente, para ter maior certeza de um resultado feliz. Cuidas com tamanho zelo da salvação e dos bens de tua alma imortal? Um outro não se pode encarregar desta tarefa; só tu mesmo és competente e responsável.
2. a) Jesus retardou a satisfação do pedido, para dar ao pai e mais do que pedira, fortificando ainda sua fé. Continuas a pedir sempre com confiança, quando Deus parece não te ouvir logo? Ou antes, por desânimo, deixas de rezar? Neste caso, aprende dum pagão a ter maior perseverança.
b) “E creu ele e toda a sua família“. O régulo mostrou-se grato pelo benefício recebido. Creu e fez com que toda a casa cresse em Jesus. Quantas vezes, na confissão, Jesus curou tua alma, dando-lhe nova vida! Onde a tua gratidão? Onde os que te devem sua conversão?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 279)
22 de setembro
1. a) “Faze-te ao largo, e deitai as vossas redes para pesca“. Jesus entrou na barca de São Pedro. Só ele é o chefe da Igreja; só a ele mandou ir ao largo, embora mandasse a todos deitarem as redes.
b) “Mestre, trabalhando toda a noite, nenhuma coisa apanhamos: porém, sobre a tua palavra, deitarei a rede“. Sem Jesus, todo trabalho é sem fruto. Trabalhando só por tua glória ou pelo mundo, no fim nada terás; entretanto, é tão fácil valorizar tuas ações pela boa intenção!
2. a) “Apanharam tão grande multidão de peixes, que a rede se lhes rompia“. Eis a recompensa da confiança e obediência dos Apóstolos. Muitos peixes, porém, recaíram ao mar, em rompendo-se a rede. Muitos dos que entraram na Igreja, nela não se salvarão. Esforça-te, para não seres do número desses infelizes. Não sigas a grande massa dos mundanos na estrada cômoda, mas os escolhidos, no caminho estreito.
b) São Pedro, vendo o grande milagre, confessou-se indigno de o Senhor se aproximar dele. Tu conheces todos os milagres de Jesus. Onde a tua humildade pelo pouco proveito que deles tiraste e onde o teu reconhecimento por tantos favores? Onde a tua modéstia na oração, na Igreja, na Santa Comunhão?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 280)
23 de setembro
1. “A sogra de Simão padecia grandes febres, e pediram-lhe em favor dela“. Em que estado Jesus encontra a tua alma, quando vem a ti? Talvez tua alma sofra doenças ainda graves. Conhece-las? Manifesta-las ao Divino Médico? Há quem pede por ti: a Santa Igreja, Jesus mesmo, e talvez outros ainda, pais, irmãos, parentes, amigos… Só tu serás tão indiferente quanto à preciosa saúde de tua alma? Tu que com ela serás eternamente feliz ou infeliz?
2. a) “E, inclinando-se, em pé, sobre ela, pôs preceito à febre; e a febre a deixou“. É certo que não serás curado, se Deus não estender sobre ti a mão de Sua graça. Quantas vezes estendeu a mão, sem que tu a pegasses! Não se refere, talvez, a ti, a palavra de Jeremias:
“Queríamos curar Babilônia, porém ela não o quis: deixemo-la!”
Ai de ti, se o anjo da guarda e Deus, depois de desprezadas Suas graças, te deixarem!
b) “E ela, levantando-se logo, se pôs a servi-lo“. Mostraste sempre igual gratidão a Deus, que já tantas vezes te tem curado? Serviste-lhe depois da cura que se operou no confessionário?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 281)
24 de setembro
1. “E subindo Ele para uma barca, o seguiram seus discípulos. E eis que se levantou no mar uma forte tempestade, tal, que as ondas cobriam a barca“. Os apóstolos seguiram a Jesus, apesar da tempestade que cede: não deixa nunca seu mestre, nem na bonança da ventura, nem no temporal da tribulação. Nem lá onde Jesus está faltam tempestades e tentações. Mas nada de desânimo! Está contigo quem tem poder para mandar aos ventos, por fortes que sejam.
2. a) “Entretanto, Ele dormia“. Quanta paz d’alma naquele que dorme ao furor da tempestade, em perigo iminente! Gozas de semelhante tranquilidade de consciência?
b) Os discípulos, desconhecendo que Jesus tudo sabia e que também dormindo podia salvá-los, “o acordaram, dizendo: ‘Senhor, salvai-nos; perecemos’“. Tens tu maior confiança em Deus nas horas da dor, da perseguição, do sofrimento, do que os discípulos, ou mereces antes a mesma censura:
“Por que temeis, homens de pouca fé?”
Jesus pode valer-te:
“Erguendo-se, mandou aos ventos e ao mar, e seguiu-se logo uma grande bonança”
Céus e terras lhe obedecem: tu também?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 282)
25 de setembro
1. “E logo que saltou em terra, veio ter com Ele um homem que estava possuído do demônio havia já muito tempo, e não vestia roupa alguma, nem habitava em casa, senão nos sepulcros“… “gritando e ferindo-se com pedras“. Assim é que o demônio trata os homens; mas, não obstante isso, sujeitam-se-lhe pelo pecado. O pecado despe a veste da inocência; prende a alma, vulnera-a; profana o sangue de Jesus, afronta a Deus e leva ao inferno. Quantas vezes, cego por uma paixão ou extremamente leviano, não preferiste todos estes males ao amor de teu Deus!
2. a) Jesus expulsou os demônios, permitindo-lhes entrar, segundo Seu pedido, nos porcos. Quanto, pelo pecado, rebaixaram os antigos anjos a sua dignidade!
b) Os gerazenos pediram a Jesus que se retirasse, porque receavam por seus bens. Que horrível cegueira! Não valia Jesus mais do que toda a terra? E tu, nunca lhe preferiste pessoas ou bens? Sacrifica antes tudo, do que consentir que Jesus se afaste de teu coração, para que Ele, um dia, não te afaste também do céu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 283)
26 de setembro
1. “E eis que lhe apresentaram um paralítico prostrado num leito“. Tão triste como o estado do paralítico é o do pecador e do indiferente. Também este não tem uso das mãos e dos pés, porque nada faz para se salvar. O indiferente precisa, como o paralítico, de quatro que o guiem, levando-o a Jesus: deve refletir sobre seu triste estado, meditar a misericórdia de Deus, confiar nEle e amar sinceramente a seu Salvador. Quem se deixa levar por estes quatro guias, será salvo.
2. “E vendo Jesus a fé que eles tinham, disse ao paralítico: Filho, tem confiança, perdoados te são os teus pecados“. Grande era a fé do doente e de seus guias. Não podendo aproximar-se de Jesus de outra maneira, desceram o leito pelo teto da casa. Em recompensa, Jesus dá mais do que lhe pediram. Dá a saúde da alma, a mais preciosa, além da do corpo. Estimas deveras mais tua alma do que teu corpo? Socorres o próximo com tamanho carinho e com tanta perseverança, como os que traziam o paralítico? Que fazes em prol dos doentes, dos necessitados e dos pecadores?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 284)
27 de setembro
1. a) Foi mal comentada a bondade de Jesus para com o paralítico.
“Estavam, porém, ali alguns escribas assentados, considerando em seus corações: Como fala este homem? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados, senão Deus só?”
Assim pensavam homens instruídos que tantas vezes tinham sido testemunhas de um milagre de Jesus! Sempre haverá quem mal comente tuas ações, por melhores que elas sejam. Não te deixes por isto afastar do cumprimento dos deveres.
b) Como comentas o proceder de teu próximo? Não o condenas, às vezes, por pensamentos ou palavras, embora só a Deus compita julgar?
“Não julgueis, para que não sejas julgados”
2. “Por isto, pois, mais procuravam os judeus dar-lhe a morte“. Jesus fez só o bem; a perseguição foi a recompensa que lhe deram. Tu não és mais que Jesus; por que te queixas ao seres pago com ingratidão?
“Bem-aventurados os que sofrem perseguições por causa da justiça”
Continua convencido de que o louvor dos homens não te eleva aos olhos de Deus, nem tão pouco a injusta censura dos homens te fará mal perante o Supremo Juiz.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 285)
28 de setembro
1. “Jesus viu sentado ao telônio um homem chamado Mateus, e disse-lhe: ‘Segue-me’. E, levantando-se, ele o seguiu“. Quanta bondade de Jesus, que chama todos a seu reino, não excluindo a ninguém! Quanta prontidão e boa vontade de Mateus! Seguiste e segues sempre tão prontamente os convites de teu Deus, como Mateus? Este abandonou tudo pelo Salvador e segui-o sem tardar. Quais os teus sacrifícios? Quantas vezes Deus te chama, sem que tu lhe prestes ouvido!
2. a) “E aconteceu que, convidando-o este à sua mesa, logo vieram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se a comer com Jesus e os seus discípulos“. Mateus mostrou-se grato pela vocação, hospedando a Jesus. Como mostras tua gratidão a Deus? Acaso não te chamou a segui-lo e a possuí-lo um dia no céu?
b) “Os fariseus e os escribas, porém, dEle murmuravam“. Jesus o previu, mas, não obstante isso, ficou na companhia dos pecadores. Quanto amor! Onde estarias, se Deus te tratasse como inúmeras vezes o mereceste por teus pecados e como tu tratas a outros?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 286)
29 de setembro
1. Quis ser curada por Jesus “uma mulher que padecia havia doze anos, tendo sofrido já muito nas mãos de vários médicos e gastado tudo quanto tinha, sem aproveitar coisa alguma“. É necessário cuidar da saúde, bem maior que os demais bens da terra, e de cuja conservação cada um é responsável. Mais ainda, porém, do que a saúde do corpo deves tratar do bem-estar de tua alma. Fazes por ela quanto fazes pelo corpo? Evitas o que lhe possa fazer mal? Recorres ao divino médico e seus representantes, logo que te sintas doentes, fraco ou ameaçado?
2. a) “Veio por detrás entre a turba e lhe tocou o vestido“. Oxalá tenhas igual humildade e fé, quando te aproximas de Jesus Sacramentado, na Igreja e na Santa Comunhão!
b) Jesus perguntou: “Quem tocou meus vestidos?“. Ela humildemente confessou tudo e teve a consoladora resposta: “Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica sã do teu mal”. Quanto maior tua humildade e sinceridade na acusação sacramental, e quanto mais firme tua fé e confiança na bondade divina, tanto maior a paz de que depois gozarás.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 287)
30 de setembro
1. “Senhor, nesta hora acaba de expirar minha filha; mas vem, impõe tua mão sobre ela, e viverá“. A única filha de pais nobres e ricos teve de morrer na flor dos anos. Não confies jamais em juventude, robustez, saúde e recursos. A morte sempre te acompanha, e este ou outro dia, talvez já próximo, será teu último. Não será provável que seja o de hoje? Pode ser, mas não é impossível. Estás preparado para morrer? Aguardar-te-á, pelo menos, um longo purgatório? Que loucura, não fazer tudo para aplacar neste mundo a justiça de Deus e pagar as dívidas até ao último vintém, agora que custa pouco e que é meritório!
2. a) “Menina! Eu te mando, levanta-te“. Muitas vezes Jesus ordenou o mesmo a ti. Quantas vezes continuaste a dormir o sono do pecado! Vive atualmente, em verdade, tua alma? Pelos frutos saberás.
b) “E logo a menina levantou-se e se pôs a andar“. Uma alma separada de seu corpo obedeceu a seu Deus. A tua, ainda unida a teu corpo, relutará? Que ofensa a Deus seria isto! Obedece, enfim, a tantos convites do Amigo mais fiel.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 288)
1 de outubro
1. Como o mês de Maio, assim o de Outubro é um mês de Maria, de tua Mãe, a quem deves amar e venerar neste tempo dum modo particular. Não julgarás excessivo consagrar a Maria dois meses do ano, se nela vês, como Deus to permite, a tua Mãe. Nada te será demais para não o fazeres em sua homenagem. Examina-te, vê os exercícios de piedade que poderás fazer neste mês em sua honra, e quais as tuas principais necessidades, que estás interessado em lhe recomendar. Pedindo-lhe desde já, como recompensa de tudo o que fizeres, uma graça especial, poderás consegui-la por sua intercessão.
2. Outubro é o mês do Santíssimo Rosário, a oração por excelência, composta das orações mais santas que Deus e a Igreja ensinaram, próprias para promover o espírito da meditação Como aos grandes da terra nunca desagradam as repetidas aclamações da multidão, assim Maria sempre receberá bondosamente os múltiplos Ave do terço. Este jamais se tornará aborrecido, desde que com filial amor contemples os grandes mistérios da santa religião. Não quererás fazer o propósito de rezar o terço com o maior recolhimento, durante este mês?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 289)
2 de outubro
1. São inúmeras as provas de amor de Deus a nós, pobres mortais. Criação, Redenção, Sacramentos, Igreja, tudo isso são benefícios imerecidos. Acresce que Deus te deu um companheiro para guiar-te durante toda a vida, para amparar-te nas tentações e nos perigos e inspirar-te salutares propósitos. É um dos anjos que veem a face de Deus; é um ser de natureza muito superior à tua, mas sempre à tua disposição. Agradeces devidamente a Deus, que te deu tão nobre companheiro, e a teu Anjo sua proteção amorosa e constante?
2. Quanto vale a proteção do anjo, experimentaram-no Agar no deserto, Ló em Sodoma, Isaac no monte Mória, os moços de Babilônia na fornalha ardente, Daniel no fosso dos leões, São Pedro na prisão. Serás capaz de contar todas as graças, todos os favores e benefícios que deves a teu anjo da guarda? Ele, porém, nunca teve motivo para se queixar de ti por faltas de respeito e amor, de confiança, obediência e gratidão? Quantos progressos farias, se imitasses o teu anjo em sua profunda devoção perante o tabernáculo, seu recolhimento na oração, seua constante união com Deus, seus gloriosos combates com o demônio, sua caridade e tolerância!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 289)
3 de outubro
1. “Queres ficar são?” perguntou Jesus ao paralítico na piscina, o qual já estava enfermo havia trinta e oito anos. Jesus não duvidava da grande vontade do doente de sarar, mas quis que ele confessasse seu desejo, sua fé e confiança. Também à tua alma Ele pergunta:
“Queres ficar sã, queres ser santo?”
Queres, no rigor da palavra, ou só o desejas sem querê-lo seriamente? Este quer, aquele quer – quanta diferença! Um consegue tudo, outro não faz nada. Uma vontade séria é o primeiro requisito para a santidade. Mostra-a, usando dos meios à tua disposição, fugindo dos perigos e vencendo-te a ti mesmo.
2. a) Jesus curou o doente, dizendo-lhe:
“Levanta-te, toma o teu leito e anda”
Levanta-te! Por ti só, nada conseguirás; a graça só, também, nada valerá; ajudado, porém, por ela, e aproveitando-a, poderás tudo. Combate e vence as más inclinações e vai de virtude em virtude, como tantos outros, que não era mais fortes do que tu.
b) “Eis aí estás são: não peques mais, para que te não aconteça coisa pior“. Há, pois, maiores males do que uma doença de trinta e oito anos.
Empregas, de fato, os meios para evitar estes males piores?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 291)
4 de outubro
1. Se respeito merece a imagem do crucifixo, não menor respeito se deve ao crucifixo vivo, São Francisco de Assis, distinguido por Jesus com os sinais das cinco chagas. Desde o berço até a morte este Santo foi fiel imagem do Salvador. Nasceu, como Jesus, em pobre estábulo, para onde sua piedosa mãe tinha seguido por inspiração divina. Abraçava, como o Messias, a pobreza absoluta. Andou, como Jesus, pregando e fazendo o bem a todos, e morreu, como Ele, despido de tudo. Tanto conseguiu, com a graça divina, um homem por si fraco como tu. Pede sua intercessão.
2. São Francisco, desde moço, cooperou fielmente com a graça de Deus.
Dotado de raro talento e de apreciáveis dons da natureza, era o centro procurado por todos. Sua posição social era invejável. Sacrificou, porém, tudo, embora lhe custasse, escolhendo para esposa a pobreza, o fundamento das três ordens que mais tarde fundou. Não se santificou num dia; sentiu, como qualquer outro, horas de desânimo. Ainda assim, continuou firme. Faze sacrifícios como São Francisco e serás santo como ele. O que, porém, será de ti, se não souberes vencer-te em nada?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 292)
5 de outubro
1. “Naquele tempo caminhou Jesus pelas searas em um sábado, e os seus discípulos, tendo fome, começaram a colher espigas e a comer“. Quão grande é a pobreza de Jesus e de seus discípulos! Nem possuem o necessário para saciar a sua fome. Tanto sofre por ti Jesus, teu Deus!… Os discípulos não se queixaram de tamanhas provações. Bastava-lhes a presença de Jesus, de que não queriam ser separados, ainda que tivessem de sofrer. E tu? Não O negas, não O deixas por qualquer bagatela? Ousas afirmar que, de fato, amas a Deus?
2. a) Os fariseus censuraram acremente os discípulos por esta aparente profanação do sábado; Jesus, porém, assumiu sua defesa. Feliz, se os homens te censurarem, e Jesus se incumbir de te defender e de restabelecer a tua honra perante todo o mundo! Faze tudo por merecê-lo.
b) Procedes às vezes como os fariseus, descobrindo faltas alheias, enquanto és cego em relação às tuas? Quando, enfim, gravarás em teu coração e seguirás as palavras:
“Não julgueis, e não serei julgados!”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 293)
6 de outubro
1. “E eis que aparece um homem, que tinha uma das mãos seca, e eles, para terem de que o arguir, lhe fizeram esta pergunta: ‘É lícito curar aos sábados?’“. É admirável quanta bondade Jesus sempre mostra, apesar de ser tão grande a malícia dos homens. Previu que o acusariam de profanador do sábado ou de desumano. Mas nada o detém de fazer a obra de misericórdia e de ensinar pacientemente seus adversários. Cumpre sempre teus deveres, ainda que em vez de reconhecimento resultem para ti desgostos e humilhações. Sujeitas-te ao respeito humano?
2. a) Jesus perguntou:
“É lícito aos sábados fazer bem ou mal?”
Jesus tem por mal não socorrer a alguém quando possível. Solícito em tuas coisas, o és também quanto às necessidades de teu próximo?
“O que fazeis a um destes mínimos, a mim o fazeis”
b) Jesus curou o doente pelas palavras:
“Estende a tua mão”
Tirou, pois, todo o pretexto à calúnia e à intriga, porque não tocou o paralítico nem fez sobre ele o menor gesto. Não obstante “os fariseus se reuniram em conselho contra Ele, a ver como o perderiam“. Quanta malícia humana! Quanta longanimidade divina!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 294)
7 de outubro
1. “Luza assim também a vossa luz diante dos homens, para que eles vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está no céu“. Não é possível fazer tudo em segredo; as ações públicas devem ser boas não só na aparência, mas na essência, para que sirvam para teu bem, para a maior glória de Deus e para bom exemplo ao próximo. Examina se teu proceder, tua linguagem, tuas ações e relações, em vez de servirem de bom exemplo, não escandalizam, com razão, ao próximo.
2. “Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens para serdes por eles considerados; senão, não tereis por elas a recompensa do vosso Pai que está nos céus“. Jesus proíbe atribuir-se a honra que só compete a Deus. Dele tens a vida, as forças, a inteligência, a vontade; sem Ele nada te será possível fazer. Pensamento utilíssimo nas tentações de orgulho e vaidade. Dê a honra a quem a merece, a teu Deus e Senhor. Examina, pois, tua intenção; visas tua glória ou a de Deus e o bem de teu próximo? Ai de ti, se tudo for perdido para a vida eterna!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 295)
8 de outubro
1. “Eu vos digo que, se a vossa justiça não for maior e mais perfeita do que a dos escribas e a dos fariseus, não entrareis no reino dos céus“. Jesus condena o proceder dos que aparentemente cumprem a lei, nutrindo, entretanto, no coração, aversões ilícitas, orgulho e outros vícios. Nada te valerá seres justo aos olhos dos homens, não o sendo também perante Deus. Não serve de desculpa o procedimento incorreto ou mau de outros, por mais numerosos que estes sejam. Jesus avisou a todos que é larga a estrada que leva ao inferno e estreita a que leva ao céu.
2. a) “Eu vos digo mais que todo aquele que se irar contra seu irmão será réu em juízo“. A antiga lei já proibia faltas graves; a nova, porém, mais perfeita, não permite nada que ofenda a Deus e ao próximo, por mais insignificante que pareça. Deves recear ter por pequeno e leve o que aos olhos de Deus é muito mais.
b) “Sede, pois, vós perfeitos como também vosso Pai celestial é perfeito“. Não é suficiente evitar o mal: deves adquirir virtudes e aperfeiçoá-las, para te assemelhares ao Pai celestial. És hoje mais perfeito do que há um, dois e mais meses ou anos passados?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 296)
9 de outubro
1. “Se o teu olho direito te serve de escândalo, arranca-o e lança-o de ti; pois melhor é perderes um de teus membros do que ser todo o corpo arrojado no inferno“. Ainda que uma ocasião de pecado te fosse tão cara e apreciada como os olhos, Jesus exige evitá-la, sacrificando tudo para não perder a alma. Os olhos, frequentemente, podem ser ocasião de pecados, pois são as janelas da alma, pelas quais, quando não guardadas, entra facilmente a morte. Um único olhar fez cair em vergonhosos e gravíssimos crimes a Davi, aliás homem santo! A ti não fez cair nunca?
2. a) “E se a tua mão direita te serve de escândalo, corta-a e lança-a longe de ti“. Também por estas palavras Jesus não exigiu cortar fisicamente as mãos, e sim cortar, isto é, evitar as ocasiões do pecado. A mão simboliza as ações; quantas já fizeste contra Deus, teu Pai!
b) “E se o pé te escandaliza, corta-o“. O pé simboliza os lugares e as pessoas que não podes visitar sem prejuízo para tua alma. Se já o passado te acusa, tencionas ofender teu Deus de novo no futuro? Acaso ainda não sofreu bastante por ti?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 297)
10 de outubro
1. “Tu, porém, quando orares, entra no teu aposento e, fechada a porta, ora a teu Pai secretamente“. Na solidão é o próprio Deus que se digna vir e falar ao coração. Também Jesus, para rezar, retirou-se ao deserto. Como as distrações exteriores, deves evitar também as interiores, a saber: a excitação e os vãos pensamentos. Fecha o teu coração a toda ideia estranha, transformando-o num quartinho, para onde a cada instante poderás retirar-te, a fim de rezar. Procedes assim? Preparas-te para a oração, ou já começas a rezar, quando tua alma está ainda cheia de pensamentos mundanos?
2. Jesus mostra como deves rezar. Ele ensinou a oração das orações: o Pai-Nosso. Deu-te licença para chamaras de Pai quem é teu Senhor absoluto. Onde o amor filial a teu pai? Onde o amor fraternal que deves a seus outros filhos? Rezando as palavras “que estais no céu“, deves elevar o coração da terra ao alto, onde unicamente poderás achar o eterno repouso. Quanto aborrecerias a terra, quanto bem farias, se pensasses mais no céu!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 298)
11 de outubro
1. Sendo filho de Deus, nada deves desejar mais do que a realização do pedido “santificado seja o vosso nome“. Toda a criação é um hino à grandeza e à bondade infinita de Deus; pecando, causarás a mais dura dissonância. Oxalá teu proceder nunca fale outra linguagem o que a tua boca, quando esta reza: “santificado seja o vosso nome“! Esse pedido do Pai-Nosso exprime também o desejo de que todos que a Deus ainda não conhecem cheguem a conhecê-Lo, a servi-Lo e amá-Lo. O que fazes para que o nome de Deus seja por todos santificado? Converteste ao menos uma pessoa, por meio de orações, conselhos, humilhações e sacrifícios?
2. “Venha a nós o vosso reino“. Não podes demasiadamente repetir o pedido de que Deus venha reinar em teu coração. Deves respeito a ti mesmo, porque em tua alma, criada por Deus Pai, remida pelo Filho, santificada pelo Espírito Santo, Deus quer morar. Não profanaste nunca este templo? Não menos encarecidamente deves pedir ser admitido um dia no reino de Deu, na eterna bem-aventurança. Que prêmio digno dum Deus por serviços tão mesquinhos!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 299)
12 de outubro
1. a) A vontade de Deus deve ser a norma da tua. Jesus manda rezar:
“Seja feita a vossa vontade”
Não serves de preferência e caprichosamente, muitas vezes, à tua vontade mais do que à de Deus? Não te descontentas com as disposições de Deus queixando-te ora do tempo, ora do próximo, ora de Deus mesmo?
b) “Assim na terra como nos céus“. Nos céus cumpre-se a vontade divina com prontidão e satisfação interna. Anjos descem a servir a homens, para cumprir a vontade de Deus. Aprende do céu a respeitar a vontade do Altíssimo!
2. a) Ricos e pobres, todos nós, quais mendigos, tempos de pedir “o pão nosso de cada dia“, daquele que dá incremento às plantas. Sem a Divina Providência – que seria do mundo?… É o pão que Deus te dá, é a luz, o calor e o ar, são mil coisas para conservar ou restituir-te a saúde, para proporcionar-te alegrias… Como mostras tua gratidão?
b) Também a alma carece de alimento; nutre-se da graça, da oração, da palavra divina e mais ainda da Santa Comunhão. Tens vivo desejo desse precioso alimento, de que os anjos podiam ter inveja? Que loucura, ter à disposição tão inesgotável tesouro e não aproveitá-lo merecidamente!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 300)
13 de outubro
1. Quem te dera não teres necessidade de rezar:
“Perdoai-nos as nossas dívidas!”
Dívidas ingentes são teus pecados! Pecados esses, contados desde os primeiros dias do uso da razão! Quem lhes conhece o número? Pecados, cujo número não se diminuiu com o conhecimento da bondade de Deus. Pecados, cujo peso fez cair Jesus por terra no monte das Oliveiras e sair-lhe o sangue. E Jesus, que te manda pedir perdão de tão ingente dívida, também promete a remissão por meio de sincero arrependimento, acompanhado da exposição franca no tribunal da penitência. Como deves sentir ter ofendido a um Deus que nada de mal te fez!
2. “Assim como nós perdoamos aos nossos devedores“. Guardas em teu coração algum rancor contra o próximo? Seria a tua própria condenação. Perdoa ao próximo como Deus perdoa a ti, isto é, perdoa logo, perdoa tudo, perdoa sem reserva, sendo depois amigo sincero. Dá o primeiro passo, quando for necessária alguma reconciliação, e assim terás duplo mérito e maior direito ao perdão de Deus. Quanto mais custa, tanto mais Deus te estima e te recompensa.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 301)
14 de outubro
1. Sendo grandes, muito grandes as nossas dívidas para com Deus, mais ainda devemos evitar novos pecados no futuro, pelo que Jesus nos manda rezar:
“E não nos deixeis cair em tentação”
Rodeado de inimigos, por ti só não poderás resistir. Deus oferece, porém, seu auxílio; basta pedir, humilde e seriamente, e Ele virá em teu socorro. Seria, entretanto, zombar de Deus pedir que não te deixe cair em tentação, se tu mesmo voluntariamente a procurares ou levianamente a ela te expuseres.
2. “Mas livrai-nos do mal; Amém“. Livrai-nos, como reza a Igreja, de todos os males pretéritos, presentes e futuros. Se teus pecados já foram perdoados, não restam talvez muitas penas temporais a sofrer na terra ou no purgatório? Os males futuros, em particular, são os do inferno. Se te ameaçasse grande infortúnio na terra, perda dos bens, cegueira, surdez, paralisia, morte, quanto não farias para afastá-los! Quanto fazes para evitar o mal do inferno? Podes pedir que Deus te livre também dos males temporais, suposto sempre que seja assim para tua salvação eterna. Mas o que são todos os males temporais, comparados aos eternos!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 302)
15 de outubro
1. Santa Teresa é a Santa da oração. Pela oração a alma entra em relações íntimas com Deus. Santa Teresa, já quando criança, teve por esse santo exercício tão ardente desejo do martírio, que tentou ir à Mourama para derramar seu sangue por Jesus. Fez em seguida do seu jardim um deserto, do seu quarto um oratório, do seu coração um altar, e do seu corpo e de sua alma as vítimas a oferecer cada dia a Deus. Nas tentações e nas necessidades recorria à oração, não a deixando nunca, nem quando nada sentia de consolações divinas. E tu?… Quanto te custa, às vezes, esperar o fim duma oração em comum!
2. Santa Teresa não foi a única que tirou fruto de sua oração; toda a Santa Igreja dela aproveitou. Fruto da assídua oração da Santa foram seus imortais escritos, que tanto bem já causaram. Fruto da constante comunicação com Deus foram os seus trabalhos, coroados do melhor êxito, em prol da Ordem do Carmo. Fruto de suas orações foi a conversão de inúmeros pecadores, que à Santa devem hoje sua glória no céu. Quanto poderias fazer por Deus, por ti e pelo próximo, se praticasses mais a oração!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 303)
16 de outubro
1. “Não queirais ajuntar para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e a traça os consomem e onde os ladrões os desenterram e roubam“. Jesus, ao exortar-nos para não ajuntar tesouros na terra, quer o nosso proveito. Na terra não existe o que possa saciar a sede de felicidade do coração. Os bens da terra são ilusórios; todos são breves e limitados, muito perigosos, outros diretamente nocivos. Se esta noite te pedissem tua alma, o que te valiam todos os prazeres desfrutados hoje, ontem e nos outros dias do passado, todas as honras gozadas, todos os bens acumulados?
2. a) “Mas ajuntai para vós tesouros no céu“. O céu é a tua pátria; para lá tens de caminhar. Negar-te-ão, porém, entrada, se não enviares para lá, de antemão, tesouros eternos, isto é, obras boas. Na eternidade é impossível adquirir alguma coisa; o tempo atual e, portanto, precioso.
b) Algumas moedas ainda não formam um tesouro; o mesmo se dá com as boas obras. Não deves ajuntar algumas, mas tantas que formem um tesouro, no rigor da palavra, e digno de figurar entre os tesouros dos Santos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 304)
17 de outubro
1. “Não vos arvoreis em julgadores, a fim de não serdes também julgados“. Não te compete julgar o procedimento e, menos ainda, a intenção de teu próximo, pois Deus te fez irmão, mas não juiz do seu semelhante. A justiça exige ter alguém por bom, enquanto o contrário não for evidente; a caridade requer desculpar pelo menos a intenção. Quem és tu, para condenares o teu próximo? Se ele cai ou se mantém de pé, a seu senhor compete julgá-lo, não a ti. Sê misericordioso, para que encontres misericórdia perante Deus, teu Juiz.
2. a) “Com o juízo que julgardes, sereis julgados“. Tríplice costuma ser o castigo dos julgadores: Eles são julgados por seu próximo; caem muitas vezes nas mesmas faltas que em outros censuram e, finalmente, Deus lhes negará misericórdia no juízo.
b) “Hipócrita, tira primeiro a trave de teu olho, e então verás como tirar do olho de teu irmão o argueiro“. Salutar remédio contra o mau juízo! Contempla-te a ti mesmo e descobrirás o que carece de remédio.
“Como julgarás, diz Santo Agostinho, o pecado de outrem, se tu mesmo não és livre de pecados?”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 305)
18 de outubro
1. a) “Guardai-vos dos falsos profetas“. Há profetas falsos dentro e fora de ti. São em ti a concupiscência, o amor próprio e as más inclinações que te aconselham e te levam a procurar a felicidade onde ela não existe. Fora de ti são todas as pessoas que, por palavras ou exemplos, te afastarem do bom caminho. Guarda-te delas!
b) “Vêm a vós com a capa de ovelhas e por dentro são lobos rapaces“. O mau apresenta-se sob a capa de bom. Facilmente serás enganado, se não te guiares por máximas certas dadas por Cristo, teu Senhor.
2. “Assim, pois, por seus frutos os conhecereis“. Quais os frutos que colheste da concupiscência, do amor próprio, as más inclinações e da companhia de outros que te afastaram de Deus?
“Toda árvore que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo”
Não tens motivo para temer, em vista de teres produzido poucos frutos bons e talvez muito maus? O fruto não se desenvolve num dia. Frutos de boa vida nunca os terás, se sempre adiares para mais tarde vencer teu desordenado amor próprio e tua comodidade pessoal, que são outros tantos profetas falsos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 306)
19 de outubro
1. Não é suficiente pertencer de nome à Igreja Católica, Corpo Místico de Jesus:
“Nem todo o que me diz: Senhor! Senhor! Entrará o reino dos céus: mas sim o que faz a vontade de meu Pai”
Invocas talvez a Deus, quando dEle precisas na noite do sofrimento, da contrariedade, da tentação. Onde, porém, o cumprimento dos deveres, que pouco te agradam, contrários às tuas inclinações? Quanta coisa tens por insignificante, que um dia pesará muito sobre tua consciência!
2. “Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, pois em teu nome não fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi abertamente: Pois eu nunca vos conheci; apartai-vos de mim!’“. Há não poucos que exteriormente são excelentes cristãos, e, não obstante, ver-se-ão excluídos do céu. Deus não julga pela aparência; perante Ele, o grande às vezes é pequeno, e o pequeno, grande, o rico, pobre e este, abastado. Quanto motivo tens, pois, de ser humilde e de viver com salutar temor da justiça de Deus!
“Depois de terdes feito tudo o que vos foi mandado, dizei: Somos uns servos inúteis, fizemos apenas o que éramos obrigados a fazer”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 307)
20 de outubro
1. “E eis que, vindo um leproso a Ele, o adorava, dizendo: Se tu quiseres, Senhor, podes me sarar“. O leproso confessa a divindade de Jesus; não lhe diz: “se rogares por mim“, mas “se quiseres“. Todavia, não pede diretamente ser sarado, mas deixa-o à vontade de Jesus. Belo exemplo! Como procedes em tuas necessidades? Fazes atos de Fé e de Confiança em Deus onipotente, que pode dar e pode negar? Sujeitas-te e rezas como Jesus: “Não se faça a minha vontade, e sim a tua“?
2. a) “E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero, sara: logo sarou a sua lepra“. Ao pedido bem feito, Jesus não se nega. Por isso ver-te-ás curado da lepra espiritual do pecado e das más inclinações, se recorreres com confiança e perseverança a Deus. Mas não quiseste muitas vezes sarar, sem empregar os meios necessários, sem estar resolvido a evitar ocasiões de pecado e a cortar o que deve ser cortado?
b) “Então disse-lhe Jesus: Vê que não o digas a ninguém“. Para te dar o bom exemplo, Jesus foge da honra, que aliás lhe compete. E tu?…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 308)
21 de outubro
1. a) “Tendo entrado em Cafarnaum, chegou-se a Ele um centurião, fazendo-lhe esta súplica e dizendo: Senhor, um servo meu está caído em casa, paralítico, e sofre muito“. O patrão pedindo insistentemente pelo criado! Que amor ao próximo! Quanto envergonha talvez o proceder deste centurião a teu modo de agir!
b) “E Jesus lhe disse: Eu irei e o curarei“. Jesus sempre está pronto a ajudar, Ele vê também tuas necessidades e quer socorrer-te. Se não pegares Sua mão, a culpa é toda tua. Atenderá também a teus pedidos feitos por outros, se tiveres a confiança e a humildade do centurião. Por que não pedes mais?
2. a) “Mas o centurião respondeu: Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa, porém manda-o só com tua palavra, e o meu servo ficará são“. Quanta humildade! Quanta fé! Ao pronunciares ou ouvires, antes da Santa Comunhão, as mesmas palavras, tens também a mesma humildade interna e externa e a mesma fé? Se realmente te menosprezas, por que te incomodas, quando outros também te menosprezam?
b) Jesus disse: “Em verdade vos afirmo que não achei tamanha fé em Israel“. Quem sabe quantos, que hoje são desconhecidos ou menos prezados, te envergonharão, por suas altas virtudes, no dia do juízo!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 309)
22 de outubro
1. a) “Eis que levavam um defunto à sepultura, filho único de sua mãe que já era viúva“. Quão inexorável é a morte! Arrebata da vida um jovem, apesar das lágrimas de sua mãe, de quem era o único consolo. Quem te assegura que a morte ainda te concederá mais algum tempo?
b) A Igreja chora a morte espiritual de seus filhos. Quanto não fez ela para evitar esta morte, e quanta ingratidão encontra! Já pertenceste também ao número dos filhos ingratos? Reparaste todo o mal causado?
2. a) “Tendo-a visto, o Senhor, movido de compaixão para com ela, disse-lhe: Não chores“. De fato, teu Deus sempre está pronto a enxugar as lágrimas e a perdoar, por mais que o tenhas ofendido. Nele, não no mundo, põe toda tua confiança. Por mais que outros te estimem e te amem, não poderão garantir tua felicidade eterna.
b) “E chegou-se e tocou o esquife“. Deus chega primeiro com sua graça e toca na alma, inspirando salutar medo ou doce esperança.
“Então, disse Ele: Moço, eu te mando, levanta-te!”
Levantou-se o defunto, enquanto tu, após a mesma ordem do Senhor, talvez continuaste o sono mortal do pecado. E se estás vivo, agradeceste a Jesus a tua ressurreição?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 310)
23 de outubro
1. Maria Madalena não gozava de boa reputação. Deus, porém, que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva, tocou-a com a sua graça, mostrando-se amoroso e compassivo, apesar de ter sido por ela tão ofendido. Maria Madalena, reconhecendo seu triste estado, não tardou em refugiar-se aos pés de Jesus, apesar de sabê-lo em casa alheia, onde estaria exposta aos comentários e às censuras de orgulhosos fariseus. Que belo exemplo de vencer todo o respeito humano, logo que se trate da salvação da alma.
2. a) “E pondo-se por detrás a seus pés, começou a regá-los com lágrimas“. Por humildade, Madalena não se apresentou à face do Senhor, satisfeita de poder prostrar-se a seus pés. Tens semelhantes sentimentos de humildade e modéstia? Ela não fala por palavras e sim por lágrimas, testemunhas do seu arrependimento. Quanto ela não deve ter amado e se arrependido!
b) “Enxugava seus pés com os cabelos de sua cabeça, beijava-os e os ungia com o bálsamo“. Assim, Madalena fez dos instrumentos do pecado meios de penitência. Oxalá procedesses de modo semelhante!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 311)
24 de outubro
1. “Então lhe chamaram alguns dos escribas e fariseus, dizendo: Mestre, nós quiséramos ver-te fazer um milagre“. Que arrogante pretensão! Quantos milagres já tinham visto! Queriam um novo, não para se converterem, mas para satisfazerem sua curiosidade e tentarem a Jesus. Não procedes de modo semelhante? Queres o céu, sem te esforçares; queres ser livre de tentações, sem evitar suas ocasiões; queres deixar de cair em pecado, sem romperes com tuas inclinações e afeições perigosas; queres ter virtude, sem empregares os meios. Não é isto tentar a Deus e pedir o que jamais te poderá dar?
2. “Os varões Ninivitas se levantarão no dia do juízo contra esta geração e a condenarão, porque eles fizeram penitência com a pregação de Jonas. E aqui está quem é mais do que Jonas“. Sentença merecida! Não deves receá-la para ti? Em que relação está tua cooperação com tantas graças recebidas? Teus méritos com tanto tempo já concedido? Milhares, que menos receberam, condenarão teu pouco fervor, tua indiferença. Será tudo debalde o que Deus fez por ti? Ai de ti, se assim for!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 312)
25 de outubro
1. “Saiu o que semeia, a semear a sua semente; e, ao semeá-la, uma parte caiu junto ao caminho, foi pisada e as aves do céu a comeram“. Jesus, o Semeador Divino, planta a semente da virtude nos corações. Cai junto ao caminho a que cai em corações sempre distraídos, nos quais a semente das graças é logo pisada, pelo que não poderá dar fruto. Pobre alma, onde tudo e todos têm a entrada livre, menos o Semeador Divino! Como poderás progredir na virtude, se todo o teu pensar, querer e proceder está visando as coisas passageiras da terra!
2. “Outra caiu sobre pedregulho, e, havendo nascido, secou-se, porque não tinha umidade“. Igual ao pedregulho é o coração daqueles que com boa disposição recebem as graças e inspirações divinas e também começam a emendar-se, recaindo, porém, logo na antiga indiferença. Quantos bons propósitos já fizeste! Onde, porém, a sua realização? Não fugiste, muitas vezes, ao surgirem as primeiras dificuldades? Só quem perseverar será coroado. Melhor te fôra fazer poucos propósitos bons, mas executá-los, por mais custosos que sejam.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 313)
26 de outubro
1. “E outra semente caiu entre os espinhos, e logo os espinhos, que nasceram com ela, a afogaram“. Acham-se espinhos naqueles corações que tem um amor desordenado aos bens do mundo. O desejo de gozar e as concessões feitas à própria carne afogam o bem que começou a brotar. Afeições humanas, em geral, fazem esquecer Aquele que, incomparavelmente, é mais digno de tua afeição ardente e dedicação completa: Jesus. Não será talvez este o motivo de teus poucos progressos na virtude em tantos anos concedidos por Deus? Continuarás assim? Mas que vai ser então de ti?
2. “Outra, enfim, caiu em boa terra, e deu fruto, havendo grãos que renderam cem por um, outros sessenta, outros trinta“. Oxalá que teu coração fosse semelhante a essa boa terra! Para este fim deves procurar conhecer mais e mais a semente da palavra de Deus, meditá-la e pô-la em prática. Os frutos, em alguns, são mais numerosos que em ouros. Faltam-te acaso as graças, para colheres cem por um? Quantos benefícios deves a Deus, desde os dias de tua infância! Não quererás dedicar exclusivamente a Ele o resto de tua vida?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 314)
27 de outubro
1. “Quando dormiam os homens, veio seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e foi-se“. Deus semeou a boa semente em Sua Igreja e em teu coração. Vem, porém, o demônio para semear más ervas, tanto naquela quanto neste. As ervas más em teu coração afogarão a boa semente, se deixares a salutar prática a oração e da mortificação, se cederes ao desordenado amor próprio e se alimentares relações e afeições que forem nocivas à tua alma.
2. “Os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e o arranquemos? Ele respondeu: Não, para que não suceda que, colhendo o joio, arranqueis com ele também o Trigo“. Eis a paciência e longanimidade de Deus! Ele permite o mal em sua Igreja e em teu coração, para dar tempo à conversão. Tanto pior, porém, será, enfim, a sorte dos pecadores:
“Colhei primeiro o joio, e atai-o em feixes para o queimar; mas o trigo, recolhei-o em meu celeiro”
Se Deus agora cortasse o fio de tua vida, que serias, joio ou trigo? Ainda é sua misericórdia que Ele te oferece; ainda te ama e quer ser amado por ti.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 315)
28 de outubro
1. “Vede que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos“. Sorte dura é a que Jesus predisse a seus apóstolos, querendo que cedo se preparassem a sofrer e que nas maiores perseguições nEle depositassem toda a sua confiança. Predisse-o também, para tirar aos inimigos toda a esperança de chegarem jamais a seus fins perversos. A sorte dos Apóstolos, mais ou menos, é a de todos aqueles que vivem segundo a doutrina por eles pregada. Será também a tua, mas não estranhes nem receies nada; Jesus, que tudo predisse, ajudará valiosamente.
2. a) “Não é o discípulo mais que seu mestre, nem o servo mais que seu senhor“. O exemplo de Jesus em tudo deve fortificar-te. Ele, a inocência personificada, sofreu tanto! E por ti!… Se a ti perseguirem, lembra-te que és discípulo e servo de Jesus e que Ele te ama. Quanta honra sofrer com Ele! Quanta satisfação sofrer por Ele!
b) “Não temais aos que matam o corpo, e não podem matar a alma!“. Os homens, pelas perseguições que acaso promoverem contra ti, só contribuirão para tua maior glória e felicidade eternas, se bem souberes aproveitar todos os sofrimentos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 316)
29 de outubro
1. “Não julgueis que vim trazer paz à terra! Não vim trazer-lhe paz, mas espada“. Não te assustes: é o amigo e o médico que te fala. Jesus veio, não para ensinar e facultar uma vida cheia de comodidade, mas veio para fazer terminar a paz ilusória e as concessões feitas aos bens da terra e à própria carne. Sua palavra, qual espada, corta e separa. Uns aceitam-na, tendo por isso de separar-se daqueles que a rejeitam.
“Quem quiser ser amigo deste mundo, diz o apóstolo Tiago, torna-se inimigo de Deus”
“Ninguém pode servir a dois senhores”
A quem preferes?
2. “Os inimigos do homem serão os seus domésticos“. Jesus quer ser amado mais que os próprios pais e irmãos. Não proíbe amar a estes e amá-los sinceramente e muito; pelo contrário, manda-o. Proíbe, porém, deixar-se levar, por amor e respeito aos parentes, a faltar aos deveres para com Deus. Não poucas vezes os próprios domésticos opõem-se ao cumprimento de teus deveres. Neste caso deves considerar a palavra de Jesus:
“O que amar pai ou mãe mais do que a mim, não é digno de mim”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 317)
30 de outubro
1. As multidões tinham seguido a Jesus até ao deserto, vencendo, a pé, grandes distâncias, e passando longas horas a ouvi-lo, esquecidas até da necessidade de alimento e repouso. Tens igual zelo para ouvir a palavra de Deus, para falar nEle e para passar, senão horas, pelos menos minutos, em Sua presença? Neste caso poderás ter tão grande confiança, como as turbas, na proteção amorosa do Salvador. Ou não experimentas maior aborrecimento do que na Igreja e na oração? E dizes que amas a Deus?
2. a) Com cinco pães e dois peixes, milagrosamente multiplicados, Jesus alimentou cinco mil homens, sem falar em mulheres e crianças.
“E comeram todos e se fartaram, levando de sobra doze cestas cheias de pedaços”
Ó onipotência e misericórdia de Jesus! Quem não confiará em ti! O pouco que dás a Deus, retribuir-te-á Ele centuplicado.
b) O povo, reconhecido, quis fazer de Jesus seu rei. Este, porém, fugiu sozinho. És grato como este povo? És humilde como Jesus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 318)
31 de outubro
1. Os apóstolos, estando na barca, viram de repente Jesus, caminhando sobre o mar. São Pedro, por ardente amor, exclamou:
“Senhor, se és tu, manda-me que vá até onde tu estás, por cima das águas. Então Ele disse: Vem”
São Pedro foi, cheio de amor e de fé. Vindo, porém, um vento rijo, temeu e, começando a se submergir, exclamou, dizendo:
“Senhor, salva-me!”
Que repentina mudança! São Pedro, que nunca temia as ondas bravias, receia agora o vento! Como ele, talvez já venceste nas tentações os maiores perigos, caindo, de repente, por descuido. Pedes sempre humildemente, como o apóstolo: “Senhor, salvai-me”?
2. “E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o, dizendo: Homem de pouca fé, por que duvidaste?“. Jesus socorreu a quem imediatamente pediu Seu socorro. Pedes também logo o amparo do Senhor?… Jesus, censurando o apóstolo, mostrou-lhe que se submergiu por falta de fé. Não mereces a mesma censura?… Jesus salvou a São Pedro, deixando, porém, continuar o ímpeto do vento. Como este, também as tentações nada poderão contra quem recorre a Jesus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 319)
1 de novembro
1. O número dos Santos é tão grande, que os dias do ano são poucos para se comemorar a sua eterna glória. Celebra-se, por isto, hoje, a festa de todos os bem-aventurados, entre os quais estarão, talvez, conhecidos e parentes teus. O que eles conseguiram, também tu poderás conseguir. Há santos de todas as idades, condições e sexos. Se tens paixões que te arrastam, eles também as tiveram, mas souberam vencê-las. Se o dever é monótono e desgostoso, eles também o experimentaram. Se és fraco, eles não menos o foram, vencendo, porém, tudo pela graça de Deus. Convence-te que podes o que eles puderam.
2. Deves ser santo. Na eternidade não haverá meio termo entre ser santo e ser réprobo, entre o céu e o inferno. Entre estas duas alternativas tens de escolher; poderás hesitar um só instante? O preço do céu não é caro; os prazeres inebriantes e eternos dos santos valem mil vezes mais que as privações da vida e todos os sacrifícios e aflições no exercício da virtude. Tens a humildade dos santos, a sua mansidão, a sua paciência, a sua vida pura e cheia de fé? Quando começarás a tomar a sério tornares-te santo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 320)
2 de novembro
1. A infinita justiça e a incompreensível pureza de Deus não admitem no céu nada que não seja perfeitamente puro. As almas do purgatório sofrem males terríveis. Querendo arremessar-se a Deus, qual flecha ao alvo, são sempre repelidas, crescendo-lhes a saudade infinita que sentem sem cessar. Sofrem, além disto, penas que excedem as maiores desta vida. Acham-se entre estas almas talvez parentes teus, que com as outras bradam:
“Compadecei-vos, ao menos vós outros que sois meus amigos, porque a mão do Senhor me feriu”
2. a) Quão santo deve ser Deus, se tanto castiga a seus amigos! Concorrerá para teu proveito lembrares-te muitas vezes do purgatório, de suas horríveis penas e de sua longa duração…
b) Livrando as almas do purgatório, fazes grande bem a elas e a ti mesmo. Elas, enfim, unir-se-ão a seu Deus e serão gratas a ti enquanto estiveres no mundo e durante toda a eternidade. Deus, que recompensa o copo d’água, dado por seu amor, te reservará grandes recompensas no céu e será misericordioso contigo em seu tribunal, porque assim o prometeu aos misericordiosos. Que costumas fazer pelas almas?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 321)
3 de novembro
1. “Alegrai-vos e exultai, porque alto galardão vos espera no céu“. As alegrias do céu são tantas que não é possível encará-las devidamente de uma vez. Se amigos verdadeiramente bons já na terra muito contribuem para tornar mais intensiva a alegria, o que será no céu, na companhia dos anjos, dos santos, do próprio Deus? Difícil é achar-se na terra amigos de todo bons. O caráter, a educação, a maior ou menor ilustração, as ideias, a cobiça, etc., prejudicam a completa harmonia. No céu, porém, a união de vistas é perfeita, a amizade sincera e constante.
2. Não há no céu quem inveje tua sorte feliz que nunca, nunca terminará. O grau diferente da glória, segundo os méritos maiores ou menores, tão pouco causará desgostos, como a criança não inveja a veste maior do irmão mais alto. Cada um antes se compraz da felicidade do outro Santo, como de sua própria, bem como a mãe participa as alegrias do filho. E a quem lá encontrarás? A quem poderás chamar de irmão em Deus?… Nenhuma separação mais! Afeição pura, ardente, eterna! Não vale este céu toda sorte de sacrifícios?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 322)
4 de novembro
1. O desejo irresistível e inato de felicidade não fica satisfeito pelos bens da terra; tanto os bens internos, como externos, são insuficientes. Se conseguires saber muito, restará ainda mais que ignoras; menos ainda poderão satisfazer-te outros bens. A riqueza, longe de apagar, aumenta a sede e tira a paz do coração. Honras e poder trazem desassossego de ânimo, expõem à crítica e à inveja. Ainda menos que tudo isto, gozos sensuais poderão trazer-te a felicidade, pois eles prejudicam a saúde corporal e espiritual, causam fastio e deixam remorsos.
2. No céu, pela posse de Deus, será satisfeita plenamente tua sede de felicidade. Teu espírito terá como objeto o ser mais nobre e sublime, em que descobrirás sempre novas perfeições. A riqueza do céu transcende toda a compreensão e comparação. O que é de Deus, é de seus santos. A honra dos santos é infinita, visto não serem só príncipes do céu, mas honrados por Deus e em Deus. Seu poder é quase sem limites, porque Deus lhes satisfaz todos os seus desejos. Ver a Deus, estar com Ele, possuí-Lo… Oh! Poderás jamais apreciar devidamente esta felicidade?…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 323)
5 de novembro
1. “E eis que uma mulher cananéia, saída daqueles confins, gritou, dizendo-lhe: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim; minha filha está muito atormentada de demônio. Mas Ele não lhe respondeu palavra“. Quanta fé numa pagã! Contenta-se em expor sua necessidade e segue a Jesus, apesar de ver-se repelida.
“Eu não fui enviado – diz Jesus – senão às ovelhas que se perderam da casa de Israel”
Mas ela veio e o adorou, dizendo:
“Senhor, valei-me”
Mostras igual fé e perseverança?
2. A cananéia redobra de humildade e, quando advertida de que os gentios para os judeus são como na casa os cães em relação aos filhos do dono, replica, simplesmente, não pedir o pão que pertence aos filhos, mas querer só as migalhes que caem da mesa e que não se negam aos cãezinhos. Jesus, enternecido por tanta humildade e confiança, lhe disse: “Ó mulher, grande é a tua fé; faça-se contigo como queres”; e ficou sã a sua filha desde aquela hora. Compenetra-se, antes de tudo, de tuas necessidades espirituais, que carecem de providências urgentes. Se então rezares, como a cananéia, experimentarás efeitos igualmente grandes.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 324)
6 de novembro
1. Para curar o surdo-mudo, que lhe trouxeram, Jesus “tomou-o à parte do povo”. Para achares a saúde de tua alma, deves seguir este exemplo, afastando-te das distrações humanas. Jesus “lhe meteu os seus dedos nos ouvidos”. Fecha assim teus ouvidos às vaidades, abrindo-os à voz e às inspirações de Deus.
“Cuspindo, tocou com a saliva a sua língua”
A graça de Deus e a humildade devem guiar tua língua, preservando-a de palavras injustas, duras, pecaminosas; e fazendo-as falar sinceramente na acusação sacramental.
“E, levantando os olhos ao céu, deu um suspiro”
Oxalá que afastasses também teu olhar, sempre mais e mais, da terra!
2. a) “E disse-lhe – Epheta – que quer dizer, abre-te”. À voz de Jesus, o surdo-mudo “começou a falar expeditamente”. Que uso fazes de tua língua? Falas para tua glória ou para teu castigo final? Falas quando deves ou quando devias estar calado?
b) “E lhes ordenou que a ninguém o dissessem”. Procuras ocultar o pouco bem que com a graça de Deus fazes?…
“Porém, quanto mais lho proíba, tanto mais o publicaram”
Como manifestas tua gratidão a Deus?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 325)
7 de novembro
1. “Tenho compaixão deste povo, porque, olhai: há já três dias que não se apartam de mim e não tem o que comer”. Quanto fervor o deste povo! Seguiu a Jesus, apesar do perigo de não poder matar a fome. Não envergonham eles o teu pouco fervor, que julga demais ficar um quarto de hora na companhia de Jesus Sacramentado? Eles não se queixam da falta de viveres e da fome. E tu? Que sofres por amor de teu Deus? E apesar de não fazeres nada por Ele, ou só pouco, pretendes alto galardão no céu?
2. Jesus mostra o carinho de seu coração:
“E se os despedir em jejum, para sua casa, desfalecerão no caminho, porque alguns deles vieram de longe”
Ó! Em Jesus podes e deves confiar; Ele nunca te desampará. Milagrosamente multiplicou alguns pães e peixinhos, dos quais, depois de todos estarem fartos, restaram ainda sete cestos. Assim, dia por dia, sustenta o mesmo Deus a milhões, quer estes a Ele recorram em Suas necessidades, quer não. Pertences aos gratos que se lembram ser tudo um benefício de Deus? Amas tão bom Amigo e Pai?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 326)
8 de novembro
1. a) “E vieram a Betsaida, e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. E, tomando o cego pela mão, o levou fora da aldeia“. Betsaida não mais merecia ser o cenário de um novo milagre, porque, apesar de numerosos milagres, não creu em Jesus. Daí a terrível palavra do Salvador:
“Ai de ti, Betsaida! Que, se em Tiro e Sidônia se tivessem feito as maravilhas que se fizeram em ti, muito tempo há que elas teriam feito penitência em cilício e em cinza”
Qual será tua responsabilidade, visto seres testemunha de inúmeros milagres?
b) Ainda assim, Jesus não se negou a fazer o bem e a curar, embora o fizesse fora da aldeia. Quanta bondade!
2. a) “Cuspiu no chão, fez com a saliva um lodo e aplicou-o aos olhos”. Querendo sarar espiritualmente, deves sujeitar-te a todos os meios prescritos, por mais humilhantes que sejam e por mais que te contrariem.
b) Jesus curou este cego aos poucos, fazendo-o a princípio divisar só os vultos e depois claramente os objetos e as pessoas, fortificando nele a fé. Deus observa mutias vezes a mesma ordem, para fins idênticos, na cura das enfermidades da alma. Continua, pois, a rezar por ti e por todos os teus, cuja salvação eterna está em perigo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 327)
9 de novembro
1. “Se alguém quiser vir após mim, renuncie a si próprio”. Ninguém é forçado, mas também ninguém é excluído de seguir a Jesus. Para segui-Lo de fato, é necessário querer seriamente; o mero desejo é de todo insuficiente. Deves renunciar não só às coisas ilícitas e perigosas, mas também ao próprio juízo, às desordenadas inclinações e à própria vontade. É este o primeiro passo para a perfeição. Já avançaste um pouco?
2. a) “E tome a sua cruz”. Sob a palavra cruz entendem-se as contrariedades corporais e espirituais. Tomarás a cruz, se aceitares com paciência e resignação todos os sofrimentos, quer venham diretamente de Deus, quer por intermédio dos homens ou das circunstâncias. Isto não quer dizer que não possas reagir nunca, dentro de certos limites, contra uma injustiça. Deves, porém, saber que nada se faz sem que Deus o permita e reserve prêmio e castigo para mais tarde. O que não terias negado a Jesus, se tivesses estado no Calvário, não lho negues agora.
b) “E me siga”. Eis o último grau de perfeição. Jesus em tudo te precedeu. Segue como o soldado ao oficial, o filho ao pai, e continua assim até à morte.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 328)
10 de novembro
1. a) Em alto monte Jesus transfigurou-se diante de São Pedro, Tiago e João. Os mesmos que tinham que vê-Lo depois em Sua humilhação, viram-no agora em Sua glória, sendo assim confirmados na fé. Os demais apóstolos não murmuraram contra a preferência dos três. Segues este exemplo ao notares em outros mais ricos dons corporais e espirituais?
b) A transfiguração não se deu em centro populoso. Assim encontrarás graças maiores só quando te afastares do mundo e de seus cuidados, concentrando-te em ti e meditando sobre o estado de tua alma e as providências a tomar.
2. “E seu rosto ficou refulgente como o sol”. Este resplendor foi fraco reflexo da alma do Salvador, perceptível aos olhos corporais dos três apóstolos. Quanta deve ser a beleza de Jesus em Sua glória eterna! E este Deus quer dar-Se todo a ti! Estar com Ele, ser dEle, possuí-Lo, que ventura! Pela oração tua alma se transfigurará tanto mais, quanto mais íntima for a união com Deus. Se nada sentes dos benéficos efeitos da oração, não será talvez porque esta carece das qualidades necessárias?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 329)
11 de novembro
1. Entusiasmado pela transfiguração, São Pedro disse:
“Senhor, bom é que estejamos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, outro para Moisés e outro para Elias”
Não procedes, muitas vezes, como o apóstolo? Consolado por Deus, tudo julgas possível; na noite da tentação e do desamparo, porém, te tornas tímido como o apóstolo na Paixão de Jesus, a quem só seguiu de longe e a quem até negou. A virtude não consiste em consolações, mas na luta contra o mal e na prática constante do bem.
2. “O Pai Eterno fez ouvir sua voz: Este é o meu Filho muito amado, em quem pus toda a minha complacência; ouvi-O. E ouvindo isto, os discípulos caíram de bruços e tiveram grande medo”. Os apóstolos convenceram-se da presença do Altíssimo. Não está Deus presente em todo lugar? Não é testemunha de todos os teus pensamentos, palavras e obras? Como seria tua vida, se sempre pensasses nisso! – A voz do céu confirmou o que Jesus tinha falado com Moisés e Elias sobre Sua Paixão e Morte. Como Jesus, também tu acharás o caminho da glória, só pela cruz. Não desanimes, pois, nunca.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 330)
12 de novembro
1. Ouvindo os apóstolos, na transfiguração de Jesus, a voz do Pai Eterno, “caíram de bruços e tiveram grande medo. Porém, chegou-se Jesus e lhes tocou e lhes disse: Levantai-vos e não temais”. Era natural o susto dos apóstolos, tanto pelos fatos que presenciaram, quanto pela confirmação de seu receio de ter o seu mestre de sofrer e de morrer. Não te faltarão horas de desgosto; nada, porém, terás de recear, se te refugiares em Jesus. É o vencedor sobre inferno e morte; é todo poderoso, todo clemente, todo bom.
2. a) “Eles, então, levantando os olhos, já não viram a ninguém senão só Jesus”. A voz do céu, a nuvem luminosa, Moisés, Elias, o fulgor do rosto e dos vestidos, tudo tinha desaparecido. Só era Jesus quem ficara; só a Ele ainda viam. Só nEle deves confiar na alegria e no infortúnio, pois é o único que jamais te deixará.
b) Jesus proibiu aos discípulos de contar o que viram, não querendo que eles se vangloriassem das distinções recebidas. Não fazes tu o contrário, contando tudo o que te possa honrar, e calando cuidadosamente o que possa rebaixar-te aos olhos dos homens?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 331)
13 de novembro
1. Os discípulos não conseguiram curar um aluado que o pai lhes apresentara, pelo que Jesus exclamou:
“Ó geração incrédula e perversa, até quando hei de estar convosco? Até quando vos hei de suportar?”
Não tem Jesus motivo para te dirigir, por tua falta de fé, igual censura? Maiores são as graças e os benefícios que recebestes de Deus, do que os que foram dados aos judeus; és, pois, ainda mais culpado pelo abuso. Onde o progresso espiritual que deverias registrar de confissão em confissão? Onde o aumento de fervor em tuas comunhões?
2. Jesus disse:
“Traze cá teu filho. E quando este ia chegando, o lançou o demônio por terra e o agitou com violentas convulsões”
Quando o pecador quer se chegar a Jesus para ser curado, mais se opõem as paixões. Faze, porém, como o pai que, à pergunta de Jesus, dizia com lágrimas:
“Sim, Senhor, eu creio: ajuda a minha incredulidade”
Procura, como este pai, aumentar a tua fé.
Jesus expulsou o demônio, que não mais entrou no menino. Ai de ti, se, curado, outra vez convidares o demônio a tomar posse de tua alma.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 332)
14 de novembro
1. “Chegaram-se a Pedro os que cobravam o tributo de duas dracmas e lhe disseram: Vosso Mestre não paga as duas dracmas? Respondeu: Sim“. Exigiram de Jesus o que Ele não estava obrigado a dar. Não fazes o mesmo quando pecas, seja grave, seja levemente? Exiges que Deus te conserve a liberdade de ação, o uso de teus membros e ainda que te perdoe e te satisfaça. Não é isto abusar de sua bondade?
Jesus quis pagar o que não precisava dar. Ai de ti, se Ele se limitasse a ser justo. Quanto já agradeceste à Sua misericórdia infinita?
2. a) “Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar e lança o anzol; e o primeiro peixe que subir, toma-o; e abrindo-lhe a boca, acharás um stater; tira-o e dá-lho por mim e por ti“. Jesus fez até um milagre para evitar um escândalo. Quão leviano, talvez, és tu, em não evitar o que deve escandalizar teu próximo!
b) Os peixes, embora não dotados de razão, obedecem a Jesus… E tu?
O pobre Jesus nem teve duas dracmas, isto é, uns cinquenta centavos. E tu tão facilmente te queixarás de qualquer incômodo?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 333)
15 de novembro
1. “Naquela hora chegaram-se a Jesus os seus discípulos, dizendo: Quem julgas tu que é o maior no reino do céu?“. Até os apóstolos são tentados pela ambição e pelo orgulho, vícios que todos herdamos dos primeiros pais. Não herdaste o mesmo mal? Não queres parecer mais do que és, sobressaindo sempre e querendo levar a palma em tudo? Com que direito? Pecaste menos que outros? Correspondeste melhor do que eles às graças que Deus, sem teu mérito, te deu? Não deverás prestar conta rigorosa de tudo?
2. a) “E chamando Jesus a um menino, o pôs no meio deles e disse: Na verdade vos digo que se vos não converterdes e vos não fizerdes como meninos, não haveis de entrar no reino dos céus“. A humildade não é, pois, uma virtude que só enfeita a alma, mas é uma que lhe é indispensável.
b) Pensas tu como o mundo, ou como a infalível verdade, Jesus, que acrescentou:
“Todo aquele, pois, que se fizer pequeno, como este menino, esse será o maior no reino dos céus”
Se assim crês, por que não o pões em prática? Farás, ainda hoje, algum ato de humildade?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 334)
16 de novembro
1. “O reino dos céus é comparado a um homem que quis tomar contas a seus servos. Ao tomar contas, apresentou-se um que lhe devia dez mil talentos“. Quantia enorme! Tu, entretanto, deves ainda mais, porque não há divida maior que a do pecado. Por ti, jamais poderás pagá-la. Que seria de ti, se Deus não se compadecesse? Como o rei ao servo, assim Deus a ti já muitas vezes perdoou toda a dívida. Aos anjos, que pecaram só uma vez, não perdoou. Não mereceste, entretanto, sorte igual? Onde tua gratidão?
2. a) O servo, tão generosamente perdoado, teve a incrível dureza de fazer prender um outro servo que lhe devi uma quantia insignificante e que em vão implorava sua misericórdia. Não precedeste já do mesmo modo? Deus te perdoou tua ingente dívida, e a teu próximo talvez não perdoaste de coração.
b) “E, indignado, seu senhor entregou-o aos verdugos, até pagar tudo o que devia“. A antiga dívida estava perdoada; a nova, porém, contraída pela falta de caridade, equivalia àquela. Se não fores misericordioso para com o teu próximo, Deus não o será para contigo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 335)
17 de novembro
1. “E, entrando em uma aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, que pararam ao longe e levantaram a voz, dizendo: ‘Jesus, Mestre, compadece-te de nós’“. Lança um olhar sobre tua alma, talvez cheia de faltas e pecados, qual lepra espiritual. Se nada perceberes, pior para ti. Os santos encontraram em si faltas e manchas, e tu de tudo te julgas isento? Convence-te de teu mísero estado e recorre àquele que unicamente pode salvar-te. Oxalá que a lepra de tua alma não se torne incurável por adiares tanto uma conversão séria!
2. a) “Ide, mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, enquanto iam, ficaram limpos“. Vê quem é o representante de Jesus na terra. Jesus respeitava os sacerdotes judaicos, apesar de serem eles seus inimigos. Aprende dEle a respeitar a todos que fazem suas vezes na terra, por imperfeitos que talvez sejam.
b) Dos dez curados só um voltou atrás, “engrandecendo a Deus em voz alta, e se prostrou em terra aos pés de Jesus, dando-lhe graças; e este era samaritano“. Incrível ingratidão dos outros nove! A quem te assemelhas, aos nove ingratos? Ou ao samaritano, que se mostra tão reconhecido?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 336)
18 de novembro
1. “Então os escribas e fariseus lhe trouxeram uma mulher apanhada em adultério“. Queriam que a julgasse, para poderem acusar. Que nova malícia contra o maior benfeitor! Jesus, que tudo sabia e que é supremo juiz, negou-se a julgar. Tu, que nada sabes e nada podes, és tão precipitado em julgar o teu próximo. Deus por acaso, te fez juiz dos outros?
2. a) “E como continuassem a interrogá-lo, ergueu-se e lhes disse: Aquele de vós que está sem pecado, seja o primeiro que a apedreje. Eles, porém, ouvindo isto, iam saindo um após outro, começando pelo mais velho“. Se te sentires inclinado a julgar o próximo, dirige a ti a mesma palavra, o que te preservará de muitas faltas.
b) “Jesus, ficando só com a mulher, lhe disse: Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor. Então lhe disse Jesus: Nem eu te condenarei; vai, e não peques mais“. Quanto não poderás esperar de tão bondoso Salvador, se estiveres sinceramente arrependido! O mundo que te convidou a pecar, depois de cometida a culpa, te repele; Jesus, que fora ofendido, é o único que não nega compaixão e amor.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 337)
19 de novembro
1. No auge da felicidade e do poder, cercada dos carinhos de seu esposo e de toda a corte, Santa Isabel de Turíngia não se esqueceu de Deus. Consagrou-Lhe as primícias de seu amor. Por isso fez, às escondidas, penitências graves. Por amor de Deus desceu aos hospitais e aos caminhos públicos, para visitar e tratar doentes; por amor dEle distribuiu, com larga mão, a maior parte de suas riquezas; por amor de Deus consentiu na partida de seu esposo extremado, seu único protetor na terra, para a Cruzada. Compara tua vida com estas virtudes.
2. Deus provou a virtude se Sua fiel serva na fornalha da tribulação. Pelos próprios parentes, a Santa foi, com seus filhinhos, expulsa do castelo, não encontrando abrigo, apesar do rigor do inverno, a não ser finalmente numa estrebaria. Pediu então, aos Frades Menores, não um cômodo e sim o canto do Te Deum em ação de graças de Deus. Tanto pode numa fraca mulher, com a graça de Deus! Quanto deves envergonhar-te, contemplando esse exemplo, tu que nada queres sofrer por amor de Deus!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 338)
20 de novembro
1. a) “Eu sou o bom Pastor“. Três inimigos ameaçam as ovelhas de Jesus: o lobo, isto é, o demônio, que as quer devorar; o mercenário, isto é, o mundo, que as engana; e o ladrão, isto é, o egoísmo prejudicial. Deverás desanimar em face de tantos inimigos? Ó, não! Jesus permite que eles venham, para te dar ocasião de conhecê-los, vencê-los e assim ganhar louros eternos.
b) “Conheço as minhas ovelhas… e dou minha vida por elas“. Que consolo! Em todo sofrimento poderás dizer:
“Jesus me conhece. Ele não me desamparará! Quanto me deve amar, se por mim nasceu, viveu, sofreu e morreu!”
2. “As ovelhas conhecem a voz do pastor… e o seguem“. Estes são os dois sinais característicos das ovelhas de Jesus. Ouves a sua voz? Também quando Ele te chama a trabalhos que te contrariam? A sacrifícios? Ou obedeces antes à voz do amor próprio? As boas ovelhas seguem seu pastor. Jesus as precede, teu lugar deve ser ao lado dEle, seja para onde for que Ele caminhe. Não o deixaste seguir muitas vezes sozinho, preferindo atalhos próprios?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 339)
21 de novembro
1. a) “E depois disto designou o Senhor ainda uns setenta e dois discípulos e os mandou de dois em dois adiante de si“. É Deus que nos dá os sacerdotes; não são eles que se revestem a si de sua dignidade. Tendo eles, pois, autoridade divina, merecem respeito particular. Não o esqueceste, às vezes, quando deles se falava ou quando com eles tratava?
b) “A messe é na verdade grande, mas os operários são poucos; rogai, pois, ao Senhor da messe, que mande mais operários para a ceifa“. Costuma também rezar para este fim, como Jesus o quer? E, se não o fizeste, quando começarás?
2. a) “Ide, eis aí, eu vos envio como cordeiro entre lobos“. Jesus predisse a seus discípulos as futuras perseguições, sofrimentos e desgostos. Se sofres por Jesus, consola-te, pois Ele mesmo te dará a recompensa.
b) “Quem a vós ouve, a mim ouve, e quem a vós despreza, a mim despreza“. Observas na vida este aviso de teu Deus? Não é a ignorância que, mais tarde, possas apresentar em desculpa. Quanto mais viva tua fé, tanto mais fácil a obediência.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 340)
22 de novembro
1. a) “Jesus entrou numa aldeia e uma mulher, chamada Maria, o hospedou em sua casa“. Marta sabia quanto os judeus odiavam a Jesus e que procuravam matá-Lo. Não obstante isso, ela, embora mulher fraca, corajosamente o recebe em sua casa, vencendo, por seu amor, todos os receios. Teu amor a Jesus deve ser semelhante. Nem favores, nem perigos deverão desviar-te de Deus.
b) “Maria, ficando sentada aos pés de Jesus, ouvia sua palavra“. A irmã de Marta, aproveitando a ocasião, fica perto do Salvador. Amas assim a Jesus? Escutas a Sua voz? Ou foges dEle?
2. Marta queixou-se ao Senhor de que Maria a deixasse trabalhar sozinha. O Senhor, porém, respondendo-lhe, disse:
“Marta, Marta! Estás cuidadosa e te inquietas com muitas coisas. Entretanto, uma só coisa é necessária”
O Salvador não lhe censurou o amor e cuidados solícitos, mas chamou-lhe a atenção para o que é indispensável. Que te aproveitarão tantos cuidados com relação à saúde, ao saber, a negócios, etc., se negligenciares a salvação da alma? Escolhe, como Maria, a melhor parte, que te não será tirada.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 341)
23 de novembro
1. “Então lhe disse um da turba: Mestre, dize a meu irmão que divida comigo a herança“. O amor desordenado aos bens da terra muitas vezes é a causa de discórdias mesmo entre aqueles que mais se devem amar. Valem, na realidade, tanto? Aquele homem, que a Jesus devia ter pedido a herança eterna, preferiu pedir os bens passageiros da terra. Que triste cegueira! Qual é o principal objeto de tuas orações? Negócios e desejos temporais ou a maior perfeição cristã? Amando demasiadamente riquezas e honras deste mundo, estás em perigo de ser pobre e desprezado na eternidade.
2. Jesus não quis meter-se num litígio que as leis regulam e os tribunais julgam:
“Homem, quem me constituiu juiz ou partidor vosso?”
“Com razão“, diz Santo Agostinho, “quem veio do céu para adquirir-nos bens divinos, negou-se a imiscuir-se na partilha de bens terrestres“. Jesus, querendo desprender da terra os corações, acrescentou:
“Guardai-vos e acautelai-vos de toda a avareza”
O mundo chama feliz a quem muito possui e goza; Jesus, a quem por amor a Ele é pobre e sofre. Lembra-te que Jesus um dia te julgará segundo Suas máximas, não segundo as do mundo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 342)
24 de novembro
1. a) “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha e, indo buscar frutos nela, não os achou“. Esta figueira plantada na vinha do Senhor, isto é, Sua Igreja, é tua alma. Deus espera frutos que correspondam ao teu estado e à tua idade. Pobre alma, se Deus em ti não encontrar o que, com razão, procura!
b) “Disse então ao cultivador da vinha: Há já três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os acho; corta-a, pois, pelo pé“. Talvez já por mais anos Deus procura frutos em tua alma e não os acha. Quanto não deves recear que ocupes inutilmente a terra, onde outros produziriam frutos abundantes!
2. “E ele, respondendo, lhe disse: Senhor, deixa-a ainda este ano, enquanto eu a escavo em roda e a estrumo: talvez que com isto dê fruto, senão, cortá-la-ei depois“. Eis como também pedem por ti Maria, tua Mãe, teu Anjo da Guarda e teus Padroeiros. Será tudo debalde? Não pode ter passado hoje o ano que Deus te concedeu a ver, enfim, alguns frutos? “Cortá-la-ei“, é a sua palavra!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 343)
25 de novembro
1. a) “Dá conta da tua administração, porque já não poderás ser meu feitor“. Terrível palavra que um dia o Eterno Juiz há de dirigir a ti! Deus te deu ricos dons do corpo e da alma, não para que sejas seu dono absoluto, e sim para que os uses em Seu serviço, contribuindo assim para tua própria felicidade. Que uso fizeste deles? O que não é feito para Deus, é perdido. Faze, pelo menos desde agora, um bom uso dos dons do corpo: saúde, robustez, os cinco sentidos; dos dons de fortuna: honras, boa reputação, bens; e dos dons da alma: inteligência, memória e vontade.
2. “E louvou o Senhor ao feitor infiel, por ter procedido com juízo; porque os filhos deste mundo são mais sábios nas coisas da vida que os filhos da luz“. Compara a atividade e os sacrifícios dos filhos deste século com o pouco que fazes para o céu. Nao te excedem eles em tudo? Não descansam, não desanimam, não param. Entretanto, eles tem de abandonar tudo na morte e tu podes ter, com felicidade, bens eternos. Que falta de juízo não aproveitar melhor o tempo da vida!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 344)
26 de novembro
1. a) “E passando, Jesus viu um homem que era cego de nascença: e seus discípulos lhe perguntaram: ‘Mestre, que pecado fez este, ou fizeram seus pais, para nascer cego?’“. Não julgas também tão leviana e precipitadamente os outros?
“Jesus respondeu: Nem este pecou nem seus pais, mas foi para que as obras de Deus se manifestem nele”
b) Para curá-lo, Jesus “cuspiu na terra e fez lodo com a saliva e untou com ele os olhos do cego“. O que a um outro teria cegado, a este curou. Deus se serve às vezes de meios que transcendem tua inteligência; não deixes, por isso, de confiar nEle.
2. a) “Vai, lava-te no tanque de Siloé. Foi ele, pois, lavou-se e voltou vendo“. O cego não objetou tornar-se ridículo indo, com o lodo nos olhos, lavar-se em água distante, quando podia fazê-lo perto. Confiou e voltou vendo. Eis a recompensa da confiança e obediência.
b) Jesus defendeu-o em seguida contra a inveja dos fariseus que o expulsaram. Assim todos os que sofrem por Jesus, por Ele também serão consolados. defendes, como o cego curado, a honra de Jesus ou antes a tua?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 345)
27 de novembro
1. O rico avarento e o pobre Lázaro! Que antagonismo! Aquele possuía tudo fartamente; e este, coberto de chagas, desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico. O mundo aplaude a felicidade do rico e tem a Lázaro por infeliz. Na eternidade, porém, aquele foi sepultado no inferno e este levado pelos anjos no seio de Abraão. E tu?… Não estimas mais o juízo do mundo, que foge da pobreza e de toda cruz, do que o de Deus?
2. a) Que súbita e terrível mudança na eternidade para o rico avarento! Gozava aqui; viu-se privado de tudo ali… Que sorte feliz a do pobre! Aqui sofrendo, lá em gozos sem fim! Os sofrimentos na terra, de fato, não podem ser comparados com o céu.
b) O rico, não podendo ter nem o alívio duma gota d’água, pediu que Lázaro fosse advertir seus irmãos, para que não caíssem também no inferno. Abraão declarou inútil este milagre, porque tinham na terra os profetas, a quem podiam ouvir. De fato, ressuscitado por Jesus um outro Lázaro, os fariseus continuaram obstinados. Tu tens ainda mestres melhores. Por que não os ouves?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 346)
28 de novembro
1. “Então, respondendo, Pedro lhe disse: Eis aqui estamos nós que deixamos tudo e te seguimos; que galardão, pois, será o nosso?“. Os apóstolos tinham deixado pouco, porque pouco possuíam; mas tinham sacrificado tudo, porque não reservaram nada para si. Se não podes deixar tudo por Jesus, pelo menos deves afastar teu coração do apego aos bens da terra. O principal é seguir a Jesus, segui-Lo na humildade, paciência, mansidão, no desprezo dos bens deste mundo e nas demais virtudes. Podes, neste ponto, fazer tuas as palavras de São Pedro?
2. “Todo o que deixar por amor de meu nome a casa, ou os irmãos, ou as irmãs, ou o pai, ou a mãe, ou a mulher, ou os filhos, ou a herdade, receberá o cêntuplo, e possuirá a vida eterna“. Quão grande será mais tarde tua satisfação de ter renunciado a muito, se tão grande é o prêmio! Como sentirás não ter feito os maiores sacrifícios que dão direito a tão indizível ventura no céu! O tempo do sofrimento passa ligeiramente; eterna, porém, será a recompensa. Se nada ou pouco ainda deixaste por amor de Deus, renuncia pelo menos a teu egoísmo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 347)
29 de novembro
1. “O reino dos céus é semelhante a um homem, pai de família, que ao romper da manhã saiu a contratar operários para a sua vinha“. Deus é este pai de família que saiu já de manhã na terceira, sexta e ainda nona e undécima hora a procurar-te. És fiel operário de Deus? Ele já te chamou ao romper da manhã: em tua infância; convidou-te de novo na terceira hora: em tua mocidade; reiterou o convite na sexta e nona hora: na idade madura; chamar-te-á ainda na undécima hora? Não é certo, se desprezares os primeiros convites.
2. a) “No fim da tarde o senhor da vinha disse ao mordomo: ‘Chama os operários e paga-lhes o jornal’“. O fim da tarde é o fim da vida. Que consolo ouvir então: “Paga-lhes o jornal!“. Pensa frequentemente na recompensa do céu, para animar-te a ser sempre fiel a Deus.
b) Todos receberam o mesmo prêmio. Deus olha não tanto para a longa duração do trabalho, quanto para a intenção pura. Esta será tão difícil? Podes ainda ganhar muitos, se, pelo menos desde agora, fores fiel no mínimo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 348)
30 de novembro
1. Termina hoje o mês das almas. Quanto fizestes por elas durante este mês? Se fizeste pouco, tanto menor desculpa mereces, quanto maior foi a facilidade de ajudá-las. Tens à tua disposição, para este fim, as ricas indulgências, tesouro formado pelos méritos superabundantes de Jesus e dos Santos. Quão pouco custa recorrer a este tesouro em benefício das almas! E ainda podes aliviá-las por outros meios: por orações e boas obras; esmolas, missas, comunhões, mortificações e pelo oferecimento dos teus próprios méritos.
2. Nada aprenderás para ti ao meditares sobre o purgatório? Deves aí adquirir um grande horror a todos os pecados, por mais leves que te pareçam. Se evitas ações pelas quais a justiça humana imporia dias, meses ou anos de prisão, quanto mais deves evitar o que é punido por Deus em longa prisão com fogo terrível! Aprende também a satisfazer à Justiça Divina já nesta vida, por meio de penitências que, comparadas com as do purgatório, nada são. Quão grande será, em outro caso, teu susto na morte, vendo-te ameaçado pelas chamas do purgatório! Ainda é tempo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 349)
1 de dezembro
1. A Santa Igreja não nos conduz diretamente ao presépio de Belém, mas já semanas antes aponta para Jesus, dizendo:
“Preparai-vos a saírdes ao encontro do divino Menino”
Podes preparar teu coração pela meditação bem feita, por uma fé mais viva, por uma profunda devoção para com sua grandeza abatida, por uma afeição grata ao Seu amor, por verdadeira humildade e mansidão e pelo espírito de penitência. Não poderás começar ainda hoje esta preparação? Quais as ocasiões, durante o dia, de praticar atos destas virtudes?
2. Jesus não vai de novo descer corporalmente, como em Belém, mas nascerá espiritualmente nas almas bem dispostas, às quais comunicará Suas graças e Seu espírito. Para teres real e grande desejo desta união mística, vê quanto precisas de Jesus. Que és, sem Ele? Quão grande é tua fraqueza! Quão frequentes tuas caídas! Quão pouco teu progresso na virtude em tantos anos de vida! Que tens para apresentar a Deus no dia das coitas?! Que vantagem há em adiar para amanhã a prática das virtudes?!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 350)
2 de dezembro
1. “Então será semelhante o reino dos céus a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a receber o esposo e a esposa“. Jesus exorta-te à vigilância. Todas as virgens possuíam lâmpadas, mas apenas cinco tinham nelas o óleo da caridade e das boas obras. Entretanto, só “quando à meia noite se ouviu gritar: ‘Eis, aí vem o esposo; saí a recebê-lo’“, as virgens loucas deram pela falta do óleo, que já não podiam ir comprar a tempo nem receber das prudentes. Quão grande será tua confusão, se na hora da morte possuíres a lâmpada da fé, mas vazia, sem o óleo das boas obras!
2. “E enquanto elas -as loucas – foram a comprá-lo, veio o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele a celebrar as bodas, e fechou-se a porta“. Se adiares novamente a sincera conversão e a prática de boas obras, deves, com todo o fundamento, recear de ouvir um dia a voz do Senhor:
“Na verdade vos digo que vos não conheço”
Na morte será tarde para pedir; só te salvarão as boas obras. Qual seria tua morte, se hoje mesmo ouvisses a voz:
“Eis, aí vem o esposo; sai a recebê-lo?”
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 351)
3 de dezembro
1. São Francisco Xavier pertence aos maiores apóstolos de todos os tempos. Por obediência atravessa os mares, abandona a pátria, segue para terras bárbaras e sujeita-se a mil perigos e privações. Em dez anos caminha mais de mil léguas, evangeliza cinquenta e dois reinos, batiza mais de trezentos mil idólatras. Visita os enfermos, ensina as crianças e os velhos, recebe e procura com bondade os pecadores, suporta tudo por amor de Deus. Quão longe estás de assemelhar-te a este Santo! Tens uma centelha sequer de seu amor divino? De sua atividade espantosa pela glória de Deus?
2. A frase que o tornou apóstolo, São Francisco Xavier costumava repeti-la para se animar em toda a sorte de privações:
“Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder sua alma?!”
Esta palavra o anima a dirigir-se sozinho a plagas desconhecidas, enfrentar todos os perigos, obstáculos e sacrifícios. Morreu desamparado pelos homens, mas não por Deus. Quanto te envergonhará no dia das contas tão nobre exemplo! Onde poderás ficar na glória celestial, se em toda a parte, em todos os Santos brilha um heroísmo que te envergonha?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 352)
4 de dezembro
1. No advento, princípio do ano eclesiástico, a Igreja lembra a seus filhos o dia das contas finais. Reduzida a terra a cinzas, a voz dos anjos fará ressoar as palavras que assustavam São Jerônimo no deserto:
“Levantai-vos, mortos; vinde ao juízo!”
Que alegria, então, para as almas justas, reunir-se com o seu corpo glorioso, impassível, imortal, ágil como os espíritos, brilhante como o sol. Que consolo saber que, enfim, será reconhecida sua inocência, sua virtude, por todo o mundo. Que horror, para as almas dos réprobos, unir-se com seu corpo estigmatizado pelo sinal das penas eternas! Que confusão ao se lembrarem que todos, amigos e inimigos, vão saber agora de sua vida escandalosa!
2. Não pode ser imaginada uma separação de consequências mais decisivas, do que a dos bons e dos maus no último juízo. Não são a idade, o sexo, o nascimento nobre, o saber ou a riqueza que aqui influem, mas unicamente a virtude e o pecado. Terrível momento que separará bons e maus, por maior e mais íntima que tenha sido a sua união na terra! Que desespero dos maus, ao verem-se perdidos sem a menor esperança! Que consolo dos justos, ao serem recompensados por tantos sacrifícios e privações! De que lado estarias, se o juízo se realizasse hoje?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 353)
5 de dezembro
1. a) “No último juízo aparecerá, como estandarte do Supremo Juiz, a Santa Cruz, que fará exultarem os bons e serem confundidos os maus“. Depende agora de ti determinar o que naquele dia será para ti a Santa Cruz. Cercado de anjos, aparecerá Jesus Cristo. Proclama-O agora teu Deus e Senhor, para que Ele então te aceite como filho.
b) Pela manifestação das consciências será patenteada tua vida, os pecados cometidos, o bem omitido ou feito negligentemente, o tempo não bem empregado, as confissões sem emenda, as graças desprezadas, todas as palavras e ações, como todos os pensamentos. Está em boa ordem tua consciência em todos estes pontos?
2. a) Quão consoladora é a sentença para os bons:
“Vinde, benditos de meu Pai; possuí o reino que vos está preparado desde o princípio do mundo!”
Vinde do trabalho para o descanso, das perseguições para a paz, das misérias para o gozo. Faze tudo para merecer esta sentença e não a dos réprobos:
“Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno!”
b) Levantando o Juiz a sessão, sobre o céu com os Santos, felizes e triunfantes, enquanto para os réprobos se abre a terra que os engolirá! Pensa nisto e vê se há negócio mais importante e mais urgente do que o da salvação de tua alma.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 354)
6 de dezembro
1. “Não quero a morte do pecador, mas que se converta de seu caminho e viva“. É Deus, três vezes santo, quem o diz… Todo o gênero humano tornara-se réu de morte pelo pecado de Adão; quanto mais culpado és tu, que ainda fizeste pecados pessoais! Os anjos, que tinham pecado antes de Adão, não tiveram um Salvador. O homem peca e é remido. Por que esta preferência? É o mistério do amor de Deus… Infinitas graças nós todos devemos a quem tão desinteressadamente se compadeceu de nós.
2. Deus podia perdoar gratuitamente. Se isto salientaria Sua misericórdia, não faria sobressair Sua santidade, nem Sua justiça, nem a enormidade do pecado. Deus, o Soberano, escolheu, pois, outro meio. Era infinita a culpa; por isso só o Infinito mesmo podia satisfazer plenamente. Deus Filho ofereceu-Se para pagar tudo por meio de humilhações sem igual e de terríveis sofrimentos, como se Ele fora o pecador. Não assumiu para isso, como era possível, a natureza dum Anjo, e sim a nossa, inferior ainda, para servir aos homens de exemplo e para ganhar todos os corações. Que mistério de amor, amor tão pouco correspondido!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 356)
7 de dezembro
1. Resolvendo o Altíssimo que Deus Filho assumisse a nossa fraca natureza, podia este aparecer logo revestido desta natureza, homem em pleno vigor de vida; quis, porém, nascer duma mulher, de modo que esta concorresse para nossa salvação, como Eva concorreu para nossa perdição. Jesus tornou-se assim verdadeiro irmão nosso. Quanta humildade do Filho de Deus! Quanta elevação da nossa natureza! Quanta dignidade a de Maria Santíssima, escolhida entre todas! Aprendeste de Jesus a ser humilde?
2. a) “Pôs os olhos na baixeza de sua serva“. Por que foi escolhida Maria para Mãe de Deus? Porque ela era a mais perfeita, a que em virtude excedia a todos. Outra coisa não tem valor perante Deus, senão a virtude. Que és tu, pois, aos olhos de Deus? Vales muito? Pouco? Ou nada?
b) “Porque me fez grandes coisas, quem é poderoso“, exclamou Maria. Não há maior dignidade do que ser Mãe de Deus. Entretanto, Jesus chama de pai e mãe, irmão e irmã, a todos que cumprem a vontade do Pai Eterno.
Que perspectiva abre-se aí para ti!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 357)
8 de dezembro
1. A pérola mais bela do colar da Santíssima Virgem é a sua conceição sem mancha, prerrogativa concedida unicamente a ela. O sangue destinado a correr nas veias de Deus mesmo não podia ser manchado em sua origem. Maria, que tinha de esmagar a cabeça da serpente, não podia, nem por um só instante, estar debaixo do poder desta. A Maria, que era cheia de graça, não podia faltar esse dom insigne, necessário à sua dignidade de Filha, Mãe e Esposa de Deus.
Folgando em saudar Maria com as palavras da Igreja: “Toda és formosa e em ti não há mácula“, procura ser-lhe semelhante em pureza.
2. A Imaculada Conceição é título sobremodo caro a Maria Santíssima. Sob esta invocação ela tem enchido o mundo de milagres, esconjurado calamidades, convertido pecadores, socorrido e abençoado a todos. Sem a Mãe não chegarás ao Filho.
Quais são as tuas práticas e provas de devoção a Maria? Milhares, talvez, te excedem em amor à sua e tua Mãe. Queres ser sempre o último? Esquecer a quem nunca se esquece, a Mãe? Não deixes para amanhã o que hoje podes fazer.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 357)
9 de dezembro
1. Deus não permitiu em Maria Santíssima nem uma sombra sequer de pecado; Sua Mãe devia ser, sob todo ponto de vista, irrepreensível. Contudo, Maria só uma vez recebeu em suas entranhas puríssimas o Verbo Encarnado. O mesmo Deus, porém, quer morar em teu coração, não só espiritualmente, mas entrar nele, muitas vezes, na Santa Comunhão, com o mesmo Corpo e Sangue que teve em Maria. Quanta pureza, quanta humildade, quanta virtude não te são por isso necessárias!
2. a)Apesar de ser cheia de graça, Maria vigiava solicitamente sobre si. Quanto mais tu, que és fraco e inclinado para o mal, como já provaste, deves vigiar sobre teus sentidos, tua imaginação, teu coração e teu entendimento!
b) Maria, por mais virtuosa e santa que fosse, sempre ainda progrediu na prática do bem. Não avançar é recuar. Onde estão teus progressos na virtude, desde os dias do uso da razão? “Só um é necessário”! Põe mãos à obra, enquanto ainda o podes fazer.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 358)
10 de dezembro
1. a) Conformando-se com a vontade de Deus, Maria Santíssima despojou-se com São José. Não receava por sua virgindade, que lhe era sobremodo cara; confiava tranquilamente na Onipotência divina, que de fato lha conservou. Aprende de tua Mãe a confiar, plenamente, em Deus, por maiores que sejam as tuas necessidades.
b) Deus não quis que a pureza de Sua Mãe fosse exposta a alguma suspeita. Cuidas assim de tua boa reputação, e também do bom nome de teu próximo?
Deus quis que o mistério da Encarnação, por algum tempo, fosse desconhecido pelo mundo. Escondes, do mesmo modo, o que talvez tens de bom e de louvável?
2. As qualidade do Esposo talvez não satisfaziam ao mundo, mas sim a Deus. Perante o mundo, São José não passava de um simples operário, sem bens de fortuna, sem influência social, sem grande instrução. O Altíssimo, porém, estima a pobreza, o trabalho e a virgindade, qualidades que, ao lado das demais virtudes, tornavam São José digno de Maria. O prejuízo é teu, se preferires o juízo do mundo ao juízo de Deus. Este, não aquele, te julgará. Se o sabes, não é loucura viver como se o ignorasses?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 359)
11 de dezembro
1. Já no Paraíso, Deus prometeu o redentor, mostrando assim a Sua misericórdia verdadeiramente infinita. Adiou, todavia, o cumprimento de Sua promessa, por muitos séculos, para que se tornasse bem visível a enorme miséria que resultou do pecado. Com poucas exceções, os homens todos se tinham afastado de seu Deus, adorando criaturas e entregando-se a indizíveis vícios. Por toda parte orgulho, egoísmo, impureza, crueldade. Quanto deves a Deus, que pela redenção transformou a terra de tal modo, que hoje é fácil salvar-te, desde que o queiras seriamente.
2. a) O Arcanjo Gabriel foi mandado por Deus a uma Virgem. A pureza é o primeiro requisito exigido para a recepção do Senhor. Ele só virá morar em teu coração, se este for semelhante ao coração puro de Maria.
b) O anjo encontrou a futura Mãe de Deus, ao que se supõe, rezando em seu quarto. A solidão e a oração muito concorrem para melhor preparação à vinda do Senhor. Ainda que não te apareçam anjos ao rezares, eles estão invisivelmente presentes, para levarem tuas preces a Deus. Com quanto respeito deves, pois, portar-te durante o salutar exercício da oração!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 360)
12 de dezembro
1. a) “Eu te saúdo, cheia de graça, o Senhor é contigo“. O anjo não falou de si, mas louvou a outrem. Reconheces, de bom grado, os méritos dos outros? Quanto a ti, fala, como o anjo, não de teus méritos, saber, virtude, etc., e sim daquilo que possa ser útil a tua alma. Deves visar em tudo a glória de Deus, o bem de tua alma e da do próximo.
b) “Cheia de graça, o Senhor é contigo“. A graça é a única coisa que tem valor aos olhos de Deus. E está ela em tua alma, ou acha-se esta cheia de imperfeições e pecados?
2. a) “Quando ela o ouviu, turbou-se do seu modo de falar“. Maria, ao ouvir da boca do anjo o louvor sublime de sua virtude, ofendeu-se em sua humildade. Quanta diferença entre o proceder de Maria e o teu! Tu ficas turbado quando, com maior ou menor razão, és censurado, enquanto com intimo prazer prestas toda atenção a qualquer palavra de louvor.
b) Para tranquilizar a Santíssima Virgem, outro meio não buscou o anjo do que dizer-lhe:
“Achas graça diante de Deus”
POder-se-á, por ventura, dizer o mesmo de ti? De nada te aproveita agradar aos homens, se não achares graças perante Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 361)
13 de dezembro
1. “E José, seu esposo, como era justo e não a queria infamar, resolveu deixá-la ocultamente“. Terrível provação para o esposo! Maria, o ideal de toda virtude, que São José diariamente teve de admirar, era mãe, mas ele ignorava a mensagem do anjo e a conceição milagrosa em virtude do Espírito Santo. Com tanta severidade Deus prova às vezes os justos! São José não pensou em fazer valer seus direitos, manifestando tudo. Resolveu antes deixar ocultamente sua esposa e não lhe manchar a reputação. És u tão solícito pela reputação alheia como São José?
2. a) Não menos pesaroso e triste foi para Maria ver a mágoa de seu esposo, sem poder esclarecê-lo, cumprindo também neste ponto a vontade de Deus. Mas, por mais que sofresse, confiou ao Onipotente sua justificação, aumentando, por heroica resignação, seus méritos já abundantes.
b) Deus, afinal, pôs termo à provação dos seus mais queridos seres na terra. Mandou um anjo a Nazaré dizer:
“José, Filho de Davi, não temas receber a Maria, tua epsosa, porque o que nela se gerou é obra do Espírito Santo”
Assim Deus vela por todos que nEle confiam. Longe, pois, toda pusilanimidade!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 362)
14 de dezembro
1. a) “Isabel deu à luz um filho. E ouviram seus vizinhos e parentes que o Senhor havia assinalado com ele sua misericórdia“. Deus tirou de Isabel, que lho tinha pedido durante dezenas de anos, a esterilidade corporal. O mesmo Deus faz tudo, para tirar de tua alma a esterilidade espiritual; sem tua cooperação, porém, ela ficará eternamente sem frutos.
b) Isabel recebeu um filho, de quem disse o Espírito Santo que havia de ser grande diante do Senhor. A grandeza perante Deus é a única de valor real. Aprecias esta praticamente, preferindo-a a tudo?
2. “Este – São João – veio por testemunha para dar testemunho da luz“. São João teve de preparar os corações para a vinda do Messias, e fê-lo por sua vida exemplar sua pregação e pelo sacrifício de seu sangue. Tu tens a vocação de preparar pelo menos teu próprio coração a Jesus. Dás também testemunho dEle por tuas palavras, teu exemplo e tua vida? Oh! Se tivesses verdadeiro amor a Jesus, não te contentarias em cuidar somente de tua alma, farias ainda todo o possível pela salvação de teu próximo.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 363)
15 de dezembro
1. Deus determinou que seu Filho Unigênito salvasse o mundo por uma humilhação sem igual. Jesus não desceu somente até aos anjos, o que já teria sido uma humilhação infinita, mas até nós, e isto quando a humanidade estava sobremaneira manchada pelo pecado. Não querendo aparecer homem feito, Jesus passou ocultamente nove meses no seio de uma criatura Sua, nasceu em presépio, viveu pobre e desprezado, e pobre e desprezado morreu, após ter sofrido toda a sorte de injúrias, calúnias e perseguições. Permita Deus que não resistas a linguagem tão eloquente e persuasiva!
2. Jesus quis salvar-nos pelo sofrimento. Daí a solidão e os incômodos dos nove meses que precederam seu nascimento. Daí a pobreza na infância, que O acompanhou em toda a vida e nem O deixou na cruz. Rigores do tempo, perseguições humanas, aparente aandono por parte de Deus, nada disto foi poupado a quem veio sofrer aquilo que nós tínhamos merecido. Quanta gratidão não lhe deves! Seja Jesus teu exemplo em todas as contrariedades. Ele, inocente, não mereceu castigo algum: tu, que és culpado, queixar-te-ás?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 364)
16 de dezembro
1. Para melhor reconheceres o infinito amor que Deus mostrou, mandando Seu Filho ao mundo, supõe que O tenha enviado por causa de um homem só, único habitante da terra. Por amor deste, Deus apesar de ofendido, assumiu a natureza humana, rabalhou dezenas de anos em humilde oficina, andou pregando por toda parte, sofreu, morreu e instituiu o Santíssimo Sacramento. Não ficas pasmo ante essa prova do imenso amor de Deus para com Sua criatura e ante a malícia desta quando O paga com negra ingratidão? A sentença será contra ti mesmo, pois, por ti veio Jesus à terra, por ti trabalhou, ensinou e sofreu, por ti morreu, por ti está no Santíssimo Sacramento.
2. Ainda que a Encarnação, a Paixão e Morte de Jesus tenham sido em benefício de todos, não é menor o favor e nada te foi subtraído. Teu proveito é o mesmo como se fosses tu o único habitante da terra, pois, mais do que Jesus fez Ele não podia ter feito. Como nada perdes do raio da luz e do calor do sol por se estenderem a todo o universo, nada perdes do sol espiritual por alumiar e aquecer este a todos. Tanto Deus te amou, que por ti sofreu e morreu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 365)
17 de dezembro
1. Sem dores e desgostos conservou a Santíssima Virgem em seu seio puríssimo a Jesus por nove meses. Era natural: tudo o que cordial e sinceramente amamos, nenhum incômodo nos causa. Quanto maior for teu amor para com Deus, tanto mais facilmente vencerás os obstáculos: a indolência, o orgulho, o amor próprio. Se qualquer coisa leve te afasta do cumprimento de tuas obrigações e da prática das virtudes, é certo que o teu amor a Deus ainda não é real, nem muito grande.
2. a) Com quantos bens e prerrogativas celestiais Jesus não terá enriquecido Sua Mãe nesses nove meses, se antes a cumulou de graças! Não poderás ter ventura igual! Jesus tantas vezes toma posse de teu coração na Santa Comunhão; se não fazes progressos de uma a outra, é poruqe não te aproveitas de tão grande graça.
b) Em geral os filhos recebem sua nobreza dos pais; Maria, porém, recebeu-a do Filho: ela é Rainha porque é Mãe do Rei. Também tu podes receber unicamente de Jesus verdadeira nobreza que ainda no céu te distinguirá. Não dependia de ti nascer da mais alta e nobre das famílias, mas depende de ti ser mais ou menos nobre e rico no céu.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 366)
18 de dezembro
1. A Santíssima Virgem teve o mais vivo desejo de ver nascido e de tomar em seus braços Aquele a quem milagrosamente concebera. Tens tão vivo desejo da Santa Comunhão, na qual tão estreitamente te unes a Deus? Faltando agora poucos dias para o Natal, prepara-te com verdadeiro fervor para receber o Senhor, que há de vir espiritualmente, e, se o quiseres, também sacramentalmente ao teu coração. À tua preparação corresponderá a paz prometida ao número as outras graças.
2. Prepara-te, sobretudo, por um santo recolhimento de teu espírito. À medida que se aproxima o grande dia, deves preservar teu coração de tudo o que o distraíria e pensar mais vezes no mistério da noite santa, no amor de Deus e nas virtudes que, como brindes espirituais, depositarás no presépio. Ao recolhimento deves juntar a santidade de vida, vigiando mais do que de costume; convém consagrar todas as tuas ações ao Menino Jesus, – oferecer-lhe cada dia algum sacrifício e avivar em teu coração o amor divino por meio de frequentes orações jaculatórias.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 367)
19 de dezembro
1. A vida de Jesus no seio de Sua Mãe foi uma vida de santa solidão. Na fraqueza duma criança Ele esconde Sua onipotência, Sua sabedoria, Sua divindade. Não é, pois, exagerado consagrares a Jesus algumas horas, não persistires sempre em teu direito, e ocultares por amor a Ele o que talvez tenhas de apreciável. Ninguém, senão a Santíssima Virgem, sabia da voluntária solidão de Jesus. Ele ensina-te a não procurares ver tudo e ser visto por todos, mas a recolheres-te e conservares-te oculto, tendo somente a Deus por testemunha do bem que fazes.
2. Jamais encontrarás melhor modelo de humildade que Jesus no seio de Sua Mãe. No presépio, ao menos, está Ele patente aos olhos dos homens, os anjos entoam Sua glória, os pastores O adoram, os magos prostram-se diante dEle. Ali, porém, os magos prostram-se diante dEle. Ali, porém, tudo é obscuridade, tudo é solidão; está no mundo e ninguém, a não ser Maria, vem dar-lhe as homenagens que lhe são devidas. Por isso o grito de espanto que solta a Santa Igreja:
“Vós não tivestes horror ao seio da Virgem!”
Digno começo duma vida que não era senão uma série de humilhações; Compara com ela teus sentimentos e atos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 368)
20 de dezembro
1. “Sendo rico, fez-se pobre por vós, para que vós, por sua pobreza, fôsseis ricos“. Podia muito bem possuir riquezas Aquele que tão magníficas deu ao céu e à terra; buscou, porém, a pobreza no seio da Sua Mãe. Ali, de nada dispondo, exulta com o pensamento de que nascerá pobre, viverá pobre e pobre morrerá; que depois de nascido não poderá, sem auxílio de uma criatura Sua, nem se alimentar, nem se vestir, nem ao menos prover a nenhuma das necessidades da vida. O Criador, o Altíssimo, o Juiz supremo em tanta dependência! E tu nada sabes sofrer por amor a Ele?
2. Os nove meses antes do nascimento foram para Jesus um tempo de contínuas mortificações, porque não estava, como as mais crianças, privado do uso da razão. Aos sofrimentos dos sentidos exteriores sobrevinham os dois interiores: do espírito e da imaginação que já lhe permitiam antever toda a sorte de dores que O esperavam em Sua vida. Jesus sacrifica Sua liberdade, torna-se dependente de Sua criatura. Como envergonha Jesus tua covardia, que já te fez ser tão ingrato a Ele! Por Ele, nada? Merece Jesus ser tratado assim?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 369)
21 de dezembro
1. “E iam todos para se alistar, cada um à sua cidade. E subiu também José… a Belém… para se alistar com sua esposa Maria“. A Providência Divina serviu-se do decreto desse recenseamento para dar cumprimento à profecia de Miquéias, de que o Messias nasceria em Belém, fazendo que os próprios documentos coligidos pelos historiadores profanos registrassem o nascimento de Jesus e atestassem não ser Ele um mito. A fé não tem nada a recear dos resultados da ciência. Vê também, nesta viagem a Belém, quão grande a obediência de José e de Maria! Quão grande a humildade do Verbo Encarnado!
2. A viagem foi sem dúvida penosa, particularmente para a Santíssima Virgem, não tanto por seu estado, mas por sua tenra idade de 14 a 15 anos e pelos incômodos próprios de tão longas viagens, sobretudo porque sobrevieram o rigor do tempo e a pobreza dos viajantes. Todavia, Maria e José, longe de se queixarem, atendiam unicamente a agradarem em tudo a Deus e a se prepararem em tudo a Deus e a se prepararem para o grande mistério que em poucos dias havia de realizar-se. Eis o modelo a seguir.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 370)
22 de dezembro
1. “Veio para o que era seu e os seus não o receberam“. Assim se tratou a Jesus, já antes que Ele nascesse. Os esposos mais santos que houve e haverá na terra são repelidos de todas as casas. Para todos e para tudo há lugar, menos para eles. Assim, em vão pede Jesus entrada num coração que já está ocupado por outrem: pelas vaidades do mundo, por paixões, más inclinações não combatidas, etc. Não é recebido porque vem tarde. Em tal coração foi hospedado antes o demônio; este entrou já pelo pecado original, e, expulso, procura logo voltar. Quem reina em ti?
2. Jesus e seus pais não acharam albergue algum em Belém, pois deles ninguém esperava vantagens. São pobres e por isso repelidos, como Jesus ainda o é hoje pelos corações mesquinhos, porque não lhes oferece lucros ou gozos sensuais. Os habitantes de Belém negaram-se a hospedar a Santíssima Virgem, receando incômodos para a sua casa. Quantas vezes bate Jesus à porta de um coração! Este, receando ter que renunciar às inclinações e de vencer seu amor próprio em prejuízo de sua comodidade, nega entrada a quem lhe daria maior felicidade. E tu?…
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 371)
23 de dezembro
1. Em toda a cidade de Belém não havia um único lugar para Maria, José o Deus Infante a nascer. Uma pobre e rude gruta, estábulo de animais, serviu de refúgio ao Criador do céu e da terra, à sua Mãe puríssima e a seu casto Pai nutrício. Eis como Deus permite serem tratados aqueles que lhe são mais caros no céu e na terra!
Sofrimentos e desgostos, aos olhos de Deus, são graças de valor incalculável; aproveita-os, em santa resignação, quando Deus com eles te favorecer. Consolar-te-á o exemplo de Jesus, Maria e José em Belém e o pensamento na eterna retribuição pela mão generosa de Deus.
2. Maria e José, sabendo que era chegada a hora do sublime mistério do nascimento de Cristo, fizeram os últimos preparativos, limpando a gruta segundo suas forças e seus meios e arranjando um lugar para o menino, que em breve teria de nascer. Com que desejo anelaram a bendita hora em que, com os próprios olhos, veriam a Deus homem, seu filho! Imita-os em seu recolhimento, em seu ardente amor a Jesus, e prepara dignamente teu coração para a vinda do mesmo. Ou acreditas já não teres nada que limpar e enfeitar?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 372)
24 de dezembro
1. Ao dia de hoje seguirá a mais bendita noite. Nasce o Salvador, há quatro mil anos esperado ardentemente. Nasce o Salvador; do presépio estende Seus bracinhos para aplacar a justiça de Deus ofendido; com Suas lágrimas lava as nossas culpas; com Seus gemidos pede para nós misericórdia. Trem de frio, sofrendo para nos salvar. Se em tal estado todo o menino recém-nascido te comove, o que deves sentir e fazer ao contemplar Jesus, que por ti desceu à terra, que por ti tanto padeceu e que quer ser todo teu!
2. “E estavam na mesma região uns pastores nos campos, alternadamente velando e guardando nas vigílias da noite o seu rebanho. Eis que se apresenta junto deles um anjo do Senhor e a claridade de Deus os cercou de refulgente luz“. Noite bendita, noite de mistérios! Aqueles a quem Jesus primeiro se manifestou são homens de trabalho, pastores humildes e ignorantes, pois Deus não olha para quanto algum tem ou sabe, e sim para o seu coração. Anunciou-lhes o anjo alegria imensa; mavioso coro celeste fez ouvir o hino:
“Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra paz aos homens de boa vontade”
És tu digno, como os pastores, de ajoelhares-te esta noite ante o presépio de teu Salvador?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 373)
25 de dezembro
1. Natal!… Abstraindo de tudo, tem hoje olhos e ouvidos só para Belém. A quem vês na obscura gruta? Teus olhos corporais divisam uma criancinha pobre, tenra, desabrigada, tremendo de frio; teus olhos espirituais veem “o Verbo que se fez carne e habitou entre nós“. A fé não se escandaliza pelas miseráveis faixas, pela falta de todo cômodo, pela ausência de sinais que manifestassem Sua divindade. Pobre veio Jesus, para que também O amem os que são pobres, em bens ou em virtudes; veio amável, para cativar os corações. Seu amor só com amor podes pagar.
2. Os olhos corporais enxergam uma mãe em excessiva pobreza, a quem tudo falta para acomodar seu tenro filhinho. A fé, porém, vê nela a mais feliz das mães, a quem chamarão bem-aventuradas todas as gerações. Em santidade e pureza ninguém a iguala. Outro céu e outra terra Deus podia criar, mas outra mãe mais perfeita, não. Ao lado de Maria está seu casto esposo, agora ricamente recompensado pelas duras provocações a que antes esteve sujeito. Recompanhia, pois só ela garante uma felicidade sem limite, sem fim!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 374)
26 de dezembro
1. Desapareceram os anjos, mas suas misteriosas palavras ficaram gravadas nos corações dos pastores, que incontinente resolveram:
“Vamos até Belém e vejamos o que sucedeu”
Oxalá, assim não desapareçam de teu coração as salutares resoluções tomadas na oração! Segue os pastores até Belém. vê com eles Aquele que veio salvar-te. Vê a pobreza de Jesus, Sua humildade, amabilidade e candura. Rende-lhe graças, oferece-lhe teu coração e entrega-lho para todo o futuro. Ama-O, pois Ele o permite, e até o quer. Poder amar a um Deus, ser amado por Ele – oh! Quem compreende tanta ventura!
2. De seu Salvador aprendeu Santo Estêvão a amar heroicamente seus inimigos, perdoando-lhes tudo e até intercedendo por eles. Com prazer ofereceu sua vida, e deu, por seu sangue, testemunho de Jesus, alentado por ver avertos os céus. Amas teu Salvador a ponto de fazer por Ele todo sacrifício que te pede? Terás o céu aberto, quando te dirigires ao presépio. Ali, acharás força para o combate, paciência no sofrimento, fervor nos negócios da alma, amor ardente a Deus.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 375)
27 de dezembro
1. a) “E vieram a toda pressa e acharam a Maria e José e ao Menino posto na manjedoura“. Vieram sem ordem terminante do anjo, mas impelidos pelo santo e ardente desejo de ver seu Salvador e de prestar-lhe suas homenagens. Cooperas assim com as graças e inspirações de Deus?
b) “E vendo isto, conheceram a verdade do que se lhes havia dito acerca deste Menino“. Obedecendo às inspirações de Deus, conhecerás mais e mais quanto é bom, nobre, de perfeição infinita, e quão grande a felicidade de amá-Lo. Contempla-O de novo no presépio e toma-O por teu modelo.
2. Próxima à festa do Senhor é a de seu discípulo predileto, São João; predileto por sua virginal pureza, por sua candura e modéstia, por seu ardente amor. Na ceia, Jesus o aperta ao Seu peito, na cruz lhe confia Seu mais precioso tesouro, Sua Mãe Imacualada. Somente virtudes, como as de São João, te farão digno do amor de Jesus. Começaste, ao menos, a ser-lhe semelhante? Ou nem isto? Pede a São João que te ajude a dominares-te e a fazeres enfim os progressos que Jesus há tanto tempo espera.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 376)
28 de dezembro
1. “Maria conservava todas estas coisas, conferindo-as no seu coração“. Belo exemplo! Maria guardou tudo o que os pastores fizeram e disseram em louvor de seu Filho, e tu tão facilmente abandonas as aspirações que não faltam nunca, quer venham diretamente de Deus, quer por intermédio de Seus ministros! Maria meditava em tudo. Por que não te lembras mais vezes das graças já recebidas, agradecendo-as devidamente e correspondendo-lhes sempre melhor? Esqueceste que só uma coisa é necessária, tratar da salvação de tua alma?
2. Os Santos Inocentes tiveram a fortuna de salvar, por sua morte, a vida de Jesus; deram testemunho dEle, não com palavras, mas com o próprio sangue, sendo as primeiras flores dessa messe de mártires. Triunfaram do mundo antes de O conhecer, não tendo recebido a vida senão para sacrificá-la, e, assim, conquistar a eterna glória. Ser inocente e padecer, é o que caracteriza os predestinados; é o rasgo da mais perfeita semelhança com Jesus, é a mais segura garantia do céu. Como cuidas de tua inocência? Como procedes ao sofreres algum desgosto ou uma simples contrariedade? E como, a respeito de mortificações voluntárias?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 377)
29 de dezembro
1. “E voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto que era como se lhes havia dito“. Não era para estranhar que os pastores, sendo agraciados com a vinda e o canto dos anjos e ainda com a visita ao presépio, distinguidos a tal ponto, mostrassem sua gratidão. O mesmo Jesus está continuamente esperando tua visita no tabernáculo. No presépio ocultou Sua divindade; aqui o faz também, ocultando ainda Sua humanidade, mas não deixará de dar-te as mesmas graças que dispensou aos pastores, se vieres e voltares com as mesmas disposições santas.
2. Se os pastores te dão belíssimo exemplo, o mesmo fazem os anjos do céu. Eles jamais cessam de erguer hinos de júbilo ao Deus recém-nascido, de adorá-Lo, de render-lhe graças. Esforçam-se ainda em fazê-Lo conhecido pelos homens, convidando-os a irem ao presépio. Em primeiro lugar ergueram louvores a Deus nas alturas, mostrando-te assim qual deve ser tua primeira e principal ocupação. Em seguida anunciaram paz aos homens; paz para com Deus, para consigo e para com o próximo. Gozas desta tríplice paz?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 378)
30 de dezembro
1. Se amas a Maria, tua Mãe, não te pode ser indiferente nada que a ela se refere. Vê-a, pois, novamente, junto à lapinha de Jesus. Sua alegria na pobre gruta de Belém era indizível. Tinha diante de si a quem há tanto tempo e tão vivamente esperara. Viu satisfeito o desejo do mundo inteiro. Mais ainda: pôde chamar de filho ao Salvador, seu filho e seu Deus ao mesmo tempo. Alegrando-te com tua Mãe, pede-lhe que não se esqueça de seres outro filho seu, que tanto precisa de seu cuidado maternal.
2. No meio desta alegria a Santíssima Virgem sentia imensa dor, ao pensar no futuro de seu Filho, que veio à terra para sofrer. Ela, que o tinha tão gentil e mimoso diante de si, veria Seu rosto esbofeteado, coberto de escarro e sangue, Sua cabeça coroada de espinhos, Suas mãos e Seus pés traspassados por grossos pregos, Seu peito aberto por uma lança, tendo em vez do presépio uma cruz por leito. E, todavia, essa heroica Mãe não se opôs a este oceano de dores, em que o filho seria submergido. Pede-lhe perdão da dor imensa e incessante que teus pecados lhe causaram.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 379)
31 de dezembro
1. O ano está a findar-se. A quem deves a graça de veres ainda seu fim? Favores sem número, sem limites, recebeste de Deus. Ele conservou-te a vida, preservou-te de inúmeros perigos; salvou-te em outros e provê a todas as tuas necessidades. Na vida espiritual favoreceu-te com benefícios ainda maiores. Quantos sacramentos administrados, quantos ensaios e exemplos, quantas boas inspirações, não concedidas a outros! Com Maria podes dizer:
“Grandes coisas me fez quem é poderoso”
És grato como ela? Como mostrarás praticamente tua gratidão a Deus?
2. Este último dia do ano não deve passar sem que te arrependas de ter abusado de tantas graças, esperdiçado e empregado mal tantos instantes, deixado sem fruto tantos meios de salvação e até ofendido frequentemente a quem é teu benfeitor e amigo sem igual. Será este ano a teu favor na balança do Supremo Juiz? Ou prevalecerá, talvez, o mal? Seja sincero teu arrependimento, grande tua gratidão e, daqui por diante, inexcedível teu fervor.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 380)
1. À medida que se aproximava a morte de Jesus, Ele manifestou mais e mais seu incompreensível amor. Instituiu o Santíssimo Sacramento para poder ficar no meio de nós por todos os tempos; quis abaixar-se ao ponto de servir-nos de alimento. Que excesso de amor! Previu tantos ultrajes feitos a Ele no Tabernáculo e na Santa Comunhão e nada o deteve de fazer a maior obra de sua Onipotência, Sabedoria e Bondade.
2. a) Escolheu para o momento da instituição exatamente aquele tempo em que os homens mais odiavam e se apresentavam para o atormentar e crucificar. A noite anterior à Paixão é a noite da instituição do Santíssimo Sacramento! Que excesso de bondade!
b) Quão diferente é a disposição dos primeiros neo-comungantes, os apóstolos. Entre eles há um indigno, que em seguida se tornou obstinado. Preserve-te Deus do mais triste dos ultrajes: a indigna comunhão! Como te preparas para a Santa Comunhão e como fazes a ação de graças? Mostras, por todo o teu proceder, que é Deus quem te visita?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 119)
1. “Ó vós que passais pelo caminho, atendei e vede se há dor semelhante à minha dor”. Contempla teu Jesus pregado na cruz e agonizante.
“Transpassaram minhas mãos e meus pés; contaram todos os meus ossos”
Seu corpo, da planta dos pés até à cabeça, é perfurada com espinhos.
Sua alma sofre o maior desamparo espiritual. Cercam-no inimigos que o insultam e lhe amarguram até os últimos instantes da vida. Poderás jamais pagar a Jesus o que Ele por ti sofreu?
2. a) “E inclinando a cabeça, rendeu o espírito“. Mistério insondável! Deus morre! Morre para salvar suas criaturas! Quanto valor deve ter a alma, pela qual tal preço foi pago! E como Deus deve amar-te, desde que tanto fez por ti! Não estás só. Há alguém que faz tudo por ti!
b) “Rasgou-se o véu do templo em duas partes, de alto a baixo; e tremeu a terra, e partiram-se as pedras. E os sepulcros se abriram“. A natureza toda confirmou que, “verdadeiramente, este homem era Filho de Deus“.
Serás o único insensível em toda a natureza?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 120)
1. a) Que triste soledade a de Maria, ver-se sem seu Filho! E sem tal Filho! Que tristeza, para o mundo todo, estar sem seu Deus! Ser a causa de sua morte!
b) Só há um, José de Arimatéia, que pede o corpo do Salvador, morto na cruz. Quão pequeno é o número dos amigos de Jesus! José, antes tinha receado mostrar-se discípulo de Cristo. O fruto da paixão dá-lhe agora a necessária coragem para a confissão franca de sua fé, sem medo, sem rodeios. E tu?…
2. a) “E Nicodemos veio também, trazendo uma composição de quase cem libras de mirra e de aloés“. Vem embalsamá-lo. De todos os discípulos só dois assim manifestaram o seu amor. Sê o terceiro.
b) Maria toma o corpo de seu Filho em seu regaço maternal. Ela vê de perto suas horríveis chagas. Que dor indescritível para um coração de mãe! Mas nem lhe fica, ao menos, o consolo de estar por mais tempo com seu Filho morto; tem de acompanhá-lo ao sepulcro. Sua solidão é completa.
Na Santa Comunhão, Jesus está contigo, em íntima reunião. Como recebes seu corpo sacramentado? É teu respeitoso amor igual ao de sua Mãe?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 121)
1. “Na verdade, que o Senhor ressuscitou“. Segue a alegria ao pranto. Trinta e três anos de vida penosa, de trabalhos e sacrifícios sem número, precederam à ressurreição de Jesus. Num instante agora fecharam-se as chagas do corpo desfigurado, brilhando este em formosura sobrenatural. Cessou a dor para sempre e o antigo sofrimento só serve para maior glória de Jesus. Sofre, pois, com teu Salvador, e serás, como Ele, glorificado rica e eternamente. O que são os gozos da terra, comparados aos infinitos do céu?
2. Quatro distinções apresenta, com Jesus, todo o corpo glorificado. É imortal, não tendo de recear nada da morte; espiritualizado, podendo penetrar nos corpos mais duros, como Jesus passou pela porta fechada; veloz, não havendo distância alguma para ele, como não há distância para o pensamento; claro, qual outro sol. Se tanta glória, com razão, esperas para teu corpo, quanto não terá Deus reservado à tua alma, se lhe servires fielmente na terra? Sê grato e fiel a Jesus, que tanta felicidade te conquistou. Anima-te com estes pensamentos nas horas de sofrimentos e desgostos.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 122)
1. Terminada sua missão na terra, Jesus sobe triunfante aos céus, tendo antes abençoado os apóstolos, testemunhas de sua glorificação. Jesus se havia humilhado, pelo que foi exaltado. No momento em que te humilhas, começas a subir aos olhos de Deus e a ganhar um lugar mais alto no céu. Lúcifer e seus sequazes foram precipitados no inferno devido ao orgulho. A quem imitaste até agora?
2. Jesus foi acompanhado em sua gloriosa ascensão pelas numerosíssimas almas libertadas do limbo. Deus te oferece a libertação do jugo do mundo; esforça-te, para chegares também ao céu, acompanhado por outras que salvaste.
Quanto maior a humilhação de Jesus, tanto maior agora a sua glorificação. Os anjos recebem ao Homem-Deus, entoando hinos de júbilo. “Pai“, podia dizer, “eu acabei a obra que me deste a fazer. Tu, pois, meu Pai, glorifica-me agora em ti mesmo, com aquela glória que tive em ti antes que houvesse o mundo“. Poderás também dizer:
“Acabei a obra que me deste?”
Jesus está agora reinando à direita de seu Pai. Que é o que tu mereceste?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 161)
1. Obedecendo a Jesus, os discípulos prepararam-se, em santo retiro, para a vinda do Espírito Santo. Sabiam que este viria, ignorando eles, porém, o tempo da vinda. Passaram-se dias, e nada ainda da realização da promessa de Jesus. Continuaram, não obstante isso, com suas fervorosas orações. A perseverança na oração alcança todas as graças. Quer Deus te dê abundância de suas consolações, quer tenhas de saborear toda a sorte de securas e contrariedades, continua a pedir, que Deus enfim virá.
2. a) A esse tempo estava presente também Tomé, que antes tinha sido privado de grandes graças, por não ter estado com os outros.
“Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, lá estou no meio deles”
Estimas devidamente as orações e os exercícios em comum?
b) Estava também Maria Santíssima. Suas orações, dizem alguns teólogos, aceleraram a vinda do Espírito Santo. É sempre bom estar com Maria, ser seu devoto e filho, pois ela nunca deixará os que lhe foram dados por filhos e que a veneram como mãe.
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 170)
1. Admirável é a vinda do Espírito Santo. Baixa do trono do Altíssimo a segunda Pessoa da Santíssima Trindade e tudo é humildade, abatimento; vem a terceira Pessoa e tudo é estrondo, maravilha, publicidade. Jesus escolheu um pobre lugar, fora de belém; o Espírito Santo, a capital; Jesus veio de noite; o Espírito Santo, em pleno dia; a vinda de Jesus foi presenciada pela pobre mãe, a do Espírito Santo, por todo o povo, vindo das diversas partes do país. Na vinda de Jesus, Deus manifestou seu infinito amor; hoje, também sua tremenda majestade.
2. a) São admiráveis os efeitos da vinda do Espírito Santo. Três anos estiveram os apóstolos na escola de Jesus, e no fim deste tempo, quanta ignorância ainda! Agora basta-lhes um dia, para saírem explicando as Escrituras e propagando a luz que superabundante lhes foi dada.
b) Antes da vinda do Espírito Santo, quanta fraqueza nos apóstolos, quão pouca virtude! Disputaram o primeiro lugar, não creram, fugiram na Paixão. São Pedro negou seu Mestre… E agora? A ninguém temem. Pregam diante dos inimigos. Alegres suportam perseguições, cárceres e açoites pelo nome de Deus. Que frutos produziu o Espírito Santo em ti? Preparaste-te para a sua vinda como os apóstolos?
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 171)
1. O Deus que pudesse ser compreendido não seria Deus, pois o Ente infinito não pode estar ao alcance de uma inteligência limitada como a nossa. O mistério da Santíssima Trindade, cuja existência é revelada na Anunciação, no batismo de Nosso Senhor e por palavras inequívocas de Cristo, nos mostra a infinita grandeza de Deus. Querer compreendê-Lo, seria capricho igual ao de criança que quisesse encerrar todo o mar numa concha ou na palma de sua mão. Todos os outros mistérios desvendar-se-ão à entrada do céu, como as sombras à luz do sol, mas o mistério da Santíssima Trindade subsistirá, para eterna admiração dos bem-aventurados. Que respeito merece teu Deus incompreensível, presente em todo lugar!
2. O mistério da Santíssima Trindade é nossa esperança. Vemos nela um Pai infinito, que, apesar de incompreensivelmente grande, nos ama até querer que nos chamemos seus filhos e com efeito o sejamos; vemos um Filho medianeiro, que em indizível bondade oferece o seu sangue em paga das nossas dívidas, um pontífice que roga por nós, um advogado e irmão que defende a nossa causa; e, finalmente, o Espírito Santo, um amigo, ocupado dia e noite na nossa santificação, dando-nos amparo, luz e consolo. Quanta gratidão não merece!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 178)
1. Jesus não quis ser só teu alimento na santa Comunhão, mas também o companheiro de tua vida, o amigo de teu coração, tua consolação no peregrinar. Por isso, mora dia e noite no tabernáculo. Mas ai! Que ingratidão e vergonha! Jesus é abandonado; muitas vezes está vazio o templo em que mora e em que espera Seus filhos. Ó! Fé fraca que paga com tanta ingratidão e que se priva de tantos méritos e de tantos progressos no bem! Ó! Falta de amor a um Deus!
2. Tratar-se-á de horas, que devas sacrificar a Jesus? Não! Quando teu caminho passar perto da Igreja, ou tuas ocupações o permitirem, entra por alguns momentos. Será demais? Quantas horas não gastas em recreios? Em ocupações mundanas?… Não saberás o que fazer perante o tabernáculo? Faz o que fazes em visita a um amigo: fala, pergunta, escuta, pede conselhos, assegura-Lhe teu amor. Tais visitas te farão progredir no bem com passos de gigante. Diante do tabernáculo, o divino jardineiro plantará a boa semente em tua alma. Vai, reza, adora, pede, agradece e, por último, recebe teu Jesus espiritualmente em teu coração. Será um sacrifício tal visita? Preferes, realmente, afeições humanas a Jesus, que pensa em ti, dia e noite? Triste cegueira!
(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 182)